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 Hoje: 23 junho, 2003 3:10 PM
ANO VIII - Nº 96 - MAIO A JUNHO 2003
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Selma Reis

Divino Contralto da MPB

Celso Jardim

Surgida na metade dos anos 1980, década marcada pela explosão do rock nacional, pela vanguarda paulista do Selo Lira Paulistana (Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção) e pelas produções independentes, Selma Reis rapidamente consolidou-se na cena musical como uma das intérpretes mais importantes da música brasileira, com forte vigor interpretativo e personalidade própria acentuada no seu registro vocal contralto e apoiada em uma perfeita técnica. Selma descobriu-se cantora na França no final dos anos 1970, onde estudou música e canto.

De volta ao Brasil na década seguinte, apresentou pequenos shows no restaurante Bothanic, na época um simpático ponto de encontro de artistas, intelectuais e amantes de música e poesia. Lançou seu primeiro disco em 85 “Selma Reis”, produção independente do fotógrafo Locca Faria. Extremamente bem feito, o disco contou com participações especiais dos baianos Armandinho e Gereba, marcando definitivamente seu ingresso no universo das melhores cantoras do país.

Culta, simpática e inteligente, Selma confessa-se apaixonada pelas formas tradicionais de cantar e interpretar, sendo um misto de cantora e atriz, atriz que se descobriu na própria música, tendo participado de importantes trabalhos teatrais como Chiquinha Gonzaga (O Abre-Alas) de Charles Möller em 98 e na mini-série “Presença de Anita” onde interpretou uma cigana. Seu disco de 91 “Só Dói Quando Eu Rio” teve a música “O Amor”, incluída na trilha sonora da também mini-série Riacho Doce tornando-se sucesso nacional. Seus discos possuem cuidadoso tratamento de produção, cantando com os maiores instrumentistas, arranjadores e produtores, como Rafael Rabello, Jaques Morelembaum, Dorival e Danilo Caymmi, Mazzolla e Novelli, entre outras feras. Identificada com a obra de Gonzaguinha, dedicou ao saudoso compositor carioca um CD inteiro, “A Chave dos Perdidos” (1996) e pela gravadora “Ares de Havana” um emocionante cd onde interpreta os principais compositores cubanos, de Pablo Milanés (Para Vivir) à Silvio Rodrigues (Oh Melancolia) entre outros expoentes da “Nueva Trova” todo gravado em Cuba com músicos cubanos. Uma trajetória impecável que deságua no relançamento de “Todo Sentimento” de 95, feito no final do ano passado no Teatro Rival. O trabalho de Selma Reis pode ser conferido no Arte – Sesc. Flamengo – Rua Marquês de Abrantes 98, dia 26/05 às 19:00.Imperdível!


 

Alceu Total

Sara Polo

Alceu Valença celebra 30 anos de carreira lançando o CD De Janeiro a Janeiro, do Selo Tropicana, nas bancas, junto com a revista Música de Atitude.
Alceu, que chegou na contra-mão dos meios de comunicação de massa, em meio ao mais denso cortinado de músicas americanas tocadas nas rádios, para despertar a gente da importância de mergulhar em nossa brasilidade.
Seu trabalho vem ao longo do tempo preservando a personalização da identidade cultural do Brasil, a arte de combinar seus mais autênticos absurdos a realidade – “O País ficou refém de um só timbre, uma postura e um comportamento únicos”, discursa.
A percussão vem esmerilhando os timbres, que se refletem em diversos sotaques brasileiros como a toada, coco, frevo, maracatu, xote e até um Bluebaião, de 1970.
O CD tem produção de Paulo Rafael, também guitarrista de Alceu.
No repertório destacam-se as canções inéditas “Acende a Luz”,  um frevo canção composto para o carnaval deste ano, “Hino de Elefante”, frevo tradicional do carnaval de Pernambuco e o blues “Júlia, Julho”. Também no CD “Juazeiro” de Luiz Gonzaga, “Espelho Cristalino”, “Vassourinhas”, entre outras, que poderemos ouvir de janeiro a janeiro.