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Selma
Reis
Divino
Contralto da MPB
Celso
Jardim
Surgida
na metade dos anos 1980, década marcada pela explosão
do rock nacional, pela vanguarda paulista do Selo Lira Paulistana (Arrigo
Barnabé, Itamar Assumpção) e pelas produções
independentes, Selma Reis rapidamente consolidou-se na cena musical
como uma das intérpretes mais importantes da música brasileira,
com forte vigor interpretativo e personalidade própria acentuada
no seu registro vocal contralto e apoiada em uma perfeita técnica.
Selma descobriu-se cantora na França no final dos anos 1970,
onde estudou música e canto.
De
volta ao Brasil na década seguinte, apresentou pequenos shows
no restaurante Bothanic, na época um simpático ponto de
encontro de artistas, intelectuais e amantes de música e poesia.
Lançou seu primeiro disco em 85 Selma Reis, produção
independente do fotógrafo Locca Faria. Extremamente bem feito,
o disco contou com participações especiais dos baianos
Armandinho e Gereba, marcando definitivamente seu ingresso no universo
das melhores cantoras do país.
Culta,
simpática e inteligente, Selma confessa-se apaixonada pelas formas
tradicionais de cantar e interpretar, sendo um misto de cantora e atriz,
atriz que se descobriu na própria música, tendo participado
de importantes trabalhos teatrais como Chiquinha Gonzaga (O Abre-Alas)
de Charles Möller em 98 e na mini-série Presença
de Anita onde interpretou uma cigana. Seu disco de 91 Só
Dói Quando Eu Rio teve a música O Amor,
incluída na trilha sonora da também mini-série
Riacho Doce tornando-se sucesso nacional. Seus discos possuem cuidadoso
tratamento de produção, cantando com os maiores instrumentistas,
arranjadores e produtores, como Rafael Rabello, Jaques Morelembaum,
Dorival e Danilo Caymmi, Mazzolla e Novelli, entre outras feras. Identificada
com a obra de Gonzaguinha, dedicou ao saudoso compositor carioca um
CD inteiro, A Chave dos Perdidos (1996) e pela gravadora
Ares de Havana um emocionante cd onde interpreta os principais
compositores cubanos, de Pablo Milanés (Para Vivir) à
Silvio Rodrigues (Oh Melancolia) entre outros expoentes da Nueva
Trova todo gravado em Cuba com músicos cubanos. Uma trajetória
impecável que deságua no relançamento de Todo
Sentimento de 95, feito no final do ano passado no Teatro Rival.
O trabalho de Selma Reis pode ser conferido no Arte Sesc. Flamengo
Rua Marquês de Abrantes 98, dia 26/05 às 19:00.Imperdível!
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Alceu Total
Sara Polo
Alceu
Valença celebra 30 anos de carreira lançando o CD De
Janeiro a Janeiro, do Selo Tropicana, nas bancas, junto com a revista
Música de Atitude.
Alceu, que chegou na contra-mão dos meios de comunicação
de massa, em meio ao mais denso cortinado de músicas americanas
tocadas nas rádios, para despertar a gente da importância
de mergulhar em nossa brasilidade.
Seu trabalho vem ao longo do tempo preservando a personalização
da identidade cultural do Brasil, a arte de combinar seus mais autênticos
absurdos a realidade O País ficou refém
de um só timbre, uma postura e um comportamento únicos,
discursa.
A percussão vem esmerilhando os timbres, que se refletem em
diversos sotaques brasileiros como a toada, coco, frevo, maracatu,
xote e até um Bluebaião, de 1970.
O CD tem produção de Paulo Rafael, também guitarrista
de Alceu.
No repertório destacam-se as canções inéditas
Acende a Luz, um frevo canção composto
para o carnaval deste ano, Hino de Elefante, frevo tradicional
do carnaval de Pernambuco e o blues Júlia, Julho.
Também no CD Juazeiro de Luiz Gonzaga, Espelho
Cristalino, Vassourinhas, entre outras, que poderemos
ouvir de janeiro a janeiro.
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