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PAZ NA
TELA
Tem
coisas que só acontecem com o cinema brasileiro. Há alguns
dias atras a mídia estampava uma queda de braço entre
o governo federal e alguns produtores culturais deste pais. Os atuais
detentores do poder resolveram endurecer com as oportunidades
oferecidas àqueles que tentam produzir cultura apoiados na legislação
especifica para o setor, ou seja, as leis do Audiovisual e Rouanet.
O que pretendiam com as tais medidas pretensamente corretoras de possíveis
distorções no processo de financiamento da produção
cultural pelas empresas estatais, reconhecidamente as que mais destinam
renuncia fiscal à atividade, até agora não ficou
muito claro. O que se viu, na verdade, foi uma reação
imediata de produtores desencadeada por uma entrevista do diretor cinematográfico
Cacá Diegues onde argüía a competência do Ministério
da Comunicação em normatizar um segmento intrinsecamente
ligado ao Ministério da Cultura ao mesmo tempo que se impunham
regras que, para eles criadores culturais, sinalizavam como censura
previa aos pretendentes aos financiamentos disponibilizados pelas leis
de fomento à atividade.
A grita
foi tão grande e reação tão imediata que
em menos de quarenta e oito horas o Governo despachou os dois ministros
envolvidos ao encontro dos reclamantes para apagar um incêndio
que poderia chamuscar as relações com a classe artística
e, se propagado, acabar uma lua de mel iniciada na campanha eleitoral.
Desse encontro resultou a decisão de que tudo aquilo que for
afeto à cultura cabe unicamente ao Ministério respectivo.
Com isso apagou-se o incêndio e o ministro Gilberto Gil saiu fortalecido.
Fez-se
a paz e, feita a paz ficou no ar a pergunta: A quem interessava, e ainda
interessa, a desmontagem do sistema de financiamento às atividades
culturais, principalmente na área do audiovisual já uma
vez quase aniquilada por ação governamental.
A Indústria
do audiovisual, duramente golpeada na era Collor, vem se fortalecendo
nos últimos anos e não seria justo estancar uma evolução
conquistada a duras penas.
Novamente,
o povo brasileiro está voltando a assistir filmes brasileiros
e está gostando do que consegue ver. É importante que
incentivos sejam direcionados, além da produção,
também para a exibição. Ampliar a cadeia de exibição
e, aí sim, exigir com rigor a contrapartida social que pode vir
através de sessões a preços populares levando um
público que, a preço normal, não teria acesso àquela
sala. Isso sem falar nos filmes - e falo de ótimos filmes - que,
a exemplo da população menos favorecida, quase sempre
são limitados a uma semana em cartaz ou a uma eventual participação
em Festivais. Fica aqui a sugestão.
Um
bom exemplo do que falo é o bem humoradíssimo Celeste
e Estrela de Betse de Paula, vencedor do Prêmio de Público
no Cine PE - Festival do Audiovisual e deve estrear em breve por aqui.
Rua seis s/n° de João Batista é um suspense
policial em que Marco Ricca interpreta uma das personagens mais marcantes
de sua carreira.
O ótimo
Durval Discos de Anna Muylaert que permanece em cartaz aqui
no Rio, levou Melhor Direção de Arte, Melhor Roteiro e
Melhor Atriz para a maravilhosa Etty Fraser. Para quem ainda não
viu, recomendo pressa.
Mas
o grande Vencedor foi o belíssimo Narradores de Javé
de Eliane Caffé que, além de Melhor Filme e Melhor Direção,
deu ao grande Jose Dumont a Calunga, nome do Prêmio
Oficial do Cine PE, de Melhor Ator. Espero que não demore a ser
lançado. É imperdível !
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