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Liberdade
mesmo só na feira
Feira-livre
é um grande barato. Em Copacabana, temos várias. A melhor
sempre foi a da Domingos Ferreira, que agora está centrada na
Praça Serzedelo Corrêa. Ipanema tem uma ótima, na
General Osório, e a da Gávea (Praça Santos Dumont)
é nota 10. No Humaitá, faço feira na porta de casa,
na Rua Maria Eugênia. Toda quarta-feira estou por lá, circulando
com o meu carrinho de compras, onde não deixo faltar pelo menos
inhame, quiabo, couve e frutas à vontade.
Fazer
feira sempre foi um grande programa, sobretudo se for na Glória.
Carioca ou morador do Rio que nunca foi à feira de domingo no
bairro da Glória, bem ali no miolo da Augusto Severo (onde às
noites travestis vendem outros produtos), não sabe o que está
perdendo.
Ir
à feira significa, além de encher fruteiras e geladeiras,
receber lições de como conviver, pechinchar, trocar experiências
e armazenar diálogos como o que ouvi diante do caminhão
de peixes do Severino. Depois de cheirar, futucar e meter o dedo no
olho do namorado-batata, a madame perguntou, distraída:
É fresco?
Que é isso, freguesa?! É só o jeitão dele.
Meu peixe é espada!
Ou
a compradora reclamando inocentemente dos preços altos, diante
da barraca de legumes, e o feirante espirituoso desfiando o rosário
de maledicências:
Tá caro tudo, senhora! Tacaro penino, tacaro cenoura, tacaro
nabo, tacaro mandioca...
Na
barraca do baiano - um cearense nascido na Paraíba, criado em
Pernambuco e vendedor de produtos do Pará na feira -, os jornalistas
Arthur Rocha e Pedro Teixeira beliscavam carne-do-sol e mordiscavam
cachaça Marimbondo quando o xepeiro se aproximou, pisando macio,
voz suave:
Posso tomar um aperitivo na conta dos senhores?
Claro, companheiro. Tem várias pingas aqui. Pode escolher.
Desculpem, mas não bebo pinga. Teria aí uma vodca, um
vinho, um uísque, algo assim?
Feira-livre
é coisa séria. E ainda tem esse detalhe: é livre.
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