Waldir
Matos é um pintor nascido no Rio de Janeiro que tem muitas
histórias para contar. Aos 87 anos, e em pleno processo de
criação, jamais desviou seu caminho nas artes plásticas
em prol de modismos efêmeros e desnecessários. Isto,
por si só, já é uma grande qualidade.
Amigos dos grandes
pintores que iniciaram o modernismo carioca aprendeu com eles a amar
sua cidade dela procurando extrair seus motivos mais característicos.
Aliás, são esses moti-vos, numa linguagem livre o que
mais fascina na obra de pintores como Bustamante Sá, Milton
DaCosta, Silvio Pinto e todos aqueles outros nomes que integravam
o grupo de estudo de arte comandado por Manoel Constantino e Guignard.
Não é à toa que fizeram história.
Waldir Matos não
estudou com esses mestres brasileiros atuantes como professores à
partir dos anos 30. Mas conviveu com quase todos os seus discípulos
que procuraram desvendar os arredores da Cidade Maravilhosa numa linguagem,
pictórica longe das mesmices acadêmicas que tantos perduraram
nas artes plásticas cariocas, mesmo a despeito da realização
da Semana de Arte Moderna, em 1922.
De formação
universitária - é advogado profissionalmente - Waldir
Matos, como pintor, é autodidata. Só começou
a pintar em 1952 e, em seguida, a participar do Salão de Belas
Artes. Posteriormente, no Salão Nacional de Arte Moderna, conquistaria
Isenção de Júri (1961) e Prêmio de Viagem
ao País (1965).
Pintor de temática variada passou por diversas fases, sempre
com linguagem pessoal e procurando através de séries
extrair de um assunto seus mais complexos conteúdos. Como agora,
com uma nova série de pinturas concentrada exclusivamente nos
bares e restaurantes cariocas.
Nada
mais saboroso do que essa visão do artista. O Rio é
reconhecidamente uma cidade que convida à boemia. Seus bares
e restaurantes mais tradicionais são repositórios de
parte de sua história. Neles conviveram numa época áurea,
músicos, pintores e intelectuais, numa confraternização
sadia que acabava se refletindo numa música ou num romance
tendo, obviamente, o Rio como cenário.
Pois
é essa história que Waldir Matos nos propõe com
a sua pintura. Através dela podemos penetrar nesses ambientes
cheios de tradições, muitos dos quais só conhecemos
de nome mas que existem espalhados por diversos bairros dando visa
da a uma cidade e inserindo-se na sua tradição. Principalmente
aqueles localizados no Centro onde se reunia, (e ainda se reúne)
elementos representativos dessa boêmia tão assumidamente
carioca.
Cada
detalhe de sua pintura procura a essência do que representa.
E Waldir Matos, com a experiência que os anos lhe proporcionaram
como pintor, faz mais do que reviver uma época: faz uma documentação
preciosa de épocas representativas de bares e restaurantes
que se tornaram tradicionais, uma homenagem plástica ao que
o Rio tem de mais seu. Figurativo, suas pinceladas medidas, suaves
longe do hiperealista mas dele se aproximando, nos dá visão
romântica e ao mesmo tempo lírica, a visão de
um artista que embora nostálgico, eterniza com sua pintura
um modo carioca de viver.