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 Hoje: 23 junho, 2003 3:06 PM
ANO VIII - Nº 96 - MAIO A JUNHO 2003
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Chamando o especialista: Laércio Giampaoli

Terapeuta nas áreas de cura prânica, cromoterapia, cristais e radiestesia, além de professor de Tai Chi Chuan, o paulistano Laércio Giampaoli atende em Copacabana há três anos. Com voz tranqüila e agradável, deu entrevista para o Jornal de Copacabana em seu consultório. Antes de começarem as perguntas, Laércio acendeu um incenso e ligou um CD de sons da natureza. Prepare seu ambiente também e confira.

JC: Na sua opinião, ainda permanecem muitos preconceitos com relação às terapias alternativas?

LG: Eu tenho sentido uma boa receptividade. Até têm aparecido algumas pessoas de terceira idade, que gostam de fazer relaxamento, massagem, cromoterapia...

JC: Morar em bairros populosos e barulhentos aumenta a chance de viver um estresse crônico. Como se prevenir, mesmo não seguindo uma linha específica de tratamento?

LG: Uma coisa que a própria natureza oferece é o banho de mar. O elemento sal ajuda na limpeza energética, fazendo com que muitas cargas, absorvidas no dia a dia de tensão, sejam dissolvidas. Depois do mar, uma ducha ajuda ainda mais.
Para quem não quiser esse banho, caminhar na grama é ótimo. E encostar-se numa árvore também propicia descarga de energia. A árvore, carinhosamente, joga toda a carga para a terra, onde se dá a transmutação. Depois, devolve para a pessoa energias novas. É um trabalho fantástico de interação com a natureza.

JC: E o seu trabalho com cromoterapia? Você pode transmitir uma lição simples, para quem nunca fez experimentar?

LG: Existe uma seqüência que é bem simples. Pode ser feita à noite, antes de ir dormir e, se quiser, também de manhã, ao acordar. Você precisa começar o trabalho com a cor azul celeste, porque ela tem a propriedade do equilíbrio. Com os olhos fechados, você imagina uma cachoeira dessa luz, da cabeça aos pés, pelo menos trinta segundos. A segunda cor pode ser o verde, responsável pela cura. A técnica é sempre a mesma. Em seguida, lilás clarinho, que é a cor da transmutação, e depois violeta, para o sistema nervoso central e periférico. Rosa, ligado ao amor incondicional, nos torna mais receptivos às pessoas. E amarelo, em seguida, dá disposição e clareza mental. Por último, de novo o azul, que compensa a falta ou excesso de outras cores.
Quem tem dificuldade para visualização, pode utilizar um cristal cromoterápico.

JC: Quais as dicas para aqueles momentos de trânsito infernal, quando estamos atrasados e prestes a explodir?

LG: Antes de mais nada, um disco de música New Age. Ouvir o barulho da água, os passarinhos cantando... E, para aproveitar esse tempo, uma boa idéia é começar a prestar atenção na respiração. Soltar todo o ar, com calma, imaginando que, junto dele, está indo embora a tensão. Ao respirar, imaginar uma luz branca entrando pelas narinas e invadindo todo o corpo, fazendo uma limpeza nos órgão, nas células. Expirando - pode ser até pela boca -, você vai imaginar uma cor escura indo embora, junto com todas as tensões. E é bom pedir que essas coisas sejam dissolvidas no éter, que lá se desintegrem, a fim de que nada vá voltar para você... Mas, fora isso, ninguém vai fazer também, enquanto está dirigindo, tai-chi dentro do carro!

JC: Por fim, uma pergunta oposta: para quem está muito desanimado, numa segunda feira, seis da manhã? Como se animar?

LG: Nesse caso, ao invés de fazer uma respiração calma, a pessoa vai fazer uma respiração um pouquinho mais acelerada. É bom tentar uma música xamânica, que tem ritmo rápido, aqueles índios gritando... dá até para sentir mais calor! Porque o xamanismo traz uma energia que vem da terra - exatamente o que falta para uma pessoa desanimada. Quem gosta pode dançar, saltar, pular. O coração vai bater mais rápido, e isso vai quebrar o ranço do cansaço.

Diana Matilde Menasché
 

Bip Bip Tum Tum

Um centro cultural disfarçado de botequim

O jornalista Marceu Vieira define Alfredinho, o dono do Bip Bip, como um "coração com bracinhos e perninhas". Certamente, todos os demais freqüentadores do pequeno grande botequim de 18 metros quadrados concordam com a definição. Sabem que esse coração mantém o bar pulsando fortemente, como um reduto de boa música e de grandes figuras cariocas.
Tudo isso motivou os jornalistas Luís Pimentel, Marceu Vieira e o economista Francisco Genu a escrever o livro Bip Bip - Um bar a seviço da alegria, uma antologia das histórias bipenses que reproduz toda a palpitante e bem humorada trajetória do bar em seus 33 anos de funcionamento.
Quase todos os depoimentos dos freqüentadores anônimos e ilustres foram recolhidos no próprio botequim. Chico Alencar, Jaguar, Jards Macalé, Walter Alfaiate e muitos outros dizem o que pensam a respeito do Bip Bip e suas peculiaridades.
Além disso tudo, ainda tem uma "bossa": por se tratar de uma publicação sobre bares para quem freqüenta bares, sua capa possui uma plastificação a fosco que a torna impermeável. Quem quiser, pode fazer da edição um porta copo. E, para completar, foi criado o selo Bip Bip Editorial, através do qual poderão ser lançados outros livros.

Um som que veio do espaço
O Bip Bip sempre teve uma forte ligação com a sonoridade. Seu nome, dado pelo primeiro dono, foi inspirado no ruído que o satélite soviético Sputnik (pequeno companheiro em russo), enviado ao espaço em 1957, emitia enquanto orbitava a Terra. No entanto, sempre houve quem dissesse que o nome vinha do desenho animado Papa Léguas. A confirmação só apareceu após a publicação do livro em 2000.
O Bip Bip nasceu no dia 13 de dezembro de 1968, data em que foi decretado o AI-5. E conta Alfredo que o estabelecimento sempre foi freqüentado por esquerdistas, o que até hoje acontece. O bar que, irônicamente, se localiza ao lado direito da rua, tornou-se muito conhecido por conta das rodas de samba e de choro que costumam reunir os mais expressivos nomes da música nacional. O acervo fonográfico do lugar conta não só com grandes clássicos da MPB, mas também com material fresquinho que artistas como Miúcha e Ana de Hollanda vão correndo mostrar a Alfredinho antes mesmo do lançamento. Sem contar o famoso Rancho que reúne toda a família bipense no sábado de aleluia.

O que falta para ser centro cultural?
Se o Bip Bip já é de esquerda por ideologia e de direita por endereço - nº 50 da Rua Almirante Gonçalves, Copacabana - só falta o centro. O bar concentra músicos, escritores, poetas e jornalistas e se engaja em diversos eventos e projetos. Pois então, não falta nada para o Bip Bip ser tratado como um centro cultural. E com certeza é, mas está disfarçado de boteco.
O pequeno grande bar carioca pulsa forte no compasso do samba e da alegria.

Leonardo Araújo

 

A cara do carioca

O Biscoito Globo ergueu seu castelo na areia graças a alguns segredos e peculiaridades

O carioca é mesmo esfarelado. Tem jeito crocante, desmanchado. Seja na praia ou no Maracanã, o maravilhoso (habitante da Cidade Maravilhosa) degusta trinta gramas de uma moda que nunca passou sem pretensão de matar a fome; simplesmente porque é gostoso. É nessa onda perene que segue o biscoito Globo, com seus 47 anos de graça. "Esse biscoito é a cara do carioca. É irreverente", diz Milton, um dos sócios, em entrevista numa mesa do bar da esquina. Quando os irmãos Fernandes deixaram o bairro do Ipiranga, em São Paulo, para fazer seus biscoitos de polvilho na capital carioca, não poderiam imaginar que passariam as cinco décadas seguintes fabricando o mais famoso biscoito do Rio de Janeiro. A receita do sucesso: uma grande dose de trabalho e um punhado, dos grandes, de sorte.

E assim, qualquer semelhança com a Vênus platinada pode não ser mera coincidência, mas não da maneira como muitos imaginam. No bairro de Botafogo estava a inspiração para o nome do produto. Os irmãos Milton, Jaime e João começaram a trabalhar, em 1955, na padaria Globo, quando então o homônimo jornal ainda não ofuscava o brilho dos Diários Associados. Porém, como diz Milton, na vida nada se cria, tudo é copiado. Desta maneira, surgiu o boneco que vive no saquinho de papel do biscoito dos irmãos Fernandes. Figura "clonada" do ilustre personagem "o bonequinho viu" da sessão de cinema do jornal O Globo. Seria esta a primeira experiência de clonagem na história - feita antes mesmo da cópia concebida pelo "doutor pereziano"? O fato é que o bonequinho provou... e gostou.

Mas por que nunca foi lançado um novo sabor, além dos tradicionais sal e doce? Esta é uma boa pergunta, que Milton responde com um argumento bem simples: "nós só trabalhamos com matéria-prima natural. Não utilizamos química. Se fizéssemos o sabor cebola, por exemplo, usaríamos ingredientes artificiais e fugiríamos ao nosso padrão". Mesmo com os sabores mais simples, o biscoito Globo é a marca de maior aceitação no mercado carioca do gênero, sempre fresquinho e deixando rastro de farelo que denuncia o comilão mais discreto. Porém, engana-se quem pensa que o mais famoso venda tanto. "Eu não fabrico para sobrar. Nosso produto é para permanecer no mercado cinco ou seis dias no máximo. Pelo prazo de validade não estraga, mas perde o sabor", explica o fabricante, que alega preferir não suprir a demanda do que correr o risco da sobra.

Muitos são os produtores de biscoitos de polvilho. Supermercados, padarias, feirantes e outra fábricas, como a Sortilege, oferecem o produto ao consumidor. Um dos diferenciais do Globo está no ingrediente principal: o polvilho. "É o mais caro, que fabrica para nós há 40 anos. Pagamos um preço acima do mercado", revela Milton. O polvilho Record, de Conceição dos Ouros, Minas Gerais, é comprado pelo Globo por R$1,00 o quilo, enquanto os demais são até 20 ou 30% mais baratos. Com tudo, o saquinho de 30 gramas é vendido na Rua do Senado, no Centro do Rio, por R$0,27.

E para os próximos 50 anos? Como será o amanhã do biscoito que é a cara do Rio? Os sócios já preparam seus filhos para dar continuidade ao trabalho dos pais e propiciar às próximas gerações a divertida oportunidade de se encher de farelo e ouvir os ambulantes gritarem as famosas e insubstituíveis frases: ô Globo! Sal e doce!

Leonardo Araújo