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Chamando
o especialista: Laércio Giampaoli
Terapeuta nas áreas
de cura prânica, cromoterapia, cristais e radiestesia, além
de professor de Tai Chi Chuan, o paulistano Laércio Giampaoli
atende em Copacabana há três anos. Com voz tranqüila
e agradável, deu entrevista para o Jornal de Copacabana em seu
consultório. Antes de começarem as perguntas, Laércio
acendeu um incenso e ligou um CD de sons da natureza. Prepare seu ambiente
também e confira.
JC: Na sua opinião,
ainda permanecem muitos preconceitos com relação às
terapias alternativas?
LG: Eu tenho sentido
uma boa receptividade. Até têm aparecido algumas pessoas
de terceira idade, que gostam de fazer relaxamento, massagem, cromoterapia...
JC: Morar em
bairros populosos e barulhentos aumenta a chance de viver um estresse
crônico. Como se prevenir, mesmo não seguindo uma linha
específica de tratamento?
LG: Uma coisa que
a própria natureza oferece é o banho de mar. O elemento
sal ajuda na limpeza energética, fazendo com que muitas cargas,
absorvidas no dia a dia de tensão, sejam dissolvidas. Depois
do mar, uma ducha ajuda ainda mais.
Para quem não quiser esse banho, caminhar na grama é ótimo.
E encostar-se numa árvore também propicia descarga de
energia. A árvore, carinhosamente, joga toda a carga para a terra,
onde se dá a transmutação. Depois, devolve para
a pessoa energias novas. É um trabalho fantástico de interação
com a natureza.
JC: E o seu trabalho
com cromoterapia? Você pode transmitir uma lição
simples, para quem nunca fez experimentar?
LG: Existe uma seqüência
que é bem simples. Pode ser feita à noite, antes de ir
dormir e, se quiser, também de manhã, ao acordar. Você
precisa começar o trabalho com a cor azul celeste, porque ela
tem a propriedade do equilíbrio. Com os olhos fechados, você
imagina uma cachoeira dessa luz, da cabeça aos pés, pelo
menos trinta segundos. A segunda cor pode ser o verde, responsável
pela cura. A técnica é sempre a mesma. Em seguida, lilás
clarinho, que é a cor da transmutação, e depois
violeta, para o sistema nervoso central e periférico. Rosa, ligado
ao amor incondicional, nos torna mais receptivos às pessoas.
E amarelo, em seguida, dá disposição e clareza
mental. Por último, de novo o azul, que compensa a falta ou excesso
de outras cores.
Quem tem dificuldade para visualização, pode utilizar
um cristal cromoterápico.
JC: Quais as
dicas para aqueles momentos de trânsito infernal, quando estamos
atrasados e prestes a explodir?
LG: Antes de mais
nada, um disco de música New Age. Ouvir o barulho da água,
os passarinhos cantando... E, para aproveitar esse tempo, uma boa idéia
é começar a prestar atenção na respiração.
Soltar todo o ar, com calma, imaginando que, junto dele, está
indo embora a tensão. Ao respirar, imaginar uma luz branca entrando
pelas narinas e invadindo todo o corpo, fazendo uma limpeza nos órgão,
nas células. Expirando - pode ser até pela boca -, você
vai imaginar uma cor escura indo embora, junto com todas as tensões.
E é bom pedir que essas coisas sejam dissolvidas no éter,
que lá se desintegrem, a fim de que nada vá voltar para
você... Mas, fora isso, ninguém vai fazer também,
enquanto está dirigindo, tai-chi dentro do carro!
JC: Por fim,
uma pergunta oposta: para quem está muito desanimado, numa segunda
feira, seis da manhã? Como se animar?
LG: Nesse caso,
ao invés de fazer uma respiração calma, a pessoa
vai fazer uma respiração um pouquinho mais acelerada.
É bom tentar uma música xamânica, que tem ritmo
rápido, aqueles índios gritando... dá até
para sentir mais calor! Porque o xamanismo traz uma energia que vem
da terra - exatamente o que falta para uma pessoa desanimada. Quem gosta
pode dançar, saltar, pular. O coração vai bater
mais rápido, e isso vai quebrar o ranço do cansaço.
Diana
Matilde Menasché
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Bip
Bip Tum Tum
Um centro cultural
disfarçado de botequim
O jornalista Marceu
Vieira define Alfredinho, o dono do Bip Bip, como um "coração
com bracinhos e perninhas". Certamente, todos os demais freqüentadores
do pequeno grande botequim de 18 metros quadrados concordam com a definição.
Sabem que esse coração mantém o bar pulsando fortemente,
como um reduto de boa música e de grandes figuras cariocas.
Tudo isso motivou os jornalistas Luís Pimentel, Marceu Vieira
e o economista Francisco Genu a escrever o livro Bip Bip - Um bar a
seviço da alegria, uma antologia das histórias bipenses
que reproduz toda a palpitante e bem humorada trajetória do bar
em seus 33 anos de funcionamento.
Quase todos os depoimentos dos freqüentadores anônimos e
ilustres foram recolhidos no próprio botequim. Chico Alencar,
Jaguar, Jards Macalé, Walter Alfaiate e muitos outros dizem o
que pensam a respeito do Bip Bip e suas peculiaridades.
Além disso tudo, ainda tem uma "bossa": por se tratar
de uma publicação sobre bares para quem freqüenta
bares, sua capa possui uma plastificação a fosco que a
torna impermeável. Quem quiser, pode fazer da edição
um porta copo. E, para completar, foi criado o selo Bip Bip Editorial,
através do qual poderão ser lançados outros livros.
Um som que veio
do espaço
O Bip Bip sempre teve uma forte ligação com a sonoridade.
Seu nome, dado pelo primeiro dono, foi inspirado no ruído que
o satélite soviético Sputnik (pequeno companheiro em russo),
enviado ao espaço em 1957, emitia enquanto orbitava a Terra.
No entanto, sempre houve quem dissesse que o nome vinha do desenho animado
Papa Léguas. A confirmação só apareceu após
a publicação do livro em 2000.
O Bip Bip nasceu no dia 13 de dezembro de 1968, data em que foi decretado
o AI-5. E conta Alfredo que o estabelecimento sempre foi freqüentado
por esquerdistas, o que até hoje acontece. O bar que, irônicamente,
se localiza ao lado direito da rua, tornou-se muito conhecido por conta
das rodas de samba e de choro que costumam reunir os mais expressivos
nomes da música nacional. O acervo fonográfico do lugar
conta não só com grandes clássicos da MPB, mas
também com material fresquinho que artistas como Miúcha
e Ana de Hollanda vão correndo mostrar a Alfredinho antes mesmo
do lançamento. Sem contar o famoso Rancho que reúne toda
a família bipense no sábado de aleluia.
O que falta para
ser centro cultural?
Se o Bip Bip já é de esquerda por ideologia e de
direita por endereço - nº 50 da Rua Almirante Gonçalves,
Copacabana - só falta o centro. O bar concentra músicos,
escritores, poetas e jornalistas e se engaja em diversos eventos e projetos.
Pois então, não falta nada para o Bip Bip ser tratado
como um centro cultural. E com certeza é, mas está disfarçado
de boteco.
O pequeno grande bar carioca pulsa forte no compasso do samba e da alegria.
Leonardo
Araújo
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A
cara do carioca
O
Biscoito Globo ergueu seu castelo na areia graças a alguns segredos
e peculiaridades
O carioca é
mesmo esfarelado. Tem jeito crocante, desmanchado. Seja na praia ou
no Maracanã, o maravilhoso (habitante da Cidade Maravilhosa)
degusta trinta gramas de uma moda que nunca passou sem pretensão
de matar a fome; simplesmente porque é gostoso. É nessa
onda perene que segue o biscoito Globo, com seus 47 anos de graça.
"Esse biscoito é a cara do carioca. É irreverente",
diz Milton, um dos sócios, em entrevista numa mesa do bar da
esquina. Quando os irmãos Fernandes deixaram o bairro do Ipiranga,
em São Paulo, para fazer seus biscoitos de polvilho na capital
carioca, não poderiam imaginar que passariam as cinco décadas
seguintes fabricando o mais famoso biscoito do Rio de Janeiro. A receita
do sucesso: uma grande dose de trabalho e um punhado, dos grandes, de
sorte.
E assim, qualquer
semelhança com a Vênus platinada pode não ser mera
coincidência, mas não da maneira como muitos imaginam.
No bairro de Botafogo estava a inspiração para o nome
do produto. Os irmãos Milton, Jaime e João começaram
a trabalhar, em 1955, na padaria Globo, quando então o homônimo
jornal ainda não ofuscava o brilho dos Diários Associados.
Porém, como diz Milton, na vida nada se cria, tudo é copiado.
Desta maneira, surgiu o boneco que vive no saquinho de papel do biscoito
dos irmãos Fernandes. Figura "clonada" do ilustre personagem
"o bonequinho viu" da sessão de cinema do jornal O
Globo. Seria esta a primeira experiência de clonagem na história
- feita antes mesmo da cópia concebida pelo "doutor pereziano"?
O fato é que o bonequinho provou... e gostou.
Mas por que nunca
foi lançado um novo sabor, além dos tradicionais sal e
doce? Esta é uma boa pergunta, que Milton responde com um argumento
bem simples: "nós só trabalhamos com matéria-prima
natural. Não utilizamos química. Se fizéssemos
o sabor cebola, por exemplo, usaríamos ingredientes artificiais
e fugiríamos ao nosso padrão". Mesmo com os sabores
mais simples, o biscoito Globo é a marca de maior aceitação
no mercado carioca do gênero, sempre fresquinho e deixando rastro
de farelo que denuncia o comilão mais discreto. Porém,
engana-se quem pensa que o mais famoso venda tanto. "Eu não
fabrico para sobrar. Nosso produto é para permanecer no mercado
cinco ou seis dias no máximo. Pelo prazo de validade não
estraga, mas perde o sabor", explica o fabricante, que alega preferir
não suprir a demanda do que correr o risco da sobra.
Muitos são
os produtores de biscoitos de polvilho. Supermercados, padarias, feirantes
e outra fábricas, como a Sortilege, oferecem o produto ao consumidor.
Um dos diferenciais do Globo está no ingrediente principal: o
polvilho. "É o mais caro, que fabrica para nós há
40 anos. Pagamos um preço acima do mercado", revela Milton.
O polvilho Record, de Conceição dos Ouros, Minas Gerais,
é comprado pelo Globo por R$1,00 o quilo, enquanto os demais
são até 20 ou 30% mais baratos. Com tudo, o saquinho de
30 gramas é vendido na Rua do Senado, no Centro do Rio, por R$0,27.
E para os próximos
50 anos? Como será o amanhã do biscoito que é a
cara do Rio? Os sócios já preparam seus filhos para dar
continuidade ao trabalho dos pais e propiciar às próximas
gerações a divertida oportunidade de se encher de farelo
e ouvir os ambulantes gritarem as famosas e insubstituíveis frases:
ô Globo! Sal e doce!
Leonardo Araújo
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