O
Brasil é realmente um estranho país em relação
ao reconhecimento e valorização que recebem seus artistas
de música popular. Possuindo uma das músicas mais
ricas do Planeta, cantores, cantoras, compositores, instrumentistas,
maestros, enfim, pessoas que cumpriram importantes papéis
relativos a determinadas épocas são simplesmente relegadas
ao mais puro e completo esquecimento, alijadas dos veículos
mais importantes de comunicação, ficando fora de catálogo
ou até mesmo dos suplementos de coletâneas das grandes
gravadoras que preferem investir pesado em artistas pré-fabricados
que durarão o tempo que durem o modismo que representam através
de rótulos esdrúxulos e de mau-gosto tais como axé-music,
samba-glitter, bunda-music, pop-romântico, sertanejo, etc.,
banalizando gêneros como o forró, apropriando-se indevidamente
de nomes como o pagode que mudam de sentido, descaracterizando o
bom e velho samba, causando danos irreparáveis à nossa
cultura musical, agredindo nossos ouvidos e subestimando a inteligência
do público, que em parte por falta de opção
e informação, acaba por cair nas armadilhas de um
consumismo imediato, apoiado pela força da mídia e
da máquina do show-bussines, cada vez mais fortes e competentes.
Nesta guerra santa do bem contra o “mal-music”, temos
a falsa impressão de que nada surgiu de novo no front depois
da geração brilhante de anos sessenta de Caetano,
Chico, Gil, Milton, Edu Lobo, Vandré e Sidney Muller, a reciclagem
de mineiros e baianos nos setenta, a vanguarda paulista com Arrigo
Barnabé , Itamar Asumpção e a explosão
do rock nacional nos oitenta, Marisa Monte, Chico Science nos 90
e mais nada. A maioria dos artistas surgidos nestes períodos
que deveria ocupar um espaço de renovação saudável
da MPB ficou confinada ao chamado” circuito alternativo”
divulgando seus trabalhos para um público restrito através
de shows, registros fonográficos independentes, auto-produzindo-se
independentemente através das leis de incentivos fiscais
estaduais, federais e municipais surgidas nos últimos anos,
enfim como der, algumas vezes fazendo sucessos de âmbito regional
como é o caso de Nei Lisboa no RGS, Geraldo Espíndola
no MS e Jackie Silveira no Rio. Mineira de BH, Jackie é cantora,
compositora, tendo trabalho autoral em fase de pré-produção,
possuí experiência insólita como intérprete
na França, na cena de músicos brasileiros em Paris,
o que já é uma tradição, tendo mostrado
seu trabalho nos mais prestigiados café-concertos da noite
parisiense como Trois Maillets, Nouveau Café, Cave le Chapelais,
Chez Féliz e outros, além de concertos realizados
no teatro da Maison de Brésil e no Centro Cultural Paul Belliart.
Atualmente leva o show João -Tudo de bom - Bosco, um mergulho
na obra instigante, eclética e carregada de alma brasileira,
do também mineiro João Bosco e seus diversos parceiros.
Com Alexandre Guichard (violão) e Marcos Trança (percussão).
Direção de Zezé Motta. No Espírito das
Artes, Cobal do Humaitá, 08 de novembro, sexta-feira, 22
h..Imperdível. Reservas 2265-5599.