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Para fazer o personagem me desprovi de qualquer tipo de vaidade"
Ele
está completando 25 anos de carreira. Para comemorar terá
um ano cheio de estréias no teatro e cinema. Consagrado
por seus personagens cômicos, Guilherme Karam se define
“uma pessoa simples e sem graça”. Fica difícil
acreditar na afirmativa, quando se trata de alguém que
conquistou o público com personagens como o mordomo Porfírio
de Meu Bem, Meu Mal e em suas aparições no programa
humorístico TV Pirata. Para este ano, ele aguarda o lançamento,
nos cinemas, da comédia As Alegres Comadres. Segundo ele,
não vai faltar diversão para o público em
2003. O nosso vizinho deste mês fala sobre seus projetos
e realizações, faz críticas à televisão
e declara o seu amor ao bairro onde nasceu: Copacabana. Confira
a entrevista:
Quais os seus projetos para o ano que está começando?
Fiquei outubro e novembro gravando o longa metragem As Alegres
Comadres. Para fazer o personagem me desprovi de qualquer tipo
de vaidade. Engordei muito, fiquei barbudo... Os porteiros se
espantavam, eu parecia um lobisomem, mas o personagem pedia (risos).
O filme foi um presente para coroar os meus 25 anos de carreira.
É um clássico de Shakespeare adaptado para o cinema.
O título original é As Alegres Comadres de Windsor.
A cidade da Inglaterra deu lugar ao cenário de Tiradentes,
que é uma cidade mineira, bem barroca...
Meu personagem é Fausto (foto), um pilantra, que chega
à cidade dizendo ser amigo do rei de Portugal, quando,
na verdade, foi expulso do país. acreditando em sua nobreza,
os burgueses do local tratam ele muito bem. Mas Fausto subestima
as pessoas da cidade e tenta aplicar um golpe, só que elas
pessoas da cidade percebem a farsa. Eu nunca vi alguém
ser tão ridicularizado quanto ele. O filme entrará
em cartaz em junho.
Além disso está em cartaz em Xuxa e os Duendes
2...
É. Em março vou estrear a última peça
do Vicente Pereira (escritor do movimento besteirol dos anos 80),
chama-se O Karma Cor de Rosa. Fiz o curta metragem As Vozes da
Verdade, um filme do Pedro Santos, filho da Lucélia Santos.
Um garoto novo com um talento enorme. Este também irá
estrear este ano.
Você tem uma atividade artística paralela:
a pintura. Expôs algumas peças no Blue Angel em Copacabana,
no ano passado. E este ano, vem mais exposições?
Este ano devo deixar as exposições de lado, pois
vou passar o ano a mercê do filme As Alegres Comadres, fazer
divulgação...
E quando volta para a telinha?
Devo voltar na próxima novela da Glória Peres, que
é a única autora que escreve para mim hoje em dia.
Na minha carreira tive quatro padrinhos excelentes, três
deles faleceram: Paulo Ubiratan, Cassiano Gabus Mendes e Wilson
Aguiar Filho. No dia que a Glória parar de escrever para
mim, acabou a minha carreira na televisão...
Então existe mesmo aquela história das panelinhas,
né?
Com certeza. Isso é uma coisa que a gente precisa aprender
a falar sem rancor nem amargura. Faz parte. Durante os anos de
carreira, alguns autores te elegem e outros não. Confesso
que, em 1991, quando fiz o Porfírio, em Meu Bem Meu Mal,
que foi aquele sucesso estrondoso, ofereci o meu trabalho para
todos os autores do país e não adiantou nada. Tem
autores que simplesmente “não vão com a sua
cara”. Temos que encarar isso com a maior naturalidade...
Assim, acredito que no começo do ano que vem eu volte à
televisão.
Você está com um filme em cartaz e, em junho,
outro estará nos cinemas do país. Acredita que o
cinema brasileiro está retomando com força total?
Acho que nem é uma questão de quantidade de filmes,
mas o prestígio com o público. O cinema antigo,
como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Xica da Silva e A Dama do
Lotação lotavam as salas de cinema.
E Copacabana, há quanto tempo está no bairro?
Nasci na maternidade Arnaldo de Moraes na rua Pompeu Loureiro,
em Copacabana. Adoro o bairro. Aqui estou em casa, faço
tudo. Conheço todo mundo. Tomo suco, como pastel, a rapaziada
toda me conhece, dou autógrafos numa boa... A convivência
é do tipo: bom dia Karam! E aí Raposão! Agora
estou transferindo a minha realidade para o meu ateliê.
Vou me mudar para cá. O que me impressiona em Copacabana
é a população: cresceu muito. Em quatro quarteirões
(Toneleiro, Barata Ribeiro, Avenida Copacabana e Avenida Atlântica)
convivem tipos totalmente diferentes de classes sociais. Mas todo
mundo convive muito bem.
Sair daqui nem pensar, né?
Sair de Copacabana nunca! Gosto daquela favelinha – aponta
para o morro dos Tabajaras - , tem um rap que eles sempre colocam..
Me tratam super bem, a galera é gente finíssima.
O melhor lugar do mundo é...
O Rio de janeiro, e olha que eu viajo muito! A verdade é
que a camaradagem, esse bom humor, só existe aqui no Brasil.
O brasileiro toma uma cerveja num boteco, e fica seu amigo na
hora.
Defina Guilherme Karam:
Sou uma pessoa muito simples e comum. As pessoas costumam dizer
que sou muito exuberante no trabalho, mas pessoalmente sou muito
sem graça, não sou dado a ares de estrela.
A veia cômica, de onde veio?
Acho que do meu ego. Sempre gostei de ser o centro das atenções,
desde menino gosto de monopolizar as atenções nas
festas que vou. Aí exercitei o meu lado cômico: uma
maneira agradável de chamar a atenção.