Hoje:
No metrô, uma visão longe demais

Nada contra. Mas se o distinto público carioca quiser apreciar o imponente, mas não bom painel que decora a estação do metrô da ainda não inaugurada Siqueira Campos, na esquina da rua Figueiredo de Magalhães, vai ficar decepcionado. Simplesmente não há quem possa ler todo o texto nele inserido. Quer dizer, letras para quê num trabalho plástico quando, já nos dizia MacLuhan, que uma imagem vale mais do que mil palavras?
Cochilo da autora do referido painel? Não sei. Aliás, só agora fiquei sabendo que se trata de uma artista plástica francesa que está de passagem pelo Rio, cujo nome nem sei. E aí vem a pergunta que não quer calar: houve concorrência para o referido painel? Ao que me consta, não.
Estranho, não acham? Temos excelentes pintores, gravadores, desenhistas, donos inclusive da técnica do painel e a direção do metrô escolhe, não se sabe como, uma artista francesa - nada contra a moça que sequer conheço, quanto mais sua produção plástica - para executar a obra quando, nas próprias imediações da nova estação, residem artistas que poderiam realizar belo trabalho no local.
Quanto custou a referida obra, alguém sabe? Pois é isto realmente o que mais irrita quem lida com assuntos culturais, os conchavos feitos nas caladas da noite, sem que ninguém tenha conhecimento do que está sendo tramado. E, no entanto, trata-se de dinheiro público patrocinando uma obra medíocre, repleta de textos que ninguém mesmo lerá, porque para tal será preciso uma lupa gigante, com uma horrível figura de mulher negra que, confesso, não entendi qual o significado que representa no painel.
Leve-se ainda em conta que é muito feia a arquitetura da nova estação da Siqueira Campos, terminada a toque de caixa para ser inaugurada no dia 20 de dezembro, tudo politicamente incorreto, que nem deu certo pois até hoje, escrevo em janeiro, continua à espera do sinal verde para operar. Com certeza esperando o nosso dinheirão que eles, os políticos, foram enviando para a Suíça com muita sede ao pote, esvaziando cada vez mais os cofres do Estado. Pobre Rio de Janeiro, não tem dado sorte com seus últimos dirigentes.
Fico imaginando o que artistas como Antonio Maia, Vergara, Gerchmann, Ivan Freitas, Claudio Kuperman e tantos outros bons pintores não fariam naquele esplêndido local. Uma interrogação para muitos pensarem: políticos, artistas e o povo, principalmente.

Geraldo Edson de Andrade