Gostaria
muito de não estar me sentindo triste como agora...
Copacabana já sofreu perdas irreversíveis. Perdemos
o Cine Rian que, em sua trajetória, nos brindou com
momentos cinematográficos de suma importância.
Ficamos sem o Ricamar onde nasceu o RIOCINE, hoje FESTIVAL
DO RIO BR – um dos mais importantes Festivais do país.
O Art Palácio também foi fechado. Agora estamos
ficando órfãos do belo e tradicional Copacabana
que dará lugar a uma academia de ginástica para
a terceira idade.
E pensar que o Grupo Severiano Ribeiro, um dos mais importantes
da exibição no Brasil, foi o criador do slogan
“Cinema é a maior diversão”!.
Hoje percebo que a frase é ótima, caiu no domínio
público, mas para quem dirige o GSR quer dizer - “Cinema
é a maior inversão”. Talvez porque os
filmes brasileiros nunca fizeram parte da predileção
do Grupo.
Cinema é negócio, é indústria.
Hoje nossos Produtores, Realizadores e Exibidores pensam dessa
forma e acredito ser esse o único caminho para uma
Indústria Cinematográfica forte e de bons resultados
de bilheteria.
Nestes 20 anos em que venho trabalhando na indústria
audiovisual da Produção ao Lançamento
e nos Festivais de Cinema que faço por esse mundo afora,
sempre ouvi casos envolvendo o cinema brasileiro, o americano
e o Grupo Severiano Ribeiro. Quando Nelson Pereira dos Santos
estreou o seu “Vidas Secas” no nosso “finado”
Copacabana, ficou famoso o episódio em que a bilheteira
do cinema “advertia”(???) a quem fosse adquirir
o ingresso para o fato de que o filme era brasileiro. Vá
lá que a pessoa não quisesse assistir a uma
obra prima como aquela, não é mesmo? Dizem até
que o gerente apagava as luzes do hall de entrada para que
desse a impressão de que a sessão havia sido
suspensa.
Agora ao invés da magia da sala escura teremos lá
amplos salões muito bem iluminados e equipadíssimos
com aparelhos, pesos e esteiras de um “fitness club”
para terceira idade, coisa de gringo de primeiro mundo, bem
ao gosto do GSR. No lugar de poltronas confortáveis,
colchonetes e cadeiras espreguiçadeiras para o repouso
dos “atletas” na lanchonete, é claro. A
tela enorme que nos fez enriquecer o espírito e viver
várias estórias e histórias dará
lugar agora a paredes espelhadas engordando um pouco mais
o cofrinho daquele conglomerado “cultural”.
Não sei se Copacabana vai conseguir superar a perda
do Copacabana. Até hoje nos dói lembrar do Rian,
Ricamar, Art Copacabana, Condor, Caruso... E o Metro????...
Meu Deus! Que saudade!
Nosso bairro perdeu mais uma sala de projeção.
A, nós seus moradores e admiradores, enquanto torcemos
por um futuro “Cine Estação Copacabana”,
só resta repetir o mestre Rubem Braga:
“Ai de ti, Copacabana!”