Hoje:

                                          Arte é uma coisa; Política é outra

 

Vem aí mudanças. Como acontece ao começo de novo período presidencial, nova política cultural está prestes a dominar o país. Como, agora, quem está por cima é a chamada esquerda (que em breve será tão direita como qualquer direita), vamos conhecer um período de contradições. Dentro daquele conceito de que todo intelectual é de esquerda, - e são eles, os intelectuais, que assessoram os poderosos chefões - muito em breve teremos conhecidos e notórios elementos, bem como os indefectíveis “pára-quedistas” à frente dos principais cargos da nossa cultura. Velha aspiração que finalmente se concretiza.
Tentarão impor linguagens avançadas, de vanguarda até, mas acabarão rendendo-se ao popularesco das ideologias e render-se-ão ao primitivismo. Por que esquerdista jamais compactua somente com as novidades estéticas, pois delas o povo quer distância na medida em que não querem ser consideradas burras pelos altos dirigentes políticos. Somos um país de enormes distâncias e iguais culturas arraigadas no povo. Culturas de raízes ainda à espera de quem as semem. Nem por isso deve-se virar às costas para o admirável mundo novo que o erudito pode nos proporcionar.
Pelo que tem acontecido no âmbito do Rio de Janeiro, o panorama não é nada animador. Depois da desastrada gestão do inominável Garotinho, alardeando piscinão e restaurantes populares, como se neste Brasil nunca houvesse existido o SAPS, justamente um órgão governamental que subsidiava refeições a preços módicos, vivemos um governo que envia balões aos céus para vigiar traficantes, enquanto na terra é o salve-se quem puder de sempre.
Não é diferente nas artes. Estamos vendo o descrédito gradativo do Teatro Municipal, cuja temporada deste ano não deixou de ser lamentável. Os museus estaduais vivem momento de penúria absoluta, sem projetos, idéias, gente, enfim, que possa conduzi-los a algum lugar onde se possa respirar os ares de suas finalidades. E notem que vivemos uma época propícia aos patrocínios. Qualquer evento em outros museus, sejam particulares ou federais, encontram a maior receptividade por parte do patrocinador. Nos estaduais não são levados a sérios nem pelos seus próprios funcionários. Como não são, igualmente, pelos que orientam a política cultural do estado. Os museus vivem, sim, pela abnegação de alguns que não deixam a peteca cair Afinal, cultura é cultura. Ninguém costuma ver Presidente da República no Brasil lendo um livro, assistindo uma peça teatral ou entrando num museu. Ainda mais de partido populista. Pelo seu histórico recente junto ao partido, Vera Loyola ainda acaba ministra da Cultura ou diretora do Museu Nacional de Belas Artes.
Um país que não ama sua cultura está morto ou moribundo, já dizia o poeta Garcia Lorca. No caso específico do Rio de Janeiro, falta somente o tiro de misericórdia. Porque as perspectivas futuras não são nada promissoras.