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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 
Fala Vizinho

Juca Chaves

Texto e fotos: Márcia Araujo e Virgilio Rocha

Depois de oito anos longe dos palcos cariocas, o morador da Bahia, Juca Chaves apresenta no stand up Finalmente Em Pé... Quase!, no Teatro dos Grandes Atores, Sala Vermelha, Barra.
Completando 55 anos de carreira, Juca faz um misto de novas e conhecidas piadas, modinhas, paródias e faz um retrato da vida pessoal.
Em entrevista ao Jornal Copacabana ele fala do atual momento e relembra tantos outros vivenciados.

Jornal Copacabana: Você teve sólida formação musical, tendo estudado violão, harmonia, fuga, solfejo, canto, regência, canto orfeônico, piano, folclore, com grandes professores, como Guerra Peixe,Oswaldo Lacerda, Lourdinha Amaral, Scupinari, Bernardo Federowsky, Fausto Antão Fernandes, Nair Medeiros, Maynard Araújo, Eleazar de Carvalho. Como se descobriu comediante?
Juca Chaves:
Sempre fui músico, compositor.Tenho mais de 600 horas de composições gravadas. Desde garoto, contava piadas nas festas, era o “arroz de festa”. Com 12 anos, fazia modinhas e a primeira sátira com 18.
O “Presidente Bossa Nova” lancei em 1956, me chamavam de Bossa Nova, mas nunca fui, tem até uma frase minha: Se a Bossa Nova fosse boa o João Gilberto não cantava tão baixinho... (risos)
Aurimar Rocha, do Teatro de Bolso do Leblon, pediu que eu “arrumasse” umas piadas para um show, o que era fácil pra mim, já que sempre li muito sobre humor, Millôr Fernandes, José Fidelis, Barão de Itararé, mas eu não tenho cabeça para guardar textos. Meu negócio é modinhas e humor.


Jornal: Como esta Era do politicamente correto afeta sua arte? O Artur Xexéo, recentemente, afirmou que não pode mais citar “Samba do Crioulo Doido” e sim : “Samba do Afrodescendente com Sérias Deficiências Culturais e de Aprendizado, Devido a Sua Condição Social Decorrente da Marginalização que o Povo de Sua Raça Sofreu Desde o Advento da Escravidão no Brasil”?
J.Chaves:
(risos). Muito boa esta! Zélia Gattai dizia que eu era anarquista, graças a Deus! Na minha juventude todos eram comunistas, quem não era comunista era nazista.
Com 12 anos de idade, morando em São Paulo, passava as duas férias escolares no Rio, a de julho e as de dezembro, janeiro e fevereiro. Ficava na casa do Alvino Filho, no edifício Igrejinha, Posto 6. Alvino, comunista stalinista, discutia liderança com Prestes, Oscar Niemayer, Agildo Barata, pai do Agildo Ribeiro e outros que se reuniam lá e em Saquarema, todos se chamando por Dr. Rui, Dr. Paulo... (codinomes).
Alvino foi me doutrinando, tinha uma editora e fui tomando contato com Engels, Marx, e isto foi até os 15 anos, mas logo deixei de ser, tudo por causa de um Jaguar, o carro... (risos). Eu tinha um carro de fabricação soviética, o Volga. Eu e o José Vasconcelos, uma m.. de carro, pior que o Lada. Certo dia, em São Paulo, me ofereceram um Jaguar 12 cilindros, fiquei louco pelo carro, comprei e deixei de ser comunista, comunista não pode ter Jaguar.
Na Itália também, logo quando cheguei comprei um Cinquecento (pequeno carro da Fiat), ao ganhar mais dinheiro, comprei uma Maserati. Era apoiado pelo jornal do Partido Comunista, que não gostou nada da idéia. (risos). Comunista não pode ter Maserati!
Tudo que é excesso não é bom. Religião e dinheiro são como droga, quando pouco curam, quando muito matam. É como a piada do show, hoje já não posso nem jogar golfe, se um buraco já é complicado, imagine 18! (risos).


Jornal: Além de humorista, foi ativista político, acabou exilado. Fale sobre isto:
J.Chaves:
Meu pai era maçom e soube pela maçonaria que meu nome estava na lista do Cenimar (temido centro de torturas da Marinha). Fui para Portugal cerca de três meses antes de estourar a revolução. O Walinho –Wallace Simonsen- dono da Panair, me deu a passagem. Mesmo porque eu já não conseguia mais trabalho por aqui, estava cortado de todas as televisões, não tinha mais o que fazer, “me mandei”.


Jornal: Deixou de lado a política?
J.Chaves:
Em Portugal, nem podia ter ideias políticas, quanto mais falar. Não se podia falar nem em água-de-colônia, tinha de ser água-de-província, pois colônia remetia para as colônias ultramarinas, na África (na época em luta pela independência).
Eu dizia que não podia nem ter dor de dente, pois se abrisse a boca seria preso.
Fiz uma piadas com as filhas de Salazar e já haviam uns caras atrás de mim, eram da PIDE (Policia Internacional e de Defesa do Estado, equivalente ao nosso DOPS) pareciam ingleses, os portugueses gostam muito dos ingleses... Fui para a Itália... (risos)


Jornal: E Copacabana?
J.Chaves:
Tem a praia mais bonita do mundo. Algumas se parecem com ela, mas não são Copacabana.
Pena que seja linda na orla, o bairro em si se perdeu no tempo.
Fui freqüentador assíduo da Fiorentina, vivenciei muito Copacabana.

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