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Claudia Menescal

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SARAU MUSICAL
Nara Leão

Nara Leão foi uma das intérpretes mais ousadas da música brasileira. Considerada a grande musa da Bossa Nova, Nara também atuou de forma marcante em outros movimentos musicais. Cantou a Bossa Nova, música de protesto, samba, chorinho, clássicos americanos, seresta e até música dançante.
O fato é que Nara Leão foi uma das grandes mulheres do cenário artístico nacional.
Nascida em Vitória no Espírito Santo, veio para o Rio de Janeiro com apenas umano, quando sua família fixou residência na cidade.
Filha de pais liberais, Nara recebia seus amigos em casa para reuniões, rodas de violão e bate papo. Consumiam muita coca cola e no final da noite preparavam macarronada. Essa turma se reunia para cantar, tocar e trocar idéias sobre a nova forma de fazer música.
De natureza tímida, mas com excelente memória, sabia de cor todas as músicas e letras, Quando seus amigos começaram a esboçar os primeiros shows, ela dava palpites nas melodias, nos arranjos e ajudava na seleção do repertório. Acompanhava os rapazes da Bossa Nova em todas as suas apresentações iniciais até que um dia inesperadamente Sylvia Telles a apresentou ao público em um show na PUC do Rio de Janeiro. Nara não teve outro jeito senão driblar a timidez e subir ao palco e cantar. E foi muito aplaudida!
A Bossa Nova ganhava força, Nara e seus amigos eram convidados para diversos shows. E quanto mais comparecia a eventos musicais, ela conhecia novas pessoas e outros tipos de música.
A partir daí sua carreira não parou mais. Participou de espetáculos significativos da MPB como “Pobre Menina Rica” e o lendário “Opinião”.
Gravou seu primeiro disco com músicas de Cartola, Edu Lobo, Ruy Guerra, Carlos Lyra e Vinicius de Moraes. Foi um sucesso e a partir daí ela começou a viajar pelo Brasil. Em seguida, fez algumas incursões pelo exterior.
Depois de sua participação em espetáculos de protesto contra a ditadura, defendeu numa entrevista a extinção das Forças Armadas. Com sua declaração passou a ser a inimiga número um do Estado, mas recebeu manifestações de apoio inclusive um poema de Carlos Drummond de Andrade publicado no jornal Correio da Manhã.
Convidada para participar do I Festival Internacional da Canção, Nara Leão fez um grande sucesso ao interpretar “A Banda” em dueto com Chico Buarque, autor da música.
Em 1967, casou com o cineasta Cacá Diegues e depois de dois anos, devido a situação política no país eles deixam o Brasil.
Afastada da vida profissional, Nara grava um novo disco em 1971 e volta com a família para o Brasil. Mesmo com dois filhos Isabel e Francisco, ainda pequenos, Nara volta a estudar e é aprovada no vestibular de psicologia.
Aparentemente sua carreira artística tinha ficado para trás, depois de vários discos gravados, participações em filmes, TV e shows que jamais seriam esquecidos.
Mas a reaproximação de seus amigos de infância motivou a retomada da carreira. Já separada do marido, gravou um novo disco e deu início a uma série de shows pelo país afora.
Em 1979 após um desmaio os exames apontaram uma mancha em seu cérebro. Após a morte de seu pai, seus desmaios e ausências continuaram. Aparentemente os médicos não sabiam diagnosticar o seu problema até que ficou comprovado ter ela um tumor maligno impossível de ser operado. Sua vida passou a se alternar entre altos e baixos. Continuava se dedicando aos filhos, ao trabalho e fazia o tratamento médico prescrito com afinco. Mas apesar da luta constante a doença tomou conta de forma acelerada e ela veio a falecer em 1988.
Dona de uma bela e doce voz de soprano, Nara foi uma das mais queridas e significativas presenças no mundo musical brasileiro e para o público que tanto a aplaudiu, será sempre a “Musa da Bossa Nova” que soube como ninguém emocionar os fãs conquistados ao longo de sua carreira vitoriosa!
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