Ed Souza
Promessa brasileira no Royal Ballet de Londres
Texto: Renata Moreira Lima

O nome artístico ele ainda não decidiu, mas Ed Souza tem sido a boa opção de Edivaldo Souza da Silva, jovem promessa do balé brasileiro.
A bolsa para estudar em uma das melhores escolas de balé do mundo, faz do garoto de 17 anos, um sonhador. Sonho que se concretiza com a ida para Londres.
A história começou como uma brincadeira de criança: “minha irmã fazia aula no Núcleo de Arte Souza da Silveira, em Piedade. Viu que tinha inscrição para novos alunos e me disse. Eu não tinha nada para fazer, fui para preencher o tempo”, conta.
Durante um ano, Ed teve aulas de danças típicas, jazz, dança afro. “Minha irmã fazia balé de manhã e eu dançava à tarde com outra professora. A professora dela me viu dançando, gostou e me indicou para o professor Nildo Muniz, que estudou na Escola Estadual de Dança Maria Olinewa. Ele me procurou e pediu para eu fazer um passo de balé. Fiz e ele insistiu que eu tinha talento, que devia fazer. Relutei, por tudo, as piadas que eu ouviria dos meus amigos... (risos). Nunca tive preconceito e também nunca liguei para opiniões desse tipo, apenas não achava legal fazer, simplesmente não queria”, conta.
A família não desistiu e depois de muito apoiar, unido à insistência de Nildo, ele resolveu tentar. “Fui e comecei a gostar, mas demorei a admitir, até que não dava mais pra esconder. Me apaixonei por balé!”.
Percebendo o talento de Ed, Nildo levou o rapaz para estudar no Estúdio Talento e Arte, em Madureira.
A estratégia deu certo e, em 2008 Ed Souza passou na prova para a Escola de Dança Maria Olenewa, onde permaneceu.
Em 2010 um novo desafio com a prova para a Companhia Jovem de Balé do Rio de Janeiro (do Teatro Municipal), onde passou como estagiário. Foi então que ele começou a estudar à noite. “Assim estudava dança em dois turnos e colégio à noite. Sempre conciliei os estudos, sei da importância de estudar. Tem que ter educação para ser um bom bailarino”, afirma.
Logo, Ed Souza conquistaria o mundo. “A diretora da Escola Maria Olenewa, Maria Luisa Noronha pediu que eu fizesse um video de seleção para um concurso internacional de balé muito respeitado, o Prix de Lausane, na Suiça. Mandei meu vídeo e fiquei na expectativa de passar. Passei com mais três brasileiros. A competição foi em fevereiro de 2011. Fiquei orgulhoso, grandes bailarinos passaram por essa que é uma das mais importantes competições de balé do mundo!”, lembra.
A classificação não veio, mas na repéscagem, Ed ganhou direito a uma audição com bancada formada por representantes das melhores escolas do mundo. O resultado foram propostas para escolas conceituadas, mas ele queria a The Royal Ballet School. “Só no coquetel do evento a diretora da Royal me convidou para estudar lá. Era o meu sonho! Até hoje não estou acreditando que vou realizar! Ganhei bolsa agora e vou passar três anos lá”, comemora.
A vencedora da competição foi Mayara Magri, minha amiga. Com o prêmio ela podia escolher uma das escolas parceiras do concurso: escolheu The Royal Ballet School, cursará o terceiro ano da escola e vai estagiar na companhia. Agora vamos estudar lá em Londres!” (risos) e completa “O bom é que tem quatro brasileiros na Companhia. A Roberta Marquez e o Thiago Soares são os primeiros bailarinos e ela vai ser a minha Guardian (tutora). É muito legal porque ela foi da mesma escola que eu, um sonho! Outro dia estava no ônibus e minha amiga comentou que vou conviver com as pessoas que vejo no You Tube! É um sonho!”.
A tia de Edivaldo, Lúcia Pedro, grande incentivadora na nova carreira do rapaz, trabalha em Copacabana há muitos anos, o que acabou levando os passos dele até o bairro, trazendo a história do jovem às páginas do Jornal Copacabana.
O bailarino trabalhou com coreógrafos importantes do Rio de outros estados, como Dalal Achcar, fez apresentações no Teatro Municipal, inclusive nos aniversários de 101 e 102 anos do teatro, e participou de viagens com a Cia Jovem, o que possibilitou o crescimento profissional para a nova fase em Londres, onde Ed Souza espera “conseguir coisas boas. Vou agradecer muito a Deus caso aconteça. Torço e vou me dedicar para trabalhar sempre em boas companhias”.
Para os mais novos, as crianças que gostam de dança ele deixa a dica: “se gosta tem que seguir seu sonho, siga em frente. A gente é novo, tem que fazer agora!” e lembra a importância do papel da família “é muito importante que a criança e o jovem tenha apoio da família”, finalizou.
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