-   
QUEM SOMOS | BICHOS, ETC | HOMENAGEM | EDITORIAL | FALE CONOSCO
http://www.google.com/u/ >
 
Arte / Cultura
Música / Dança
Esporte
Saúde
Por dentro do Comércio
Terceira Idade
 
Classificados
Guia de Negócios
Comércio
Imóveis Zona Sul
CEPS-Copacabana/Leme
 
Luis Pimentel
Canto da Crônica

Patrizia Bremer
Moda

Milton Teixeira
Histórias de Copacabana

Geraldo Edson de Andrade
Artes Plásticas

Márcia Araujo
Por dentro de Copacabana

Mª Helena Farelli
Horóscopo

Márcio André
Vídeo & Cia

Amorim
Desenho de humor em curso

 

 

Galeria de Fotos - Copacabana & Ipanema
  Bruno Poppe -Jayme Finkel - Alexandre Macieira - Américo MedeirosDianna Neno Rosa Macedo - Praia de Ipanema

 

Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 
Fala Vizinho

Roberto Farias

Por Renata Moreira Lima
Fotos: Renata Moreira Lima e divulgação

 

Um erro de registro no cartório e Roberto Farias ganhou um “s” no nome. Ser diferente não foi problema para o irmão cineasta do ator Reginaldo Faria. O menino açougueiro, filho do açougueiro de Friburgo tinha um destino brilhante reservado, e ele sabia! No cinema foi assistente de direção, roteirista e diretor de filmes como Pra Frente, Brasil (1982), Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Os Trapalhões no Auto da Compadecida (1986), Selva Trágica (1963), Cidade Ameaçada (1960) e o sucesso de bilheteria Assalto ao Trem Pagador (1962). Roberto também fez história na televisão, como diretor de As Noivas de Copacabana, Decadência, Contos de Verão, da premiada série Memorial de Maria Moura, entre outros programas. Determinado desde criança, quando já improvisava um cineminha com caixas de sapato, Roberto Farias alcançou seus objetivos e ainda quer mais. Seu próximo filme será O Anjo do Meu Marido, com previsão de lançamento para 2012. Conheça um pouco mais da história de um dos ícones do cinema nacional.

Renata Moreira Lima: Desde pequeno sua mãe estimulava a ida ao cinema. Ela montava um “cineminha” na sua casa usando caixas de sapatos?
Roberto Farias: Na verdade, eu fazia os caixotes! Minha mãe me levava ao cinema desde que eu ainda tomava mamadeira! (risos). Lembro de imagens remotas, de acordar dentro da sala escura e ver aquela tela enorme. Quando cresci saí do colo para o braço da cadeira, do braço para um lugar para mim. (risos).
A idéia do cineminha começou porque um amigo tinha e me vendia rolos velhos de filmes, às vezes ele me dava... Com outro amigo fiz uma caixa com uma lente e projetávamos filmes na parede com uma lâmpada no fundo da caixa. As lentes eram dos óculos no meu avô. (risos). Depois aprendi que podia projetar negativos de foto também.
Aos 12 anos minha mãe me deu uma máquina fotográfica e tive a idéia de fotografar o cemitério! Tenho até hoje a primeira foto que tirei. Com o tempo comecei a usar a lente dela, colocando um papel fosco na caixa e projetando a imagem ali, em qualquer lugar que eu estivesse!

R.M.L.: Quando se viu envolvido com a profissão?
R.F.:
Eu tinha que terminar o científico, fazer universidade. Já estava “mordido” pelo cinema. Estudei com o irmão do Watson Macedo, que era da Atlântida. A família dele tinha um hotel em Friburgo, Watson levava os cineastas para escrever roteiros como o de Aviso Aos Navegantes, Carnaval de Fogo... Comecei a me empolgar! Esperava acabarem de fazer para ler todos. Conversei muito com ele, que me dizia como faria os filmes. Nessa época eu pedi para trabalhar com ele, mas eu tinha 16 anos, ele disse pra eu terminar os estudos.

R.M.L.: Veio de Friburgo para o Rio de Janeiro para cursar Belas Artes? Fez também Arquitetura?
R.F.:
Vim para Niterói e me inscrevi em Arquitetura. Watson me ensinou a descer da barca e ir até a Rua Visconde do Rio Branco a pé. Sempre ia à Atlântida. Comecei a conhecer todo mundo lá. Esperava uma chance. Em um final de semana em Friburgo, Anselmo Duarte disse que José Carlos Burle queria que eu trabalhasse com ele. Então comecei a tirar fotos de cena, still. Para ganhar salário virei assistente de direção. Aí engrenei quatro longas em dois anos. (risos).

R.M.L.: Depois que foi levado por Watson Macedo para a Companhia Atlântida para ser assistente de direção, fez quase 10 filmes nessa função até estrear como diretor, em 1957, com Rico Ri à Toa, chanchada estrelada por Zé Trindade, onde além de dirigir foi o autor do roteiro e dos diálogos. Qual a importância de ser roteirista e diretor de um mesmo filme?
R. F.:
É importante porque você sabe o que concebeu. Quando escreve, tem alternativas, caminhos a seguir. Quando o roteiro foi feito por você, na hora de dirigir, se não dá para fazer algo, já sabe como solucionar. Trabalhando com roteiro durante anos aprendi o que era viável, isso ajudou muito, agilizou o processo. Além disso, ser roteirista e diretor dá uma intimidade psicológica muito grande com o texto e os personagens.
A função do diretor é muito absorvente, admiro meu irmão Reginaldo Faria que já escreveu, atuou e dirigiu.

R.M.L.: Pois é! Você é irmão do ator Reginaldo Faria, que começou cedo a carreira no cinema. Você foi assistente, montador, roteirista, produtor e distribuidor, mas nunca teve vontade de ser ator como ele?
R.F.:
Aos 18 anos eu não sabia o que queria fazer na área de cinema, foi o único momento que passou pela minha cabeça atuar. Enquanto estou dirigindo, ensaiando a cena, mostro o que quero atuando como ator, mas sou muito tímido para atuar de verdade. Reginaldo sempre foi meu modelo, inclusive fotográfico. Tenho foto que fiz dele na janela com um passarinho na mão e uma lágrima no rosto. Tudo posado. (risos). Ele começou a carreira no filme que eu dirigi No Mundo da Lua. O segundo filme dele foi Cidade Ameaçada, o meu terceiro como diretor, que representou o Brasil em Cannes.

R.M.L.: Filme, inclusive, premiado no Festival de Cannes, fazendo de você um dos mais respeitados cineastas brasileiros. O que se confirmou em Assalto ao Trem Pagador, em 1962. Como foi participar dessas produções que entraram para a história do cinema?
R.F.:
Os filmes tiveram muita repercussão mesmo, mas nunca me senti o diretor mais importante. O Assalto foi uma “explosão”! Os números chegam a mais de 40 milhões de espectadores. O filme me levou à Rússia em 1962, à Alemanha. Foi bom pra mim.
Fui à Cannes com Cidade Ameaçada, foi muito bom ter feito esse filme, uma loucura para conseguir a passagem! (risos). Valeu a pena!
Sempre quis viver do cinema e consegui. Nunca imaginei que o menino açougueiro, filho do açougueiro de Friburgo fosse chegar aonde eu cheguei. Ao mesmo tempo, eu sabia que tinha algo reservado para mim além de entregar carne. Busquei meu caminho por instinto. O mais importante é que além de me deixar no primeiro time, Assalto ao Trem Pagador me levou à atividade política.

R.M.L.: Foi presidente do Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica e o primeiro cineasta a dirigir a Embrafilme. Qual a importância de ser engajado politicamente?
R.F.
: Logo depois dos primeiros filmes tomei consciência de que precisava de uma atuação forte. Para viver de cinema eu tinha que lutar pela classe!
O cantor Ronaldo Lupo virou presidente do Sindicato e me chamou para ser secretário. Depois fui eleito presidente por duas vezes. Eu cobrava do estado a defesa do cinema brasileiro. A oferta de filmes estrangeiros sempre foi muito grande, sempre entraram no Brasil sem pagar nada, os brasileiros pagam. Faltava compreensão das necessidades que tínhamos para fazermos um filme. Nessa época de sindicato, os incentivos eram das iniciativas privadas e os resultados eram da bilheteria. A pressão para tirar os filmes brasileiros de cartaz era grande. Mudamos esse quadro ao longo do tempo.
Antes, os organismos estatais de cinema eram dirigidos por nomeados políticos, não entendiam o assunto e tinham que se reunir mil vezes com cineastas para saber como funcionava. Quando descobriam, era tarde, hora de entregar o cargo para outra pessoa na mesma situação. Era burocrático e não conseguiam ajudar o cinema nacional.
Quando fui nomeado na Embrafilme, entramos no melhor momento, chegando ao topo o número de salas e exibições. Foi o momento de Dona Flor e Seus Dois Maridos, Chica da Silva, entre outros ótimos filmes feitos pela Embrafilme.
Fui, também, presidente do Conselho Nacional de Cinema, que era um órgão de regulamentação. Atuei na época que o Sarney governou o país e agora, no governo do Lula, fiz parte do Conselho Superior de Cinema, criado pelo então presidente.

R.M.L.: A trilogia de filmes com Roberto Carlos foi outro marco na sua carreira?
R.F.:
Os filmes do Roberto foram marcos sim. Queriam me rotular, disseram que eu não poderia fazer Selva Trágica, por exemplo, porque deveria apenas fazer filmes urbanos. Os do Roberto eram filmes pops, não tinham a ver com os outros que fiz. Mas fizeram sucesso e ajudaram a consolidar a carreira dele. Com o tempo, os filmes viraram cult.

R.M.L.: Como vê a evolução do mercado cinematográfico brasileiro?
R.F.:
Ainda tem a conquistar em matéria de mercado. O importante é que derrubou mitos como a qualidade do filme, do som. Agora é internacional, mais do que nunca! Falta aumentar o diálogo com o público, mas já tem uma boa entrada.
Os jovens querem fazer cinema, não está mais restrito a um pequeno grupo, isso é positivo. Antes o mercado era muito fechado, hoje há cursos, inclusive de formação universitária, o que não existia. Há um olhar bom para o nosso cinema. O público sabe que o filme pode ser bom, médio ou ruim, antigamente achava que seria ruim sem ver o filme. Além disso, hoje o chamado “povão” está mais próximo do cinema por causa da ascensão social.

R.M.L.: Foi premiado com o Kikito de melhor filme e de melhor montagem no Festival de Gramado com o filme Pra Frente, Brasil (1982), ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Arte Negra do Senegal, por Assalto ao Trem Pagador (1962), além de incontáveis prêmios ao longo de sua carreira. Quais os seus próximos trabalhos? Rodou algum filme recentemente?
R.F.:
Estou trabalhando com Theo Drummond em O Anjo do Meu Marido. O roteiro está pronto e pretendo começar a filmar no final desse ano ou no início de 2012.

R.M.L.: Você também fez história na televisão brasileira. No início da Rede Globo trabalhou com o meu avô, Don Rossé Cavaca, no programa Câmara Indiscreta. Fale desse momento.
R.F.:
A Globo estava em caráter experimental e me chamaram para dirigir o programa Câmera Indiscreta, que era rodado em filme e inspirado no americano Candid Camera. O personagem principal era o Cara de Pau. Eu tinha um ator, mas ele viajou para a África, então me deram o Cavaca! (risos). Começou, ali, uma nova fase do programa! Bolávamos as brincadeiras e o Cavaca desempenhava muito bem o papel! Trabalhávamos com uma câmera escondida em uma Kombi e toda a precariedade da época! Certa vez ele estava com uma capa de chuva e uma esponja molhada no bolso, chegava perto das pessoas tossindo e fazia barulho de espirro, molhava a mão, espirrava água no cangote delas e saia correndo. (risos). Era muito engraçado ver a reação das pessoas. Ele tinha uma capacidade camaleônica! (risos).
Uma das vezes ele foi para a rua com uma caixa registradora e ficava pedindo esmolas. Registrava quanto tinha ganhado e entregava o recibo para a pessoa que o ajudou. (risos). Outra muito boa foi quando pegou um pano de prato, colocou gravata borboleta e ficau na frente do restaurante parando as pessoas que saiam, dizendo que elas não haviam pagado a conta. (risos). As pessoas ficavam revoltadas, era muito engraçado! (risos). Foi uma época divertida!

R.M.L.: Ainda na tv, dirigiu as minisséries A Máfia no Brasil, As Noivas de Copacabana, Contos de Verão, Memorial de Maria Moura, entre outras, além dos programas Você Decide, Brava Gente, Sob Nova Direção e Faça a Sua História... Quais trabalhos deixaram boas lembranças, além do reconhecimento profissional?
R.F.:
É difícil destacar meus trabalhos, gosto de muitos.
Sempre quis fazer cinema na tv, mas o processo “industrial” no veículo é muito rápido! Então esse sempre foi o meu desafio! Gravamos Noivas de Copacabana assim. Se for contar por hora, tenho mais de tv do que de cinema!

R.M.L.: Quando volta à telinha?
R.F.:
Não tenho previsão, mas pode ser a qualquer momento, sou contratado da Globo.

R.M.L: Vamos falar de Copacabana! Qual a sua relação com o bairro, uma vez que é morador da Gávea?
R.F.:
Desde que vim para o Rio morei em Copacabana, alugava uma vaga e depois um quarto. Tive uma rápida passagem pelo Centro da Cidade e fiquei um ano em São Paulo. Quando casei, fui morar na Travessa Santa Leocádia, fiquei lá de 1957 até 1962, era muito gostoso... Tive três dos meus quatro filhos lá.
Aí fui para o Jardim Botânico, Joatinga, Gávea e agora vou me mudar para Laranjeiras. Já que Copacabana tem fama de ser o bairro dos velhinhos, quem sabe ainda volto! (risos).

R.M.L.: Do que sente falta?
R.F.:
Sinto saudade da época que morei em Copacabana, era gostoso... Eu ia muito à praia. O cinema mais luxuoso era o Metro! Tinha um ar condicionado tão forte que dava para sentir quando passava pela porta. Tinha ainda o Ryan, o Roxy, Copacabana, Arte Palácio, Alvorada, Cinema 1... Era muito bom! Estreei Rico Ri à Toa com longas filas no Roxy (foto capa do site)... Era incrível e inimaginável!

R.M.L.: O que costuma fazer, hoje, no Bairro?
R.F.:
Raramente vou a Copacabana, meu dentista é lá. Gosto do Restaurante Amir, ali no Lido! O que odeio em Copacabana é o monte de camelôs e aquela feira na Avenida Atlântica, acho lamentável!
R.M.L.: Deixe seu recado aos leitores do Jornal Copacabana.
R.F.: Que a Região Administrativa e governantes tratem bem do bairro para voltar a ser a Princesinha do Mar. Quando fui à Rússia e disse que era de Copacabana, eles ficaram maravilhados, pois sempre que diziam que algo era maravilhoso, falavam: Copacabana. Saudades desse bairro!

Anteriores: Derlon Almeida / Elza Soares /Jayme del Cueto / Stella Freitas / Edmundo Souto / Narciza Tamborindeguy / Dayse Lúcidi / Selma Reis / Sandra de Sá /Gringo Cardia / Dercy Gonçalves / Chico Caruso / Zaira Zambelli / Luis Pimentel e Amorim / Roberto Bomtempo / Bete Mendes / Sylvia Bandeira / Suzana Faini / Victor Biglione /Lady Francisco / Jules Vandystadt / João Roberto Kelly / Harold Emert / Sabrina Korgut / Fabiula Nascimento / Alessandra Verney / Fernanda Gomes