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Milton Teixeira

Os 120 anos da morte de D. Pedro II
O maior brasileiro do século XIX

 

Em dezembro de 2011 passou o 120º aniversário da morte de D. Pedro II. Em homenagem a tão notável monarca, traço-lhe aqui uma pequena biografia.
D. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, nasceu a 2 de dezembro de 1825 no Paço da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, filho de D. Pedro I, Imperador do Brasil e de sua primeira mulher, D. Maria Carolina Leopoldina de Habsburgo Lorena Josefa da Áustria. Com um ano de idade perdeu a mãe, falecida a 11 de dezembro de 1826, e a 7 de abril de 1831, com a abdicação de D. Pedro I, passou a Imperador do Brasil. Sendo ainda uma criança, era-lhe impossível de governar, tendo a Constituição previsto para o caso uma Regência provisória, que foi logo organizada. Independente disso, o próprio pai Pedro I escolheu seus tutores para que completassem eficientemente sua educação. Foram seus tutores, na minoridade: José Bonifácio de Andrada e Silva e D. Mariana Carlota Verna de Magalhães, Viscondessa de Maceió; e, depois de 1833, Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho, Marquês de Itanhaém, que substituiu José Bonifácio. Uma regência trina sucedeu a provisória, composta do General Francisco de Lima e Silva; João da Costa Carvalho, Marquês de Monte Alegre; e o deputado João Bráulio Muniz, depois de 1835 a regência una do Padre Diogo Antônio Feijó, sucedido em 1837 por Pedro de Araújo Lima, Marquês de Olinda, governaram o país de 1831 a 1840. Essa foi uma fase tumultuária, cujas guerras civis e rebeliões por todo o país explodiram de 1831 a 1848.


Em 23 de julho de 1840, um conchavo político conservador conseguiu que o congresso aprovasse a declaração de maioridade de D. Pedro II, tendo este prestado o juramento constitucional. Coroado a 17 de julho de 1841 na igreja do Carmo, casou-se em 30 de maio de 1843, por procuração, com D. Teresa Cristina Maria de Bourbon, uma napolitana, princesa das Duas Sicílias, Mãe dos Brasileiros; casamento que começou tumultuado, mas que depois acabou dando certo, servindo de exemplo à Nação. A ascensão do Monarca serenou os ânimos separatistas e republicanos que assaltavam as províncias do Império e deu força aos políticos conservadores, que dominaram o parlamento praticamente até o fim do regime.
D. Pedro II era um soberano de índole democrata, simples, honesto, trabalhador, generoso e sem afetação. Antes da maioridade, acordava às 6horas, almoçava, estudava até às 12horas, jantava, e entretinha conversa inteligente com sábios e doutores até às 17horas. Depois ceava às 18horas e ia dormir. Aprendeu dezessete idiomas, dentre eles: inglês, francês, alemão, italiano, espanhol, latim, grego, árabe, hebraico e tupi, e mais sete outros. Sabia ler os hieróglifos egípcios. Versado em ciências e artes, escreveu poesias, artigos e traduções. “Fé de Ofício”, produção de sua lavra, patenteia-lhe a alma pura e generosa e revela sua fé de peregrina beleza cristã.


De 1848 em diante reinou a tranqüilidade em todo o Brasil, graças à colaboração pacificadora do Duque de Caxias. Deu todo o apoio à elite agrária do café, conseguindo com isso que o país fosse o maior produtor mundial, sendo a rubiácea responsável por 88% da renda da economia nacional. Deve-se, entretanto, ressaltar que D. Pedro deu muito pouco ou nenhum apoio aos industriais, fazendo assim o desejo dos cafeicultores, de que o país se dedicasse apenas à agricultura e mantivesse ainda por muitos anos o braço escravo. Mesmo assim, ele conseguiu que o Brasil alcançasse considerável progresso e se projetou no conceito das nações civilizadas.
Dentre suas conquistas, algumas vencendo grandes resistências internas, ressaltamos as seguintes: supressão do tráfico de escravos em 1850, atendendo às pressões da Inglaterra; a construção da primeira estrada de ferro da América Latina, em 1854, iniciativa do Barão de Mauá; a primeira linha telefônica da América Latina, em 1879; os três convites para árbitro de importantes litígios internacionais; a defrontação com guerras externas contra os tiranos Rosas, da Argentina; Oribe, do Uruguai; e Solano Lopes, do Paraguai; todas vencidas pelo Brasil, mas ao custo de nossa estabilidade econômica; as leis emancipacionistas de 1871 (ventre Livre), 1885 (Sexagenários) e, finalmente, 1888 (Lei Áurea), que extinguiu a escravidão no Brasil, mas que tirou-lhe o apoio dos agricultores que lhe davam sustentação parlamentar.


Uma série de crises internas, que com bom senso, seriam resolvidas pacificamente minaram ainda mais seu governo: crise com a Igreja, que iniciou campanha contra a Maçonaria (D. Pedro era maçom); crise com os militares, que desejavam participar do poder; crise na luta contra o sistema escravocrata, onde o Imperador era acusado de fazer o jogo dos fazendeiros, retardando a emancipação; e, finalmente, crise financeira geral, oriunda de nossa excessiva dependência de um único produto de exportação, ainda obtido por mão-de-obra cativa. Em nenhum momento o Imperador usou de sua vasta cultura para solucionar esses problemas, deixando tudo nas mãos de políticos que só complicaram ainda mais o frágil sistema do Governo Imperial.
Pelo movimento republicano de 15 de novembro de 1889, deposto o Imperador, seguiu dia 17 para a Europa com a Imperatriz, a Princesa Isabel Redentora; seu marido, Luís Filipe Gastão D`Orleans, Conde D`Eu, e os príncipes, seus filhos. Dias depois de sua chegada a Portugal, faleceu a Imperatriz na cidade do Pôrto, a 28 de dezembro. Indo após residir em Paris, onde o genro possuía muitas propriedades, suspirou pela última vez, a 5 de dezembro de 1891, aos 66 anos, D. Pedro, com a cabeça pousada sobre um travesseiro com a terra do Brasil, que pedira, para ela confiar todo o seu amor. Faleceu num modesto quarto do Hotel Bedford, na Rue de Rivoli, em Paris, pois recusara a pensão pecuniária que lhe oferecera Rui Barbosa em nome do Governo Provisório. Assim desapareceu o segundo Imperador do Brasil. Morreu pobre, cercado de livros, que legou em testamento à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, instituição que ajudara a fundar em 1838.


Seus restos mortais, bem como os de sua mulher, a Imperatriz D. Teresa Cristina Maria, filha e genro, repousam na cripta da Catedral de Petrópolis desde 1922, bela cidade serrana que tem o seu nome e que ele tanto amou.
O soberano filósofo tinha por predileção o estudo e a leitura. Suas feições morais o faziam repudiar os favoritos e ter natural aversão pelos turibulários. Compreensivo e equilibrado, colocava acima de tudo o dever.
Seu desmedido amor ao Brasil foi tão intenso quanto a dedicação que lhe devotou no labor extenuante e no esforço empenhado nos seus 49 anos de governo. No exílio, jamais criticou os republicanos que lhe tiraram a coroa.