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Milton Teixeira

Mais um bem cultural da Cidade
foi roubado e depredado

O saque do Palacete Cornélio, na Glória

No dia 2 de novembro a população carioca soube de mais uma triste notícia para a cultura ocorrida nossa cidade. O antigo palacete Cornélio, um prédio histórico com 150 anos e artisticamente muito importante para o Rio de Janeiro foi saqueado e depredado, possivelmente por gente graúda, pois as peças que sumiram tinham cotação internacional.


Esta linda casa neoclássica, que estaria bem cuidada em qualquer grande capital da Europa, foi construída em 1862 na rua do Catete (atual no. 6) para residência do milionário João José Ribeiro da Silva em terreno desmembrado em 1860 do vizinho palacete do Visconde de Meriti. Foi esta propriedade adquirida em 1868, pelo riquíssimo Comendador João Martins Cornélio dos Santos, homem bom e solteirão, que a deixou em testamento em 1894 para a Santa Casa da Misericórdia nela instalar um asilo para meninas pobres. De quebra, ainda deixou grande quantia em dinheiro para sua manutenção. O Asilo São Cornélio foi inaugurado em 16 de agosto de 1900. É uma casa térrea com porão alto, tendo para a rua embasamento de mármore, várias janelas de peitoril com ombreiras de cantaria e vergas de arco pleno. O frontão é encimado por platibanda revestida de azulejos, tendo no centro baixos relevos de estuque. Internamente, ainda se conservam estuques e pinturas murais. Nunca se soube quem foi o arquiteto que a projetou, suspeitando-se que seja José Maria Jacinto Rebêlo, o arquiteto do Hospital da Santa Casa, que possuía aquele estilo de construir. O edifício sediou durante muitos anos a Faculdade de Medicina Souza Marques, que o deixou em 2.000. Desde então ficou fechado ao público deteriorando-se. Os moradores mais cultos que passavam em frente ficavam impressionados com a beleza das obras de arte que o edifício possuía, algumas quase ao alcance das mãos. Era uma tragédia anunciada.
Entre os dias dois e três de novembro, sumiram subitamente do palacete seis estátuas gigantes em mármore branco de carrara, seis jarrões gigantes do mesmo material, bem como duas estátuas de ferro fundido de Val D`Osne e suas respectivas bases. A quantidade e peso das peças desaparecidas denotam que foi crime encomendado e contou com apoio de numerosa equipe, além de, certamente, um caminhão para o transporte. Nada foi visto pelo vigia do prédio...
O palacete Cornélio é tombado pelo IPHAN desde 1938.