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Dayse Lúcidi
a Valentina, de Passione
Por Renata Moreira Lima
A história de vida de Dayse Lúcidi se mistura à história do rádio brasileiro. Desde a época áurea da Rádio Nacional, até os dias de hoje, Dayse é referência: comanda, há quase 40 anos o programa de serviços Alô, Dayse! Depois de quase 30 ano0s se dedicando à política - sem nunca deixar a rádio - Foi convidada para voltar a atuar em televisão, na novela Paraíso Tropical, onde fazia a síndica Iracema. Agora ela encara um novo desafio e já “sente na pele” o sucesso da Valentina, a avó cafetina de Passione. Sem saber o que a esperava, Dayse mergulhou de cabeça na personagem e agora “colhe os louros” do sucesso. De volta ao Fala Vizinho, ela fala sobre a carreira e o amor eterno por Copacabana.
Jornal Copacabana: As crianças de seis anos costumam se interessar em brincar com bonecas, carrinhos, bola... Você queria declamar poemas?
Dayse Lúcidi: É. Eu queria representar. Meu pai adorava arte, me incentivava muito. Ele estudava na Escola Dramática e eu ia com ele. No Instituto de Educação, na Mariz e Barros (na Tijuca), tinha um curso de teatro. Estavam procurando uma menina para fazer uma peça de um conjunto de amadores, para um concurso. Me ofereci. Arrastei as cadeiras e fiz um teste, uma peça que eu ensaiava muito em casa com meu pai, mas nunca cheguei a representar: Nuvem, de Coelho Neto, e eles gostaram. Logo depois eu já estava no teatro infantil. Fui para a Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Eram 150 crianças e ganhei o primeiro concurso.
Quem estava na comissão julgadora era um diretor da rádio Tupi, Jorge de Barros Filho que me convidou para ir para a Rádio. Eu fui. Fiquei fazendo programa infantil, o Grande Teatro, que naquele tempo já tinha! E nunca mais parei.
J.C.: Sua vida é diretamente ligada a sua história no rádio, não é? O Alô, Dayse! já tem quase 40 anos!
D.L.: Esse programa começou do nada! A Rádio Nacional estava em uma situação difícil e me pediram para colocar esse programa no ar. Relutei. Mas, como eu tinha feito escola de Serviço Social, tinha a ver fazer esse programa de serviço. Deu tão certo que está aí até hoje!
J.C.: E as necessidades mudaram?
D.L.: Infelizmente são as mesmas. Nossos políticos prometem muito e fazem muito pouco! No programa, falamos dos problemas do dia a dia, dos obsurdos que acontecem, como a cidade toda esburacada, os rapazes das torcidas organizadas, que foram presos por matar as pessoas, por combinarem brigas pela internet...
J.C.: O fato de você trabalhar em um programa de serviço fez você entrar para a política?
D.L.: Foi. Fui levada. O programa já tinha seis anos quando entrei na política.
Alô, Dayse! tinha tanta repercussão, eu tinha tanto apelo popular e era tão conhecida, que os partidos políticos começaram a me procurar para que eu me candidatasse.
Era um momento muito bom da política brasileira. Você se candidatava e ia pela mão do povo. Ninguém te pedia dinheiro. Hoje a eleição virou um comércio.
J.C.: Você passou a vida trabalhando em rádio. Com a chegada da televisão e, agora, da internet, qual a função do rádio?
D.L.: Mudou muito. Hoje é prestação de serviço, esporte, música... Acho que o rádio empobreceu, todo mundo faz a mesma coisa. Antigamente diversificava mais. Tinha grandes orquestras, cantores, teatro. Ficou um rádio mais barato.
J.C.: Desde pequena você tem a veia artística e você mesma diz que é artista...
D.L.: Sou, porque trabalho em todos os veículos. Faço rádio, teatro, cinema, televisão...

J.C.: E passou 30 anos sem fazer televisão. A sua última novela tinha sido O Casarão, em 1976. De repente você voltou e fez sucesso com a Iracema, a sindica chata do prédio onde tudo acontecia em Paraíso Tropical. E, agora, mais um sucesso com a Valentina. Como foi esse retorno?
D.L.: Eu não estava mais fazendo política, depois de quase 30 anos. Uma amiga querida, mais que amiga, irmã, falou para o Gilberto Braga que eu estava disponível. Ele gostou da idéia e me convidou para fazer a Iracema. Argumentei que já nem sabia mais atuar, depois de tanto tempo longe... Ele me chamou na casa dele e me passou o papel. Foi realmente um sucesso! E agora estou aí com a Valentina, que está fazendo um grande sucesso! Inesperado. A personagem é a mais falada, mais comentada.
J.C.: Como foi a composição dessa personagem? Você já sabia que ela seria assim, uma cafetina?
D.L.: Não sabia de nada. Não pude compor a personagem, fui descobrindo ela aos poucos, que ela era uma vigarista, cafetina. Sabia que seria feirante. Eu estava “muito elegante”, mais magra, e Gilberto não gostou disso. Eu engordei para fazer a Valentina e deixei que ela fosse menos maquiada e mais mal vestida. Era isso que ele queria.
J.C.: Acabou sendo um desafio não é? Principalmente pelo tema.
D.L.: Com certeza! Ela maltrata as netas! É malvada! (risos). Além disso, todo mundo gosta de aparecer bonito na televisão! As atrizes fazem dieta antes da novela. A Valentina é o oposto disso. Pouca atrizes teriam coragem de aparecer assim no vídeo, desprovida de vaidade. Acho que é por isso que ela está dando certo também, me entreguei muito a ela.
J.C.: Você é multimídia. Fez, também, filmes no cinema e, nessa nova fase, fez o curta-metragem Essa História Dava Um Filme, com Thiago Lacerda e direção de Malu Mader. Você pensa em fazer outros filmes para a telona?
D.L.: A gente que é artista fica sempre esperando um bom convite! (risos). Foi muito bom trabalhar com a Malu, eu não a conhecia pessoalmente e quando ela ligou para a minha casa, pensei que era trote! Falou que gostava de mim atuando e queria que eu fizesse parte do filme. Aceitei na hora e foi muito bom trabalhar com ela, é um amor de pessoa, uma atriz excepcional, é a musa do Gilberto Braga!
J.C.: O fato de você ser casada com o radialista Luis Mendes há mais de 60 anos ajuda? Vocês conversam sobre os trabalhos? Como influenciou na sua carreira?
D.L.: Vamos fazer 63 anos de casados. Nos conhecemos no rádio. Ele apresentava as novelas que eu fazia na Rádio Globo, antes de ser locutor esportivo. Eu era muito menina, conheci o Luis aos 15 anos e casei aos 17. Acho que nós nos moldamos um ao outro.
Conversamos muito sobre trabalho. Ele me ajuda bastante. Quando eu estava na política ele também me orientava. Temos uma cumplicidade muito grande. Eu ajudo no trabalho dele e ele me ajuda. Ele não é somente a “enciclopédia do rádio” por saber tudo de futebol, ele sabe muito de tudo. Isso é bom! É o sucesso do nosso casamento! Eu nunca achei que ele estava brilhando mais e vice-versa! Aplaudimos e apoiamos o sucesso um do outro.
J.C.: E Copacabana, sempre morou no bairro?
D.L.: Sempre. Adoro! Sou a maior fã de Copacabana! Meus filhos moram na Barra, mas eu sou fiel à Copacabana, não troco! Acho que não existe lugar melhor para morar... Tenho pena de ver as lojas fechando no bairro, mas é o paraíso.
J.C.: Você vivenciou todas as fases de Copacabana, do período áureo até os dias de hoje. Acredita que o bairro esteja passando por uma revitalização?
D.L.: Vamos esperar que sim! Eu queria muito. Tudo é tão bonito em Copacabana, não precisa ter dinheiro para se divertir...
J.C.: O que gosta de fazer no bairro?
D.L.: Gosto de andar pelas ruas, andar de ônibus, ver as vitrines... Continua sendo a Princesinha do Mar!
J.C.: Dayse, deixe o seu recado aos leitores do Jornal Copacabana.
D.L.: É muito bom ter um jornal que circula no bairro e mostra suas necessidades, seus apelos. E o Jornal Copacabana tem sido esse veículo que o leitor pode confiar. É um veículo de diversão, mas também, de muito apelo para os moradores!
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