Sabrina Korgut

Por Renata Moreira Lima
Atriz, cantora e bailarina com formação em Jazz e Tap Dance pela academia UNIC e pela Starlight School of Dance, Orlando, Florida. Desde os 10 anos de idade, Sabrina Korgut se dedica aos estudos para aprimorar o conhecimento na profissão de atriz de musicais. A dedicação rendeu indicação para o prêmio Shell, entre outros.
Desde a primeira grande performance no teatro com o infantil TIP TAP Ratos de Sapato até o novo desafio na reestréia de Beatles Num Céu de Diamantes, Sabrina coleciona mais de 20 espetáculos musicais na carreira, sendo oito com a dupla Charles Mulles e Cláudio Botelho. A televisão é um dos objetivos, depois das participações que fez em Estrela Guia, Pecado Capital, A casa das Sete Mulheres, Chiquinha Gonzaga e Cobras e Lagartos.
Sabrina é, sem dúvida multitalentosa. Foi vocalista da Banda de Carlinhos Brown em 2000 e dubladora nos desenhos Hercules e Shrek 2.
E quando o assunto é Copacabana, a moradora apaixonada garante: “não troco por nenhum outro bairro!”. Confira a entrevista do Jornal Copacabana com essa atriz versátil do bairro.
Jornal Copacabana: Você é uma artista versátil. Começou a trabalhar aos 10 anos na peça O Limpador de Chaminés. Desde então atuou, cantou, dançou e foi dubladora. Conte sua história.
Sabrina Korgut: Pratiquei dança desde pequena, sempre me destaquei, mas não gostava de cantar. E foi engraçado porque minha mãe insistia que eu deveria cantar e comprava presentes para mim... Ela fazia pequenos “subornos” para que isso acontecesse. (risos). E acabou sendo ótimo porque hoje a brincadeira virou a minha profissão. Acho que tive mesmo um dom, fui abençoada pelo divino...
Por coincidência da vida, comecei em infantis onde meus personagens sempre cantavam e dançavam. Foi natural para mim... Minha carreira começou cedo e estou tendo um retorno muito bom agora, com os novos musicais.
J.C.: Houve um aumento nas produções musicais nos últimos anos.
S.K.: Pois é. Aconteceu um “boom”, principalmente dos musicais americanos. E acho ótimo porque trazemos os espetáculos de lá e montamos com um elenco brasileiro capacitado. Hoje, o Brasil tem bons artistas de teatro musical. Espero que as empresas patrocinem cada vez mais esse estilo.
Fiz alguns musicais nos anos 90, trabalhei com Wolf Maia e Cininha de Paula, mas eram autorias nacionais. Agora, o número de produções, principalmente da Broadway é, sem dúvida, muito maior. Acho que essa época já estava indicando o que aconteceria.
Com a entrada do Charles Muller e do Cláudio Botelho nesse circuito, houve um aumento considerável no número de produções. Eles conseguiram se estabelecer, firmaram o nome e parece que vieram trazendo um certificado de garantia...
J.C.: Você trabalhou com diretores conceituados, mas parece que aconteceu uma química diferente trabalhando com Charles Muller e Cláudio Botelho...
S.K.: Realmente houve algo especial, estou no meu oitavo espetáculo com eles. Já me conhecem, sabem o que posso render... E essa química me levou ao papel principal em Avenida Q, no ano passado. E que venham mais protagonistas! Depois que a gente faz uma, não quer fazer outra coisa! (risos). Desde o primeiro musical que fiz com eles, o Company, me mostrei uma artista versátil. Faço tudo com muita seriedade e profissionalismo. Eles viram que podiam contar comigo tanto nos personagens a que me designavam como para substituir grandes atrizes (como stand by). Sou muito dedicada e acho que isso fez essa relação de confiança que eles têm comigo.
J.C.: O primeiro espetáculo que fez foi o TIP TAP Ratos de Sapatos, com direção de Ronaldo Tasso.
S.K.: Era um infantil, muito ousado para a época, porque trouxe modernidades como o microfone de lapela, que não era usado em espetáculos infantis. Tinha muitos números de sapateado, canções do Tim Rescala. Fui indicada pela primeira vez a um prêmio, o SATED (Atriz Revelação), acho que não existe mais... Eu fazia uma ratinha sapateadora que era protagonista da peça. Ficou 10 anos em cartaz, ao todo. Foi um grande sucesso! E me abriu muitas portas... Só tenho a agradecer por ter feito esse espetáculo.
J.C.: Já começou sendo indicada a um prêmio. Agora, “bateu na trave” do prêmio Shell...
S.K.: Tive, também, algumas indicações para o prêmio Qualidade Brasil por Miss Saigon, meu primeiro grande musical da Broadway em São Paulo, onde aprendi muito e a minha vida mudou. Esse espetáculo foi feito por uma equipe americana, da Broadway. Então acabei vendo como eles trabalhavam, toda cobrança, disciplina, profissionalismo... Eles são máquinas! “Suguei” o que eu pude. Fiz dois personagens nesse espetáculo. Comecei abrindo a peça com a Gigi. E acabei, também, substituindo a Kiara Sasso, que fazia a antagonista Helen. Ela foi fazer A Noviça Rebelde e eu acabei sendo promovida... (risos). Fui indicada ao prêmio Qualidade Brasil, por essa atuação. Acabei ficando em segundo lugar, mas foi bacana. Fui indicada de novo no Qualidade Brasil, pelo Avenida Q e perdi para a Marilia Pêra! Por esse mesmo espetáculo fui indicada ao prêmio Shell e acabei batendo na trave, de novo! Mas estou sempre ali, “no pódio”!(risos).
Avenida Q foi um desafio muito grande pela questão dos bonecos que eu tinha que carregar a peça inteira, enquanto dançava e representava, ainda fazia vozes diferentes para cada um deles... O trabalho exigia muito fisicamente. Graças a Deus cuido muito do meu corpo e consegui suportar. As indicações mostram que o meu trabalho está sendo reconhecido.
J.C.: Qual a expectativa para essa volta ao teatro com Beatles Num Céu de Diamantes e como está esse início de temporada?
S.K.: Beatles Num Céu de Diamantes foi um grande sucesso! É um musical bem diferente dos outros, pois não é representado. Nós cantamos as músicas dos Beatles fazendo performances de dança. Assim como era Sassaricando, que também fiz, só que com marchinhas de carnaval. Mas acho essa dos Beatles mais delicada, pois estamos interpretando músicas dos “deuses da música”, que revolucionaram a música mundial. É um novo desafio.
Esse início já está um sucesso! Temos público de todas as idades, pessoas que gostam dos Beatles e se empolgam com o espetáculo. Quando vejo, o teatro todo está cantando as músicas... Espero que assim como na estreia, que essa reestreia possa ser um sucesso, e que tenha vida longa!
E para o próximo semestre, que venham outros projetos! (risos).
J.C.: Os musicais brasileiros estão ganhando novos públicos, além do Rio e de São Paulo, inclusive no exterior, a exemplo desse dos Beatles, que foi para a França. Qual a importância do desenvolvimento no estilo aqui no Brasil para os atores e novos talentos?
S.K.: Criou-se um novo mercado, qualificado especificamente para o gênero. Isso gerou mais emprego, mais oportunidade de entretenimento ao público e, como falei no começo da entrevista, as pessoas que não podem assistir a grandes musicais no exterior poderão ver aqui, com atores qualificados e grandes produções. Por isso friso, também, a importância do envolvimento de empresas e do governo incentivando e patrocinando esses grandes espetáculos. Não tem como fazer musical de qualquer jeito, tem que ser muito qualificado e o Brasil já tem esses atores. Dediquei a minha vida para ser uma atriz de musicais. Aprendi canto, dança, representação, sou muito “Caxias” e espero sempre o reconhecimento em forma de bons papéis. É muita dedicação ao trabalho, por isso acho que o artista de musical deve ser valorizado. É um erro improvisar atores famosos como protagonistas, quando, não necessariamente, eles estão aptos aos personagens.
J.C.: Para ser um bom ator é necessário talento, dedicação, sorte e muito estudo. E para se tornar um ator de musicais?
S.K.: Tive a sorte de começar cedo. Acredito que quanto antes a criança começa a desenvolver o dom, melhor. Aos 18 anos a pessoa pode conseguir, mas vai ter que aprender a dançar, cantar... Provavelmente vai ter uma dificuldade maior.
Tem que estudar muito! Ter conhecimento do seu corpo, praticar, fazer as aulas, observar! E hoje tem a facilidade da internet, que dá para fazer aula de canto gratuitamente, assistir a vídeos... Mas tem que saber que vida de ator é uma loucura! Vive de incertezas entre um trabalho e outro. Passa por testes todo tempo, nem sempre é escolhido... É complicado. Graças a Deus estou em uma boa fase... (risos).
J.C.: No caso de uma criança que não tenha uma estrutura familiar favorável para fazer aulas de canto, dança e representação, existem meios para se desenvolver e se preparar para essa profissão?
S.K.: Todo mundo pode! Hoje existem grupos comunitários, ongs com trabalhos muito bons em algumas comunidades, se a criança ou o adolescente se empenhar pode ter as portas abertas através do conhecimento de novas escolas e, comprovando sua situação pode concorrer a bolsas... Fora a internet, que também ajuda muito. Basta ter força de vontade. As dificuldades aparecem em todas as profissões, temos que saber passar por elas e nos fortalecer. Depende mais do interesse do que das barreiras. Arte se faz em casa...
J.C.: Você participou de programas cômicos e seus personagens no teatro são nessa linha...
S.K.: Espero ter oportunidade de defender um grande papel na televisão. Tenho essa vontade. Mas é verdade, ao longo da minha carreira, tirando Saigon, me deram personagens cômicos. Não sei porquê, sou super envergonhada! (risos). Estudo muito o personagem, o universo dele... Não sei. Realmente, tem sido assim. Mas gosto muito de drama. Acho que o bacana do artista é poder passar por todas as emoções. Por isso que falam que artista é meio maluco, acaba se influenciando pelos tipos que representa. (risos).
J.C.: E Copacabana?
S.K.: Nasci aqui. Morei até “20 e poucos anos” na Rua Inhangá. Minha família era simples. Sou filha de índio. Meu pai veio do Mato Grosso e estudou muito para conseguir se firmar aqui. Eu amo Copacabana! Minhas academias, aulas, banco, tudo é aqui! Já tive a oportunidade de morar em outros bairros, morei em São Paulo também, mas não troco Copacabana por nada! Acho incrível morar em um lugar tão lindo, que é um dos mais famosos cartões postais do mundo! Se estiver estressada é só andar um pouquinho e estou na praia, posso dar um mergulho para renovar, um “descarrego” mesmo! Não vivo muito sem esse ambiente. A beleza natural está aqui, gratuitamente!
Sei andar em todas as ruas, conheço tudo. Copacabana tem um cheiro diferente... Mas acho que está muito cheio! Principalmente com a chegada do metrô. Uma coisa que me incomoda é a sujeira. As pessoas podiam cuidar mais do bairro, não jogar lixo no chão. É uma questão de conscientização. Se cada um não jogar vai ser melhor para todos. Nada melhor do que morar em um ambiente agradável, limpo, onde todos se respeitam.
J.C.: O melhor de Copacabana é...
S.K.: Tem tanta coisa que não saberia definir uma.
J.C.: Deixe seu recado aos leitores do Jornal Copacabana.
S.K.: Cuidem do bairro! E vão ao teatro! (risos). Os preços de musicais são altos, “salgados”, mas é porque são grandes produções, com grandes elencos. Mas há projetos onde o valor é popular, a um real e tem a meia-entrada para estudantes e idosos. Vale a pena poder sentir a emoção do artista, ver o suor dele, ali, na sua frente! E pensar que ele está fazendo aquele espetáculo para você. É mágico!
Agora... O melhor de Copacabana é... (risos).
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