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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 
Fala Vizinho -Gringo Cardia 2007

Jules Vandystadt

Por Renata Moreira Lima

Se você ainda não conhece esse jovem talento dos musicais brasileiros, anote o nome dele. Jules Vandystadt começou a carreira no espetáculo 7 - O Musical e, logo conquistou seu espaço. Em seu segundo trabalho, Beatles no Céu de Diamantes, Jules foi vencedor do Prêmio Shell como arranjador musical, ao lado de Délia Fischer. Agora ele é protagonista do musical Por uma Noite - Um Sonho nos Bastidores da Broadway, que está em cartaz no Teatro das Artes, na Gávea.
Você fica sabendo a história desse morador de Copacabana em entrevista exclusiva ao Jornal.

Jornal Copacabana: Quando começou o interesse pela música?
Jules Vandystadt: Sempre me interessei por música, tirava de ouvido. Morei em Santa Catarina dos nove aos 18 anos e tinha uma escola de teclado do lado da minha casa. Pedi a minha mãe que me matriculasse no curso. A duração era de três anos, mas completei em dois meses. Ali, percebi que levava jeito! Depois fiz outro curso, de órgão eletrônico com pedaleira. Como esse era mais longo, me formei em quatro meses. Ajudei a professora do curso, dei algumas aulas lá... Foi quando descobri que eu tinha muito dom.

J.C: Quando começou a cantar profissionalmente?
J.V:
Me mudei para o Rio mas só fazia música como hobbie. Foi quando comecei a me interessar por canto. Eu já tinha participado de corais no sul e entrei aqui também. Comecei a fazer arranjos vocais e vi que levava jeito para isso também. Até que entrei para o Dá no Coro, o coral da FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso). Lá foi onde eu me formei vocalmente, foi uma experiência fantástica na minha vida! Era bem profissional, o regente, Sérgio Sansão, é ótimo, tem muita pegada! Admiro muito aquele grupo. Virei diretor assistente, comecei a conhecer as vozes, os timbres... Passei a saber a melhor maneira de trabalhar e utilizar os diversos timbres nos meus arranjos...

J.C: Você era voltado à música, mas não pensava em ser ator.
J.V:
Jamais!

J.C: E como foi parar em 7 - o Musical?
J.V.:
Um amigo disse que estavam abrindo testes para um musical, me incentivou fazer a inscrição. Era um teste de catálogo, como chamam, para conhecer novos rostos. Fiz o teste. Dois anos depois recebi um telefonema dizendo que eu tinha passado e que teria um novo teste com mais seis cantores. Esse era só para confirmar a escolha. Não pensei que fosse entrar, mas o Charles Möeller e o Cláudio Botelho gostaram de mim e fui escalado para o elenco.

J.C: Qual a sensação de fazer teatro pela primeira vez?
J.V:
Foi incrível! (risos). Nunca tinha feito e foi paixão a primeira vista. O elenco era muito bom com Rogéria, Zezé Motta, Ida Gomes, Alessandra Maestrini... Só fera!

J.C: E você entrou no momento certo, quando houve um aumento significativo nas produções musicais no Brasil.
J.V:
Com certeza! Comparando a 2007, hoje tem “uma produção a cada esquina”! (risos). Foi ali a retomada dos musicais. Fruto do que eles começaram ainda em 2005, procurando novos talentos.
Agora está provado que nós, brasileiros, somos capazes de fazer grandes espetáculos musicais, um metier considerado norte americano, por causa das superproduções da Broadway.
Hoje vemos peças que não eram musicais, tomando uma roupagem voltada à música, como no caso de Confissões de Adolescente, que está no mesmo teatro que o meu espetáculo, Por Uma Noite - Um Sonho nos Bastidores da Broadway.
Comecei a dar pitacos nos arranjos do musical 7 e acabei assinando como arranjador vocal. Eu sabia que era capaz de fazer bons arranjos, tanto que no meu segundo espetáculo, Beatles no Céu de Diamantes, ganhei o Prêmio Shell como arranjador.

J.C: Pois é. A sua participação em 7 - o Musical teve tanto sucesso que a dupla Charles Möeller e o Cláudio Botelho chamou você para fazer Beatles no Céu de Diamantes.
J.V:
Terminamos a temporada de 7 em dezembro de 2007 e entraríamos em cartaz em São Paulo em março de 2008. Para segurar o elenco até março, eles resolveram fazer o Beatles. Fizemos tudo: ensaios, arranjos... Em três semanas, sem dinheiro nem patrocínio, era uma coisa entre amigos. Foi um sucesso e passou um ano e meio em cartaz no Rio.

J.C: E foi parar na França.
J.V:
Pois é. O diretor do Teatro Maison de La Dance nos viu no Rio e convidou para apresentar o espetáculo durante uma semana em Lyon. Ainda ficamos em cartaz durante quatro meses em São Paulo. Na semana que passamos na França, o diretor do Maison trouxe olheiros do mundo inteiro e é provável que façamos uma turnê de dois meses na Europa em 2010.

J.C: Então já tem trabalho para mais um ano...
J.V:
Nesse meio tempo fiz a Fedegunda, uma opereta infantil de Karen Acioly, que é considerada o “Charles Möeller e o Cláudio Botelho” do infantil. (risos). Foi montado em uma semana para um festival que tem essa característica. Foi um encontro: compositor, preparadora vocal e iluminador franceses, com a diretora brasileira, eu como arranjador vocal e o elenco brasileiro. Fiquei um mês com a Fedegunda no teatro do Jóquei e, esse ano, mais dois meses no Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro da cidade. Ano que vem deve entrar no Shopping da Gávea.
E ainda surgiu Por Uma Noite nesse meio tempo! (risos).

J.C: Você contou que caiu de para-quedas nos musicais e acabou ganhando o Premio Shell que é super almejado pelos artistas...
J.V:
Foi uma grande surpresa! Eu não esperava. Eles nunca tinham indicado arranjadores, era sempre o compositor e diretor musical. Dessa vez eles abriram uma exceção e indicaram a Délia Fischer e eu. Quase caí para traz com a indicação! Depois de sete meses, recebemos o prêmio. Foi muito legal! Os arranjos foram feitos em duas semanas, mas eu conhecia os artistas. Só ganhei esse prêmio porque esse elenco o executou.

J.C: E como foi parar no cinema?
J.V:
Foi outra loucura! Fiz Dores e Amores, que deve estar pronto no ano que vem, do diretor Ricardo Pinto e Silva. A história gira em torno de uma minissérie mexicana que fica passando na televisão da personagem principal que é interpretada por Kiara Sasso. Eu sou um dos atores da minissérie. Foi muito bacana.

Foto: John OliverJ.C: E Por Uma Noite - Um Sonho nos Bastidores da Broadway?
J.V:
Cai de pára-quedas nesse também! Acabei a Fedegunda e Beatles no mesmo dia e recebi um telefonema do Lessa, diretor de musicais, falando do espetáculo. Ele estava bem misterioso ao telefone. O ator que fazia o protagonista teve que sair e fui convidado para fazer o teste. No teste eu cantei, ok! Depois ele pediu para eu dançar. Só que não sou dançarino... Disse isso para ele. Mas ele insistiu e acabei dançando. Eu sabia que tinha texto e falei também. Passei no teste.
Quando vi a quantidade de texto que o personagem, realmente, tinha, pensei em desistir. (risos). Mas repensei e resolvi aceitar o desafio! Graças a Deus deu tudo certo e estamos em cartaz no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea! Me senti confortável e deu certo! Não me considero ator ainda, mas virei ator! A produção é um primor. Os artistas são novos e super talentosos. A produtora tem 18 anos e conseguiu reunir uma equipe técnica de ponta. Estou muito satisfeito.
O mais legal nesse espetáculo é que tem um cunho social. Toda terça-feira à tarde fazemos uma sessão para crianças de escolas públicas e do INCA (Instituto Nacional do Câncer), gratuitamente.
Tenho essa preocupação social. Há três anos desenvolvo um projeto que se chama Cantareiros. Esse ano cresceu com o patrocínio que consegui. Eram oito cantores, agora são 18, envolvidos em apresentações de músicas natalinas, à capela, em ONGs, hospitais, asilos, orfanatos... São 15 instituições entre 11 e 17 de dezembro aqui no Rio. Em média 14 cantores por apresentação. Esse trabalho é o meu xodó. Acredito que a arte só é verdadeira se for dada, de graça. O retorno do público é incrível!

J.C: Tem um sonho que ainda não tenha se realizado?
J.V:
Acho que não. Sou feliz na minha carreira, mais do que eu sonhava. Na minha família está tudo bem. O que eu ainda quero é me envolver em mais projetos sociais com música.

J.C: Você é morador de Copacabana. Veio de Santa Catarina. Como foi a mudança para o bairro?
J.V:
Cheguei no Rio e fui morar em Laranjeiras com a minha mãe. Vim para Copacabana em 2002. Eu não gostava de Copacabana, acho que como todos que não moram aqui. Mas aprendi a amar esse bairro. Aqui tem uma cidade na porta da sua casa. Tem muitos problemas, mas as vantagens são muito maiores. Adoro morar aqui!

J.C: Como voc ê vê a cultura hoje no bairro?
J.V:
Acho que a popularização acabou um pouco com Copacabana nesse sentido. Hoje os teatros e cinemas estão muito concentrados em Ipanema, Leblon, Gávea e nos Shoppings. Poderia ter muito mais em Copacabana. Tem muita demanda.

J.C: Se você pudesse mudar Copacabana, o que faria?
J.V:
Vejo as pessoas muito intolerantes com moradores de rua. Só que é um problema social. Se eu pudesse mudar algo, faria mais projetos sociais para mudar esse quadro de tantos moradores e crianças de rua. Espero que a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016 consigam mudar realmente a cidade e que perdure por muitos anos, diferente do que aconteceu com a ECO 92, quando houve uma maquiagem da cidade durante o evento e depois tudo voltou ao caos que sempre foi.

J.C: Deixe seu recado aos leitores do Jornal Copacabana.
J.V:
Quero deixar dois: primeiro convidar para a minha peça: Por Uma Noite - Um Sonho nos Bastidores da Broadway, em cartaz no Teatro das Artes, terça e quarta às 21h e quinta às 17h. O site é www.porumanoiteomusical.com.br.
O segundo é também uma dica: o projeto social que é uma referência nacional, o Solar Meninos de Luz que funciona na Rua Saint Roman, na entrada do Pavão-Pavãozinho. O site é www.meninosdeluz.org.br. Atende a mais de 400 crianças. Visitem, conheçam e contribuam com o projeto! Vale a pena!

Foto: Divulgação