JORGE LOREDO
Câmera, close; microfone, please!

Por Renata Moreira Lima
São mais de 60 anos de carreira e Zé Bonitinho, com seus 49, continua galanteador todas as quintas, em A Praça é Nossa, programa do SBT.
Hoje no bairro do Flamengo, Jorge Loredo conta que morou em Copacabana e adora caminhar na orla. Fala sobre os mais de 60 anos de carreira e a participação no novo filme de Arnaldo Jabor. Vale à pena conferir...

J.C.: São mais de 60 anos de carreira como ator, humorista e advogado?
J.L.: Parei bem antes com o direito! (risos).
J.C.: Um de seus personagens é muito conhecido do grande público: o Zé Bonitinho. Quando começou a interpretá-lo imaginou que perduraria por décadas?
J.L.: Comecei em televisão fazendo um programa do Carequinha, na TV Tupi. Lá eram vários personagens nas esquetes que compunham o programa. O Zé Bonitinho estreou no programa Noites Cariocas, da TV Rio e foi o personagem que solidificou a minha carreira. Existe desde 1960, não imaginei que duraria tanto tempo!
J.C.: Acabou rendendo o documentário Câmera, Close!, em 2005, com direção de Suzana Lira. E continua aí!
J.L.: É... Agora em A Praça é Nossa!

J.C.: Trabalha na Praça com o Carlos Alberto de Nóbrega, filho do Manoel de Nóbrega que fazia A Praça da Alegria com você, na década de 60.
J.L.: E dirigido pelo neto do Manoel, o Marcelo! Na verdade trabalhei com o Carlos Alberto desde A Praça da Alegria. É uma relação de anos! Eu era muito amigo do Manoel, do Golias, desse pessoal!
J.C.: E cinema? Fez alguns filmes nas décadas de 60 e 70 como Sai Dessa, Aranha e O Abismo, e retornou à telona mais de 20 anos depois em Quando o Tempo Cair (2006), dirigido por Selton Mello, que lhe rendeu o prêmio Marlin Azul. Como foi voltar a fazer cinema depois de tanto tempo?
J.L.: Foi ótimo voltar! A diferença tecnológica é grande, com as câmeras modernas... Mas com relação à direção, sempre trabalhei com bons diretores, como Rogério Sganzerla, em Sai Dessa, Aranha. O Selton é um desses diretores criativos, bom de trabalhar!
J.C.: Seu último filme foi em 2008, Chega de Saudade, com direção de Laís Bodanzky.
J.L.: E acabo de gravar uma participação no próximo filme do Arnaldo Jabour, Suprema Felicidade, que deve ser lançado em 2010.
J.C.: Aos 84 anos e com um personagem que tem 49, na “flor da idade”, Como é fazer parte da história do humor brasileiro?
J.L.: Vejo a minha profissão como outra qualquer. Não sou celebridade, nem nada de exponencial. Fico gratificado pelo retorno, pelo reconhecimento do meu trabalho. Não acredito em segredo do sucesso, sim em dedicação e empenho. Tem que estudar muito para ser ator. Como diria o Carlitos (personagem do Charles Chaplin): é ensaio, ensaio, ensaio, ensaio e mais ensaio... (risos).
J.C.: Trabalha há anos e com diversas gerações. Como lida com os mais jovens?
J.L.: Felizmente tenho um bom relacionamento com os jovens. Mas sempre digo que tem que trabalhar. É importante observar os outros atores em ação.
J.C.: Como vê os programas de humor de hoje?
J.L.: Trabalham com a atualidade, o cotidiano, não há muita diferença para o que se fazia ao longo dos anos anteriores. Tem muita gente boa! Não gosto de citar para não correr o risco de esquecer.
J.C.: Vamos falar de Copacabana. Como morador do Flamengo, qual a sua relação com o bairro de Copacabana?
J.L.: Morei durante anos no bairro. Hoje, são os meus filhos que moram. Costumo visitá-los aos domingos. Adoro caminhar na praia... Vou sempre à Copacabana.
J.C.: Vive em ponte aérea, metade da semana em São Paulo, a outra no Rio. Além de ficar com a família, o que gosta de fazer quando não está trabalhando?
J.L.: Vou muito ao cinema, teatro... Mais cinema! (risos). Gosto de me manter atualizado.
J.C.: Tem algum ritual ou mania para entrar em cena? Depois de anos de experiência, ainda sente aquele friozinho na barriga na hora da estreia?
J.L.: Gosto de me isolar para me concentrar antes de entrar em cena, uma espécie de extraterreno! (risos). E fico sempre apreensivo, pois nunca sei como será o meu desempenho ali na hora e qual será a resposta do público... Sinto frio na barriga até hoje! (risos).
J.C.: Deixe seu recado aos leitores do Jornal Copacabana.
J.L.: Copacabana é a Princesinha do Mar, valorize!
|