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Milton Teixeira

CINQUENTA E CINCO ANOS
SEM A “PEQUENA NOTÁVEL”


Cantora popular foi a mais famosa sambista do Brasil. Nasceu em Marco de Canavezes, Portugal, em 1909. Seu verdadeiro nome era Maria do Carmo Miranda da Cunha, tendo chegado ao Brasil, em companhia do pai, com menos de um ano de idade, indo morar numa casa, a “Pensão de Dona Maria”, ainda existente na Travessa do Comércio, onde o pai trabalhava numa barbearia. Após seu primeiro emprego numa casa de modas como chapeleira, iniciou sua carreira de intérprete ainda adolescente, em 1921. Sua primeira gravação foi uma toada canção “Triste Jandaia”, lançada em 1926. No ano de 1930 conquistou seu primeiro sucesso com “Taí”, marchinha de Joubert de Carvalho. Em 1934, com o dinheiro que arrecadou em shows e direitos autorais já se mudava para uma mansão, em Santa Teresa.


Ouvida no Cassino da Urca em 1938, pelo empresário americano Lee Schubert, nasceu desse contato sua carreira internacional, indo no mesmo ano para os Estados Unidos, após assinar contrato milionário, e sem saber falar inglês. Ela mesma relatava que havia aprendido apenas “yes”, “no” e “money” (segundo Carmem, isso era suficiente por lá).


Sua estréia neste país se deu na revista “Streets of Paris”, na qual apresentou como verdadeira criação suas famosas baianas. Participou de 14 filmes em Hollywood, onde se casou com o produtor e empresário David Sebastian, uma união que passou por altos e baixos. Era em seu tempo uma das artistas mais bem pagas dos Estados Unidos e a maior contribuinte individual do Imposto de Renda daquele país em 1942/45. Voltou ao Brasil em fins de 1954, para uma permanência de alguns meses, quando sofria de aguda depressão. Recuperada, voltou à vida de shows nos EUA. Antes não tivesse partido. Faleceu de colapso cardíaco nos Estados Unidos em 5 de agosto de 1955, logo após uma apresentação na televisão, onde cantou e dançou alegremente no programa de Groucho Marx. Morreu no auge da carreira, em conseqüência da falta de descanso devido à vida exaustiva de shows que levava. Seu corpo, transladado para o Brasil, foi motivo de um dos maiores velórios e enterros já ocorridos. Seu túmulo, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, tem as flores trocadas toda semana pelos fãs desde 1955. Entre os seus maiores sucessos figuram: “Boneca de Piche”, “No Tabuleiro da Baiana”, “O que é que a Baiana Tem”, “Cachorro Vira-Lata”, “Adeus Batucada”, Camisa Listada”, e outros.


Sua imagem virou referência “cult” para diversas manifestações artísticas.
Sua primeira residência, no Centro, um casarão tombado, situado na Travessa do Comércio 13, está fechado, abandonado e sem uma placa sequer que lembre sua passagem por lá.


Por sua vez, o Governo do Estado pretende erguer um novo Museu da Imagem e do Som na Avenida Atlântica, e para lá transferir o acervo de Carmem, onde ficará em exposição permanente.