De Botafogo pro céu,
via Copacabana

Ele nasceu em Botafogo, seu bairro e time do coração. “Meu Botafogo querido/Tudo em ti é real”, como diz o samba. Mas adorava viver e bater pernas em Copacabana. Sua Alfaiataria era aqui, ali na Galeria Ritz. Seu bar preferido também era aqui, na Rua Almirante Gonçalves, o bom e velho Bip-Bip.
Diz um samba do Nei Lopes: “Mano Walter Alfaiate/Parceiro e amigo fraterno/Anote aí no seu caderno:/Eu quero fazer um terno/Caprichado no arremate/Com um corte bem moderno/Num pano verde-abacate”. A cara do Nei; a estampa do Walter.
Cantor e compositor, nascido e criado em Botafogo, bairro pelo qual era apaixonado, o homem que a MPB perdeu no último dia 27 de fevereiro era uma das mais belas vozes da Música Popular Carioca (e brasileira, naturalmente). Do time e do gabarito de Ciro Monteiro e de Roberto Silva. Também umas das mais belas figuras que eu conheci.
Tive a honra de ser amigo do Walter, frequentar o mesmo bar que ele, ser cliente de sua alfaiataria, puxar as palmas na primeira fila em seus shows e de já ter ouvido umas vinte vezes o CD Samba na Medida. É o seu segundo disco e foi lançado em 2003, pela gravadora CPC-Umes.
O terceiro disco chama-se Tributo a Mauro Duarte – produzido por Ruy Quaresma, saiu também pelo selo CPC –, onde o incansável magnata supremo da elegância rende homenagem a um velho amigo de batalhas e de juventude, o saudoso Mauro Duarte, o mineiro mais carioca que Botafogo já hospedou (imperador da Bambina e de todas as quebradas da São Clemente). Nele, o melhor da obra de Mauro e seus grandes parceiros, Walter entre eles.
O CD primeirão, Olhaí, veio à luz há alguns anos, graças ao empenho pessoal dos compositores Marco Aurélio e Aldir Blanc, que criaram um selo para viabilizar a façanha. Aldir ainda fez, juntamente com Paulinho da Viola, o samba carro-chefe Botafogo “chão de estrelas” para o ferrenho botafoguense (do time) e botafoguista (do bairro).
A música brasileira perdeu um grande craque. Mas sacode, carola, que a luta continua.
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