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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 
Fala Vizinho -Gringo Cardia 2007


Sylvia Bandeira

 

Ela nasceu na Suíça, mas a alma é brasileira. Sylvia Bandeira (na capa com Fiona) morou em diversas cidades do mundo e aos 18 anos veio definitivamente para o Rio de Janeiro. Passou grande parte da vida na Fonte da Saudade, na Lagoa e agora vive no bairro vizinho, Botafogo.
Com mais de 30 anos de carreira, Sylvia lembra alguns personagens marcantes como Stella de Um Sonho a Mais, e Cotinha de Bar Esperança. Hoje ela interpreta a Isabel na novela Promessas de Amor, da Rede Record e se programa para encarar um espetáculo teatral sobre Marlene Dietrich.
No momento em que reúne vivências para escrever um livro, Sylvia Bandeira conta sua história no Jornal Copacabana.

Jornal Copacabana: Você nasceu em Genebra, na Suíça. Quando veio para o Brasil?
Sylvia Bandeira:
Sou filha de diplomatas, morei em vários países. Além de Genebra, que foi onde eu nasci, morei em Chicago, Baltimore, Santiago do Chile, em Paris, na Guatemala, República Dominicana e Austrália, sempre com paradas no Brasil.

J.C.: Quando veio para ficar?
S.B.:
Aos 18 anos. Mas eu sentia uma saudade enorme daqui. Adoro a Europa, vou sempre que posso, mas para passear, não para morar. Aqui estavam os meus familiares, a terra do samba, mulata, futebol, feijão preto, até do guaraná que não sou muito “fã”! (risos). Viver em outros países como se eu fosse daqueles lugares teve um lado bom, a cultura, a fluência em vários idiomas, mas tinha um lado muito sofrido: quando eu começava a me adaptar ao lugar tinha que ir para outro totalmente diferente. Apesar de todos os problemas do Brasil, eu não moraria em outro lugar.

J.C.: Nessa sua vida “nômade”, sempre quis ser artista ou foi algo que aflorou aqui no Brasil?
S.B.:
Sempre fui exibida! (risos). Meu primeiro gostinho dos aplausos foi aos cinco anos, em uma apresentação de balé. Depois, uma das vezes que estava no Brasil, ainda criança, encenei Branca de Neve. O príncipe deveria me dar um beijo na testa para eu acordar e o menino não dava. Sendo assim, fiquei apontando para a testa para ele saber que tinha que beijar. Foi muito engraçado porque eu não podia me mexer! (risos). Minha vida sempre esteve ligada ao desejo de ser atriz.

J.C.: E você realizou o sonho em 1980, quando fez Brasil da Censura à Abertura, com direção do Jô Soares.
S.B.:
Na verdade antes, quando fiz A República dos Assassinos, no cinema, em 1978. Além desse filme, fiz o Bar Esperança, em 1983 e Apolônio Brasil, o Campeão da Alegria, em 2003.
O início no teatro foi em Brasil da Censura à Abertura. E não podia ser melhor, com Marília Pêra, Marco Nanini e Geraldo Alves. Eu tinha feito curso de teatro O Tablado, mas o que eu aprendi vendo esses grandes atores durante um ano e três meses... Foi uma escola.

J.C.: São cerca de 20 peças no currículo. O seu último trabalho no teatro foi Rádio Nacional – As Ondas Que Conquistaram o Brasil, de 2006 a 2008. Quando voltará aos palcos?
S.B.: Tenho um projeto ousado, que já foi aprovado na Lei Rouanet e outras, de fazer um espetáculo sobre Marlene Dietrich, atriz e cantora maravilhosa que viveu quase cem anos. Ela teve uma vida interessante. Quando percebeu que estava perdendo espaço para as novas atrizes americanas fez uma turnê mundial como cantora, inclusive aqui no Rio, no Copacabana Palace, cantando Luar do Sertão. Ela era uma mulher ambígua, bissexual, um ícone que muita gente não sabe quem foi.

J.C.: Tem algum outro projeto?
S.B:
Vou te dizer em primeira mão. Escrevo algumas coisas e pretendo reunir o material para fazer um livro. O título deve ser Doce Guerreira.

J.C.: Em todos os trabalhos que fez, ganhando prêmios como o Mambembe, tem aquele personagem especial?
S.B.:
Gosto muito de uma personagem chamada Mari Gaila, do dramaturgo Ramon Del Valle Inclan, na peça Divinas Palavras, dirigida pelo Moacyr Góis. Ela era uma cigana que traía o marido e era “crucificada” pelo povo. A personagem explorava a pobreza. Tive que dar um mergulho em um mundo bem diferente do meu e gostei muito.
Adorei fazer Vita Sackville-West que foi amante de Virginia Woolf por quase 20 anos. Como as duas eram escritoras, elas tinham uma correspondência “intelecto-amorosa” incrível. Foi um desafio. Uma peça extremamente premiada, que eu produzi.
Em televisão, Amor e Intrigas, pela Record, no ano passado. Era uma mulher feliz, bem casada, que, de repente, descobre um tumor irreversível. Isso mexeu muito comigo, ver que somos humanos, finitos e que podemos morrer a qualquer momento...
A Record está me dando a oportunidade de fazer personagens diferentes.
Em Suave Veneno, da Rede Globo, minha personagem mexia muito com as mulheres. Ela pagava para ter os rapazes que queria. Isso não acontecia na época. Era muito engraçada e acabou morrendo de tanto sexo! (risos).
Tenho imenso carinho por Um Sonho a Mais, minha estréia como protagonista.
A própria Isabel, de Promessas de Amor, depois de ser traída pelo marido e abrir mão de valores em nome do casamento patriarcal, foi dopada e internada por ele. A personagem é totalmente diferente de mim em todos os sentidos. Sou independente, da geração da libertação da mulher, do feminismo, “sexo, drogas e rock in roll”! (risos). Nunca fui uma mulher cuja ocupação era prendas do lar, sempre trabalhei. E fui discriminada por isso. Como uma moça de família bem sucedida fica se envolvendo em trabalhos? Fui relações públicas em uma loja e era um espanto para as pessoas da época. Se a minha família tinha dinheiro, eu tinha que ser dondoca!

J.C.: Você vê um futuro melhor para a Isabel, na novela?
S.B.:
Acho que sim! Depois de sofrer esse baque espero que ela dê a volta por cima!

J.C.: Qual a diferença de atuar no teatro, na televisão e no cinema? S.B.: É bem diferente! A TV tem o poder do imediatismo e da popularidade, que é gratificante. No teatro não dá para enganar. Quando o ator pisa no palco tem que saber projetar a voz e se imbuir do personagem. Acho fundamental para o crescimento profissional. Adoro! É a energia que muda a cada dia. O cinema é mágico, energia pura! Estou aguardando convite para voltar à telona.

 

 

 

J.C.: E a vida pessoal? O que gosta de fazer quando não está trabalhando?
S.B.:
Gosto de ir para Pedro do Rio, na região petropolitana. Gosto de caminhar, adoro cinema, assisto tudo!

J.C.: E em Copacabana?
S.B.:
Nada mais gostoso do que tomar um cafezinho no Copacabana Palace. É uma construção deslumbrante e tenho boas recordações da minha infância lá. Tia Mariazinha Guinle era casada com o dono do hotel e prima-irmã da minha avó.
Minha podóloga é em Copacabana, a Berenice, da D’Pés, saio de lá e dou um pulinho no Cafeína. Gosto de passar pela Galeria Menescal e parar no Árabe, que é uma delícia! Sempre que quero ver filmes raros vou à Paradise, lá tem todos!
J.C.: Você tem manias?

S.B.: Devo ter, mas não me vem à cabeça agora. Sou aquariana, muito flexível, hoje acho algo ótimo e amanhã posso achar outra coisa. Acho que minhas manias migram.

J.C.: Deixe um recado aos leitores do Jornal Copacabana:
S.B.:
É um ditado francês. Se não tem nada melhor a dizer do que o silêncio. Cala-te!