Outros
Carnavais

Noutros tempos – hoje já não sei como é que a banda toca –, a Cadeia Pública Municipal de Feira de Santana exibia a maior concentração de presos barra-pesada do país. Cidade-entroncamento, passagem obrigatória da capital do estado para todo o interior baiano e vice-versa, ali sempre foi território sedutor para a bandidagem.
Num fevereiro de outros tempos, o então prefeito resolveu conceder um indulto momesco, liberando um time de assaltantes, traficantes, matadores, arruaceiros e ladrões de todos os tipos para brincar o Carnaval livremente – claro que com o compromisso de retornarem às suas celas na quarta-feira de cinzas.
Depois de ganhar as ruas na sexta-feira, consta que a turba foi imediatamente para a zona do baixo meretrício, onde juntou-se ao mulherio na formação de um bloco carnavalesco que fez história. Divertiram-se e ensaiaram duro duas noites e um dia, e no domingo se espalharam pela cidade, batucando em latas de banha e de leite em pó, com um samba-enredo que, cantado em dois tempos, ficou na memória dos grandes registros musicais que a folia proporciona.
Era assim: primeira parte, só os bandidos:
Ô, neguinha, neguinha,
o que é que eu sou?
Segunda parte, só as piranhas:
Ladrão, maconheiro, estuprador!
Mas é bonitim, é meu amor...
(repete até cansar)
Quem me contou a história fechou assim a narrativa:
– Como você pode observar, a letra era curta, mas tinha um grande impacto.
Já foi dito que a alma humana é um tremendo mistério. E no Carnaval, radicaliza.
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Copacabana aplaude, anualmente, uma das mais belas e autênticas manifestações do Carnaval carioca: a apresentação, na segunda-feira, do Rancho Flor do Sereno. Este ano não foi diferente, e mais uma vez estive lá.
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