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"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 
Fala Vizinho -Gringo Cardia 2007


Bete Mendes

de volta à telinha

Bete Mendes 2009

São 41 anos de carreira e uma bagagem artística invejável. Bete Mendes está de volta à telinha interpretando a D. Piedade na novela “Caras e Bocas”, da Rede Globo. Os personagens são muitos, mas quem não lembra da Donana, mulher do Zé do Araguaia em “O Rei do Gado”? Bete revela que essa é uma de suas personagens preferidas.
Além da carreira de atriz, Bete Mendes teve uma passagem importante pela política brasileira: foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores. Em Entrevista ao Jornal Copacabana a moradora do Bairro Peixoto fala sobre o assunto, carreira e a paixão pela cachaça! Confira.

Jornal Copacabana: Você nasceu em Santos e começou a carreira em São Paulo. Como foi a transferência para o Rio?
Bete Mendes: Comecei fazendo teatro amador em Santos. Depois passei para a peça A Cozinha, do Arnold Wesker, com direção do Antunes Filho e tradução do Millôr Fernandes. Foi aí que comecei a trabalhar profissionalmente em teatro, em São Paulo. Logo depois veio a televisão, quando entrei para a extinta TV Tupi. Lá eu fiz a novela Beto Rockfeller e fui convidada pela TV Globo, aqui no Rio, em 1974.
Fiquei três anos em ponte aérea até que me mudei para este prédio onde moro até hoje, no Bairro Peixoto. Mas nesse tempo, ainda fui para São Paulo e Brasília, sempre mantendo a sede aqui.

J.C.: Foi quando se dedicou a política?
B.M.:
Fui deputada federal pelo estado de São Paulo de 1983 até 1991, data que estreei a peça Área de Serviço, de Victor Giudice e direção de Marco Antônio Bráz (continuou com Gregório Filho), aqui no Rio.
No tempo em que fui deputada fiz alguns trabalhos na televisão. Nunca parei com a carreira de atriz.
Depois fiz Luz do Luar, do Harold Pinter, com tradução da Barbara Heliodora e direção do Ítalo Rossi, As Premissas, com direção coletiva, Momentos- Beijos, de Nelson Rodrigues, com o Nelsinho (Rodrigues Filho) dirigindo. Em 93 fiz Anjo Negro, obra também do Nelson.

J.C.: Tem um autor que você prefira?
B.M.:
Uns 265! (risos). Nelson Rodrigues era maravilhoso! Assim como Harold Pinter, Dias Gomes, um espetáculo inesquecível, A Gota D’Água, de Chico (Buarque) e Paulo Pontes... São muitos!
Não tenho modelos ou espelhos, Admiro, principalmente os artistas que prezam algo que sempre me preocupou em termos de interpretação: transbordar o sentimento, a alma do personagem, sem expressões fisionômicas que se caracterizam como careta. Preferia e continuo preferindo os atores que passavam densidade nos personagens.

J.C.: Como vê a “safra” de novos atores?
B.M.:
Tem muitos de qualidade, entre novos e jovens que estão na profissão há bastante tempo. Estou trabalhando com Malvino Salvador, que é um bom profissional e um doce de pessoa. O Marcos Pasquim, que é o meu filho na novela, é outro talento, o Wagner Moura é adorável, a Cláudia Abreu, Camila Morgado. A Hermila Guedes eu acho show! Não trabalhamos ainda, mas ela me surpreendeu no filme O Céu de Suely, arrebentou! O que não faltam são novos talentos! A mídia poderia se voltar mais para eles.

J.C.: Percebi que não gosta de pontuar, mas nesses 50 anos de carreira, tem um personagem especial?
B.M.:
Nós somos cada personagem que fazemos, mas tem os marcantes. Meu primeiro trabalho na televisão foi na novela Beto Rockfeller, na finada TV TUPI. A personagem tinha muito a ver comigo. Ela seria a amiga da “mocinha” que era a personagem Lu, da Débora Duarte. A personagem cresceu e virou o amor oculto do Beto. Não é que eu parecia o personagem, mas o autor identificou minhas características e desenvolveu nela. Isso acontece muito em televisão.
Teve a Donana, de O Rei do Gado, que gostei muito! Ela era mulher do Zé do Araguaia, interpretado pelo Stênio Garcia. O trabalho de pesquisa foi profundo, intenso e agradável, por isso incorporei a Donana com muito carinho. A ligação entre os dois era intensa, me marcou muito.

J.C.: Suas últimas aparições na TV tinham sido em Páginas da Vida e em Sítio do Pica-Pau Amarelo. O segundo, um desafio ainda maior em ter que interpretar a personagem Dona Benta, eternizada por Zilka Salaberry.
B.M.:
Foi uma homenagem à Zilka, que é a eterna Dona Benta. Além de representar depois dela, que era maravilhosa, entrei na temporada seguinte a da Nicete Bruno e Suely Franco que também são ótimas!
Adorei fazer porque trabalhar com criança é um desafio adorável! Elas são espontâneas e sem censura. Saber lidar com elas é um desafio, por isso foi muito bom. Acho uma pena que tenha acabado, o Sítio deveria ser eterno. Até porque as novas gerações não conhecem Monteiro Lobato.

J.C.: Agora você está de volta à telinha com novela Caras e Bocas, da Rede Globo.
B.M.:
É. A novela é do Walcyr Carrasco, com direção do Jorge Fernando. Faço a D. Piedade, irmã da Socorro, interpretada pela grande atriz Elizabeth Savala e meu sobrinho Gabriel (Malvino Salvador) é nosso sócio no Bar na Lapa, em São Paulo.
As gravações estão ótimas, o clima muito bom, não dá para ficar melhor! Adorável! Estou curtindo muito! Quando começa assim vai de vento em poupa!

J.C.: Quando voltará ao cinema e teatro?
B.M.:
Meu último filme foi Brasília 2006. Estou aguardando convite.
No teatro fui convidada para fazer Maria Stuart, de Schiller, com direção do Antônio Gilberto, mas, infelizmente, não pude continuar por conta da novela. A ousadia dele de fazer um Shiller com Julia Lemmertz como Maria Stuart e Clarice Niskier, de Rainha Elizabeth... É um exemplo de pessoas que buscam a qualidade teatral. O texto é uma tradução do Manoel Bandeira, de 50 anos atrás, um poema clássico! Lindíssimo! Ainda não pude ver, mas espero que tenha sucesso!

J.C.: Ainda faltam incentivos para montar os espetáculos?
B.M.:
Teatro sempre foi complicado. Tenho lido e acompanhado a participação de grupos de atores, diretores, produtores que buscam as leis, que por sua vez, ainda estão engatinhando e não são estáveis, o que complica muito. O teatro sobrevive pela qualidade. Tem espetáculos que estão a três, quatro, seis nos em cartaz...
Mas quando se fala que agora é difícil... O “agora”, sempre foi difícil!
É preciso leis estáveis de apoio, subsídios, patrocínio, etc. Nossa democracia é muito jovem, tivemos tantos solavancos políticos que a arte acabou prejudicada.

J.C.: Falou de estabilidade e solavancos na política brasileira. Você enfrentou problemas com o governo militar na época ditatorial brasileira. Entrou na Universidade de Sociologia em São Paulo e não concluiu por causa do regime ditatorial da época?
B.M.:
Acabei sendo presa e desisti da faculdade.

J.C.: Foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT). Como avalia as suspeitas de corrupção envolvendo o governo?
B.M.:
Durante muitos anos tudo que acontecia de errado era velado, camuflado, ninguém sabia direito. Hoje os escândalos aparecem, isso é importante. Espero que a sociedade amadureça para que os culpados sejam condenados e diminuam os casos de corrupção no país. Têm que ser julgados criminalmente.

J.C.: E sobre o fato das alianças firmadas entre o então candidato Lula, aliando-se a políticos historicamente oposicionistas.
B.M.:
O congresso nacional me ensinou muito. Foi uma experiência de vida, de política institucional e a Secretaria de Cultura de São Paulo me ensinou mais ainda sobre o executivo.
Existe algo tenro na sociedade brasileira, que é votar. O problema da governabilidade no Brasil está no fato de votarmos no executivo e não votarmos no legislativo. É difícil alguém governar com um congresso que não representa a maioria da população. Vemos segmentos organizados e que estão no poder e nunca caíram. Essa dificuldade forma alianças entre partidos opostos. O eleitor tem que ter consciência do candidato e acompanhar o mandato.
Faço parte do movimento Humanos Direitos onde avaliarmos a ação governamental, legislativa e do judiciário, de forma ordenada. Quanto mais a sociedade se organizar, melhor.

J.C.: Política, arte e a cachaça! Essa é outra de suas paixões?
B.M.:
É. Adoro! Sou da Academia Brasileira da Cachaça e a minha patronesse é Isaurinha Garcia, que era uma cachaceira do conhaque! (risos).
Escolhi essa mulher maravilhosa, ícone da música brasileira para minha patronesse quando fui convidada para a Academia, apesar dela beber conhaque!
Acho cachaça delicioso, a Academia maravilhosa e sou apaixonada por cultura! É uma bebida relegada, considerada de pessoas marginalizadas. A Academia e o trabalho que o meu amigo Paulo Magoulas faz, de chamar a atenção para a cachaça brasileira, já ocupou espaços e hoje, ela é vendida nas casas mais sofisticadas do Brasil e do exterior.

J.C.: O que é ser um bom bebedor de cachaça?
B.M.:
Tem que saber tomar a cachacinha como aperitivo, para degustar, saborear na hora da folga, não ser a única diversão, de uma maneira compulsiva. Não bebo nada alcoólico quando estou trabalhando.

J.C.: Sendo moradora do Bairro Peixoto, o que gosta de fazer em Copacabana?
B.M.:
Faço tudo por aqui. Acho a orla mais linda do Rio, portanto do mundo! Gosto de caminhar na praia e observar as pessoas interessantes, tipos adoráveis, cada um com sua característica. Tudo se encontra aqui!
As pessoas têm que aprender a saborear, degustar essa cidade. Aqui tem o maior clube do mundo, de graça!
Eu tenho no meu coração aqui na Praça Eugênio Bitencourt, a única sem grades no Rio de Janeiro! Sempre encontrava Louzadinha aqui, meu querido amigo.
As pessoas me conhecem. Tem uma atmosfera do interior, mas é no meio de Copacabana.

J.C.: Deixe seu recado aos leitores do Jornal Copacabana:
B.M.:
Aos leitores, continuem lendo e prestigiando e divulgando o Jornal Copacabana para que ele aumente ainda mais a tiragem! Depois fazemos uma festa!
Comprimento também os anunciantes por apostarem no jornal do bairro e parabenizo editores e jornalistas pelo bom trabalho.