Dona Maria Amélia Cesário Alvim Buarque de Hollanda

Ninguém faz 100 anos de vida impunemente. Ou seja, sem muita estrada, sem muita luta, sem dissabores. Creio que também não se consegue, impunemente, gerar frutos e conviver com luzes e alegrias chamadas de Chico Buarque, de Miúcha, de Cristina, de Pii e de Ana de Hollanda (os outros meninos podem se sentir também homenageados); somando-se, a tudo isto, inúmeros verões ao lado do paulistano que plantou as raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Hollanda, a quem cada brasileiro deve, pelo menos, uma folha. Ou uma flor.
Dona Maria Amélia, a doce Memélia para os seus íntimos, brinda o centenário neste janeiro de 2010 (dia 25), enchendo de orgulho os seus filhos, netos, bisnetos e amigos (conheço um, seu vizinho de Rua Almirante Gonçalves, que os olhos brilham quando fala nela, que a barba branca treme quando ela passa na calçada do Bip Bip e acena, plena de humanidade e de carinho).
Dizem que da janela do sétimo andar do edifício sóbrio em Copacabana, em cima do nada sóbrio Alcazar, ela ainda contempla o tempo e sorri para o mar. Quem tem a felicidade de enxergá-la, mesmo de longe, vislumbra um pedaço do nosso país – talvez o melhor pedaço. Mesmo de longe, lá está o canto dos pássaros, o balé das nuvens, a inquietação política e social que abraça anônimos e presidentes da República, com a serenidade dos 100 anos, a doçura dos 50, o brilho no olhar dos 25. Ninguém é tanto para tantos impunemente.
Maria Amélia Cesário Alvim Buarque de Hollanda, carioca, mulher de verdade como sua homônima de Ataulfo e Mário Lago, traz no nome e no sobrenome a colcha de retalhos nordestina que aquece o Rio, a imagem que nos enche de orgulho por também mergulhar nessa bacia. Deus a conserve e a proteja.
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