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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 
Fala Vizinho -Gringo Cardia 2007


Eloy Araujo

O dramaturgo Eloy Araujo em entrevista ao Jornal Copacabana

 

 O bate papo com Eloy Araújo daria para preencher mais páginas do Jornal. A palavra fácil do autor traz uma extensa bagagem e um currículo admirável de mais de 40 anos de carreira. Desde Beto Rockfeller, o ator de teatro deu lugar ao dramaturgo e a vida de Eloy mudou. Ele aproveitou a experiência nos palcos para “escrever textos para o ator”, o que, segundo ele, facilita o trabalho.
Paulista de nascença, Eloy Araújo é morador de Ipanema e adotou o Rio há 30 anos, quando foi estimulado por Jô Soares a se mudar para a Cidade Maravilhosa.
De lá para cá, Eloy escreveu sucessos como Tango, Bolero e Cha-Cha-Cha, Feijão Maravilha (com Bráulio Pedroso), remake de Selva de Pedra (com Janete Clair) e Sassaricando (ao lado de Silvio de Abreu).
Agora o autor se dedica inteiramente ao teatro e faz mistério com seus próximos trabalhos.
Confira a entrevista de Eloy Araújo ao Jornal Copacabana.

Jornal Copaabana: Você atuou como ator e escreveu sucessos para o teatro e televisão como Tango, Bolero e Cha-Cha-Cha, Beto Rockfeller, Feijão Maravilha, remake de Selva de Pedra e Sassaricando. Fez algum curso de teatro quando era garoto?
Eloy Araújo: Sou paulista e lá em São Paulo tinha a Escola de Arte Dramática, onde fiquei durante quatro anos. Eu comecei como ator. Atuei quase oito anos. Eu gostava de escrever, mas era muito fraco.

J.C.: Você considerava ou as pessoas diziam?
E.A.: Eu nem mostrava! (risos). Era uma tentativa.
O trabalho de ator me afinou para escrever. Para compor um personagem temos que estudá-lo, saber da psicologia dele e como ele é. Depois me dei conta de que isso me ajudou na carreira de autor. Sou conhecido por escrever para o ator. Tenho um arraigado dentro de mim. Para completar eu trabalhei com grandes diretores.
Outra coisa que me ajudou foi que, quando estava fazendo o Inspetor Geral, no Teatro de Arena, com Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, direção do Fauzi Arap, fui convidado pelo Faculdade Renascença para dar aulas de teatro. Nessa época entrei na cultura judaica. Não sou judeu, mas me apaixonei, fiquei fascinado. Fiquei lá durante quatro anos, dirigindo e escrevendo. Não sou um autor de gabinete, fui ator e diretor.
Fui professor primário, o que também me ajudou muito, porque eu convivia com as professoras, durante quatro anos. E a primeira peça que escrevi foi Dois Personagens, com Odete Lara, onde envolvi o universo da professora e foi um grande sucesso...

J.C.: Por que deixou a carreira de ator?
E.A.: Quando você sai da escola de teatro, acha que vai encontrar o ideal do ator, nem sempre é assim. Há concorrência, e se você está bem no papel, querem te derrubar em cena, umas coisas estranhas. O problema é que há, inclusive, grandes atores que também sofrem com essa vaidade e egoísmo e não conseguem aguentar quando o colega está melhor em cena. Encontrei algumas barreiras nesse sentido e me cansei.

J.C.: Como vaio de São Paulo para o Rio?
E.A.: Quando eu conheci o Jô Soares, fui assistente de direção dele em Soraia Posto 2. Vim visitar um grande amigo no Leblon, José Luis Arcanjo, que trabalhava com o Jô aqui no Rio de Janeiro. A idéia era passar uns 15 dias. Mas o Jô, que morava em São Paulo nessa época, ficou insistindo para que eu viesse para o Rio. Eu não tinha a menor condição... Já tinha começado a carreira em São Paulo, era conhecido... O que eu faria no Rio?

J.C.: Nada, a princípio!
E.A.: Pois é. Mas o Jô foi convidado para a peça Fim de Papo e não aceitou. Ele me indicou. Aceitei. Não foi um bom trabalho, mas abriu portas. O Jaime Barcelos me convidou para dar aula no curso de teatro dele. O Jô me indicou para fazer um trabalho com os velhinhos da Casa São Luis. Pensei que estava de passagem e “fui ficando”...
O trabalho na Casa durou quase 10 anos. Comecei com seis pessoas e foi gratificante porque minha última turma tinha cerca de 40 alunos. Eles não acreditavam que eu ia continuar porque os professores anteriores não ficavam muito tempo. E foi importante porque era um desafio dar aula para eles. Metade da turma dormia enquanto eu falava. (risos). Tinha que ser muito bem bolado porque alguns não tinham muita mobilidade, e, muitas vezes, nem memória! (risos). Conviver com eles me preparou para a minha própria velhice.

J.C.: Quando vieram as novelas?
E.A.: Nessa época. Eu já tinha feito Beto Rockfeller na Tupi de São Paulo. Um sucesso do Bráulio Pedroso, que eu terminei. Fui chamado para fazer um mês e fiquei cinco. No começo foi um problema! Eu demorava três dias para fazer um capítulo. Quem dirigia a novela era o Lima Duarte, e, com a saída do Bráulio, entrou o Walter Avancini.
Quando eu já estava aqui no Rio, Avancini me chamou para escrever Feijão Maravilha com o Bráulio, já que tinha dado certo anteriormente. E foi gratificante, um sucesso.
Aí os trabalhos vieram. Fiz Casos Verdade, com Paulo José, que também foi um sucesso, como o episódio Amor em Preto e Branco. Depois veio o remake da novela Selva de Pedra.

J.C.: Do Leblon você veio para Ipanema?
E.A.: Estava na Rua Bartolomeu Mitre, no Leblon. Depois fui para a Barão de Jaguaribe, em Ipanema.
Na Selva de Pedra, no Leblon, escrevi Sassaricando, com Silvio de Abreu.
Depois Ipanema de novo.
Passei quatro anos achando que não estava morando no Rio, até que me dei conta e estou há 30 anos. (risos).
Aqui é uma cidade maravilhosa mesmo. Mas com relação a trabalho achava que São Paulo era melhor, pela quantidade de teatros.

J.C.: Por que demorou tanto para aceitar que estava no Rio?
E.A.: Estranhei muito o jeito carioca de conversar sobre trabalho, se empolgar e não acontecer nada no dia seguinte. Em São Paulo, se havia um interesse, a produção começava. Isso foi um choque para mim.
No Rio não se freqüentava a casa das pessoas... Era muito estranho... Depois me adaptei.

J.C.: E Copacabana? Qual a sua relação com o bairro?
E.A.: Quando ando pelas ruas de Copacabana, sinto o nosso povo. Acho interessante. Sou observador e tenho até que tomar cuidado para não ser mal interpretado. (risos). Gosto de reparar na expressão da pessoa e criar a história dela na minha cabeça. Saber como é a vida dela. Gosto da diversidade do bairro. É um panorama rico de tipos.
O artista é o radar do que acontece, tem que se envolver com o mundo. Observamos como se estivéssemos fora dele. É como dizia Charles Chaplin: a vida vista em close up é uma tragédia, em long shot é uma comédia. Vivemos e trabalhamos entre essas duas visões.

J.C.: O sucesso dos seus trabalhos é a sua realização como autor?
E.A.: Não. Gosto de escrever para as pessoas, não para a crítica. O importante é a resposta do público.

J.C.: Por isso voltou ao teatro depois de dez anos escrevendo para televisão?
E.A.: Não quis mais escrever novelas e voltei para o Teatro com Tango, Bolero e Cha-Cha-Cha.
Na televisão muda cenário e figurino, mas os personagens continuam os mesmos.
Queria levar ao público o conhecimento que adquiriu sobre relacionamentos humanos, valores da vida e os caminhos para a evolução do ser humano. Foi quando escrevi Eu, Você e os Outros, que não foi montada até hoje.

J.C.: Descobriu esses valores trabalhando em televisão?
E.A.: Veio da minha vivência. Quando a gente é mais jovem não costuma enxergar a ligação dos fatos. Eu sabia tudo que tinha que fazer para estar na mídia, mas não tem a ver com meu temperamento, sou mais caseiro. Parei de procurar. O importante é evoluir para ter paz e harmonia. O importante é “o ser”, não “o ter”.

J.C.: Qual a diferença de escrever um texto para televisão e para teatro?
E.A.: O autor tem que ter muito fôlego e imaginação para novela. A disciplina é o ponto fundamental, independente da inspiração você tem que entregar o texto, o prazo é curto. Isso ajuda ao escrever para teatro. Nesse caso, gosto de deitar no sofá e esperar a inspiração, aí começo.

J.C.: Então você tem uma mania.
E.A.: É. Outra coisa: não gosta de fazer escaleta (um roteiro), gosto da folha em branco e nunca sei o fim quando estou escrevendo para teatro. Para novela sou obrigado.

J.C.: Qual é o seu momento?
E.A.: Teatro. Não gosto de falar de projetos porque às vezes está tudo certo para acontecer e, como é teatro, acaba não acontecendo, como no caso de Eu, Você e os Outros e O Flagrante. Por isso prefiro não falar, mas estou com bons planos para 2009.

J.C.: Tem a ver com Bibi Ferreira?
E.A.: Talvez. Ela é minha parceira. No Tango nos descobrimos e nos amamos muito.

J.C.: Deixe seu recado aos leitores do Jornal Copacabana.
E.A.: Viva intensamente todo mistério e beleza de Copacabana.