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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 
Fala Vizinho -Gringo Cardia 2007

Walter Alfaiate

Walter Alfaite em foto de Renata Moreira Lima

Pimentel e Amorim entre amigos no lançamento do Livro
Entre Sem Bater de Pimentel, com ilustrações de Amorim.

 Alfaiate desde os 13 anos, sambista desde os 14. Este é Walter Alfaiate, o sambista que conhece a medida certa do carnaval!
Aos 78 anos, ele tem um ateliê em Copacabana e frequenta os estúdios e palcos do Rio de Janeiro.
Com a proximidade do carnaval ele aguarda a roupa que vai desfilar na Velha Guarda da Portela, faz shows no Circo Voador, no SESC e na Lapa, onde também se apresenta durante o período carnavalesco, assim como no Terreirão, na Praça XI.
O carnaval de rua é outra atração para esse folião de carteirinha, mas ele constata a diferença ao se lembrar dos velhos tempos, dos blocos de sujo e desfiles nas ruas da cidade.
Você confere agora as dicas, história e trabalhos de Walter Alfaiate.

Jornal Copacabana(Renata Moreira Lima): Você é sócio aqui do Jornal Copacabana, fizemos três entrevistas. Com a proximidade do carnaval, nada melhor do que convidar um profundo conhecedor do assunto.
Aos 14 anos você começou a compor sambas, de maneira autodidata, para os blocos de Botafogo, onde morava. Conte essa história.
Walter Alfaiate:
Comecei novo, fiz muito samba... Saía nos blocos, nos bailes infantis, minha mãe me levava sempre. Também aos desfiles de escolas de samba e de rancho na Rua Arnaldo Quintela. Depois saí nos Foliões de Botafogo e na escola São Clemente que é do bairro onde eu nasci. Na Portela também.
J.C: Você é da época “fervilhante” do carnaval de rua. Como analisa o mesmo, atualmente?
W.A:
O carnaval de rua perdeu para o “bloco das camisetas”, onde você tem que comprar a camisa e sair igual a todo mundo. Essa é a verdade! “Eles” podem chiar, mas eu acredito nisso. No meu carnaval de rua, antigamente, era homem vestido de mulher e vice-versa. Hoje eles já se vestem no dia-a-dia, no carnaval passa batido! (risos).
Eram blocos divertidos... O Cacique de Ramos, o Bafo da Onça... Foram acabando aos poucos.
Outra coisa que ajudou a enfraquecer o carnaval de rua foi o desfile na Sapucaí. O sujeito passa pela avenida de madrugada, acaba ficando até de manhã no sambódromo e arredores e não tem disposição para os blocos no dia seguinte. Isso foi outra coisa que ajudou a afundar o carnaval de rua.
Por outro lado, hoje têm muitos blocos, você pode escolher, mas não é como antes.
Em Laranjeiras, por exemplo, tem o Imprensa que eu Gamo e uma porção deles... Dizem que é o bairro que tem mais blocos! Na Tijuca tem o Não Muda Nem Sai de Cima, no Jardim Botânico, o Suvaco do Cristo, que é muito bom! Tem o Simpatia é Quase Amor, em Ipanema, o Voltar Pra Quê, do Celsinho, na Cinelândia...
J.C: Então você estará nesses blocos no carnaval?
W.A:
No Clube do Samba, terça-feira, na esquina da Santa Clara, sou padrinho da Banda do Saldanha que vem, mais uma vez, do Rio Grande do Sul para fazer um carnaval bonito na Paula Freitas com Atlântica, devo ir ao Simpatia, em Ipanema e estarei no bloco do Bip-Bip, na praça Almirante Gonçalves. Procuro ir a todos! Sou folião de carteirinha! Minha mãe era e eu também sou.
J.C: E ainda desfila com a Portela na Sapucaí.
W.A:
Exatamente. Desfilo desde 1981 na Portela e venho no carro da Velha Guarda. Costumava sair na ala dos compositores, com a idade puxada... (risos). Antes eu saía no chão, sambando. Agora vou curtir meu momento dando tchau! (risos). Vou chegar inteirinho do outro lado da avenida! (risos). Saio, ainda, na São Clemente.
J.C:E os shows?
W.A:
No carnaval vou cantar no palco que ficará armado nos Arcos da Lapa e no Terreirão. Se Deus quiser!
Estarei no dia 28/01 no Estrela da Lapa, com Aline Calixto e no dia 29/01 no Circo Voador, no Concurso de Samba de Quadra. Dia 12/02 farei show no SESC Ginástico, na Rua Méxco, no Centro.
J.C:São 64 anos de carreira...
W.A:
Não tenha dúvida! Tive três conjuntos de Samba. Gravei meu primeiro CD aos 68 anos. Tenho quatro CDs gravados e participação em álbuns de samba e de amigos. Fiz, recentemente, o DVD Cidade do Samba, do Zeca Pagodinho. Cantei uma música com a Negra Li.
J.C:O seu número de composições virou mito! Há aqueles jornalistas que dizem que são 600 outros afirmam ser 200. Em 64 anos de carreira, você compôs quantas músicas, afinal?
W.A:
Que eu saiba, um cara que tem mais músicas chama-se Paulo Pinheiro! Esse deve ter umas 200 composições! Eu tenho umas 80 ao todo, 26 gravadas.
J.C: Pensa em gravar o próximo CD solo?
W.A:
Quando terminar o carnaval eu entro em estúdio. Vou fazer samba de raiz e canções, mostrar meu lado sambista e o romântico, dos meus tempos de crooner, no bar Bolero, em 1954/55. Já vai tempo...
J.C:E qual o seu palpite para o carnaval da Portela?
W.A:
A escola vem bem. Fala do amor, que é o tema mais bonito que existe! Chegou bem nos últimos anos, acredito que esse ano levamos o primeiro lugar. Vai depender dos bastidores. Infelizmente isso existe. Eles não gostam que fale, mas no alto dos meus 78 anos... Eu falo.
Por isso que os garotos gostam de conversar comigo. Deus me deixou aqui tanto tempo, para passar minha experiência para a mocidade, a juventude. E tenho passado.
J.C:Percebo que antigamente o ritmo do samba das escolas era mais cadenciado, hoje ele está mais “apressado”. A que se deve isso?
W.A:
Quem começou com isso foi o Salgueiro com o samba Tengo-Tengo Santo Antônio, Chalé. Minha gente, é muito samba no pé! Foi aí que começou a correria! É uma escola brilhante, mas foram eles que apressaram o samba. Hoje as escolas têm um número absurdo de componentes. Na Praça 11, eram 600 pessoas, no máximo. Hoje tem de 3500 a 5000 componentes, não daria tempo das escolas passarem se fosse com o ritmo antigo.
J.C:Outra mudança no carnaval foi o fim dos glamorosos concursos de fantasias, no Copacabana Palace, Hotel Glória, Teatro Municipal...
W.A:
Isso foi uma perda! Faz muita falta. Até eu já ganhei concurso quando era pequeno.
J.C:Além de sambista, você é alfaiate. Sendo assim, diga aos leitores qual a medida certa do carnaval.
W.A:
É aquela que eu sempre fiz: de manhã cedo sair no bloco de sujo, brincar até o meio-dia, à tarde ir para um baile, infantil, e depois escolher uma escola de samba para desfilar, como eu faço até hoje pela minha Portela e curtir a madrugada! Depois voltar pra casa e curtir os outros três dias nos blocos.
Pouca bebida para não encher a cara e perder o resto do carnaval... E, se for dirigir, não beba! Fora de drogas e vamos brincar o carnaval. É isso aí!