Luis Pimentel e Amorim

Pimentel e Amorim entre amigos no lançamento do Livro
Entre Sem Bater de Pimentel,
com ilustrações de Amorim.
Por Renata Moreira Lima
Eles não sabem ao certo quando se conheceram, se no boteco ou na redação! Se nos anos 80 ou 90! Mas uma coisa é certa: foi na Rua da Carioca, onde funcionava o Pasquim. De lá para cá, colecionam prêmios nacionais e internacionais. A parceria entre eles já dura cerca de 20 anos.
Aqui no Jornal Copacabana ela completa oito anos neste mês de dezembro! Para comemorar, unimos, em um Fala Vizinho especial, o jornalista Luis Pimentel e o cartunista Amorim para falar sobre trabalho, a ligação com o bairro e a coluna mensal que mantêm no Jornal Copacabana. Confira a entrevista com os nossos colaboradores.
Jornal Copacabana: Luis Pimentel nasceu no sertão da Bahia e não teve uma infância fácil, vendia laranjas em estádio de futebol, não é? Como foi a mudança para o Rio de Janeiro? Por que escolheu o jornalismo? Cursou a faculdade aqui no Rio?
L.P: Depois das laranjas na porta do estádio e do Bombril na feira-livre (que também vendi), trabalhei em oficina mecânica, padaria, escritório, lojas de confecções etc. Aí me meti com o teatro amador, ainda em Feira de Santana, e em seguida fui fazer Escola de Teatro na Universidade, em Salvador. Transferi o curso para o Rio e, chegando aqui, desanimei com as artes cênicas e me encantei com o jornalismo, depois de conhecer um pessoal que colaborava no Pasquim, onde também comecei logo a publicar umas “coisinhas”.
Depois fiz faculdade de jornalismo e trabalhei em diversas redações de jornais e revistas. Também comecei a fazer literatura e publiquei uma “porrada de livros”.
J.C.: Carlos Amorim nasceu no Rio de Janeiro em 64. Aos 20 anos iniciava a carreira de cartunista no Pasquim, não é? Gostava de desenhar desde pequeno? Como descobriu a vocação?
A.: Na época, quando comecei, ainda tinha 19 anos, pois só faço aniversário no final do ano. Na verdade minha estréia deve ter acontecido quando tinha uns cinco, seis anos e a professora botou a turma pra desenhar. Ela deu um tema tipo “meios de transportes” só pra molecada ficar desenhando em aula enquanto ela corrigia provas, um troço desses. E viu meus rabiscos (uns carrinhos, barquinhos, aviõezinhos...), gostou e disse para eu ir à sala ao lado mostrar para uma outra professora. Fiquei sem graça na hora. Fiquei escondido no banheiro fazendo hora (não podia ficar zanzando nos corredores do Marista S.José). Dei um tempo, uma “mijadinha” (risos) e voltei pra aula. Chegando, a professora me perguntou se ela havia gostado. Eu devo ter falado: ôôôôôôôôôôô! (risos).
J.C.: Quem são os seus ídolos?
L.P: Vou citar aqui apenas os ídolos no ofício da crônica, que é o que pratico aqui no Jornal Copacabana: Ivan Lessa, Verissimo, Millôr Fernandes, Rubem Braga, Fernando Sabino e Aldir Blac, não necessariamente nessa ordem.
A.: Acho que não tenho nenhum, não. Os vivos, a gente acaba conhecendo pessoalmente, mais até do que se deve e os falecidos, inexplicavelmente, vão deixando de acompanhar as novidades. (risos). Uma pessoa em que sempre tentei me nortear é o J.Carlos, caricaturista.
J.C.: Quando e como vocês se conheceram?
L.P: Nos conhecemos em meados dos anos 80, no velho Pasquim, quando a redação era na Rua da Carioca. Começamos a fazer uma coluna de humor juntos para o Jornal dos Sports e inauguramos uma parceria que jamais se desfez. O Amorim é meu filho mais velho ou irmão mais novo, sei lá.
A.: Acho que foi lá pelos idos do século passado, 90, 91, pelos botecos em torno da redação do Pasquim, à época na rua da Carioca. Devo ter olhado pra cara dele e falado: “sujeito, vamos fazer uma tira?”. E ele: “vá se lascar, seu cabra!”. (risos).
J.C.: Luis Pimentel já escrevia no Jornal Copacabana quando Amorim foi convidado a fazer parte da coluna. Sabem que essa parceria completa oito anos neste mês de dezembro?
L.P: Pois é. Oito aqui, no Copacabana. No geral, incluindo humor, música, trabalhos infantis e outras presepadas, são uns vinte anos. Estamos durando mais do que muitos casamentos; se houver a separação, um dia, vou até pedir pensão alimentícia. (risos).
A.: Não lembro...Dá vontade de ligar pra farmácia e encomendar meio litro de botox.
J.C.: Ao longo deste tempo Luis Pimentel falou e Amorim ilustrou crônicas e personagens do bairro, a vida de personalidades como Millôr Fernandes e homenagens a Tim Maia, João Nogueira e recentemente, Luis Carlos da Vila. A parceria está presente, também, em várias publicações de sucesso como Entre Sem Bater, que fala do humor na imprensa brasileira, a partir do Barão de Itararé. Qual o saldo de todo o trabalho realizado em dupla?
L.P: Emplacamos muito coisa, mas também temos muitos projetos na gaveta, que não foram adiante. Como diz o nosso amigo Nani, cartunista, a gaveta de “sim” só impressiona a quem não conhece a gaveta de “nãos”. Mas continuamos inventando moda, e a todo instante estamos embarcando num projeto. Acho que a gente gosta muito de trabalhar juntos.
A.: Amizade de irmão.
J.C.: Nessa época de fim de ano vem sempre uma sensação de questionamento: sobre o ano que passou e a expectativa do que vem pela frente. Uma questão importante foi a eleição de um novo prefeito para a cidade do Rio de Janeiro, cujo resultado foi histórico devido a estreita margem de votos do vencedor. Como vocês avaliaram essa disputa e o que esperam do prefeito eleito?
L.P: Espero que o novo prefeito não repita os erros do anterior, que cuide da cidade com carinho, e que descubra mecanismos para manter as escolas e os hospitais. De uma maneira geral, que se ele não puder nos ajudar, que pelo menos não nos atrapalhe.
A.: Espero que saiba diferenciar as promessas, das ameaças que fez durante a campanha.
J.C.: Qual o significado do Natal para um cartunista e um cronista, ambos ligados ao humor?
L.P: Para mim, significa um momento para os consumidores ficarem mais histéricos do que são, os comerciantes ganharem mais dinheiro e eu fazer humor. Aqui mesmo, já publiquei algumas crônicas no gênero sobre o tema.
Significa confraternização entre os povos e horror terminal por ser obrigado a fazer cartum sobre Papai Noel e o saco nas costas.
J.C.: Vamos falar do bairro. Pimentel é morador do Humaitá e Amorim, da Tijuca. Qual a relação de vocês com Copacabana e o que gostam de fazer por aqui?
L.P: Em Copa estão o Jornal onde escrevo e o Botequim que freqüento (Bip Bip). Gosto da agitação do bairro (quando estou para agitação, pois quando não estou eu fico em casa) e de apreciar mulheres bonitas passando pela Rua Almirante Gonçalves (do Bip Bip), em direção à Atlântica; incluindo aí aquelas que estão indo trabalhar.
A.: Na verdade não tenho relação nem mesmo com a Tijuca - aliás nem com o prédio onde moro! (risos). Mas gosto do bairro e do “caldo de pessoas” que nele habita, de andar pelas ruas. Aquela história do microcosmo, que no caso de Copa cabe perfeitamente.
J.C.: Deixem um recado para os leitores do Copacabana.
L.P: Agradeço muito por me aturarem aqui há tanto tempo. (risos).
A.: Visitem Jericoaquara. Nessa época do ano é uma formosura. Mas não se esqueçam de levar o isopor e o cavaquinho. |