ZAIRA ZAMBELLI

Por Renata Moreira Lima
O desafio para ela é se aprimorar e colocar em prática . O meu é conseguir demonstrar, em palavras, a energia e simpatia da bem humorada, Zaira Zambelli. Em entrevista ao Jornal Copacabana, a atriz, longe das telinhas desde 1995, falou sobre sua dedicação às aulas de teatro na Oficina que ministra aulas em Copacabana, sobre a carreira e o sucesso das personagens Dasdô e Rosinha, do filme Bye Bye Brasil e da novela Paraíso, respectivamente.
Desde a influência do Teatro Ipanema, passando pelo curso de Sérgio Brito, ao lado de Regina Casé e Evandro Mesquita, até as novelas Irmãos Coragem, Meu Bem, Meu Mal, Barriga de Aluguel, Pantanal e Carmem, os filmes As Meninas, Banana Split, Fulaninha, Trans Atlantique, Nos embalos de Ipanema e no teatro As Bodas de Felissa, Quem é Amélia?, Donana e Uma Cama pra quatro, entre outros, ela sempre se dedicou à profissão. Você confere agora a entrevista com a vizinha, Zaira Zambelli.
J.C.: Você começou como atriz e fez inúmeros personagens na televisão, no teatro e no cinema. Depois da novela Irmãos Coragem, passou a se dedicar ao teatro. Fale sobre isto.
ZairaZambelli: Quando acabou a novela, pensei: quando vou ser convidada novamente? A incerteza e o fato de ter que ficar pedindo trabalho me cansavam, era chato. Então pensei em uma maneira de seguir a carreira sem ter que me preocupar com esse aspecto.
Tínhamos um bom elenco na novela (Irmãos Coragem), o grupo era unido. Suzana Caymmi, Chico Tenreiro, Licurgo Espínola e eu formamos um grupo de leituras dramatizadas. Depois comecei a dar aulas, tem 12 anos! Hoje, adoraria atuar, mas não tenho tempo de ficar ligando... Eu mando e-mail, às vezes, dizendo que estou à disposição, com foto recente para ver se arrumam um papel de avó pra mim! (risos). Me dedico ao curso. A sede tem dois anos, agora me sinto mais segura para deixá-la, caso tenha que encarar outro trabalho. Não pensava em ser atriz. Fui convidada para cursar teatro com Sergio Brito e gostei muito. Tinha a Regina Casé, Patrícia Travassos, Evandro Mesquita, que era meu namorado na época! (risos). Isso aos 16 anos. Mas na minha família não podia ter uma atriz. Meus pais não deixariam. Por isso fiz sociologia durante a ditadura e não finalizei.
J.C.: Fez cinema nas décadas de 70 e 80, quando a falta de recursos era um empecilho para grandes produções. Os atores faziam, então, o cinema popular. Como vê o processo de evolução daquela época para o que se produz hoje no Brasil?
Z.Z.: Hoje é muito melhor! Podemos ver no Canal Brasil os filmes daquela época, como os que eu fiz Os Embalos de Ipanema, do Calmon, Fulaninha, do Davi Neves... É visível que, mesmo com grandes atores, o som e a fotografia não são da melhor qualidade. Fora o apelo sexual da época!
J.C.: Ao entrevistar Carlo Mossy, também para a coluna Fala Vizinho, ele disse que “a pornochanchada nunca foi pornô. Foi um rótulo dos cineastas intelectuais da época”. Monique Lafond disse, também na coluna, que “retratavam a realidade da sociedade burguesa da época. Que, por sua vez, ficou chocada com a exposição de seus verdadeiros sentimentos e intenções para com suas empregadas, amantes e tudo mais que se envolvia nos filmes, e foi contra, taxativamente, nomeando as obras de pornô”. O que você pensa?
Z.Z.: Não sei se é porque estávamos saindo da ditadura... Então ali estava a afirmação da liberdade, uma maneira de transgredir de alguma forma... Acho que hoje está mais dividido: pornô é sexo explícito e filmes que não são do gênero, têm cenas de simulação sexual. Era uma época de paz, amor, sexo livre, drogas, coisas que iam contra a ditadura, a censura.
J.C.: Você nasceu em Minas Gerais e veio aos três anos para o Rio. Direto para Copacabana?
Z.Z.: Não. Fui morar em Ipanema, na Rua Montenegro (hoje Vinícius de Moraes). Ali eu fui muito feliz!
J.C.: Para o berço cultural da época!
Z.Z.: Pois é! Muita praia, lagoa... E na minha adolescência, o Teatro Ipanema! Vi cem mil vezes a peça Hoje é Dia de Rock, com Ivan de Albuquerque e Rubens Corrêa! (risos). Comecei a me interessar por teatro e fiz curso com uma americana muito louca: Mossa Ossa. (risos).
J.C.: E como veio para Copacabana?
Z.Z.: Tive uma fase difícil na década de 90 e vim morar com a minha mãe na Siqueira Campos. Com o tempo ela se mudou e eu adotei o bairro. Agora eu moro na Figueiredo, virada para o Bairro Peixoto e sou apaixonada! Gosto de andar por ali admirando os pequenos prédios. É charmoso! Passo pela travessa e chego à Santa Clara onde tem a academia Fórmula da Água... É uma paz.
Com o tempo eu entendi melhor Copacabana. Aqui é prático e tem tudo! Eu não poderia morar em Botafogo, por exemplo. É muito legal, mas aqui tem a praia... Preciso dela para viver! (risos). Gosto de caminhar no calçadão...
O único ponto negativo é o fim dos cinemas. Só sobrou o Roxy! Odeio ter que sair do bairro para ver um filme! Mas teatro tem! Adoro o SESC! Tem programação muito boa, com peças cult, experimentais... Eu sempre indico para os meus alunos. Assistimos juntos e discutimos a peça... Eu adoro.
Uma curiosidade de Copacabana é quando saio de casa às seis horas da manhã – o que é raro, mas às vezes acontece - vejo umas senhoras de robe e chinelinho nas padarias. Acho fantástico! Outras são bem maquiadas... Serei uma das maquiadas, estou caminhando para lá! (risos).
Jornal Copacabana: Você tem uma oficina de teatro em Copacabana. Como são os cursos?
Z.Z.: A sede da Oficina de Teatro Zaira Zambelli é a realização de um sonho! Durante muito tempo dei aula em vários locais. Agora é na Av. N. S. Copacabana. Moro aqui perto... Qualquer coisa que eu lembre, posso vir aqui resolver a qualquer hora.
São cursos livres, com certificado. Se o aluno se identificar, busca um curso profissionalizante.
Objetivamos a prática de montagem que é onde a pessoa vê se gosta mesmo da profissão, é o momento da responsabilidade, uma correria danada! A experiência de subir no palco é transformadora, muda as pessoas.
Aqui no curso eu tenho iniciantes 1 e 2. No segundo, os alunos escolhem um autor ou um dramaturgo para estudar e trabalhar.
J.C.: Onde as peças serão encenadas?
Z.Z.: Estou muito feliz porque as turmas estão maiores este ano e vamos fazer o infantil no Teatro Princesa Isabel, nos dias 16 e 17 de dezembro. O adulto será 6 e 7 de janeiro, no Teatro Posto 6.
As outras turmas estão sem data, pois eu dirigi o Festival de Teatro do Rio esse fim de ano e foi uma loucura! Mas uma experiência maravilhosa! (risos). Conto com dois assistentes: o Madjer Geanini e a Virgínia Castelões, e a minha secretária Mariane, que é estagiária. Eles me dão muita força!
J.C.: O que precisa para ser ator? O que diria a um jovem interessado?
Z.Z.: Tem que saber se quer ser ator. As dificuldades da profissão, sem ter como objetivo as novelas. Se essa for a idéia, não sei se vai dar certo. A profissão de ator está muito além disso. É estar feliz por trabalhar na profissão, no teatro, estudando. Assim as coisas acontecem normalmente.
Se pensar que quer ser ator para ser famoso, nem sempre acontecerá. A concorrência é grande. Hoje, muita gente quer ser ator! É importante um trabalho de base.
A mídia fabrica muito as pessoas, com cortes e recursos de televisão. No teatro não dá para enganar. É a forma mais pura de atuar.
J.C.: E no curso você passa noções de televisão e cinema?
Z.Z.: Passo. Sempre que posso, dou exemplos de como seria em cada situação. Pretendo abrir um curso específico aqui na Oficina. É muito legal poder se ver representando. Os cortes, o clima de estúdio...
Alías, esse negócio de se ver é engraçado. Eu vi umas cenas da novela Paraíso no You Tube, é engraçado! (risos). Eu tão novinha... Tão bonitinha! (risos). Foi um sucesso a novela e você vê que as pessoas não esquecem. Esse reconhecimento é muito bom! (risos). Quando entrei no Orkut vi várias Zaira. Quando eu perguntava porquê? Sempre me diziam que era por minha causa: “Meu pai era seu fã!”. (risos). Foi muito engraçado! Muito legal! (suspiro).
J.C.: Deixe um recado aos leitores do Copacabana.
Z.Z.: Vamos cuidar do nosso bairro. Eu adorei os novos quiosques da orla, são lindos. Vamos aceitar o novo, o moderno e torcer para que o novo prefeito olhe para as questões do bairro. E o mais importante: limpar as calçadas. Estão muito sujas, precisando ser lavadas. Mas acho que devíamos contribuir nesse processo de lavar as calçadas sem desperdício de água, claro! (risos).O desafio para ela é se aprimorar e colocar em prática . O meu é conseguir demonstrar, em palavras, a energia e simpatia da bem humorada, Zaira Zambelli. |