Chico Caruso
Por Renata Moreira Lima

São 40 anos fazendo charges e serão mais 40 no que depender de Chico Caruso. Nascido em São Paulo em 1949, Francisco Paulo Hespanha Caruso começou seus primeiros rabiscos ao lado do irmão, o também cartunista, Paulo Caruso, sob influência do avô. No final dos anos 60 entrou na Folha da Tarde, depois foi para o Opinião, Movimento, Gazeta Mercantil, Istoé, Veja, até que, em 1978 foi para o JB cobrir férias do Ziraldo e ficou até 1984, quando se transferiu para o Jornal O Globo, onde publica suas charges, diariamente, até hoje.
Sobre a mudança para o Rio, o vizinho do Leblon garante que veio para uma nova vida!
Você conhece um pouco mais sobre o chargista, músico e piadista Chico Caruso, na entrevista abaixo.

Chico Caruso com Reinaldo e Jaguar no relançamento do livro de Don Rossé Cavaca
Jornal Copacabana(Renata Moreira Lima): Você está sempre antenado aos acontecimentos políticos do Brasil e do Mundo para fazer as suas charges. Com tantos escândalos, mau comportamento e desvio de conduta dos políticos, você ainda acredita em política? Há uma solução para a corrupção?
Chico Caruso: Acredito. Não tenho vocação para política, então não faço. É como o cara que não pinta, mas admira (risos). A política tem uma troca permanente, por isso ainda acredito.
J.C.: Dá para votar pensando que vai fazer uma charge do eleito logo depois?
C.C.: A charge vem em decorrência da visibilidade que ele adquire. Não tem jeito, ele acaba sendo alvo. Depois que ele entra, percebo que o nariz é grande, que usa um óculos engraçado... Assim ele vai para a página do jornal.
J.C.: Ou por algum deslize que cometa...
C.C.: O deslize é inevitável. É como casca de banana! O português vê e diz: ai, vou escorregar de novo! (risos). Só não desliza quem está parado, ou morto!
J.C.: Existe algum político que não tenha sido alvo das suas caricaturas?
C.C.: É como eu disse: com a visibilidade que ele adquire fica difícil fugir da caricatura.
J.C.: Durante o ciclo de palestras do projeto Estação ABI, você acenou para a falta de jornais para os novos talentos do humor. Qual seria o papel da internet nesse momento? Poderia suprir essa carência?
C.C.: Sou do tempo do impresso. Falta emoção aos jornais que temos hoje. Acho que o eletrônico se perde. Na internet o desenho está na rede. O impresso está na sua mão, é documental.
J.C.: Você se considera um “analfabyte”. Sendo assim, a criação da animação em 3D para o Jogo Rápido do Jornal Nacional foi um desafio?
C.C.: Há mais de 20 anos tentava fazer charge para televisão. Comecei fazendo um desenho de fundo, médio e close, com a gravação da minha voz. Depois passei a desenhar no computador, mas não é a mesma coisa, não tem a mesma definição dos traços. Eu fazia charges para o Jornal e animava para o JN, gastava bastante tempo, pois tinha que desenhar a animação quadro a quadro. Agora, no Jogo Rápido, eu elaboro o discurso e a equipe trabalha as imagens em cima dos meus desenhos do Jornal O Globo. O legal é que encontrei na TV um editor, Ali Kamel, que sempre me diz: dá para fazer! Acho isso muito bom. As pessoas, hoje, costumam dizer o contrário.
J.C.: Quem são os novos talentos?
C.C.: Dalcio, Rossi, esses caras tem muita técnica, fazem pintura a óleo, aquarela, no computador... Têm uma técnica pesada.
Tem o Jean, da Folha (de São Paulo). Fora o Glauco, o Laerte e Angeli, além de mim, é claro! (risos).
J.C.: Você e seu irmão começaram a desenhar por influência do seu avô. Mas você teve ídolos que o inspiraram?
C.C.: Logo tive influência do Pasquim, com o Ziraldo, Jaguar, Millôr... Além dos estrangeiros Saul Steinberg, Ralph Steadman, David Levine... Um mundo de gente!
J.C.: O fato do traço de vocês ser semelhante influenciou a entrada no mercado?
C.C.: Não. Meu irmão gosta de cenários, com ruas... Eu sou mais sintético.
J.C.: Editou cerca de 30 livros, sendo o último sobre o Brasil na era FHC, não foi? Qual será a próximo publicação?
C.C.: Na verdade publiquei uns cinco ou seis livros. Talvez com meu irmão tenha chegado aos 30. O meu último foi LULA LÁ, PARTE I - A (O) MISSÃO. A previsão é fazer a segunda parte no fim do mandato dele.
J.C.: Além de cartunista, músico!
C.C.: Comecei a fazer show de humor em 1985, no governo Figueiredo.
J.C.: Quando o público poderá assistir aos irmãos Caruso?
C.C.: Vamos fazer um festival de humor em 23 de outubro, durante três dias no Centro Cultural dos Correios, no Centro do Rio. E a qualquer momento em edição extraordinária!
Chico Caruso, na casa de Abílio Fernandes, na posse de Paulo César Saraceni para a Academia Brasileira da Cachaça. Chico é o membro nº 11 da Academia , substituiu Sargentelli, cujo patrono da cadeira era Pixinguinha.
J.C.: Veio para o Rio em 78 para cobrir férias do Ziraldo no JB. Como foi a chegada na “Cidade Maravilhosa”? Veio direto para o Leblon?
C.C.: Eu já vinha para o Rio desde 1972 pelo Jornal Opinião. Desde essa época eu já era um apaixonado pelo Rio. Em 78 vim para uma nova vida! Direto para o Leblon!
J.C.: Qual a sua relação com os bairros da Zona Sul? O que gosta de fazer por aqui?
C.C.: É como se fossem livros distintos. Cada bairro, uma história maravilhosa e singular.
Ando todos os dias na praia do Leblon e Ipanema. Gosto de ir até o Arpoador. À noite, adoro os bares do Leblon! Em Copa eu faço análise. Na Gávea, a TV Globo. Gosto do Atelier dos Artistas, no Jardim Botânico, é sensacional! Mas eu gosto mesmo é dos bares! Ah, os bares... (risos).
J.C.: Você é nostálgico ou convive bem com o presente e a possibilidade de futuro?
C.C.: À medida que vamos envelhecendo tendemos à nostalgia, mas não sou. Gosto mesmo do presente!
J.C.: Deixe um recado aos leitores do Jornal Copacabana.
C.C.: Leiam mais jornais!
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