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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 
Fala Vizinho -Gringo Cardia 2007

PEDRO PAULO CARNEIRO
Morador de Copacabana, diretor lança emissora de tv

Por Renata Moreira Lima

 

Uma nova televisão para o público jovem. Essa é a proposta de Pedro Paulo Carneiro. Há 25 anos trabalhando em televisão, sempre com programas educativos e direcionados ao público jovem com apoio de instituições renomadas, lança, agora, a TVGD (Geração Digital).
Sempre com novas idéias, PP Carneiro organizou todas elas em uma grade de programação em uma emissora que vai contar com nomes conhecidos da música brasileira, como Pitty, George Israel, Davi Moraes, Rodrigo Santos, Ivo Meirelles, entre outros. Além de programas humorísticos com Rey Bianchi e variedades com apresentadores como a jornalista Luciana Rangel.
Morador de Copacabana, Pedro Paulo passou uma temporada em São Paulo e agora está de volta ao bairro. Saiba mais da história desse cara inventivo na entrevista abaixo
.

Renata Moreira Lima - Jornal Copacabana: Por que trabalhar com o público jovem?
Pedro Paulo Carneiro:
Trabalhei em emissoras públicas como BBC e PBS, educativa (TVE) e formais como Rede Globo e Band. Sempre foquei em conteúdos diferenciados e com cunho social. Este direcionamento para jovens e adolescentes se deu quando a Regina Duarte e o Del Rangel (na época casados e produtores de cinema), me chamaram para ser o produtor executivo do filme Leo e Gino, em O Mistério do Cinco Estrelas. Fui obrigado a fazer uma pesquisa nacional para entender melhor o público adolescente. Resultado, foi paixão a primeira vista e desde então, sempre foquei este segmento nos meus trabalhos.
J.C.: Mesmo trabalhando em grandes empresas, há oito anos imaginava fundar uma emissora de televisão. No próximo ano, a TV Geração Digital entrará no ar nas parabólicas, não é?
P.P.C.:
Sim. Este projeto começou em 1999, quando desenvolvi uma linguagem de audiovisual para internet. Projetei que estaria com meu canal de TV no ar em 2010. A minha estada em SP durante dois anos, acelerou o processo e estaremos no ar já em 2009.
J.C.: Será, então, a realização de um sonho...
P.P.C.:
Será a materialização de um sonho, que se transformou em idéia, que se transformou num projeto, que se transforma agora no primeiro canal “inclusivo” mundial, sem ser educativo.
J.C.: O lançamento, em setembro, da Pedra Fundamental teve a apresentação da programação e dos âncoras da emissora. Como a grade foi escolhida?
P.P.C.:
Primeiro eu escolhi os âncoras, profissionais que têm conteúdo e o que passar para os jovens, daí criei os programas para eles apresentarem Dentre eles, vou destacar o Cuecão, com Davi Morais, Exorcizando o Mico, com Ivo Meirelles, Somdificador, com George Israel e o Quarto Andar, um reality delicioso com uma galera nota mil que tive a sorte de conhecer no quarto andar de um determinado prédio em Copacabana - não conto nem sob tortura o endereço (risos).
J.C.: Como está sendo a responsabilidade de estrear um canal com uma proposta nova como a da TVGD?
P.P.C.:
Dá um frio na barriga e arrepio na espinha. Falar para jovens é uma responsabilidade imensa. Eles são esponjas de conteúdo e tal qual uma esponja, sugam e absorvem TUDO que tiverem acesso. O objetivo é mandar conteúdos ricos em “vitaminas e sais minerais” do bem e transmitir mensagens de cidadania, comportamento, discussão de temas que muitas vezes os pais não conseguem tratar dentro de casa, como homossexualidade, drogas e aborto.
J.C.: Trabalha com o público jovem, mas, no entanto, ao escolher um local para morar, veio para Copacabana, que tem alto índice de idosos. Por quê?
P.P.C.:
Ser jovem não é cronológico, é um estado de espírito. Os idosos de Copacabana já foram cronologicamente e permanecem jovens no espírito. Não encontramos em outro bairro do Rio de Janeiro tantos idosos ativos e participativos, além do que, fica difícil sair de um bairro onde passei parte da minha infância e adolescência e onde encontramos Modern Sound, Cafeína, Forte de Copacabana, o Lê Blé Noir, o Cirandinha e o Quarto Andar (risos).
J.C.: Morava no Bairro Peixoto e teve que se mudar para São Paulo quando assumiu a direção da TV JB, não foi? Conte essa relação com o bairro de Copacabana.
P.P.C.:
Mudar do Bairro Peixoto para São Paulo foi quase um estupro para mim. Eu simplesmente amo esta faixa exclusiva e quase uma terra prometida dentro de Copa. A sensação para quem entra pela primeira vez no Bairro Peixoto é a mesma sensação do filme Horizonte Perdido, quando o protagonista sai de uma nevasca e entra (através de uma fresta na montanha), num vale idílico.
J.C.: No retorno ao bairro, percebeu mudanças por aqui?
P.P.C.:
Que bom você ter perguntado isto, senti uma mudança para o bem. O bairro está sendo ainda mais revitalizado. De uns três anos para cá senti uma “migração” de casais jovens que estão movimentando ainda mais Copacabana. Percebo o surgimento de novos cafés, livrarias, restaurantes (sem ser a quilo) e lojas de grife.
J.C.: O que gosta de fazer em Copacabana?
P.P.C.:
Adoro tomar café da manhã no Cafeína, onde sempre sou atendido pela Renata, que já sabe exatamente o que eu quero. Adoro andar até o Forte de Copacabana e tomar uma “cerva” da Colombo, mas o que mais amo é acordar, ir até a minha sala e olhar pela janela o mar com o sol ou lua refletidos.
J.C.: Como vê o bairro com tantas crianças de rua? Arriscaria um palpite para reverter esse quadro?
P.P.C.:
É verdade, existem muitas crianças na rua e a maioria delas, por incrível que pareça, acompanhadas por sua mãe ao longe, as vezes na calçada em frente, as vezes na mesma calçada observando e mendigando. Eu arriscaria uma proposta: A UNIVERSIDADE DO ADOLESCENTE. Criar uma associação (uma casa), um local físico onde crianças e adolescentes de até 17 anos poderiam ir para recreação. Arranjaríamos uma verba para manutenção deste espaço cultural, onde jovens pudessem entrar em contato com computadores, com brincadeiras lúdicas que ensinassem, por exemplo, o uso de preservativos e higiene. Estas crianças de rua seriam atraídas por jovens facilitador-voluntários que os trariam até a casa onde se registrariam. Os recreadores seriam também voluntários moradores de Copacabana que dariam “aulas” recreativas de higiene, sexualidade, cidadania, música, etc. As mães poderiam estar juntos com os filhos. Em resumo, nós que somos a sociedade civil precisamos tomar as rédeas desta situação, ao invés de ficarmos reclamando.
J. C.: Qual será a responsabilidade social da sua emissora?
P.P.C.:
Todo o conteúdo terá um viés social, diria que somos um bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Criaremos e apoiaremos de forma consistente campanhas mobilizadoras do jovem brasileiro. Nosso objetivo é transmitir informações que auxiliem o jovem a se tornar um cidadão consciente.
J.C.: Acredita que vai ficar “velhinho”, trabalhando com jovens? Qual é a receita para lidar com esse público?
P.P.C.:
Como disse, ser jovem é um estado de espírito. Portanto, me imagino trabalhando sempre com e para os jovens. Mesmo quando meu “hardware” se tornar obsoleto, meu software estará fazendo sempre os “uploads” necessários para que consiga trabalhar com este segmento. A receita é simples, faça sempre os “uploads” que a vida lhe oferece gratuitamente.
J.C.: Deixe seu recado aos leitores do Jornal Copacabana.
P.P.C.:
Vamos resgatar o convívio com nossos vizinhos. Bata hoje na porta ao lado e pergunte se ele precisa de alguma coisa. Gentileza traz gentileza, sei que esta é a fórmula para devolver a Copacabana o título de “Princesinha do Mar”.