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"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 

COPACABANA EM FOCO

Colônia de Pescadores Z-13 Copacabana

Posto 6 Colônia dos Pescadores Z-13

Salvem as baleias! Salvem os pescadores artesanais!!

As perguntas da entrevistas foram elaboradas pelos oceanógrafos Raquel Dezidério Souto (raquel.deziderio@gmail.com) e Marcelo Di Lello (marcelo_dilello@yahoo.com.br).
Leia na íntegra e assista ao vídeo no www.jornalcopacabana.com.br
Colaboraram Virgilio Rocha, Márcia Araujo e o cinegrafista Carlos Kamp

"Às nove horas em ponto, quando soprava um bom nordeste, empurramos a jangada pra dentro d'água. Ia começar a nossa aventura. O samburá estava cheio de coisas, a barrica cheia d'água e os nossos corações cheios de esperança. Partimos debaixo de muitas palmas e consegui ver de longe os meus bichinhos acenando. Mais de vinte jangadas, trazidas por nossos irmãos de palhoça e de sofrimento, comboiaram a gente até a ponte do Mucuripe. A igreja branquinha foi sumindo e ficou por detrás do farol. Rezei pra dentro uma oração pedindo que a Padroeira tomasse conta dos nossos filhinhos, pois Deus velaria por nós. E assim começou nossa viagem ao Rio de Janeiro...". (Jacaré, jangadeiro que veio do Ceará reivindicar no Rio de Janeiro melhores condições de pesca)

 

“O pescador tem dois amor: um Bem na terra, um Bem no mar”.
Essa frase, imortalizada pelo saudoso Dorival Caymmi, reproduz com fidelidade o sentimento do pescador: a sua paixão pelo Mar. Entretanto, problemas como a poluição, a ausência de políticas públicas eficazes e a sobrepesca, ameaçam a atividade que já é exercida há mais de 500 anos no Brasil e ainda é responsável por cerca de 60% da produção nacional de pescado. Conforme o leitor confere na  entrevista concedida com exclusividade ao Jornal Copacabana, por José Manuel Barbosa, vice-presidente da Colônia Copacabana.

JC – Desde quando os pescadores exercem a atividade aqui?
MB - Nós acreditamos que desde que o Brasil foi descoberto. Os índios já pescavam no litoral. A colônia de pescadores de Copacabana já existia desde antes da demarcação, por legislação, da zona de pesca denominada Z-13, que vai de Copacabana, Urca até o Recreio e Pontal da Barra da Tijuca, que foi uma tentativa de organizar a atividade pesqueira no litoral de todo o país, com a criação das Zs. A maior parte dos pescadores da Z-13 exerce sua atividade no Recreio e no Pontal da Barra. Com o passar dos anos, a colônia Copacabana foi evoluindo e assumindo um caráter mais profissional.

JC – Quais os peixes mais pescados por vocês?  Qual o perfil do consumidor do pescado?
MB - Nós pegamos frequentemente Pargo, Corvina, Anchova, Badejo, Garoupa, Olho de Cão e Robalo.  Devido à nossa falta de estrutura adequada à pesca de alto-mar, os peixes mais difíceis de serem capturados trazemos de outros entrepostos de pesca, como do Mercado S. Pedro, em Niterói, a fim de oferecer maior variedade de opções aos nossos clientes. A maior parte deles constitui-se de pessoas mais idosas, que sabem da importância da comida de qualidade para a saúde. Sabem que o peixe não pode faltar na mesa do brasileiro todo dia.
JC – Qual a rotina diária de trabalho dos pescadores da Colônia Copacabana?
MB - Todo dia, quando está dando peixe, saímos às 5:00h da manhã e, na maior parte das vezes, viajamos de barco durante 30 minutos e lançamos a rede. De vez em quando, viajamos de barco durante 2h até o recreio para lançar a rede lá. Normalmente estamos de volta ao Posto 6 às 9:00h da manhã. Quem vai para mais longe, chega às 10:00horas. Muitos clientes compram o peixe assim que sai do barco, fresquinho. Os pescadores que colocam rede de espera têm que por no dia anterior e recolher no dia seguinte de manhã. É uma rotina muito dura, porque as redes são extensas e pesadas. Muitos pensam que o pescador tem tudo de graça, que basta ir para o mar, que os peixes entram no barco, mas não é assim, gastamos com material, com combustível, com a nossa saúde. Eu sou do Nordeste e vim para o Rio. Quando estive lá, tive notícia de pescadores que passam muito tempo no mar e não conseguem pegar peixe suficiente. Ficam às vezes 20 dias no mar pescando e, com a venda do que trazem, não conseguem pagar as contas do comércio que suas esposas fizeram.
Me lembro daquela jangada que veio ao Rio de Janeiro (1), quando ainda era a capital do Brasil, trazendo a reivindicação de melhores condições para a colônia de pesca. Vejam que é uma situação difícil, não só no Rio de Janeiro, mas em todo o litoral do Brasil.
JC – A maneira de pescar mudou com o tempo?
MB – O pescador participava mais da pesca, confeccionava sua rede de algodão, de modo artesanal. Hoje vemos muitas redes de nylon, que são ruins para o ambiente, ficam agarradas nas pedras, nas Cagarras, por exemplo, e depois vêm os animais e engolem e morrem. Antigamente, o pescador usava muito a pesca de linha e de arrasto na beira da praia, quando os cardumes se aproximavam. Tinha muito peixe mesmo. O ambiente era mais familiar. Além disso, hoje os prejuízos são grandes, porque não há controle sobre o tamanho das redes. Vemos redes imensas serem usadas por grupos de pescadores que não são originários de famílias de pescadores. Eles são contratados por outras pessoas que já são ricas, têm muito dinheiro, e querem se capitalizar ainda mais e, então, investem na pesca. Com muitos barcos potentes e que usam redes imensas. É uma concorrência desleal ao pescador artesanal.

JC – Quais mudanças você viu no litoral ao longo dos anos e como estas afetaram a pesca?
MB – Nos últimos 30 anos, a costa mudou muito... Nós pegávamos Sardinha, Xerelete, toda diversidade de peixes, só de jogar tarrafa na beira da praia... Devido à pesca predatória, hoje não temos mais isso e então, temos que ir “mais para fora” no mar. Também vejo mais poluição no Mar e nas lagoas. Tem sido feito investimentos para instalação de grandes indústrias, mas a preocupação é como ficarão as águas. Pescadores de Sepetiba preocupam-se muito com isso, com o aumento do metal pesado. Quem sujou o mar não fomos nós, o pescador quer continuar a pescar, ele cuida do mar. Mas o que vemos é despejo de esgoto, de lixo. Pescadores têm reclamado que não querem jogar a linha e pegar plástico, querem pegar peixes. Além disso, o pescador tem perdido seu espaço em Terra. Não só no mar. Com o tempo, vimos o levantamento de muitos prédios na praia e o pescador foi sendo expulso, para áreas mais distantes.

JC – Além da pesca predatória, quais os outros fatores que ameaçam a atividade?
MB - Nós temos número limitado de embarcações. São no máximo 20 pela legislação brasileira. A solução seria conseguir barcos mais potentes, como as traineiras, para ir para mais longe, uma vez que o esforço de pesca (2) está muito forte na costa, próximo à praia. Por outro lado, não podemos ir muito longe, porque foi estabelecido um limite externo, que os pescadores artesanais não podem ultrapassar. Ao mesmo tempo, barcos de pesca estrangeiros pescam além desse limite e acabam com os estoques antes deles chegarem à costa. Muitos pescadores brasileiros são empregados nesses barcos estrangeiros, mas são tratados como “peões”. A pesca estrangeira acaba reduzindo os estoques pesqueiros antes mesmo de chegarem mais próximo ao litoral. Também precisamos do subsídio para o combustível. O pescador brasileiro não tem condições de sozinho arcar com as despesas de uma pesca em alto-mar. É uma concorrência desleal. Outro problema é a falta de fiscalização e de esclarecimento em relação à época do defeso(3). Precisamos de políticas mais adequadas à realidade do pescador artesanal para a atividade sobreviver.

JC – As novas gerações se interessam em continuar a atividade dos pais?
MB – Os pescadores antigos estão perdendo os seus filhos para outros setores. E são setores precários, porque o pescador artesanal hoje quase não consegue formar seus filhos. Outro problema é que não há escolas especiais para essas pessoas que saem de madrugada e voltam tarde. O que falta é uma assistência social de modo geral. Os filhos de pescadores vêem a luta dos pais pela sobrevivência e tantos problemas a superar e acabam perdendo a sua própria força. Ficam se sentindo sem força para continuar com a pesca. Tenho sorte dos meus filhos me acompanharem na pesca, mas o que será do futuro?

JC – Vocês recebem apoio de alguma forma? O que a Colônia Copacabana busca para progredir?
MB – Alguns esforços têm sido feitos por parte dos governos em relação à pesca, mas são esforços que ainda estão longe da realidade do pescador. Eles fazem projetos e não procuram antes entender essa realidade. Por exemplo, esse PRONAF, foi muito bem recebido, mas muitos pescadores ficaram inadimplentes, porque não houve uma pesquisa antes para saber a real condição desses pescadores honrarem seus compromissos. Um estudo sobre o quanto eles produziam. Precisamos de projetos que tenham um aprofundamento em relação ao que é realmente necessário a cada colônia no Brasil. Fora isso, ninguém vem aqui. Nenhuma ONG. Às vezes eu sinto que as pessoas nos vêem como animais, não como gente. A situação é muito difícil.

JC – Gostaria de comentar algum outro ponto para terminarmos?
MB – O Brasil viveu uma época em que ele podia ser um grande exportador de pescado e essa época passou. Hoje vivemos a decadência da atividade. Se você for ao Nordeste do Brasil, praticamente não existe mais a pesca da Lagosta. Estados como o do Rio Grande do Norte e do Ceará, já foram recordistas em pesca de Lagosta. Se for para o Sul, não tem mais a Sardinha, como tinha muito na década de 80. Eu não lembro de meu pai dizendo: “Filho, eu quero um dia ser muito rico”. Eu lembro sim dele falando: “Filho, o que eu quero é ter sempre o peixe para pescar, ganhar dinheiro suficiente para alimentar, vestir e botar vocês para estudar”. Vivemos outros dias e eu tenho muito medo de que esse personagem, o pescador artesanal, não exista mais no futuro.

(1). Em 1941, Manuel Olímpio Meira, um pescador cearense mais conhecido por Jacaré, e mais três jangadeiros, Mestre Jerônimo (Jerônimo André de Souza), Tatá (Raimundo Correia Lima) e Manuel Preto (Manoel Pereira da Silva), saíram do Ceará com destino ao Rio de Janeiro, então capital da República e distante 1.500 milhas náuticas (mais de 2.700 km), navegando na jangada “São Pedro”. Sem cartas, sem bússolas e munidos apenas de seu conhecimento prático e coragem, foram reivindicar junto ao Governo de Getúlio Vargas melhores condições da comunidade de pescadores de sua região, tentando fazer com que sua profissão fosse reconhecida, impedindo os pescadores de obter seus direitos trabalhistas. O pescador Manuel não se conformava com o fato dos jangadeiros não serem donos das próprias embarcações. Por esse motivo, viam-se obrigados a entregar metade do resultado da pesca de cada dia aos proprietários das jangadas. A outra metade tinha que ser dividida entre os quatro pescadores que tripulavam a jangada. Reivindicavam que a divisão fosse feita na base de 1/5, ou que a própria colônia possuísse suas jangadas para dar ou emprestar aos pescadores.

Essa História ficou marcada no imaginário coletivo e forneceu elementos para que em 1942, o cineasta Orson Wells viesse do México ao Brasil para rodar episódios de seu longa-metragem “It all true” (“É tudo verdade”). Wells teve o financiamento da sua filmagem cortado, porque não interessava a Hollywood retratar os problemas brasileiros. Ainda assim, decidido a terminar, Wells dirigiu-se à aldeia de pescadores do Ceará e filmou com atores amadores e uma velhíssima câmera Mitchell sem material para captar o som. O resultado foi que apesar do esforço do cineasta, o filme foi abandonado e somente ganhou uma montagem em 1993, oito anos após a morte do diretor.
(veja a matéria a respeito em http://www.uv.com.br/tangatamanu/jacare.htm).

(2). Esforço de pesca – Representa a quantidade de operações ou de tempo de operação das artes de pesca (instrumentos ou aparelhos usados para pescar, como a linha ou a rede) numa determinada pescaria, durante um período determinado.

(3). Época do defeso – Época quando a pesca é proibida, durante a desova e quando indivíduos jovens estão na fase de crescimento. Definida por legislação específica.

Colônia dos Pescadores Z-13
2523-4151/2513-1903/2521-7816/8801-8878
Confira as fotos!


A turma do entreposto mostrando o Cherne fresquinho.

José Manuel Barbosa, vice-presidente da Colônia Copacabana, Z-13
imagem da Capela São Pedro, no Posto 6, Copacabana.

José Manuel Barbosa, vice-presidente da Colônia Copacabana, Z-13, que nos recebeu em nome da presidente Kátia Janine de Lima.Ao lado, n Acima, a Capela em homenagem a São Pedro, fundada em 1994 em substituição a primeira, muito pequena, fundada em 1979. Todos os anos, em 29 de junho, dia de São Pedro, há uma festa no pátio em frente à capelinha quando é celebrada uma missa.

A oceanógrafa Raquel Dezidério entre os pescadores da Colônia Z-13. Ao lado, a equipe do entreposto de venda da Z-13.

A pescadora Tânia de Lima costurando sua rede. O pescador conserta sua rede.