Botero sempre genial

Pintura de Botero: denuncia social.
O título da exposição já diz muita coisa. Dores da Colômbia reune importante coleção do Museu Nacional da Colômbia, doada pelo seu mais importante artista, Fernando Botero. “Não vou fazer negócio com a dor da Colômbia”, disse o pintor ao formalizar a doação.
Mas o que a gente percebe na mostra do Centro Cultural da Caixa - até o dia 30 de outubro - é um pungente libelo contra a violência que assola aquele país, inclusive as lutas intermináveis contra o tráfico de drogas que, sabemos todos, é um insolúvel problema latino-americano. Quem vive no Rio de Janeiro conhece bem o assunto, pois diariamente a cidade é um campo de batalha, desde a Zona Sul às favelas que são o seu cartão postal.
Para quem admira a linguagem de Botero com suas figuras roliças na pintura e na escultura, provocantemente satíricas, a retratar ditadores e governantes, com insuperável humor, pode ficar chocado com esse Botero em exibição na Caixa Cultural pela maneira como ele vai fundo na ferida dessa guerra urbana tão comum na Colômbia e que não é tão diferente no Brasil. São imagens fortes, agressivas até, mas que falam à sensibilidade do espectador.
As torturas, conflitos e balas perdidas que matam, ferem e mutilam nas ruas cariocas não ficam muito distantes daquelas que o genial pintor retrata nos 36 desenhos, 6 aquarelas e 25 pinturas a óleo, como maneira de protestar contra uma chaga social do seu país que ainda está longe de chegar ao fim.
Não há um trabalho sequer de Botero nesta importante mostra que não seja uma bofetada na cara do espectador, tal a sua revolta. É uma “leitura triste” da realidade desta parte do mundo, sim; do noticiário que circula pela imprensa internacional que bate tão profundamente na nossa sensibilidade pela aproximação com a realidade carioca, principalmente, que seria dever de nossas autoridades, desde o governador, prefeitos e seus secretários comparecerem à Caixa Cultural para captarem a mensagem que Botero quer transmitir em cada uma de suas amargas imagens.
Lamentavelmente, políticos brasileiros têm horror à arte. Ela, mais do que qualquer veículo, eterniza a mediocridade que os caracteriza. Não é uma verdade plena, ou alguém tem dúvidas?
CLÉCIO PENEDO REVISITADO
Há muito que Clécio Penedo merecia ter a sua obra revisitada pelo muito que representa em termos políticos para a arte brasileira. Agudo analista da realidade da nossa política, ele deixou através da pintura, desenho e gravura um magnífico testemunho das adversidades e mazelas tão caracteristicamente nossas. Acima de tudo, uma obra de um artista maior, como se pode comprovar na exposição que está no Museu Histórico Nacional.
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