Mais um cliente
se foi
Dr. Jayme Sandall Júnior

Mais um cliente meu se foi. Partiu para o céu dos cachorros. Deixou uma família de luto, sofrendo a dor da despedida obrigatória.
Nessa família, se decidiu que os filhos, ainda crianças, participariam de tudo, não sendo deixadas de fora de nenhum acontecimento. Souberam do falecimento do antigo companheiro, e decidiram junto com a família o que fariam com ele. Choraram, é claro, mas isso também era esperado. E será que é bom?
Bem, não vou tentar me alongar ou aprofundar na psicologia humana, até porque não entendo mais sobre esse assunto do que qualquer pessoa. Sei apenas por ser humano, por sentir e viver. Mas como médico veterinário, vivenciei todos os tipos de decisões e situações nesse momento de perde. Sobre isso posso dar minha opinião, baseado no que vi.
Para as crianças, ter um cachorro traz inúmeras coisas boas. Além do prazer do convívio com um animal simpático e amigo, a criança aprende a ter responsabilidades, aprende que um ser vivo não é um brinquedo, e que não pode ser deixado de lado quando e enjoa dele. A criança entende que doenças fazem parte da vida, e que devem ser tratadas por pessoas qualificadas. Elas assistem a rápida transformação do filhote em um adulto totalmente formado; vêem as mudanças físicas evidentes por que passa o seu companheiro; têm a oportunidade de presenciar a chegada da velhice.
Como o ciclo de vida dos cães é muito mais curto do que o nosso, são visíveis as mudanças por que eles passam, e temos a chance de assistir à todas as fases da vida deles. Até mesmo a morte, infelizmente.
Acredito, pelas reações que vi naquelas crianças que participaram de todo o processo, que compreender a morte é parte importante da vida e da formação de cada um. Entender e aprender a aceitar, uma vez que é algo inevitável. Todos nós teremos que passar pelas duras experiências de ver parentes partindo antes de nós. É inevitável, faz parte da vida.
Até nisso os animais de estimação que escolhemos para fazer parte da nossa vida nos ajudam. A partida deles é um aprendizado importante de ser vivenciado, e negar esse fato é negar a própria vida.
Afinal a morte é apenas o outro lado da moeda. E faz parte da vida.
Parabéns aos donos do Speed, que o trataram como um rei em vida, e que o acompanharam até os momentos finais, quando a falência de múltiplos órgãos ceifou sua vida. Meus pêsames também, pela perda daquele labrador chocolate tão especial. Simpático, alegre, brincalhão, guloso e preguiçoso. Que ele siga feliz, onde estiver.
Grande abraço e até a próxima.
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