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B"H

A balança digital e Rosh haShaná

Na verdade, na Antigüidade, Rosh haShaná era época de Ano Novo não só judaico, mas para todo o hemisfério norte, quando se encerrava o ciclo anual agrícola, se fazia o balanço do ano, como fazem as empresas hoje, publicando balanços em jornais, etc
Isto explica, em parte, a simbologia do signo zodiacal - Balança - associado ao período (que nos indica que as ações do homem são “pesadas” na “balança” do julgamento durante este mês).
A partir do acréscimo de rituais, preceitos e símbolos judaicos e, principalmente, devido aos judeus terem continuado a comemorar a data até hoje, independente de localização espacial, Rosh haShaná ficou definido para todos como “O” Ano Novo judaico.
Rosh haShaná significa, literalmente, “cabeça do ano” remetendo à simbologia que o homem também deve usar a cabeça para organizar sua vida, suas ações.
A essência do ano novo judaico não é uma ocasião para o excesso e o júbilo incontrolado. Entra-se num período de reflexão e de auto-exame. A tradição judaica pede que se faça um balanço do ano que passou, uma reflexão sobre nossas atitudes e nosso comportamento. Tishrei, o mês de Rosh haShaná, em Aramaico significa correção. A reparação do passado permite que recomecemos a vida de forma nova e revigorada.
O período de tempo antes e durante Rosh haShaná pede uma auto-avaliação sobre o ano que termina, e, à luz deste exame de consciência, tomar as resoluções necessárias para o ano vindouro. Este período é não somente uma ocasião que exige um balanço espiritual, mas também uma profunda avaliação interior das capacidades que a pessoa tem, como ser humano - a coroa da Criação, pois Rosh Hashaná é o dia no qual o homem foi criado.
A simbologia do balanço do ano é baseada na metáfora da balança.
As balanças são equipamentos desenvolvidos pelo homem desde as antigas civilizações egípcias, por volta de 5.000 aec, com a finalidade de medir o peso ou a massa dos corpos. A palavra balança é do latim bilanx (composto de bi - duas vezes, e lanx - pires).
Embora atualmente utilizemos modernas balanças digitais, que indicam o peso com maior precisão, a representação mais usada e primeira que nos ocorre, é a da balança de dois pratos – a “verdadeira”, etimologicamente falando. E que é a mais adequada ao simbolismo de Rosh haShaná. Por quê?
Devido a um motivo essencial: a balança digital começa a marcar do zero. Mas quando fazemos o balanço espiritual, seja de nossas vidas ou do ano que passou, por mais que tenhamos nos comprometido com um plano de ação no ano anterior, nunca começamos do “zero”.
Paramos para refletir quanto de nossa vida usufruímos e quanto deixamos de viver neste período que passou. Somos responsáveis por nossas prioridades e pelas oportunidades que a vida nos oferece. Confrontamos com nossas dificuldades e fraquezas. Avaliamos se as metas, os ideais, as intenções foram atingidas e realizadas. Se as promessas feitas a nós mesmos foram cumpridas, ou se as oportunidades de realizações e crescimento foram perdidas por medo, inseguranças, indecisões, etc.
O que fizemos com este ano? Foi um período de crescimento e interesse pelos demais? Fizemos bom uso de nosso tempo ou o esbanjamos, jogamos fora? Foi realmente um ano de vida ou um ‘passar de tempo’? Agora é a hora de nos avaliarmos e reordenarmos nossas vidas. Este processo é chamado Teshuvá, voltar para casa – reconhecendo nossos erros entre nós e D’us, bem como entre nós e nossos semelhantes. E corrigi-los.
O indivíduo que realmente consegue fazer um balanço da sua alma e distingue os processos internos que geram a distância entre intenção e a atitude, inicia uma Teshuvá, um “retorno”. Teshuvá é uma correção dos desvios de percurso, o retorno a um caminho de vida.
Em Rosh HaShaná rezamos pedindo para sermos inscritos no Livro da Vida, pedimos por saúde, por sustento. É o Dia do Julgamento. Mesmo assim, nós o celebramos com refeições festivas, na companhia de familiares e amigos. Como podemos celebrar quando nossas vidas estão penduradas numa balança? Definitivamente, confiamos na bondade e na misericórdia divina. Sabemos que D’us conhece nossos corações e nossas intenções, e com amor e sabedoria decidirá o que é melhor para nós, assim confirmando Seu decreto para cada um de nós, para este ano que se inicia.