Conheci Sergio de Souza em 1972. Na época, ele morava no bairro de Santo Amaro, num sobrado espaçoso, afinal ele e a Lana já estavam com os seis filhos. Júlia, a temporã, só viria bem mais tarde.
Era um final de semana e cheguei bem no início daquela cerimônia que veria se repetir incontáveis vezes. Serjão, como um derviche, comandava o ritual de elaboração do banquete, auxiliado por Narciso Kalili.
Tabule, homs, kibes crus, todas as delícias da cozinha árabe, generosamente regadas com cerveja e caipirinha.
Outros ingredientes absolutamente indispensáveis nestes banquetes eram a boa conversa e o bom humor.
Os amigos, os amigos dos amigos, os filhos, os amigos dos filhos, se revezavam, entrando e saindo da casa, durante todo o dia, caía a noite, entrava na madrugada, era uma festa só.
Raros os finais de semana que não rolaram estes almoços.
Serjão gostava de participar desde a seleção do cardápio, até dos ingredientes, na feira, no mercado de Pinheiros, em São Paulo.
Quando Serjão chegava com uma garrafa de uísque, era a senha: estava desempregado e sem trabalho. Mais festa para comemorar as novas oportunidades que se abriam.
Afinal, foram dezenas de novos projetos, todos com muita audácia para aqueles tempos...
Jornalivro, livros de autores famosos em formato tablóide e papel jornal, para baratear os custos e atingir a massa...
Revista Grilo, Ex, foram outras experiências editoriais de Serjão.
Vemos hoje na Piauí, os grandes ilustradores e desenhistas como Sempé, Gosciny e Uderzo, que já estavam nas revistas de Sergio, na década de 70.
Ele sempre soube reunir ou trabalhar com excelentes profissionais, como Narciso Kalili, Paulo Patarra, Myltainho, Hamilton Almeida Filho, Eduardo Barreto, Luis Fernando Mercadante, José Carlos Marão, Woile Guimarães, Roberto Freire, José Hamilton Ribeiro, fotógrafos como Walter Firmo, Cláudia Andujar e muitos outros.
Nunca vi Serjão elevar o tom de voz, nem mesmo quando o Santos F. C., sua paixão no futebol, marcava gol...
Como afirmava Roberto Freire, um dos melhores amigos de Sergio: “sem tesão não há solução”, Sergio cumpriu à risca, sempre fez jornalismo com tesão.
Trabalhos de Sergio de Souza
Passou por quase todos grandes veículos de mídia impressa e eletrônica do país, como Folha de S. Paulo, repórter da sucursal da Bloch, revistas Manchete e Fatos e Fotos; Notícias Populares; Quatro Rodas; Realidade; O Bondinho, Grilo, Revista de Fotografia, Jornalivro, Ex. Editou com José Hamilton Ribeiro o jornal O Diário, de Ribeirão Preto; semanário Domingão; Aqui São Paulo, de Samuel Wainer; Foi diretor de jornalismo das rádios Globo, Excelsior e da TV Tupi; editor- chefe do Jornal da Bahia, em Salvador; editor de texto da revista TenisEsporte; editor-chefe do programa Fantástico; diretor da Divisão de Realidade da TV Bandeirantes; editor dos programas Nossa Copa , O Limite do Homem (apresentado por Célia Pardi) e Barra Pesada (apresentado por Octavio Ribeiro, o Pena Branca), para a TV Record; revista Placar; revista Globo Rural; editor de Caros Amigos, a mais duradoura e última criação. |
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