A recente polêmica da desobediência civil* ensaiada por várias associações de moradores, conclamando os contribuintes a depositarem em juízo o IPTU, possibilita várias leituras.
É importante que os cidadãos se organizem e lutem pelos seus direitos.
Isto é fazer política.
Acostumamo-nos a deixar para os “outros”, os políticos, que resolvam as questões.
É como funciona a nossa Res Pública**, herança histórico-cultural com graves distorções.
Em qualquer país, com as instituições consolidadas, os representantes do povo recebem uma “procuração” (mandato), para em nome desse povo, se utilizarem do aparelho do Estado em benefício do povo.
Aqui é diferente, são os representantes do povo, (com raríssimas exceções) utilizando-se do mesmo, via aparelhamento do Estado, em benefício dos representantes, haja vista a enxurrada diária de notícias de corrupção, desvio de verbas, altos salários, mordomias e corporativismo.
A recente absolvição do senador (sic) e a fisionomia do presidente Lula entregando o ministério da Minas e Energia ao senador Lobão são os mais recentes e emblemáticos casos desta distorção.
Nos Estados Unidos da América, quando um policial ou agente do governo “ronca” grosso com um cidadão, inevitavelmente ouvirá: - Ei, I’m a citizen - sou um cidadão, aqui com o sentido de contribuinte, ou seja-veja lá como fala comigo, sou eu que pago seu salário!
No caso do ordenamento urbano e de todas as questões conexas, como segurança, trânsito, favelas, transporte, educação, saúde, tudo é caótico (exceto a limpeza pública, na Zona Sul), - se a saúde e educação fossem geridas com os mesmos critérios da Comlurb, estaríamos no melhor dos mundos!).
O fato de o prefeito estar caminhando para o final do seu terceiro mandato, parece não estar colaborando para uma melhor gestão da cidade, afinal são quase 12 anos, sendo 8 consecutivos - não pode alegar falhas da administração anterior...
Quer nos parecer que o prefeito está cansado ou enfarado, não se vê mais o prefeito andando pelas ruas, conversando com a população, como em outras épocas. O quê mudou?
A Internet? O ânimo? A cidade? O prefeito?
Mas num ponto César Maia tem razão. Na questão de camelôs, Copacabana já viveu dias piores. As barracas eram fixas e ocupavam o meio-fio como trincheiras.
Até batalha campal houve, com tiros na retirada dos camelôs, que precisaram mudar de estratégias para driblarem a fiscalização.
Esperamos realmente que os contribuintes continuem exercendo a cidadania para melhor qualidade de vida e que o prefeito seja menos arrogante, mais democrático e acessível, afinal somos nós que lhe entregamos uma procuração (mandato) e que pagamos seu salário.
* atitude pública de repúdio, tomada por cidadãos frente a alguma lei injusta, sem, contudo, utilizarem-se de violência física e armas.
**Res Pública – Em latim, coisa pública.
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