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Ciúme canino

Dr. Jayme Sandall Junior CRMV - RJ 7122
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Leia: Hospital Veterinário

Ultimamente tenho recebido muitos clientes com queixas do tipo: “ele não deixa ninguém chegar perto de mim! Avança no meu marido, no meu filho...”.
Pode parecer estranho se pensar em ciúme vindo de um cão, mas é exatamente isso o que acontece nesses casos. O ciúme nada mais é do que um sentimento de posse. A pessoa – nesse caso o cão – acredita que o outro é sua propriedade, e qualquer um que ameace essa condição, ou que ouse se aproximar demais do objeto de posse, será repelido. A intensidade com que isso será feito dependerá da raça e das características individuais de cada cão. Mas até que ponto a culpa desse comportamento do animal é do proprietário, da educação que ele deu para seu amigo?
Tudo são conjunturas. Atualmente é impossível se dizer ao certo quantos por cento da personalidade de um animal são provenientes da genética, e quantos por cento da criação. Mas a educação que ele recebe desde pequeno conta. E muito, em minha opinião.
O primeiro passo, assim que se adquire um cão, é avaliar a personalidade dele, e isso pode ser feito junto com seu médico veterinário. Logo nos primeiros meses de convívio é possível se avaliar se ele é bravo, nervoso, estressado, tranquilo, ciumento, sociável, etc. Bem, então digamos que você e seu veterinário avaliaram seu novo cãozinho, e chegaram à conclusão de que ele é genioso, um tanto bravo, e principalmente ciumento. O que fazer?
O que recomendo é que não se estimule, em hipótese nenhuma, esse sentimento de posse que o cão pode começar a desenvolver em relação a seu dono. Primeiro erro: deixar que ele durma na cama com você. Se isso for permitido, será uma clara mensagem de que não há limites para o território dele. Dessa forma ele se sentirá literalmente o dono do pedaço. Outro erro: atender a todas as vontades dele, principalmente quando ele late. O cão late, você o recompensa colocando comida. Ele late quando você está saindo de casa, e você se atrasa, faz mil afagos nele, e o mima – como se o fato de você sair sem ele fosse uma falta gravíssima. Mais um erro: ele elege um local para ficar, e ninguém é capaz de tira-lo dali, porque ele rosna, e até ataca. O lugar é dele e ponto final. Outro equívoco é não brigar quando ele faz algo grave, como fazer as necessidades em local errado, ou roer o que não devia, ou mesmo morder ou arranhar você. Parece raro, mas muitas pessoas, por pena ou excesso de carinho, não brigam quando essas coisas acontecem, mas apenas falam palavras de reprovação em tom brando. Ora, ele não entende o que está sendo dito, e o tom de voz é muito mais importante do que as palavras em si.
É claro que não estou dizendo que se deva bater no animal quando ele erra. Claro que não. Mas ele deve ser repreendido, e deve-se usar um tom de voz firme, como um rosnado, para que ele entenda que você não está nem um pouco satisfeito. Mas sem agressões físicas.
E, principalmente, o cão deve entender, desde os primeiros dias de convívio, que ele está um degrau abaixo na hierarquia da casa. Ele deve saber quem manda. Deve ter limites, e respeitá-los. Dessa forma, mesmo os mais geniosos ficarão muito menos ciumentos e possessivos do que ficariam caso fossem criados sem pulso firme.
Sei que não é fácil, mas cachorro é um filho, e todo mundo sabe que criar um filho não é nenhuma moleza...
Um grande abraço e até a próxima.