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Geraldo de Andrade

 

Apesar da Crise,
a arte,

De repente, não mais do que de repente (como queria o poeta) descobrimos que o mundo vive numa aldeia global. Pelo menos economicamente falando. Está legando (a crise, óbvio) às margens da Avenida Atlântica, quem sabe até às escandalosas cotações que certas obras de arte estão (ou dizem que estão) obtendo no mercado. Ai então, adeus aos dias de glória das beatrizes e os romeros da vida. Com mercado, dizem os experts, ninguém brilha por muito tempo. Pois não é o que vemos no transcorrer da vida? O resto, como dizia Hamlet, é silêncio.
Como estou muito intelectualizado no momento, uma recomendação: ninguém deve deixar de ver a exposição sobre Clarice Lispector no Centro Cultural Banco do Brasil. Apesar da montagem grandiloqüente – e Clarice era pessoa tão meiga, tão dia-a-dia, como ela mesma garante num vídeo em exibição – uma lição sobre a arte de escrever num país onde altos dirigentes nem isso sabem. Mas é a vida, como dizia Gonzaguinha. Menos delírio de montadores, agora modismo nos centros culturais, pois se podiam dispensar os enormes e caros armários só para visualizar (consultar?) um livro de Clarice, mais prudente seria por ao alcance de quem visita a exposição uma obra da autora a preço mais acessível. Porque a exposição acaba, mas o livro permanece. Grande Clarice!
Quase próximo ao CCBB, outro espaço, o dos Correios, nos oferece uma visão do artista holandês Peter Rubens, no seu capítulo de gravador. Ele e seus alunos fizeram história com a gravura em metal e a mostra, excelentemente montada, sem vícios pirotécnicos, mas sóbria e didática, dá visão abrangente desse importante período da história das artes gráficas.
E já que estamos no Centro Cultural Correios, dê outra olhada na exposição em homenagem ao pintor sergipano mais carioca, Antonio Maia (1928-2008), principalmente em louvor aos seus 80 anos, que teria feitos em 9 de outubro. Além do tarô, belo conjunto de 22 grandes telas, pinturas da década de 70/80, de grande vigor dramático, sempre com o ex-votos a serviço das inquietudes políticas do autor.

Galeria Artur Fidalgo - Arte Contemporânea