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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 

Dengue: problema socioambiental

Raquel Dezidério Souto
raquel.deziderio@gmail.com

  raquel.deziderio@gmail.com

“Política pública é um conjunto de ações coletivas voltadas para a garantia dos direitos sociais, configurando um compromisso público que visa dar conta de determinada demanda, em diversas áreas. Expressa a transformação daquilo que é do âmbito privado em ações coletivas no espaço público”
(Guareschi, Comunello, Nardini & Hoenisch, 2004, pág. 180).

 

            Segundo o portal web do Ministério da Saúde, a Dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da Dengue. Em nosso país, as condições socioambientais favoráveis à expansão do vetor da dengue (mosquito Aedes aegypti), possibilitaram a dispersão e avanço da doença desde sua reintrodução em 1976.
            O mosquito Aedes aegypti está amplamente associado às atividades do Homem, que disponibilizam locais artificiais de colocação dos ovos e permitem a manutenção de sua infestação. O grande problema para combater o mosquito Aedes aegypti é que sua reprodução ocorre em qualquer recipiente utilizado para armazenar água, tanto em áreas sombrias como ensolaradas. Assim, a prevenção e as medidas de combate exigem a participação e a mobilização de toda a comunidade a partir da adoção de medidas simples, visando a interrupção do ciclo de transmissão e contaminação. Caso contrário, as ações isoladas poderão ser insuficientes para acabar com os focos da doença. Outro fator agravante é a retirada de predadores do mosquito devido à paulatina substiutição das áreas rurais pelas urbanas. Os centros urbanos configuram-se como favorecedores da dispersão e aumento da densidade do mosquito, já que o espaço social organizado influencia a interação entre o vetor, o vírus e o Homem.

            A participação da comunidade sempre foi fomentada por campanhas educativas mantidas pelo Governo, que foram escasseando ao longo dos anos. Além disso, a volta da epidemia de Dengue no estado do Rio de Janeiro colocou à mostra a evidente diferença entre as gestões públicas de saúde entre municípios fluminenses. O que resultou em milhares de casos registrados, dezenas de  mortes e na intervenção do Governo Estadual, trazendo profissionais da área de Saúde de outros estados brasileiros. Os noticiários mostraram a gritante diferença de gestão entre municípios como os de Niterói (exemplar por se antecipar ao Verão mantendo campanhas de controle e educação comunitária em relação à doença) e outros, como os do Rio de Janeiro e São João de Meriti (onde a rede municipal de saúde não estava dando conta do número de atendimentos solicitados).

            No mapa abaixo, obtido da Fundação CECIERJ (Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro), que mostra a classificação dos municípios do estado do Rio de Janeiro de acordo com o número de ocorrências de Dengue no ano de 2001, percebe-se que diversos municípios mantiveram números elevados ainda em 2008, conforme noticiado pelo Jornal do Brasil Online em 11/04/08 -  “Os municípios com mais ocorrências de casos de dengue, ainda segundo o relatório da SES, até a noite de quarta-feira são: Rio de Janeiro (45.463), Angra dos Reis (5.157), Campos dos Goytacazes (3.309), Nova Iguaçu (4.437), Duque de Caxias (2.029), São João de Meriti (1.791), Niterói (1.617) e Magé (1.135).”

E o problema não é novo.

            Segundo o Painel Indicadores do SUS 2006 (Ministério da Saúde / Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa/ Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS), existem referência a epidemias de Dengue desde 1923 no Rio de Janeiro e Niterói. A partir de 1986, diversas outras afetaram o Rio de Janeiro. Desde então, a Dengue retorna ao Brasil intercalando epidemias e endemias [1]. O documento informa que medidas tomadas pela maioria dos municípios têm melhorado a estrutura de enfrentamento da doença. Mas, a descontinuidade das ações oferece risco ao monitoramento/prevenção da doença.

O combate à doença é responsabilidade de todos

            A participação do cidadão é importante, eliminando os locais potenciais para o desenvolvimento dos focos de proliferação dos  mosquitos.  Papel mais importante ainda é o dos gestores públicos municipais e estaduais. Sem a continuidade das adequadas Políticas Públicas de Saúde, esse ou qualquer outro problema será dificilmente resolvido.

 

Nota:

[1] Diferença entre epidemia e endemia  - “Designa-se como endemia qualquer factor mórbido ou doença espacialmente localizada, temporalmente ilimitada, habitualmente presente entre os membros de um população e cujo nível de incidência se situe sistematicamente nos limites de uma faixa endêmica que foi previamente convencionada para uma população e época determinadas. Difere da epidemia por ser de caráter mais contínuo e restrito a uma determinada área.” (Fonte: wikipedia).

 

Leia as matérias já publicadas na seção “Ambiente litorâneo” do Jornal Copacabana:

A zona costeira do Rio de Janeiro

Desenvolvimento sustentável da zona costeira

Impactos na Zona Costeira

Participação do Cidadão na Gestão Costeira