Raciocínio
Eles também encenam
Dr. Jayme Sandall Júnior
Urgências:9928-2337
Essa matéria é para quem ainda pensa que animal não tem raciocínio.
Primeiro vamos falar do Billy. Um vira-latinha branco, meio poodle, meio sabe-se-lá-o-quê, de uma conhecida minha. Um certo dia, ele começou a mancar e uma das patinhas. Fiz uma consulta, e não encontrei nenhum sinal de dor, sensibilidade ou qualquer outra coisa que pudesse estar causando a claudicação. Os dias se passavam, e Billy continuava mancando. E toda vez eu o examinava, e a dona dele o cumulava com carinhos sem fim, preocupada com sua patinha. Aquilo estava me intrigando, até que um dia, sem querer, matei a charada. Eu vi Billy passando, mancando da patinha direita. Quando passou de volta, mancava da esquerda! Ou seja, ele mancava sempre da patinha que estava de frente para nós. Resumindo: queria atenção.
Speed, um labrador de cinqüenta quilos, não chega a esse extremo de fingir doença, mas fica numa alegria infantil quando tem algum problema, porque é quando recebe mais atenção. Jamais conheci um cão que viesse tão animado ao veterinário.
Há muitos outros casos de animais que simulam doenças, dores, fraquezas e até falta de ar. Tenho um cliente, um maltês de cinco anos, que sofre de falta de ar todas as vezes que sua dona está se aprontando para sair para trabalhar. Já fez exames de coração, raio x, exame e sangue... e nada. Ele simplesmente não tem nada. O fato é que, não suportando a idéia de ficar sozinho, longe de sua dona amada, ele percebeu que se simulasse aqueles ataques, recebia uma atenção extra, além de, várias vezes, conseguir evitar que ela fosse para o trabalho, preocupada em deixa-lo sozinho naquele estado. Tanto que assim que ele percebia que ela não sairia mais, voltava ao normal, respirando tranqüilamente e abanando o rabo.
Mas o caso mais interessante, e que parece piada, é o do papagaio do dono do bar. Essa foi presenciada por uma veterinária tarimbada, e é uma história real, apesar de parecer com um “causo” daqueles de roça. Ela, veterinária especializada em animais silvestres, foi chamada para atender ao papagaio, que estava com um problema. No final da consulta, quando ela já estava indo embora, o bicho começou a gritar: “socorro! Socorro!”
Assustada, ela se virou, e ficou estarrecida ao ver o papagaio caído, pendurado apenas pela correntinha da pata.
Ela correu de volta, pegou o papagaio e o recolocou sobre o poleiro. O dono do bicho continuava tranqüilo, como se nada tivesse acontecido.
- Você não o viu caindo? – Perguntou um tanto irritada.
- Ah, doutora, não liga não, ele faz isso de propósito. É tudo onda dele...
Incrédula com a passividade do homem, ela preparou-se para ir embora. Quando já estava na porta, olhou para trás e viu o papagaio descendo calmamente do poleiro, até ficar pendurado pela pata. Então ele recomeçou: “socorro! Socorro!”. O dono apenas sorriu, como se dissesse “não falei?”.
Dá até vontade de dizer: acredite... se quiser.
Leitores do Copacabana, mandem suas histórias que ajudem a comprovar como nossos animais raciocinam.
Um grande abraço e até a próxima.
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