|
Na
maioria dos países do mundo, devido à crescente
concentração populacional em cidades litorâneas,
as ZONAS COSTEIRAS foram delimitadas por lei e são
objeto de estudos científicos e de gestão pública
específica, no intuito de promover o sustentável
desenvolvimento da população que a habita.
A GESTÃO COSTEIRA BRASILEIRA foi definida a partir
da Lei 7.661 de 16 de maio de 1988, que instituiu o PLANO
NACIONAL DE GERENCIAMENTO COSTEIRO (PNGC). Os limites foram
estabelecidos mediante o Decreto 5.300 de 7 de dezembro de
2004. A lei considera a ZONA COSTEIRA como o espaço
geográfico de interação do ar, do mar
e da terra, incluindo os seus recursos renováveis ou
não, abrangendo uma faixa marítima e outra terrestre.
A FAIXA MARÍTIMA é o espaço que se estende
por 12 milhas náuticas (cerca de 22,224 km), medido
a partir das linhas de base e a FAIXA TERRESTRE, o espaço
compreendido pelos limites internos dos municípios
que sofrem influência direta dos fenômenos que
ocorrem na ZONA COSTEIRA.
No BRASIL, a GESTÃO COSTEIRA é atribuição
do Ministério do Meio-Ambiente, dos Recursos Hídricos
e da Amazônia Legal (MMA), do Instituto Brasileiro do
Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)
e das esferas estaduais de Governo, que a realizam de forma
descentralizada, tendo as Fundações Estaduais
de Meio-Ambiente dos estados costeiros como executoras dos
planos. Pela legislação, os ESTADOS COSTEIROS
foram definidos como aqueles defrontantes com o oceano. Os
MUNICÍPIOS COSTEIROS são aqueles defrontantes
com o oceano ou os não defrontantes, que contemplem
em seu território ecossistemas costeiros de alta relevância
e/ou atividades ou infra-estruturas de grande impacto ambiental
na ZONA COSTEIRA.
No RIO DE JANEIRO, a ZONA COSTEIRA foi subdividida em 4 SETORES
COSTEIROS para fins de gerenciamento, fundamentado na semelhança
entre as características naturais destas regiões.
O LITORAL SUL compreende os seguintes municípios: Parati,
Angra dos Reis, Mangaratiba, Itaguaí, Seropédica,
Queimados e Japeri. O LITORAL DA BAÍA DE GUANABARA
inclui os seguintes municípios: RIO DE JANEIRO, Nova
Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti,
Nilópolis, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim,
São Gonçalo, Itaboraí, Niterói
e Maricá. O LITORAL DA REGIÃO DOS LAGOS inclui
os municípios: Saquarema, Araruama, Iguaba Grande,
São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Búzios,
Casimiro de Abreu e Rio das Ostras. O LITORAL NORTE-FLUMINENSE
inclui os municípios: Macaé, Carapebus, Quissamã,
Campos, São João da Barra e São Francisco
do Itabapoana.
O
LITORAL SUL é caracterizado pelo mergulho da Serra
do Mar no oceano, tendo uma estreita faixa de planície
litorânea. As escarpas são regularmente cobertas
por vegetação remanescente da Mata Atlântica
e separadas por praias curtas. Em direção ao
norte, a Serra do Mar recua por trás da Baía
de Sepetiba. Importante valor ecológico e paisagístico
está associado a esse setor costeiro. Os municípios
de Parati e Angra dos Reis têm o turismo como atividade
principal. Já Mangaratiba e Itaguaí estão
se desenvolvendo com previsão de tornarem-se importantes
pólos industriais. O porto de Sepetiba, instalado em
Itaguaí, em operação desde 1982, representa
importante papel na movimentação de minério
de ferro, carvão e alumina. A pesca está presente
em todos os municípios.
O
LITORAL DA BAÍA DE GUANABARA é caracterizado
por uma sucessão de praias alongadas, restingas, baías,
enseadas e lagunas costeiras, com a Serra do Mar situada atrás
da Baía de Guanabara. Esse setor costeiro tem participação
importante na economia fluminense, pela localização
de grande parte das indústrias petroquímicas
do estado, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN),
do Porto do Rio de Janeiro, da indústria naval e de
empresas do terceiro setor. Todos os municípios apresentam
densidade demográfica acima da média do estado,
sendo São João de Meriti o município
com a maior densidade demográfica no Brasil. O processo
de ocupação desenvolveu-se de modo desordenado,
configurando a realidade complexa desse setor costeiro. O
crescimento populacional na região metropolitana não
foi acompanhado de estratégias sustentáveis
de desenvolvimento, o que originou problemas de ordem ecológica
e social. Parte dos manguezais que bordejavam a Baía
de Guanabara foram aterrados para o estabelecimento de centros
urbanos e indústrias de grande porte, como a Refinaria
de Duque de Caxias. A Mata Atlântica aos poucos veio
dando lugar a habitações subnormais nas encostas
dos morros, residência de grande parte dos imigrantes
que chegaram no RIO DE JANEIRO para trabalhar na construção
civil e no comércio. A pesca foi prejudicada pela contaminação
de corpos de água e pelas práticas de pesca
predatória, mediante uso de artes de pesca inadequadas.
O
LITORAL DA REGIÃO DOS LAGOS situa-se na planície
litorânea, com a Serra do Mar se aproximando do mar
em direção ao norte. A região inclui
municípios com vocação turística,
havendo aumento da sua população em épocas
de veraneio. Entretanto, essas cidades passam por um intenso
processo de urbanização, o que pode acarretar
na conurbação desse setor com a região
metropolitana do RIO DE JANEIRO.
O LITORAL NORTE-FLUMINENSE situa-se na baixada campista, maior
região plana do estado. Ainda conserva a agricultura
como atividade econômica principal nos municípios
localizados mais ao norte. As cidades próximas ao limite
com o LITORAL DA REGIÃO DOS LAGOS apresentam importância
econômica para a região, uma vez que concentram
boa parte das atividades de prospecção de petróleo,
sendo sua produção responsável por 70%
do abastecimento no país. Em todo o setor, encontram-se
ainda remanescentes de colônias de pesca que ainda exercem
a atividade. O turismo é a principal atividade nos
municípios mais ao norte, como São Francisco
de Itabapoana, ao lado da pesca. Entretanto, essa atividade
vem sendo ameaçada por barcos estrangeiros, que disputam
o pescado com as comunidades que ainda a executam a pesca
de modo artesanal.
A
cidade do RIO DE JANEIRO no contexto da GESTÃO COSTEIRA,
apresenta-se como um caso à parte, uma vez que é
o município com maior complexidade de ocupação
e de usos do solo. A produção econômica,
a pesquisa científica e a cultura local são
reconhecidas a nível internacional. Suas mais famosas
praias, como COPACABANA, Ipanema, Gávea, Leblon e Barra
da Tijuca, são locais de extrema ocupação
urbana, requerendo estratégias de gestão diferenciadas.
Na foto, a PRAIA DE COPACABANA, cartão postal da cidade
do RIO DE JANEIRO.
Estamos ABERTOS à discussão de outros assuntos
relacionados ao LITORAL e convidamos o leitor do JORNAL COPACABANA
a participar, enviando suas sugestões para o EMAIL
indicado na matéria. Certamente, o envolvimento da
sociedade carioca com o seu LITORAL trará BENEFÍCIOS
SOCIOAMBIENTAIS que não poderiam ser alcançados
sem o mesmo. PARTICIPE.
|