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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 

AMBIENTE LITORÂNEO

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA ZONA COSTEIRA

Raquel Dezidério Souto

  raquel.deziderio@gmail.com
Meio Ambiente 2007

De acordo com a IUCN (The World Conservation Union), a UNEP (United Nations Environment Programme) e a WWF (World Wide Foundation), uma COMUNIDADE SUSTENTÁVEL vive em HARMONIA com seu meio ambiente e não causa danos a meios ambientes distantes ou a outras comunidades, agora ou no futuro. A QUALIDADE DE VIDA e os interesses das futuras gerações são mais valorizados do que o crescimento econômico ou o consumo imediato. O conceito surgiu da busca pelo desenvolvimento econômico em respeito aos ecossistemas locais. Ignacy Sachs, ecosocioeconomista, representou as seis dimensões do DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - espacial, ecológica, econômica, social, cultural e política. O cientista estabeleceu diversas relações entre o desenvolvimento humano, a qualidade de vida e os diversos aspectos inerentes a essas dimensões. Uma abordagem holística que subsidia a compreensão a respeito das dinâmicas sociais presentes na ZONA COSTEIRA. Segundo a Agenda 21, documento assinado no RIO DE JANEIRO por 178 países, em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas para Meio-Ambiente e Desenvolvimento, os princípios a serem observados no intuito de alcançar o DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL são:

Cuidado e respeito pela vida - Reflete o CUIDADO E RESPEITO POR OUTRAS PESSOAS E POR OUTRAS FORMAS DE VIDA, HOJE E NO FUTURO. O desenvolvimento atual não pode ser promovido às custas de gerações futuras. Os custos e benefícios do uso dos recursos e a conservação ambiental devem ser compartilhados entre as diferentes comunidades e grupos de interesse, entre as gerações atuais e futuras;


Aumento da qualidade de vida humana - O real objetivo do desenvolvimento é o AUMENTO DA QUALIDADE DA VIDA HUMANA. O crescimento econômico é um importante componente do desenvolvimento, mas não pode ser um objetivo em si mesmo, senão ocorrerá indefinidamente, sem limites. O conceito de QUALIDADE DE VIDA varia bastante, porém há um consenso geral com relação aos seguintes aspectos: vida LONGA E SAUDÁVEL, acesso aos recursos necessários para um padrão de vida decente, liberdade política, acesso à educação, garantia de direitos humanos e segurança. O desenvolvimento é real somente se tornar a vida humana melhor nesses aspectos;

Conservação da vitalidade e da diversidade da Terra - O DESENVOLVIMENTO BASEADO NA CONSERVAÇÃO precisa incluir ações deliberadas com vistas a proteger a estrutura, as funções e a diversidade dos sistemas naturais mundiais, do qual as espécies dependem. Para tal, são necessários: a) CONSERVAR os sistemas que suportam a vida; conservar a biodiversidade, não somente das espécies animais, vegetais e de outros organismos, assim como dos estoques genéticos de cada espécie, b) garantir que o uso dos recursos renováveis seja SUSTENTÁVEL, incluindo o solo, os organismos selvagens e domésticos, as florestas, as terras cultiváveis e os ecossistemas marinhos e dulcícolas que suportam as atividades de pesca. O uso será sustentável se respeitar a CAPACIDADE DE RENOVAÇÃO DOS RECURSOS;

Minimização da depleção dos recursos não-renováveis - Minérios, petróleo, gás e carvão são recursos não renováveis. Não podem ser utilizados de forma sustentável. Entretanto, a duração dos mesmos pode ser estendida pela reciclagem, pela diminuição de sua composição em um produto manufaturado ou pela substituição por componentes renováveis quando for possível;


Manutenção da capacidade de suporte da Terra - Há LIMITES FINITOS para a capacidade de suporte dos ecossistemas terrestres. Os limites variam de região para região e os impactos dependem de quantas pessoas coabitam no mesmo espaço e de quanta comida, água e energia cada uma utiliza e de quanto lixo gera. POUCAS PESSOAS CONSUMINDO MUITO PODEM CAUSAR O MESMO DANO AMBIENTAL QUE MUITAS PESSOAS CONSUMINDO POUCO. Assim, os gestores devem levar em conta o balanço entre o número de pessoas de uma determinada população e seus estilos de vida e a capacidade de suporte do meio em que vivem;

Mudança nas atitudes e práticas pessoais - No intuito de adotar uma CONDUTA ÉTICA em relação à SUSTENTABILIDADE DA VIDA, as pessoas devem REVER SEUS CONCEITOS E SUAS ATITUDES. A sociedade deve PROMOVER VALORES que suportem a nova ética e que desencorajem aqueles que sejam incompatíveis com o MODO DE VIDA SUSTENTÁVEL;


Habilitação das comunidades para o cuidado de seus próprios ambientes - Quando INFORMADAS E ORIENTADAS de forma adequada, as sociedades são capazes de CONTRIBUIR COM AS TOMADAS DE DECISÃO que as afetam e, dessa forma, desempenham PAPEL FUNDAMENTAL no desenvolvimento de SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS;

Promoção de uma estrutura a nível nacional para a conservação e o desenvolvimento - A maior parte das sociedades utiliza-se de informações e conhecimento, de estruturas de leis e instituições, além de políticas econômicas e sociais consistentes para avançar de modo racional. Um PROGRAMA a nível nacional para PROMOVER A SUSTENTABILIDADE deve ENVOLVER TODOS OS INTERESSADOS, além de IDENTIFICAR E PREVENIR PROBLEMAS entre eles. Trata-se de um PROCESSO ADAPTATIVO, onde seu curso seja constantemente REDIRECIONADO de acordo com as NOVAS NECESSIDADES IDENTIFICADAS;

Criação de uma aliança global de cooperação - se o objetivo é alcançar a sustentabilidade global, uma firme aliança deve ser estabelecida entre os países. Os níveis de desenvolvimento no mundo são desiguais e os países menos favorecidos economicamente devem ser auxiliados pelos países mais ricos, de modo a desenvolver a sustentabilidade e proteger seus ambientes. Recursos globais, especialmente a atmosfera, os oceanos e os ecossistemas compartilhados, devem ser manejados somente sob bases de propostas e resoluções comuns.
Os princípios são aplicáveis a qualquer região do país em desenvolvimento, porém especialmente à ZONA COSTEIRA, que no BRASIL concentra mais de 20% da população. No RIO DE JANEIRO, a ZONA COSTEIRA apresenta densidade demográfica superior à média do estado e abriga cerca de 80% de sua população. Importa notar que, dos nove princípios enumerados pela Agenda 21, os seis primeiros estão diretamente relacionados a TODA A POPULAÇÃO, o que ratifica a importâncias das BOAS PRÁTICAS PESSOAIS no PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO. Os três últimos são especificamente direcionados aos gestores públicos e à comunidade científica. Com a comunicação entre todas as parcelas da sociedade, promove-se uma atuação conjunta na prevenção e MINIMIZAÇÃO DE PROBLEMAS RECORRENTES no LITORAL.

A ZONA COSTEIRA, COMPLEXA no estado do RIO DE JANEIRO, apresenta muitos CONFLITOS PELO USO DO ESPAÇO, podendo ser citados: conflito entre a expansão da maricultura e o estabelecimento de rotas marítimas e costeiras; conflito entre a pesca artesanal e a expansão imobiliária e o estabelecimento portuário; conflito entre as operações de dragagem e a pesca; conflito entre os locais de engorda de espécimes biológicos e estabelecimentos portuários, principalmente, e estabelecimentos urbanos de modo geral; Uma vez que todos esses conflitos dizem respeito às atividades humanas, o pesquisador Goldberg em 1994 resume a problemática com precisão: "A chave para minimizar conflitos na zona costeira é o gerenciamento da população". Nesse sentido, o GERENCIAMENTO COSTEIRO INTEGRADO assume papel fundamental no alcance do DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL e a PARTICIPAÇÃO DA POPULAÇÃO faz-se IMPORTANTE no processo de tomada de decisões.
Estamos ABERTOS à discussão de outros assuntos relacionados ao LITORAL e convidamos o leitor do JORNAL COPACABANA a participar, enviando suas sugestões para o EMAIL indicado na matéria. Certamente, o envolvimento da sociedade carioca com o seu LITORAL trará BENEFÍCIOS SOCIOAMBIENTAIS que não poderiam ser alcançados sem o mesmo. PARTICIPE.