Milton Teixeira fala sobre
Ruas de Copacabana
BECO DAS GARRAFAS, RUA
DUVIVIER COPACABANA
Famoso logradouro de Copacabana, sito na Rua
Duvivier, entre as avenidas Atlântica e Copacabana,
o qual não consta de qualquer catálogo de indicação,
pois é alcunha de origem popular. Tem seu nome desde
os anos 50, pelo fato de ser localizado num agrupamento de
pequenos bares, boates e inferninhos, cujos freqüentadores
provocavam tanta algazarra de madrugada, que os moradores
da vizinhança protestavam, jogando garrafas, sem a
maior cerimônia, que vez por outra, atingiam um dos
perturbadores da ordem. Não é só a boemia
que freqüenta esse beco; a ambulância também,
de vez em quando, entra ali, para socorrer os que falam alto
sem se valerem da proteção que lhes dá
as marquises dos edifícios.
No Beco das Garrafas enfileiravam-se vários bares:
Ma Griffe, Bottles, Baccará e Little Club. Eles
tinham características diferentes: o primeiro é
meio inferninho, o segundo é a catedral
da Bossa Nova, o terceiro é o responsável pelo
lançamento de muitos cantores (dali saíram para
o sucesso a falecida Dolores Duran, Helena de Lima, etc.)
e o quarto foi um dos pioneiros do show de bolso, tendo apresentado
bailarinos, cantores, músicos e cômicos, sempre
com êxito.
O mais famoso produtor de shows no Beco das Garrafas foi Luís
Carlos Miéle, que promoveu ali, dentre outros, notáveis
espetáculos de Luís Carlos Vinhas, Marisa Gata
Mansa (Baccará) e Tito Madi (Little Club). O beco foi
berço da cantora Nara Leão, ícone da
Bossa Nova.
Desde fins da década de 60 o local entrou em decadência
e hoje não apresenta nada de notável, abrigando
bares e boates vulgares.
RUA TONELEROS, A DO TIRO
Constitui a Rua Toneleros (aliás, o nome
certo seria Tonelero, no singular) a única rua, entre
aquelas oferecidas por Alexandre Wagner em 1874 à Municipalidade
que até hoje conserva a denominação original.
Assim como outras daquelas ruas que receberam os nomes de
batalhas e combates da Guerra do Paraguai, esta rua celebra
a passagem das tropas brasileiras no combate realizado em
17 de dezembro de 1851 contra as forças argentinas
do ditador Juan Manuel de Rosas.
Segundo o Recenseamento Geral de 1920, a rua possuía
90 prédios, sendo 54 térreos, 20 assobradados
e os restantes com dois ou três pisos.
A rua entrou dramaticamente na história do Brasil por
nela ter ocorrido, próximo ao edifício Albervânia,
o famoso atentado em princípios de agosto de 1954 ao
jornalista e deputado Carlos Lacerda, episódio onde
perdeu a vida o Major da Aeronáutica Rubens Florentino
Vaz, e foi o estopim da crise que culminou no suicídio
do Presidente Getúlio Vargas. Lacerda apenas se feriu
no pé.
Em 1963 foi inaugurado pelo já então Governador
Carlos Lacerda o túnel Major Vaz, com 220m, ligando
a Rua Toneleros à Pompeu Loureiro, criando assim uma
saída para esta via, que passou a se constituir num
importante acesso para os motoristas de Copacabana que demandam
para a Lagoa Rodrigo de Freitas, pelo corte do Cantagalo.
RUA POMPEU LOUREIRO
Data do início do século XX a
abertura desta rua, que teve o nome de Quatro de Setembro,
cuja efeméride é desconhecida. Pelo Recenseamento
Geral de 1920, possuía então 34 prédios,
sendo 29 térreos, um assobradado e os quatro restantes
com dois pavimentos. O Decreto municipal no. 3.564, de 4 de
julho de 1931, assinado pelo Prefeito Rodolfo Bergamini, deu-lhe
o nome atual, em homenagem a um dos oficiais tenentistas da
Revolução Paulista de 1924. No ano de 1938/40,
com a abertura do Corte do Cantagalo, a rua passou a ter saída
para a Lagoa. Em 1963, com a abertura do Túnel Major
Vaz, ligando esta rua com a Rua Tonelero, transformou-se em
importante artéria de passagem para os motoristas que
demandam para a Lagoa Rodrigo de Freitas.
RUAS DE COPACABANA
AVENIDA PRINCESA
ISABEL - LEME - COPACABANA
Foi aberta em 1901, nos terrenos de Alexandre Wagner,
que em fins do século XIX havia comprado todos os terrenos
do Leme e arruado a região em 16 de abril de 1894. Era denominada
de Rua Salvador Correia, em honra ao Governador do Rio de Janeiro,
Salvador Correia de Sá, que administrou a cidade por duas
vezes, de 1568 a 71 e de 1578 a 98. Em 1904 o Prefeito Francisco
Pereira Passos abriu o túnel do Leme, inaugurado dois anos
depois. Pelo Decreto Municipal no. 6.305, de 1º de outubro
de 1938, mudou de nome para Avenida Princesa Isabel, em comemoração
aos cinqüenta anos da assinatura da Lei Áurea, que libertou
os escravos no Brasil.
O engenheiro José de Oliveira Reis duplicou o túnel
do Leme (ou Túnel Novo, como também era conhecido),
de 1943 a 1946, quando então se duplicou a rua, tornando-se
avenida, demolindo-se todo um correr de prédios. O último
a ir abaixo foi o velho Hotel Vogue, na Avenida Atlântica,
em fins dos anos 50, quando então ganhou este logradouro
as dimensões largas que possui atualmente. O atual canteiro
central foi resultado das obras do Rio Cidade, em 1994/96, quando
então se removeu do seu eixo a estátua do Visconde
do Rio Branco, hoje na Praça Demétrio Ribeiro. Esta
estátua tinha sido removida da Glória para Copacabana
em 1938. Quando abriram seus alicerces, acharam uma caixa de chumbo
cheia de moedas, doadas depois ao Museu do Itamaraty.
Hoje, o Túnel do Leme possui denominação oficial,
aliás, duas: Coelho Cintra, na boca mais antiga, ao lado
da Igreja de Santa Terezinha, e Marques Pôrto, na boca situada
ao lado da Rua Carlos Peixoto.
AVENIDA ATLÂNTICA - COPACABANA
A primitiva avenida foi imaginada como reles rua
de serviço em 1904 pelo Prefeito Pereira Passos. A abertura
de outros logradouros na Cidade e obras noutros tantos postergaram
essa iniciativa por mais de um ano. Somente em 29 de outubro de
1905 foi tomada a decisão de abrir mais essa avenida para
a cidade, indo no mesmo dia o próprio Prefeito Pereira Passos
e outros engenheiros fiscalizar a orla de Copacabana. Apenas com
algumas conversas, o prefeito conseguiu que vários proprietários
cedessem partes de seus lotes, sem ônus para a municipalidade,
com o fito de viabilizar esse grande melhoramento. Na mesma ocasião
o prefeito sugeriu o nome de Avenida Atlântica, que foi logo
aceito.
Finalmente, através do Decreto Municipal no. 561, de 4 de
novembro de 1905, foram aprovados os planos e dado início
à obra, que ficou à cargo do engenheiro José
Américo de Souza Rangel, o qual foi também o autor
do projeto final. A Avenida Atlântica só possuía
quatro metros de largura, servindo apenas para pedestres. Pudera,
em 1906 tínhamos apenas 153 automóveis na cidade.
Em 5 de abril de 1906 os trabalhos foram de muito multiplicados,
para que se pudesse entregá-la ainda dentro do mandato do
Prefeito Passos, e a 29 de julho do mesmo ano, o primeiro trecho
foi entregue ao público. Entretanto, o ritmo das obras não
pôde ser mantido e a avenida somente foi completada em toda
sua extensão em 1908, pelo Prefeito Souza Aguiar.
Com o crescimento do trânsito pela orla e o surgimento da
moda dos banhos de mar, esta se tornou pequena, sendo ampliada para
19 metros de largura em 1910/11 pelo Prefeito Bento Ribeiro, que
não conseguiu completá-la integralmente. O Prefeito
Paulo de Frontin a melhorou em 1918/19, quando foi toda refeita.
Pelo Recenseamento Geral de 1920, possuía a Avenida Atlântica
116 prédios, sendo 32 térreos. O mais alto edifício
possuía então apenas quatro pavimentos. Logo depois,
uma ressaca a destruiu, exigindo ser reconstruída em 1921/22.
Foi novamente atingida por outra ressaca e refeita em 1924, dessa
vez com grosso alicerce de concreto.
Nessa última data foram construídos os primeiros postos
de salvamento, em concreto e tijolos, os quais acabaram por balizar
a praia e servir como ponto de encontro entre as diversas "tribos".
De 1969 a 1971 foi duplicada pelo Governador Negrão de Lima,
segundo sugestão do arquiteto Lúcio Costa e projeto
do engenheiro Raimundo de Paula Soares. Na ocasião, colocou-se
sob o calçadão central o Interceptor Oceânico
da Zona Sul, a maior obra de esgotos até então efetuada
na cidade.
As calçadas em mosaico de pedras portuguesas foram desenhadas
por Roberto Burle Marx, que se utilizou de pedras de três
cores, preta, branca e vermelha, representando os povos que formaram
nossa etnia. O desenho abstrato foi imaginado para ser percebido
de avião, à exceção do da orla, que
reproduz o antigo mosaico ondulado imitado de Portugal. Quando da
Fusão, em 1975, foram construídos os atuais postos
de salvamento, projetados em linhas aerodinâmicas pelo arquiteto
Sérgio Bernardes. Em 1988 foram plantados na areia coqueiros
pela administração Saturnino Braga, para suavizar
a paisagem e, em 1992, foi refeita a orla pelo Prefeito Marcelo
Alencar, com a proibição de estacionamentos, a construção
de uma ciclovia e a colocação de quiosques de alimentação.
Presentemente, em 2005, a orla da av. Atlântica passa por
novas melhorias, com a implantação do projeto Rio
Orla e a construção de quiosques modernos, projetados
pelo designer Guto Índio da Costa.
PRAÇA IRMÃOS BERNARDELLI,
A DO LIDO
Esta praça, primitivamente era denominada Vinte e Seis de
Janeiro, e foi transformada em praça propriamente dita na
reforma e reconstrução realizada pelo Prefeito Paulo
de Frontim em 1919. Somente mais tarde, em 1922, ali foi construído
por ordem do Prefeito Carlos Sampaio, no centro do logradouro, o
balneário-restaurante Lido, por ocasião do Centenário
da Independência. O nome Lido, pela qual ainda hoje é
conhecida sem jamais ter sido oficializado por decreto algum, vem
do célebre lugar em Veneza, Itália. O antigo balneário-restaurante
foi convertido em 1932 numa escola pública, sendo afinal
demolido em 1957 e substituído pelo edifício escolar
existente, edificado pelo Prefeito Negrão de Lima no canto
próximo da Avenida Nossa Senhora de Copacabana.
O nome Irmãos Bernardelli, aposto pelo Decreto municipal
no. 3.551, de 17 de junho de 1931, recorda o sobrenome dos irmãos
Rodolfo e Henrique Bernardelli, que na esquina desta praça
com a Avenida Atlântica tinham luxuosa residência, demolida
em 1936. Rodolfo Bernardelli, grande escultor, diretor da Escola
Nacional de Belas Artes, autor de muitas estátuas espalhadas
pela cidade. Nasceu no México, em 18 de dezembro de 1852,
e morreu no Rio de Janeiro, em 7 de abril de 1931. Henrique Bernardelli
foi notável pintor. Nasceu no Chile, em 15 de julho de 1857,
e morreu no Rio de Janeiro, em 6 de abril de 1936.
Em 1992, a praça foi cercada com grades metálicas
e reurbanizada para a Conferência Internacional sobre o Meio
Ambiente, quando recebeu então estátuas e quiosques.
Próximo a ela, na Avenida Atlântica, realiza-se com
regularidade há mais de trinta anos uma feira de artesanato
muito disputada.
RUA FRANCISCO OTAVIANO, A DA IGREJINHA
A rua já existia em janeiro de 1879, pois Cruvêllo
Cavalcanti a cita, com o nome de Rua Cruzeiro. Não existiam
habitações em toda a sua extensão. Em 1893,
recebeu o nome de Rua da Igrejinha, pois ligava o local em cujas
proximidades ficava a Igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana à
Praia do Arpoador. Teve também a denominação
de Rua Rio Grande do Sul. Reconhecida e dado o nome atual pelo Decreto
municipal n. 1.165, de 31 de outubro de 1917.
Francisco Otaviano de Almeida Rosa, carioca, nasceu em 26 de junho
de 1835. Poeta romântico e tradutor de poesias, advogado,
depois político (ocupando o cargo de senador), diplomata,
enviado como Ministro Plenipotenciário a fim de negociar
o tratado da Tríplice Aliança, por ocasião
da Guerra do Paraguai (1865). Faleceu no Rio de Janeiro, em 28 de
maio de 1889.
Segundo o Recenseamento Geral realizado em 1920, a rua possuía
27 construções, sendo 12 térreas, três
assobradadas, 10 de dois pavimentos e uma de três pavimentos.
Uma estava ainda em construção.
Nesta rua foi construída em 1976 a Igreja da Ressurreição,
que guarda a imagem original de Nossa Senhora de Copacabana, que
batizou o bairro.
AVENIDA RAINHA ELIZABETH, A DA BÉLGICA
Rua aberta pelo Barão de Ipanema em 1893, recebeu na planta
o nome de rua Dr. Pires de Almeida. Depois foi denominada Rua Valadares,
em homenagem ao Prefeito Henrique Valadares, que inaugurou o bairro
de Ipanema em 26 de abril de 1894. Pelo Recenseamento Geral de 1920,
possuía apenas 16 prédios, sendo 4 assobradados, 11
de dois pavimentos e um de três pisos.
O Decreto municipal no. 1.788, de 7 de outubro de 1922, assinado
pelo Prefeito Carlos Sampaio deu-lhe a denominação
atual e a converteu em avenida. Deve seu batismo à Rainha
Elizabeth, esposa do Rei Alberto I, da Bélgica, que visitou
o Brasil em setembro de 1920. O Rei Alberto, quando entre nós,
nadou na praia de Copacabana, em frente a esse logradouro, causando
apreensão aos seus seguranças, haja vista que o atlético
monarca contornou, à nado, o Forte de Copacabana, chegando
incólume na praia do Diabo. Em época recente o Prefeito
César Maia tentou alterar a denominação do
logradouro para Avenida Rainha Elizabeth da Bélgica, mas
não foi aceito, voltando ao nome antigo.
RUA SIQUEIRA CAMPOS
Esta era a antiga rua Barroso, aberta em 1874 em terras de José
Martins Barroso, reconhecida oficialmente em 1894 pela Municipalidade,
quando Prefeito Henrique Valadares. Porém, como foi dito,
estava entregue ao tráfego uns vinte anos antes, por iniciativa
do seu doador. Procurava assim José Martins Barroso facilitar
o acesso à Copacabana, substituindo o antigo caminho do Forte
do Leme, demasiado desconfortável, e que fora encarregado
antes de 1874 de "fazer os consertos necessários na
estrada de rodagem da Copacabana em continuação à
rua Real Grandeza, pela insignificante quantia de 350$000 ao ano".
Este logradouro foi o primeiro a ser percorrido por uma linha de
bondes em Copacabana, isto desde 6 de julho de 1892. Os bondes foram
tirados de circulação somente em 1963. A estação
central dos bondes ficava no entroncamento com a então Rua
de Copacabana, onde hoje está o Centro Comercial de Copacabana.
Já no ano de 1896 autorizou a Prefeitura a mandar macadamizar
esta rua, bem como a Rua Tonelero, e calçar a ladeira do
Barroso (Decreto municipal no. 294, de 20 de junho de 1896). Pelo
Recenseamento Geral de 1920, possuía então 150 construções,
sendo 54 térreas, 73 assobradadas e 23 de três pavimentos.
Até 1930 existiam poucas construções nesse
logradouro, que era edificado apenas nas quadras próximas
à praia. Com a valorização do bairro, desde
o fim da década de 40, está a rua tomada por arranha-céus,
de ambos os lados.
Em 1931, pelo Decreto municipal no. 3.564, de 4 de julho daquele
ano, recebeu a nova denominação de Siqueira Campos,
em homenagem ao revolucionário 1º. Tenente, nascido
em São Paulo, em 18 de maio de 1898, e que foi um dos líderes
da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana em 1922, sendo ferido e
recolhido ao Hospital Central do Exército, de onde fugiu
para a Argentina. Participou da Coluna Prestes em 1925/27 e dali
retornou à terra Portenha. Quando retornava ao Brasil para
comandar a Revolução de 1930, faleceu tragicamente
quando seu avião caiu no mar, em 10 de maio de 1930.
PRAÇA SERZEDELO CORRÊA,
A DOS PARAÍBAS
Esta praça foi aberta pela Companhia Ferro Carril do Jardim
Botânico, ao inaugurar a sua estação de bondes
em 1893, recebendo na ocasião a denominação
de Praça Malvino Reis, em homenagem a Malvino da Silva Reis,
então diretor da Companhia. Era, primitivamente, apenas um
areal com vegetação rasteira. Foi muito melhorada
em 1910, pelo Prefeito Serzedelo Corrêa, e no ano seguinte
recebeu no centro o chafariz das Saracuras, obra de Mestre Valentim
e que até então estava no pátio interno do
Convento da Ajuda, erguido no Centro do Rio em 1742 e demolido em
outubro de 1911. Em 1917, esse chafariz foi removido para a Praça
General Osório, em Ipanema, onde ainda se encontra.
Em 1910, a praça recebeu a nova denominação,
reconhecida e confirmada pelo Decreto municipal no. 1.165, de 31
de outubro de 1917. Foi uma homenagem ao Prefeito Inocêncio
Serzedelo Corrêa, empossado neste cargo em 24 de julho de
1909. Quando cadete, o General Serzedelo Corrêa atuou como
propagandista da República. Professor da Escola Superior
de Guerra, político, ministro da fazenda e prefeito do Distrito
Federal. Faleceu no Rio de Janeiro em 5 de junho de 1932.
Segundo o Recenseamento Geral de 1920, a praça possuía
13 prédios, sendo 8 assobradados e 5 de dois andares.
Em 1918, ficou pronta a bonita igreja Matriz de Nossa Senhora de
Copacabana, na esquina de Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Essa
formosa Matriz, em estilo neo-gótico, foi projetada pelo
arquiteto e professor Gastão da Cunha Bahiana, sendo criminosamente
demolida em 1973 e substituída por um moderno prédio
de escritórios, onde, numa sala do térreo, funciona
a atual Matriz do bairro.
Quanto à estação de bondes, situada na esquina
de Rua Siqueira Campos com a avenida Nossa Senhora de Copacabana,
foi demolida já nos anos 50, sendo substituída pelo
prédio moderno do Centro Comercial de Copacabana.
A praça sofreu muitas reformas nos anos 40 e 50, sendo gradeada
em 1992, e reurbanizada pela Prefeitura. É conhecida popularmente
de "Praça dos Paraíbas", alcunha popular
aposta pelo fato de ali se concentrar trabalhadores oriundos do
nordeste do Brasil, em seus momentos de ócio.
RUA FIGUEIREDO MAGALHÃES
Rua aberta em 1874 em terras do Conde de Figueiredo Magalhães
- Dr. Francisco Bento Alexandre de Figueiredo Magalhães,
português, cirurgião-chefe do Hospital da Sociedade
Portuguesa de Beneficência. O Conde montou uma casa de saúde
próxima à paia e mantinha uma linha de carruagens
que traziam os doentes convalescentes para a prática de hidroterapia,
usando a água do mar, tarefa geralmente realizada de noite,
haja vista que não era de bom tom naqueles tempos a pele
queimada de sol. Seria hoje o que nós modernamente denominamos
de hidromassagem. O Conde faleceu no Rio de Janeiro em 24 de maio
de 1898.
Segundo o Recenseamento Geral de 1920, a rua possuía 46 prédios,
sendo 13 térreos, 9 assobradados e os restantes com dois
e três pavimentos. Até 1930 somente existiam construções
nas quadras próximas ao mar. Com a valorização
do bairro, hoje os dois lados da rua estão tomados por arranha-céus.
BECO DO JOGA-A-CHAVE-MEU-AMOR - RUA
CARVALHO DE MENDONÇA - COPACABANA
Em verdade, esse beco nem chega a ser beco, e sim uma pequena rua,
a Carvalho de Mendonça, que liga as ruas Duvivier e Rodolfo
Dantas. Ladeada por dois edifícios apenas, ambos com muitos
e minúsculos apartamentos, autênticas cabeças-de-porco
modernas. Nos anos 50, tais apartamentos eram muito alugados por
respeitáveis figuras para abrigarem seus encontros amorosos,
ou alguma amante de plantão. O apelido surgiu de uma história
dessa época. Conta-se que numa noite, um rapaz bêbado,
bem apessoado, esqueceu a chave da portaria e cometeu a temeridade
de ir para o meio da rua e gritar para o alto: "Joga a chave,
meu amor."
A mulherada chegou à janela e jogou tantas chaves, que um
molhe mais pesado lhe bateu na cabeça, nocauteando-o, forçando
sua ida a um hospital para ganhar uns pontos. A notícia se
espalhou, sendo que o compositor popular João Roberto Kelly
compôs uma alegre marchinha carnavalesca que foi um grande
sucesso no carnaval de 1965.
No Beco do Joga-a-chave-meu-amor os problemas foram muitos. Ali
alguns bares tiveram pretensões a reviver a velha Lapa, abrigando
mulheres de trottoir e traficantes de entorpecentes. Foram fechados
pela polícia, reabertos por novos proprietários e,
mais cedo ou mais tarde, tornados fora da lei. E assim foram vivendo.
Outros bares do mesmo local permaneceram alheios a esses problemas,
como acontecia com o Manhattan, de vida mais calma, ou o Kilt Club,
o único bar da Zona Sul que exigia o uso de paletó,
para os seus freqüentadores. E, como é raro se andar
por Copacabana de paletó, o porteiro se incumbia de arranjar
algum para quem quisesse entrar. O bar era elegante, mas os fregueses,
nem sempre. Ali nunca houve o caso de um freguês pagar a conta,
botar a carteira no bolso do paletó e depois devolvê-lo
à saída, com a carteira dentro. Donde se conclui que
os bêbados do Kilt Club não eram tão bêbados
assim.
Hoje, nada mais disso existe. Desde os anos 80 a rua é só
de pedestres, os bares viraram brechós, os cubículos
viraram lares familiares e as prostitutas foram substituídas
por homossexuais e travestis, que passaram a reinar de noite.
BECO DAS GARRAFAS - RUA DUVIVIER
- COPACABANA
Famoso logradouro de Copacabana, sito na Rua Duvivier, entre as
avenidas Atlântica e Copacabana, o qual não consta
de qualquer catálogo de indicação, pois é
alcunha de origem popular. Tem seu nome desde os anos 50, pelo fato
de ser localizado num agrupamento de pequenos bares, boates e "inferninhos",
cujos freqüentadores provocavam tanta algazarra de madrugada,
que os moradores da vizinhança protestavam, jogando garrafas,
sem a maior cerimônia, que vez por outra, atingiam um dos
perturbadores da ordem. Não é só a boemia que
freqüenta esse beco; a ambulância também, de vez
em quando entra ali, para socorrer os que falam alto sem se valerem
da proteção que lhes dá as marquises dos edifícios.
No Beco das Garrafas enfileiravam-se vários bares: Ma Griffe,
Bottle`s, Baccará e Little Club. Eles tinham características
diferentes: o primeiro é meio "inferninho", o segundo
é a catedral da Bossa Nova, o terceiro é o responsável
pelo lançamento de muitos cantores (dali saíram para
o sucesso a falecida Dolores Duran, Helena de Lima, etc.) e o quarto
foi um dos pioneiros do show de bolso, tendo apresentado bailarinos,
cantores, músicos e cômicos, sempre com êxito.
O mais famoso produtor de shows no Beco das Garrafas foi Luís
Carlos Miéle, que promoveu ali, dentre outros, notáveis
espetáculos de Luís Carlos Vinhas, Marisa Gata Mansa
(Baccará) e Tito Madi (Little Club). O beco foi berço
da cantora Nara Leão, ícone da Bossa Nova.
Desde fins da década de 60 o local entrou em decadência
e hoje não apresenta nada de notável, abrigando bares
e boates vulgares.
PRAÇA CARDEAL ARCOVERDE
-
A MAIS ANTIGA DO BAIRRO
Até prova em contrário, esta praça é
a mais antiga de Copacabana. Na oferta de Alexandre Wagner à
Ilustríssima Câmara Municipal, em 1874, ela recebeu
a denominação de Praça Martim Afonso, em homenagem
ao comandante da expedição de reconhecimento da costa
do Brasil e donatário da Capitania de São Vicente,
Martim Afonso de Souza, que chegou ao Rio de Janeiro em 30 de abril
de 1531. Posteriormente foi a praça denominada de Sacopenapan,
em homenagem ao nome indígena do bairro.
O nome atual foi posto pelo Decreto municipal no. 1.165, de 31 de
outubro de 1917, que reconheceu a praça como logradouro público
e confirmou a atual denominação, homenageando D. Joaquim
Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Arcebispo e depois Cardeal
do Rio de Janeiro, nascido em Pernambuco, em 17 de janeiro de 1850,
e aqui falecido em 18 de abril de 1930. Foi o primeiro cardeal brasileiro
e sul-americano.
Pelo Recenseamento Geral de 1920, a praça possuía
apenas cinco prédios, sendo um térreo e os restantes
de dois pavimentos.
Até 1935, a praça era apenas um matagal devoluto onde
pastavam burricos. Neste ano, o Prefeito Pedro Ernesto a urbanizou,
mas construiu nela uma escola municipal, que lhe tolheu metade do
espaço. Em 1942, parte dessa escola foi adaptada para sediar
o Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, cuja sede
na Gávea fora requisitada para sediar a Prefeitura, esta,
por sua vez, desalojada do Campo de Santana para ser demolida, por
estar no eixo de abertura da Avenida Presidente Vargas.
Alguns anos depois, o museu voltou para a Gávea, mas uma
parte da escola foi convertida em teatro de amadores. Finalmente,
em 1999, a praça foi totalmente refeita e perdeu mais um
pedaço para sediar a nova e luxuosa estação
do Metrô - Copacabana.
Hoje, resta apenas 1/3 do terreno original dessa rara área
verde.
RUA TONELEROS, A DO TIRO
Constitui a Rua Toneleros (aliás, o nome certo seria Tonelero,
no singular) a única rua, entre aquelas oferecidas por Alexandre
Wagner em 1874 à Municipalidade que até hoje conserva
a denominação original. Assim como outras daquelas
ruas que receberam os nomes de batalhas e combates da Guerra do
Paraguai, esta rua celebra a passagem das tropas brasileiras no
combate realizado em 17 de dezembro de 1851 contra as forças
argentinas do ditador Juan Manuel de Rosas.
Segundo o Recenseamento Geral de 1920, a rua possuía 90 prédios,
sendo 54 térreos, 20 assobradados e os restantes com dois
ou três pisos.
A rua entrou dramaticamente na história do Brasil por nela
haver ocorrido, próximo ao edifício Albervânia,
o famoso atentado em princípios de agosto de 1954 ao jornalista
e deputado Carlos Lacerda, episódio onde perdeu a vida o
Major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, e foi o estopim
da crise que culminou no suicídio do Presidente Getúlio
Vargas. Lacerda apenas se feriu no pé.
Em 1963 foi inaugurado pelo já então Governador Carlos
Lacerda o túnel Major Vaz, com 220m, ligando a Rua Toneleros
à Pompeu Loureiro, criando assim uma saída para esta
via, que passou a se constituir num importante acesso para os motoristas
de Copacabana que demandam para a Lagoa Rodrigo de Freitas, pelo
corte do Cantagalo.
RUA POMPEU LOUREIRO
Data do início do século XX a abertura desta rua,
que teve o nome de Quatro de Setembro, cuja efeméride é
desconhecida. Pelo Recenseamento Geral de 1920, possuía então
34 prédios, sendo 29 térreos, um assobradado e os
quatro restantes com dois pavimentos. O Decreto municipal no. 3.564,
de 4 de julho de 1931, assinado pelo Prefeito Rodolfo Bergamini,
deu-lhe o nome atual, em homenagem a um dos oficiais tenentistas
da Revolução Paulista de 1924. No ano de 1938/40,
com a abertura do Corte do Cantagalo, a rua passou a ter saída
para a Lagoa. Em 1963, com a abertura do Túnel Major Vaz,
ligando esta rua com a Rua Tonelero, transformou-se em importante
artéria de passagem para os motoristas que demandam para
a Lagoa Rodrigo de Freitas.
PRAÇA EUGÊNIO JARDIM
Reconhecida e denominada pelo Decreto municipal no. 2.405, de
17 de agosto de 1926, assinado pelo Prefeito Alaôr Prata Soares.
Eugênio Rodrigues Jardim foi engenheiro militar, capitão
do Corpo de Bombeiros, comandante desta corporação
em 1893, e senador federal por Goiás. Faleceu no Rio de Janeiro,
em 26 de julho de 1926, num desastre de automóvel.
Até 1938, a praça era apenas um matagal, sendo urbanizada
pelo Prefeito Henrique Dodsworth quando da abertura do Corte do
Cantagalo. Foi novamente urbanizada em 1957, pelo Prefeito Negrão
de Lima e em época mais recente, pelo Governador Carlos Lacerda.
Na década de 1980, entrou em obras para sediar uma estação
do Metrô, sendo então quase toda destruída.
As obras foram proteladas por 25 anos, até o século
XXI, onde a nova estação do Metrô Cantagalo
está prometida para ser inaugurada em 2.007.
AVENIDA HENRIQUE DODSWORTH, A
DO CORTE DO CANTAGALO
O antigo Corte do Cantagalo, que passava pela fazenda do mesmo
nome e passa pelo morro idem, foi iniciado em 1916, e levou vinte
e dois anos para ficar pronto. Teve também o nome de Caminho
do Caniço, porque dava acesso à antiga Praia do Caniço,
ou das Canas do Reino, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Pelo Decreto
municipal no. 6.113, de 28 de janeiro de 1938, assinado pelo Prefeito
Henrique Dodsworth, recebeu a denominação oficial
de Avenida Cantagalo, posteriormente alterada pelo Decreto municipal
no. 8.449, de 26 de janeiro de 1946, em homenagem a Henrique de
Toledo Dodsworth Filho. Nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de setembro
de 1895. Médico, professor do Colégio Pedro II e da
Escola Normal, deputado constituinte em 1933/34 e deputado federal
em 1934/37, tomou posse como Prefeito do Distrito Federal em 2 de
julho de 1937, ficando no cargo por oito anos, até outubro
de 1945; e em cuja gestão se efetivou a abertura da respectiva
avenida.
Foi muito melhorada na década de 1960, pelo Governador Negrão
de Lima, que construiu o trevo na Lagoa, depois batizado de Augusto
Frederico Schmidt.
RUA BARATA RIBEIRO
É um dos logradouros mais antigos de Copacabana, tendo sido
projetado em 1874 e arruado em 1894. Somente reconhecido como logradouro
público pelo decreto municipal no. 1.165, de 31 de outubro
de 1917. Pelo Recenseamento Geral de 1920, possuía apenas
132 prédios, sendo 66 térreos, 40 assobradados e 26
de dois pavimentos.
Inicialmente este logradouro ia somente até a rua Siqueira
Campos, e depois foi-lhe incorporada a rua antes conhecida como
Dr. Pereira Passos, a qual ficava situada entre as ruas Constante
Ramos e Bolívar. Posteriormente, pelo decreto municipal no.
2.406, de 17 de agosto de 1926, assinado pelo Prefeito Alaôr
Prata Soares, foi reconhecido o seu prolongamento até a Rua
Djalma Ulrich. Em 1959, com a abertura do túnel Sá
Freire Alvim, pôde ser comunicada diretamente à Rua
Raul Pompéia, então se convertendo numa importante
via de passagem para os bairros de Ipanema e Lagoa.
Desde 1905 era a rua cortada pelos bondes da Companhia Ferro-Carril
do Jardim Botânico, desativados em 1963. Até a década
de 30 possuiu apenas casas, algumas até de grande luxo; mas
com a valorização do bairro em fins dessa década,
foi tomada de arranha-céus, a maior parte abrigando apartamentos
de classe média e média-baixa; e até alguns
pardieiros, como o famigerado "200", enorme prédio
com apartamentos minúsculos, erguido na década de
50, motivo de peça teatral cômica e hoje com número
modificado.
O nome da rua homenageia o Dr. Cândido Barata Ribeiro, nascido
na Bahia, em 11 de março de 1843. Foi o primeiro cidadão
nomeado para exercer o cargo de prefeito do Distrito Federal. Tomou
posse em 17 de dezembro de 1892. Era prefeito quando da inauguração
do bairro de Copacabana, a 6 de julho de 1893. Barata Ribeiro era
médico-pediatra e professor. Foi também intendente
municipal. Faleceu no Rio de Janeiro em 10 de fevereiro de 1910.
RUA RAUL POMPÉIA.
Rua aberta em 1894 em terras da Fazenda de Copacabana pelo Barão
de Ipanema, recebendo então o nome de Rua Marinho, cuja origem
se desconhece. Provavelmente algum amigo ou parente do Barão.
Depois, pelo Decreto municipal no. 1.165, de 31 de outubro de 1917,
veio homenagear ao romancista e autor de contos, crônicas
e artigos de crítica Raul D`Ávila Pompéia.
Nascido em Angra dos Reis, em 12 de abril de 1863, e falecido no
Rio de Janeiro, por suicídio, em sua casa na Rua São
Clemente, no bairro de Botafogo, a 25 de dezembro de 1895.
A rua desde as primeiras décadas do século XX já
era ocupada por boas casas. Segundo o Recenseamento Geral de 1920,
possuía 38 casas, sendo 11 térreas, 13 assobradadas
e as outras com dois e três andares. A partir da década
de 30, foi gradativamente ocupada por altos prédios de apartamentos.
Em 1959, a abertura do túnel Sá Freire Alvim permitiu
sua ligação com a Rua Barata Ribeiro, transformando-a
em importante via de comunicação para os motoristas
que se dirigem à Ipanema ou Lagoa.
A TUMULTUADA AVENIDA DE NOSSA SENHORA
DE COPACABANA
Este logradouro, muito antigo, provavelmente já existia
em meados do século XVIII. Foi por muitos anos servidão
pública, conhecida como "Estrada que vai para Nossa
Senhora" ou "Estrada que vai para a Senhora da Copacabana".
Tinha esse nome desde Botafogo, e, como era muito irregular, com
o tempo, seus trechos acabaram virando ruas de diferentes denominações,
como por exemplo: Passagem, Góis Monteiro, Carlos Peixoto
e Ladeira do Leme. A "estrada" já aparece perfeitamente
delineada numa planta manuscrita de 1819, existente no Arquivo Histórico
do Exército.
Foi esta "estrada" consideravelmente melhorada pela Empresa
de Construções Civis, em 1894, ano em que oficialmente
a reconheceu a Prefeitura, por decreto do Prefeito Henrique Valadares,
como via pública da cidade. Em 1897 um pequeno trecho foi
regularizado e feito seu alinhamento de 117m de extensão
sobre 20m de largura. Em 1910 sofreria novo alargamento, obra executada
pelo Prefeito Bento Ribeiro.
Desde distanciados tempos recebera edificações, tornando-se
hoje o mais populoso logradouro do bairro. Segundo Cruvêllo
Cavalcanti, já em abril de 1879, possuía 21 construções,
sendo 20 térreas e uma de sobrado. No recenseamento municipal
de 1906, realizado por ordem do Prefeito Francisco Pereira Passos,
apresentava 133 prédios, dos quais 117 eram de 2 pavimentos
e 16 de 3 pavimentos, ocupando-os 1.107 moradores. Segundo o Recenseamento
Geral realizado em 1920, a rua possuía então 362 prédios,
sendo 167 térreos, 86 assobradados, 102 de dois pavimentos,
e o maior edifício apenas quatro andares. O primeiro prédio
alto foi o do Copacabana Palace Hotel, inaugurado em agosto de 1923,
e que, pela parte dos fundos atingia a Rua Copacabana, e que, apesar
de possuir apenas dois pavimentos nesse lado, seu elevado pé
direito o colocava com a altura de uma construção
de cinco andares. Aliás, o citado hotel foi o primeiro prédio
alto também da Avenida Atlântica, onde dava frente.
Inicialmente o trecho mais construído era o que existia entre
as ruas Inhangá e a Francisco Otaviano, área mais
valorizada. Já em 1925 começaram a surgir pequenos
prédios de apartamentos multifamiliares, mas apenas na década
de 30 surgiriam os arranha-céus, contando, dentre os primeiros,
o do Cinema Roxy (1934-36), na esquina de rua Bolívar, e
onde inicialmente era uma praça; edifícios Itahy (1934-36);
e Itaóca (1935-37), este na esquina de rua Duvivier; e os
prédios que dão para a Praça Irmãos
Bernardelli, denominada na época, do Lido. Em fins da década
de 30, ocorreu ali uma supervalorização dos terrenos
e, após a Segunda Guerra Mundial, eram muitos os prédios
altos ali erguidos. Hoje, a estatística é muito diferente,
e toda a avenida é ladeada por um muro de arranha-céus,
com milhares de habitantes.
Reconhecida e denominada pelo decreto municipal no. 1.165, de 31
de outubro de 1917, com o simples nome de rua Copacabana, não
devendo ser feita a confusão com o antigo nome da rua da
Passagem, já citada acima, e que já teve, em tempos
idos, também o nome de rua da Copacabana e rua do Pasmado.
Em 1927, a então rua Copacabana cedeu o trecho inicial, desde
a rua Antônio Vieira até a rua Inhangá para
constituir a rua Conselheiro Sousa Ferreira. Como se fosse pouco,
o que restou foi dividido ao meio por um canteiro de plantas e colocado
em mão dupla. Finalmente, pelo decreto municipal de no. 6.488,
de 26 de junho de 1939, assinado pelo Prefeito Henrique Dodsworth,
voltou a formar uma só via pública, com a denominação
de Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Na ocasião, removeram-lhe
os canteiros centrais e a colocaram como mão única.
Os bondes trafegavam nela desde 1894, mas a crescente expansão
do tráfego em veículos a motor impossibilitou o serviço
desse meio de transporte, que foi extinto nesse logradouro em 1963.
A antiga estação de bondes, datada de 1892, foi então
demolida, surgindo em seu local o moderno Centro Comercial de Copacabana.
Não foi este o primeiro centro de compras do bairro, existindo
desde 1946 o prédio da Galeria Menescal, com lojas finas.
Quanto à denominação, é óbvio
que se refere à imagem da Igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana,
erguida em princípio do século XVIII onde hoje é
o Campo de Marte do Forte de Copacabana, templo demolido em 1918,
estando a citada imagem na moderna Igreja da Ressurreição,
na rua Francisco Otaviano. É, aliás, muito provável
que o próprio logradouro tenha sido aberto há quase
trezentos anos, quando da construção da igreja, para
facilitar o acesso aos fiéis.
RUA GUSTAVO SAMPAIO, ANTIGA BERNARDO
DE VASCONCELLOS
A Rua Gustavo Sampaio foi projetada em 1874 pela Empresa
de Construções Civis, tomando na época o nome
de Bernardo de Vasconcellos. Era ligada à rua de Copacabana,
e terminava na rua Anchieta. Segundo Cruvêllo Cavalcanti,
em janeiro de 1879, já possuía 18 casas térreas.
Oficialmente inaugurada em 1894, quando recebeu trilhos de bonde
da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico. Foi muito melhorada
pelo Prefeito Pereira Passos em 1906, que a prolongou até
a Praça do Vigia, quando na mesma época ganhou em
seu extremo uma estação de bondes nova e maior, além
de um grande restaurante, que a tornou popular e procurada para
boas moradias.
Reconhecida e denominada pelo Decreto municipal no. 1.165, de 31
de outubro de 1917, quando recebeu a denominação atual,
aliás, transferida de outra rua do bairro para esta. Gustavo
Sampaio foi um oficial governista morto durante a Revolução
Federalista de 1893. Segundo o Recenseamento Geral de 1920, a rua
possuía 103 construções, sendo 22 térreas,
36 de sobrado, 40 de dois pisos, uma de três e quatro em construção.
Hoje está tomada de arranha-céus de ambos os lados,
dos quais, o Hotel Meridien atinge 34 pavimentos.
RUA ANCHIETA, A MAIS ANTIGA DO LEME
Parece que a Rua Anchieta é a mais antiga do Leme. Traçada
em 1874 pela Empresa de Construções Civis, existia
em janeiro de 1879, pois Cruvêllo Cavalcanti a assinala, não
possuindo casa alguma então. Listada no Recenseamento de
1906, realizado por ordem do Prefeito Pereira Passos, ainda estava
na mesma situação. Reconhecida e denominada oficialmente
pelo Decreto municipal no. 1.165, de 31 de outubro de 1917. No Recenseamento
Geral de 1920, constava como tendo apenas 4 casas, sendo duas de
sobrado, uma com dois pisos e uma com três. Prolongada posteriormente
até a rua Araújo Gondim, hoje Ribeiro da Costa. O
nome é uma homenagem ao padre canarinho José de Anchieta,
que viveu entre nós no século XVI.
CHÁCARA DO INHANGÁ
Grande propriedade comprada, através de escritura datada
de 13 de outubro de 1755, por José Antônio Sobral e
sua esposa Agostinha Caetana da Silva, com foro perpétuo
pago ao Senado da Câmara, localizada no morro do Inhangá,
em Copacabana.
Após o falecimento de Sobral, em 1778, foi feita a partilha
do seu espólio, cabendo a sua viúva a referida chácara,
que se estendia das terras de Antônio Pires Afonso até
a chácara de Francisco Pereira Leme.
A palavra Inhangá é um termo de origem indígena,
que, conforme Teodoro Sampaio, é uma alteração
da palavra Anhangá, que significa mau espírito, alma
errante ou espírito que anda vagando.
O morro do Inhangá foi parcialmente demolido, na década
de 1920, quando a Prefeitura da cidade interligou as duas partes
que constituíam a avenida Nossa Senhora de Copacabana, até
então separadas pelo morro.
Em 1934, o costão rochoso do morro que dava para a avenida
Atlântica também foi parcialmente cortado para a construção
da piscina do Copacabana Palace Hotel. Este costão foi demolido
afinal em 1951, para a construção dos edifícios
Chopin, Balada e Prelúdio.
Hoje resta apenas uma parte do morro próxima à praça
Cardeal Arcoverde.
No início do século XX, foi aberto o logradouro do
mesmo nome em Copacabana, reconhecido pelo Decreto Municipal no.
1.165, de 31 de outubro de 1917.
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