Como comemorar a Criação
do mundo
Um motorista de táxi perguntou ao passageiro aonde ele
iria. Ele respondeu: "Eu lhe daria meu endereço, mas
como minha mulher já foi embora deste mundo, não
tenho mais lar. Aliás, eu nunca chamei minha esposa de
'minha esposa'. Sempre a chamei de 'meu lar'".
Nós mulheres sempre podemos confiar no nosso
poder intuitivo, ao tomar decisões cruciais para nossa
família, e aqui a comida não pode ficar de fora.
Bem, é claro nem sempre temos ânimo, interesse, ou
mesmo tempo, para empurrar o fogão com a barriga. Mas a
grande verdade é que, comprada ou feita na hora (conforme
manda a Tradição!), a comida permanece como o meio
imbatível para manter os vínculos básicos
da vida.
Numa farta mesa festiva, são sempre bem vindos
conhecidos e desconhecidos, gente que o vento nos trouxe para
poder compartilhar prazer e sabedoria. Sem contar as almas dos
nossos antepassados, que vêm do lado de lá para acompanhar
essa alegria sagrada, perfumada com os melhores temperos da tolerância
e do amor! Enfim, o que dá sabor ao prato é a intenção
com que é preparado... Mas o tempero de amor é uma
mágica que não se compra!
Nós, mulheres, temos o privilégio
de alimentar nossas famílias tanto espiritual quanto fisicamente,
e nossa mesa se relaciona com um local sagrado. Quando comemos
e agradecemos ao Criador, nossos lares se tornam lugares de santidade
e celebração.
Para comemorar a Criação do mundo
em seis dias
Sobre a mesa de sexta-feira à noite, reluzem
as velas acesas pela mulher, correspondentes à Luz Original.
Como num altar, nesta mesa forrada com toalha branca, reinam dois
pães trançados saborosos, vinho tinto para consagrar
este dia tão especial, bolos de peixe, sopa de frango,
carne e doces tradicionais, como o strudel.
Este banquete semanal conduz a família a
um verdadeiro espírito de elevação, onde
os alimentos parecem ter alma. Pais e filhos cantam com muito
entusiasmo as melodias do dia. Mas o que não pode faltar
é o conteúdo: as palavras talmúdicas e a
transmissão dos ensinamentos de nossos sábios, de
abençoada memória, prendem toda a atenção
e iluminam a mente!
Isso se repete no sábado, à hora do
almoço, com o acréscimo do kugel (bolo de macarrão)
e do tcholent ou dafina (feijoada seca marcada por temperos especiais).
Há também os que têm o costume de consumir
uma pequena refeição sábado à tarde.
Assim, essa experiência prazerosa e sábia, onde culinária
e conversas Talmúdicas se unem, renova, a cada semana,
o sentido pelo qual o mundo foi criado.