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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 
 
A TRAGÉDIA DO PIONEIRO.

Professor Milton de Mendonça Teixeira

Diretor do Departamento de Capacitação do SINDEGTUR / RJ.

Desde 1914, Santos Dumont já demonstrava sintoma de uma doença nervosa, que só fez se agravar com passar dos anos. Aos problemas neurológicos se juntaram uma série de fobias, uma delas causada pelas mortes ocorridas em acidentes de aviação, das quais, sabe-se lá porque, considerava-se responsável. O inventor do avião esteve várias vezes no Brasil, onde sempre foi recebido com muito carinho, mas, quando sentia seu mal piorar, viajava para a Europa onde, frequentemente, se internava num sanatório da Suíça. Em 1922/3, quando veio para os festejos da comemoração do Centenário da Independência do Brasil, muitos de seus amigos e parentes insistiram para que ficasse definitivamente no Brasil, mas, não dando ouvidos aos bons conselhos, retornou à Europa para repousar e se tratar num sanatório.

Cinco anos depois, atendendo aos pedidos e, sentindo-se melhor, regressou ao Brasil, onde adentrou na baía de Guanabara no dia 3 de dezembro de 1928.

Muitos idosos se lembram do pavoroso desastre ocorrido nesta data. Ao encontro do transatlântico Cap Arcona, em que ele viajava, saíram diversos barcos embandeirados e alguns aeroplanos, entre os quais um de nome Santos Dumont, da antiga companhia Kondor Syndicat (depois Cruzeiro do Sul, e finalmente incorporado à Varig).

Nesse hidroavião embarcaram os professores da Escola Politécnica Drs. Tobias Moscoso (diretor), M. Amoroso Costa e Ferdinando Laboriau; o engenheiro Paulo de Castro Maia; o presidente do Diretório Acadêmico daquela escola, Frederico de Oliveira Coutinho; o representante da Academia de Medicina, Dr. Amauri de Medeiros; o jornalista Abel de Araújo, que se fazia acompanhar de sua esposa; além dos pilotos, mecânicos e um funcionário da Kondor.

Depois de fazer evoluções sobre o navio, derramando-lhe flores no convés, desequilibrou-se o hidroavião, ao desviar-se de outro aparelho, e, perdendo altura, precipitou-se como um bólido sobre o mar, defronte ao navio, explodindo e afundando em poucos segundos.

Lanchas, botes, canoas, que se achavam perto, acorreram a toda velocidade para o local do sinistro. Mas foi tudo em vão.

Santos Dumont, prostrado de comoção, desembarcou abatidíssimo. "Quantas vidas sacrificadas por minha humilde pessoa" - disse ele, olhando tristemente para o mar.

Fugindo dos festejos e discursos, pegou um automóvel com destino à Copacabana, onde se internou no Copacabana Pálace, de lá saindo apenas para participar do rescaldo dos mortos e acompanhar os enterros, um a um, num total de doze féretros. No hotel, não falava com ninguém e temia-se que o gênio doente atentaria contra sua vida. Ficou na memória de muitos o olhar perdido de Santos Dumont da janela do hotel, defronte à praia, sem um ponto fixo no horizonte.

Meses depois, em 1929, sua família o levou de Copacabana para São Paulo, onde afinal se matou, numa casa na praia de Guarujá, a 23 de julho de 1932, três dias após completar 59 anos.

Nem depois de morto encontrou a paz. No cemitério de São João Batista, em Botafogo, onde foi inumado, seu túmulo fica defronte ao memorial dos que morreram em acidentes de aviação.