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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 

HUGHES SABE O QUE DIZ

AraControvérsias à parte, a arte está (ou esteve) bem representada nos centros culturais e galerias. O pintor carioca Araken, por exemplo, renovou totalmente sua pintura, deixando de lado o abstracionismo, linguagem mais freqüente, por uma incursão pela figura. O resultado esteve exposto na Galeria Toulousse, na Gávea, com inusitado sucesso. O que o artista bem merece. Suas atuais figuras, quase sempre entrando de sola no expressionismo, mostram que Araken, um mestre que sabe como poucos unir teoria à prática, pois além de pintor é doutor em filosofia e teologia, não chegou a elas por mero acaso. Um artista se distingue dos seus semelhantes pela personalidade que imprime à sua obra, todos sabemos disso. E é aí que o trabalho do pintor carioca marca uma tremenda reviravolta no seu modo de ver o mundo ao redor. Se antes ele o encarava através de formas e cores, em planos que se integravam na composição com belos efeitos cromáticos, agora temos um artista que se mostra por inteiro numa figuração que busca no inside de cada um a dramaticidade da própria existência, espécie de radiografia do homem nos seus momentos mais tensos. Até mesmo nas paisagens, onde predominam a natureza, a leitura dos seus trabalhos leva o espectador a questionamentos existenciais que muito valorizam o homem como objeto de Deus. Para quem perdeu a exposição, o livro lançado na ocasião, intitulado Araken, sintetiza o pensamento do artista, não só pelas belas imagens como, igualmente, por dois elucidativos textos nele inseridos. Graficamente, o livro é impecável tal qual a obra do artista.
Quem não leu, bobeou. Numa das últimas edições da revista Veja, uma entrevista com o historiador e crítico de arte australiano Robert Hughes, respeitado mundialmente, elucida muitas das questões da arte nos dias atuais. Mormente para aqueles que se deslumbram com quaisquer novidades que surgem no campo das artes plásticas, muitas vezes querendo impor importâncias que estão longe de atingir seus objetivos. Tudo bem. Acontece que estamos no comecinho de novo século em que a arte sequer deu seus primeiros passos, uma vez que ainda estamos deglutindo os últimos ísmos dos anos 20.
Dois enxertos da entrevista de Hughes: “Vivemos numa era muito pobre em matéria de artes visuais. Hoje se podem encontrar bons escultores e pintores, mas a idéia de que a arte atual possa se igualar às enormes realizações do passado, entre os séculos XVI e XIX, é um disparate”.
“Porque ser o pai (Duchamp) dessa bobagem chamada arte conceitual não é uma distinção de que se possa orgulhar. Para compreender o tamanho do estrago, basta dizer que sem ele hoje não haveria as chamadas instalações, aquelas obras tolas em que o espectador é convidado a passar por túneis e outros recursos infantis. Ou precisa ler uma bula para entender o que o artista quis dizer”.

ARTE DEPOIS DO CARNAVAL

Iberê CamargoDeu no que deu. Complicaram tanto na Sapucaí que o povo tomou outra vez as ruas e deixou para os otários o carnaval luxo das cada vez mais desprestigiadas escolas de samba, agora produto exclusivo para turista. Bem feito. Não existe essa de colocar nossa cultura em prol de influências tão bem definidas por Sérgio Porto como “samba do crioulo doido”. Pois foi o que fizeram com os incompreensíveis enredos dos últimos anos, aliás, só entendidos pelos comentaristas da televisão, onde pouco se viam os crioulos, os verdadeiros donos da festa, fazendo escada para incríveis vedetinhas de novelas que, sem talento, tentam rebolar seguindo ordens dos indefectíveis carnavalescos. Onde foi parar nosso folclore e sua beleza? Acho que ficou no Recife, onde Maracatus, Caboclinhos e Frevo fazem a alegria do povo. Esse mesmo povo que em 2007 encheu as ruas da Zona Sul carioca e divertiu-se como nunca para esquecer as agruras da violência que as autoridades, nos seus camarotes privilegiados, sorriem e deixam a banda passar. Carnaval é isso: espontaneidade criativa. Arte, enfim.
Mas passado os festejos de Momo, eis que novamente o Rio torna a se voltar para as artes. Com a mesma pujança de antes. Para começar, uma passada no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro, é obrigatória. A mostra O Banco do Brasil e as Artes Gráficas reúnem obras de Fayga Ostrower, Anna Letycia. Darel, Edith Behring, Iberê Camargo, dentre outros expoentes das nossas artes gráficas, sob curadoria de Geraldo Dolino, ele próprio um dos nossos mais talentosos pintores. Em se tratando de gravura, respeitem o Brasil porque nessa linguagem sempre deu banho e conquistou algumas das maiores premiações internacionais.
No mesmo local, outra exposição complementa a primeira. Trata-se de Impressões Originais: A Gravura Desde o Século XV. São 250 obras de nomes como Dürer, Rembrandt, Picasso, Miro, Matisse. Uma história sintética, mas valiosa abrangendo seis séculos de artes gráficas a partir do século XV com a invenção da xilogravura. Grande pedida.
E já que falamos do Centro, não custa nada uma visita ao Museu Nacional de Belas Artes para constatar a importância do pintor Modesto Blocos, um espanhol naturalizado brasileiro que viu nosso país como ele era realmente, o que os acadêmicos da época taparam os olhos em prol de assuntos bíblicos e históricos. Aliás, a atualidade não é assim tão diferente, não acham?

CAMINHOS DA ARTE

Um mês movimentado. Principalmente pela junção de nomes consagrados e outros em progresso, numa revitalização dos espaços expositivos cariocas que, dessa maneira, oferece ao público arte de boa qualidade e artista idem. Lucílio de Albuquerque, Fayga Ostrower e César Romero estão ai mesmo para constatar nossa afirmativa.

Fayga OstrowerQuem ainda não conhece o novo centro da cidade, o Caixa Cultural, tem bons motivos para entrar em contato com o local que engloba salões de exposições, teatros e cinema. Depois de inauguração com retrospectiva de Di Cavalcanti, a oportunidade de se conhecer dois excelentes artistas de gerações opostas. A primeira das mostras dedica ao pintor Lucílio de Albuquerque (1877-1939) uma merecida homenagem ao artista que, além de pintor de amplos recursos técnicos dentro da linguagem acadêmica, foi professor de inúmeros pintores modernistas, entre os quais Cândido Portinari. Lucílio, nascido no Piauí, foi casado com Georgina de Albuquerque, uma de nossas primeiras pintoras impressionistas, paralelamente ao estilo que o consagrou, já se exercitava pelo impressionismo e indo até mais além com paisagens mineiras, muitas das quais lembrando Guinard na maneira de sugerir mais do que mostrar, através de pinceladas curtas e espontâneas.

O artista Cesar Romero com o curador Gerlado Edson de AndradeA segunda atração da Caixa Cultural percorre os caminhos de Fayga Ostrower, uma de nossas artistas mais completas e que unia sólidos conhecimentos teóricos à execução primorosa dos seus meios de expressão: a gravura e a aquarela. Tudo que Fayga nos deixou como artista é lição de alta criatividade, embasada por sensibilidade nata e rigor formal. Não há como separar da artista a gravura, xilos principalmente, de suas aquarelas que transitam por evocativas sensações de poesia plástica. Tanto Lucílio de Albuquerque quanto Fayga Ostrower, caminhos díspares mas ligados pela qualidade são oportunidades raras no calendário expositivo carioca.

O terceiro caminho é aquele que o pintor César Romero nos oferece comemorando 40 anos de carreira. Além de mostra de impacto no Centro Cultural Correios, no Centro (aberta até o dia 15 de outubro) inaugura outra exposição, desta vez em Copacabana, na Galeria Patrícia Costa, no Shopping Cassino Atlântico (até o dia 14 de outubro). César Romero, baiano até dizer basta, é desbravador de trilhas de conteúdo popular. Na nova série, “BR-Amante” uma declaração explicita de amor à sua terra e sua gente, transferindo para o plano erudito impressões de vivências entre festejos e manifestações do povo, que transfere para as telas de intenso rigor formal e desmesurado fervor ao colorido.

Tudo dentro da brasilidade que caracteriza sua pintura.

Desperte o artista que existe em vc!
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