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ANO
XII - 2008
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Milton
Teixeira
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UM PEQUENO SALTO PARA UM BRASILEIRO Alberto
Santos Dumont, nasceu em 20 de julho de 1873, na Fazenda Cabangu,
em Palmira, Minas Gerais, onde morava sua família. O pai,
Henrique Dumont, era engenheiro ferroviário e logo se mudou
para Rio das Flores, no Rio de Janeiro, onde batizou em 1877 o pequeno
Dumont. Desde cedo, Alberto manifestou muito interesse pelos estudos
de mecânica e física. Leu a coleção de
obras de Júlio Verne, que lhe avivou as idéias de
aeronavegação, desejo que nutriu desde a infância.
Formou-se em engenharia civil e rumou para a França, onde
se dedicou inicialmente ao automobilismo, sendo o primeiro brasileiro
a dirigir um automóvel e a participar e vencer competições
automobilísticas. Ao fazer uma visita ao Salon du Cycle
do Palais de L`Homme, em Paris, decidiu-se a aprofundar seus estudos
sobre a dirigibilidade dos balões. Em 1898 construiu seu
primeiro balão, o único que teve nome Brasil.
Seguiram-se vários outros, geralmente em formato de charuto,
com barquinha abaixo e grandes hélices, movidas por motores
cada vez menores e mais potentes.
Sofreu muitos acidentes, mas sempre escapou ileso e pronto para
corrigir e aperfeiçoar suas invenções. Num
deles, seu motor pegou fogo e ele o apagou com seu chapéu,
amassando-o todo, assim criando moda em Paris.
Tanto nos balões como nos primeiros aparelhos de aviação,
procedeu empiricamente, mas aproveitou-se sempre dos fracassos e
das vitórias para aperfeiçoar todos os inventos posteriores.
Fez notáveis experiências, das quais a mais importante
e decisiva foi a de 12 de julho de 1901, quando com seu balão
motorizado nº 6, conseguiu contornar a Torre Eiffel em trinta
minutos, provando a dirigibilidade aérea. Ganhou com isso
o Prêmio Deutsch, que distribuiu pelos colaboradores e necessitados
da capital francesa. Em 26 de outubro de 1906, finalmente, conseguiu
decolar de um parque de Paris com um aparelho mais pesado que o
ar, o aeroplano 14 bis, fato registrado por fotos, filmes e documentos,
tornando inconteste sua primazia neste invento. No mês seguinte
repetiu o feito, ganhando o prêmio do Aeroclube de França.
Em 1908 inventou o ultraleve, um pequeno avião
de passeio que apelidou de Demoiselle. Inventou também
o relógio de pulso, para o joalheiro Cartier, e a asa delta,
mas, sendo um idealista, nada patenteou. Por isso muitos países
não admitem sua primazia, que é inconteste pela farta
documentação existente.
Ficou muito desgostoso com a aplicação militar do
avião durante a Primeira Guerra Mundial, em 1914. Considerava-se
culpado pelos mortos por ataques aéreos, bem como pelos acidentes
aeronáuticos, fator que agravou sua saúde física
e mental. Radicado no Brasil desde 1929, faleceu em Guarujá,
a 23 de julho de 1932, suicidando-se com o desgosto de ver aviões
do Governo bombardeando São Paulo durante a Revolução
Constitucionalista.
Em vida, recebeu muitas homenagens. O Governo Federal comprou a
sede da Fazenda Cabangu e a entregou a Santos Dumont. Após
sua morte, foi convertida em museu.
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ARQUITETURA DE COPACABANA Colaboraram nesta reportagem Marcia Araujo (texto e fotos), Alexandre Macieira e Américo Medeiros (fotos) Um
país se faz com história. Aos 114 anos, Copacabana
ajuda a contar a história do Brasil através das
Edifício América Rua Ministro Viveiros de Castro, 110 Muito simples, em estilo art-déco, com hall de ingresso em mármore rosa com listras em rosa escuro. Erguido na década de 1930. No fundo do prédio sobrevivem cinco grandes árvores: um oitizeiro, duas amendoeiras e dois algodoeiros do Pará. As cinco árvores existentes nos fundos são tombadas pela Municipalidade desde 1991.
Edifício Caxias Rua Ministro Viveiros de Castro,116 A fachada fortemente marcada pelas verticais que criam um jogo muito interessante, pleno de força e criatividade. Em estilo art-déco. Erguido na década de 1930.
Edifício Ophir (Fotos 1, 2, 3)Rua Ronald Carvalho, 154 Esquina da Rua Ministro Viveiros de Castro -Sem dúvida o prédio mais coerente deste grupo. Nele toda a decoração em estilo art-déco repete o mesmo desenho de ângulos retos ascendente até o centro, seja nas grades, como no corte dos mármores do corredor de ingresso, seja nos arcos. Tudo chegando à sua realização mais rica na porta de cristal bizotado, onde as linhas que descem dos ângulos terminam em delicadas espirais. Edifício Tuyuti (Foto 4)Rua Ministro Viveiros de Castro, 100 Muito simples, com porta interessante onde são notáveis os agradáveis conjuntos de flores tipicamente art-déco no seu geometrismo.
Detalhes da entrada do Edifício Itahy - NS Copacabana, 252
1.Fundada em 1948, a Galeria Menescal conserva seus belíssimos afrescos na cúpula da Galeria. Edifício Santa Helena , na Rua Ronald Carvalho, 132, da década de 30 e possui bela portaria.
Residência Unifamiliar
Av. Atlântica, 3.804 Erguida em 1927 sob projeto em
estilo art-déco do arquiteto Júlio de Abreu Júnior,
foi uma obra pioneira dentro da arquitetura moderna no Rio de Janeiro.
É uma das últimas residências da orla de Copacabana.
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BAIRRO DO PEIXOTO ( BAIRRO PEIXOTO) O Comendador Paulo Felisberto Peixoto da
Fonseca nasceu a 14 de dezembro de 1864, em Portugal, vindo para o
Rio de Janeiro com 11 anos. Dedicou-se ao comércio de secos
e molhados, onde prosperou muito. Após alguns anos adquiriram
uma mercearia. Depois de 1898 passou também a administrar
bens imobiliários de lusitanos no Brasil, quando então
adquiriu imensa chácara no areal de Copacabana, entre as ruas
Figueiredo Magalhães e Santa Clara. Viúvo em 1929 de
Dona Orminda Cunha, brasileira, e sem filhos, passou a se dedicar
a obras de caridade. Ainda em vida doou todos os seus principais
bens para instituições beneficentes lusitanas, sendo
que os terrenos de Copacabana foram repartidos entre várias
entidades de assistência social e hospitalar de Portugal e do
Brasil, principalmente à Caixa de Socorros D. Pedro V. Esta
última, solicitou à Prefeitura em 1939 o loteamento
das terras de Copacabana, tendo o engenheiro José de Oliveira
Reis projetado as ruas Henrique Oswald, Maestro Francisco Braga, Décio
Vilares e Praça Edmundo Bittencourt, surgindo então
o que se chamou Bairro do Peixoto. Ao contrário do restante de Copacabana,
somente foram autorizadas construções de poucos pavimentos
ou unifamiliares, evitando assim a verticalização do
bairro. A única exceção, o edifício São
Luiz Rei, desabou fragorosamente em 1951, poucos dias antes de sua
inauguração. A atriz Beth Mendes, o jornalista Arthur Xexéo, a produtora Denise del Cueto e o saudoso Contijo Teodoro escolheram o Bairro Peixoto como moradia. |
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FORTE DUQUE DE CAXIAS - LEME
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MUSEU HISTÓRICO DO EXÉRCITO E FORTE DE COPACABANA
O Forte de Copacabana teve atuação discreta durante
a Segunda Guerra Mundial, tendo dado seus últimos disparos
efetivos em novembro de 1955, contra o Cruzador Tamandaré,
que se rebelara e fugira para São Paulo, levando a bordo
o presidente deposto, o Sr. Carlos Luz, bem como parte de seu ministério
e aliados. Foram feitos doze disparos durante vinte minutos, sem,
no entanto, atingir a embarcação, que estava desarmada
e só com uma hélice funcionando. Em 1964, o Forte
não aderiu ao movimento militar de 1o. de abril, tendo sido
tomado pela força de terra enviada pelo Coronel Cézar
Montagna, ocorrendo então o famoso "episódio
da bofetada", quando o dito Coronel derrubou a sentinela da
entrada com um golpe de mão, invadindo e tomando a fortificação,
sem o uso de armas. Durante o regime militar, serviu o Forte de
Copacabana de presídio político.
Desativado totalmente em 1986, foi reaberto no ano seguinte como
Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana,
muito ampliado em meados da década de noventa por ordem do
Ministro do Exército Zenildo de Lucena, sendo suas instalações
equipadas com os mais modernos processos museológicos, tornando-se
importante bem cultural da cidade e repositório de elevadas
tradições militares. A área de entorno, cujos
terrenos chegam ao Arpoador, igualmente tornou-se notável
área de lazer para a população carioca, sendo
palco de eventos marcantes, particularmente no Reveillon, onde há
artística queima de fogos e disputada recepção.
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O
PALÁCIO DO MAR - HOTEL COPACABANA PALACE
Octávio Guinle adquiriu então um alqueire de terras
na Praia de Copacabana, que naquela época ainda era ocupada
escassamente por algumas casas. O terreno dava frente para a Avenida
Atlântica, alargada em 1919 por Paulo de Frontin. Contratou-se
o afamado arquiteto francês Joseph Gire, o qual projetou um
estabelecimento bastante calcado nos modelos dos hotéis Negresco
e Carlton, de Nice, na Côte D`Azur. Foi entregue a construção
ao engenheiro brasileiro César Mello e Cunha. Dificuldades
de importação de materiais de construção,
quase todos vindos da França, bem como o transporte dos mesmos
para o Brasil e para Copacabana, assim como também os profundos
alicerces de 14m exigidos e para a confecção dos quais
ainda não tínhamos tecnologia, atrasaram de muito a
obra, somente possível de ser inaugurada em 13 de agosto de
1923, quase um ano após o encerramento da dita Exposição
Internacional. Na noite de estréia, deveria ocorrer um show
com a artista francesa Mistinguett, mas seu contrato com o Teatro
Lírico a proibiu.
O Presidente Arthur Bernardes, sucessor de Epitácio Pessoa,
tentou em 1924 cassar a licença para nele funcionar um cassino,
haja vista que a construção do mesmo ultrapassara o
prazo estipulado pelo Governo. Depois de longa pendência judicial,
a família Guinle obteve ganho de causa em 1934. A visão
de Octávio Guinle mostrou-se correta e logo se tornou o Copacabana
Palace lugar de encontro da sociedade brasileira e de celebridades
internacionais, ultrapassando de muito a tímida visão
espalhada pela crítica da época de que ninguém
se hospedaria em hotel tão distante do centro. Nesses primeiros
dez anos de vida, o Copacabana Palace foi palco de eventos históricos
e dramáticos.
Ainda em construção, sofreu violenta ressaca em 1922,
que lhe destruiu toda a Avenida Atlântica e causou-lhe danos
nos pavimentos inferiores. Em 1925 hospedou a primeira personalidade
mundial, na figura do cientista Albert Einstein. Em 1928, num de seus
salões, foi alvejado por uma bala o Presidente Washington Luís,
num tiro dado por sua amante francesa durante um arrufo. O Presidente
foi socorrido pelo médico Francisco de Castro e o episódio
abafado. No mesmo ano, em dezembro, hospedou-se no Copacabana, em
profunda crise de depressão, o inventor Alberto Santos Dumont,
já com a mente bastante debilitada e muito triste ao presenciar,
na sua chegada ao Brasil, um horrível acidente aéreo,
quando o avião que jogaria pétalas de flores em seu
barco bateu na água, na Baía de Guanabara e explodiu,
matando seus doze ocupantes.
Em 1933 o Copacabana Palace seria conhecido internacionalmente por
um filme realizado em Hollywood, "Flying down to Rio", com
Dolores Del Rio, Fred Astaire e Ginger Roger, ambientado no hotel,
mas todo realizado em estúdios nos Estados Unidos, com cenários
pintados do Rio de Janeiro e a praia de Malibu "dublando"
Copacabana. O filme foi um sucesso e tornou o hotel famoso mundialmente
da noite para o dia. Em 1934, foi construída a piscina do hotel,
em projeto de César Mello e Cunha, depois ampliada em 1949.
Em 1938 inaugurou-se o "Golden Room", com show de Maurice
Chevalier.
O Príncipe Edward de Gales, futuro Rei Edward VIII da Inglaterra,
bem como seu irmão Jorge, igualmente futuro monarca britânico,
se hospedaram no Copa em 1931, tendo Edward protagonizado um rumoroso
episódio constrangedor para a Família Real Britânica
ao se apaixonar por uma senhora brasileira, Negra Bernardez, desquitada
e mãe de dois filhos, a qual ele queria levar de todo o jeito
para a Inglaterra e com ela se casar. Em seus arroubos, chegou a intentar
um vôo num avião experimental trazido desmontado em seu
navio para impressionar sua amada, jogando-lhe flores do alto sobre
sua casa, no que foi dissuadido do ato por seus assessores. Não
se refez do episódio, tomando "homérico" porre
e jogando-se todo fardado na piscina do Country Club de Ipanema. Anos
depois, Edward, já Rei da Inglaterra, renunciaria ao trono
para casar com a desquitada americana Lady Simpson, com quem viveu
o amor de sua vida. Quanto à Negra Bernardez, a mulher que
recusou ser rainha da Inglaterra, era mãe do afamado colunista
social Manuel Bernardez Müller (Maneco Müller).
A Segunda Guerra Mundial tornou o Copacabana Palace o único
hotel de turismo de porte capaz de hospedar a elite internacional
sem sofrer do perigo de um bombardeio. Foram os anos áureos
do hotel. A política de boa vizinhança para com os Estados
Unidos, estabelecida em 1942, fez com que grandes personalidades daquele
país nos visitassem e se hospedassem no Copa. Praticamente
todos os grandes atores de Hollywood nele tiveram pouso: Clark Gable,
Edward G. Robinson, Fred Astaire, Dolores Del Rio (finalmente no Copa!),
Katerine Hepburn, Lana Turner, Marlene Dietrich (que realizou show
memorável em 1959), Orson Welles (que "morou" seis
meses no hotel em 1942, e que num acesso de fúria jogou os
móveis de seu quarto na piscina...), Walt Disney (que nele
esboçou o personagem "Zé Carioca"), Josephine
Baker (que manteve encontro furtivo com Le Corbusier), e muitos outros.
Após a guerra, com a proibição do jogo em abril
de 1946, passou o Copacabana Palace por ampla reforma, que lhe aumentou
a capacidade, acrescentando dois andares ao prédio principal,
mais a pérgula lateral, que se tornou ponto de encontro da
sociedade brasileira e estrangeira, e ergueu-se o anexo nos fundos,
inaugurado em 1949. No antigo cassino foi instalado o teatro Copacabana,
responsável pelo lançamento de muitos talentos da dramaturgia
nacional. Fez a reforma do Copa o arquiteto Wladimir Alves de Sousa,
que soube preservar a ambiência antiga do hotel. O anexo tornou-se
logo lugar não só para residência de hóspedes
ilustres, como também para encontros furtivos importantes,
pois existia uma elaborada passagem subterrânea, por detrás
do salão de cabeleireiro, que conduzia quem não quisesse
ser visto daquele lugar até o anexo. Devem ter sido encontros
extremamente apaixonados, pois pelo menos dois amantes morreram do
coração, um deles importante senador da República
por São Paulo e outro um respeitável banqueiro carioca...
Quem quase morreu no Copa, mas de coração partido, foi
a grande cantora nacional Carmem Miranda, frustrada pelo fracasso
de seu casamento. Carmem trancou-se em seu quarto em dezembro de 1954
e pensou seriamente em se matar, desistindo após olhar a bela
paisagem da orla de Copacabana da janela de sua suíte. Carmem,
aliás, seria muito mais lembrada pela alegria que exarava em
seus shows no Golden Room que por este episódio, que com o
tempo lhe levaria à morte em agosto de 1955.
Os anos cinqüenta foram o canto-do-cisne da fase áurea
do Copacabana Palace, que entra em lenta decadência após
a transferência da capital para Brasília em 1960. Continuou
como um importante hotel da cidade, servindo de pouso a visitantes
ilustres do Rio de Janeiro (como os astronautas da Apolo 11), palco
da vida social da cidade, onde famosos cronistas sociais iam buscar
matérias para suas colunas, até ser superado por hotéis
mais modernos na década de setenta. Em 1985, quando intentaram
sua demolição, foi tombado pelas três esferas:
IPHAN (Federal), INEPAC (Estadual) e DGPC (Municipal). Em fins da
década de oitenta a família Guinle, na figura de seu
herdeiro e presidente José Eduardo Guinle, vendeu-o em 1989
ao grupo "Orient Express", que o reabilitou, modernizando
velhas instalações sem descaracterizá-las.
Presentemente é o Hotel Copacabana Palace um dos mais importantes
estabelecimentos hoteleiros da cidade, com modernas 236 acomodações
palacianas e dos mais queridos bens culturais do Rio de Janeiro, local
de confluência de vários episódios importantes
do século XX, sendo preciosa lembrança de uma época
de fastígio e esplendor, único bem deste gênero
sobrevivente na cidade.
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A PRIMEIRA LIGAÇÃO ENTRE O BRASIL E A EUROPA ATRAVÉS DE UM CABO SUBMARINO. Tendo em vista o 114º
aniversário do bairro de Copacabana passar agora a 6 de julho,
relembro aqui uma outra data importante para o Brasil onde nosso futuroso
bairro serviu de palco. A da ligação do cabo submarino
com a Europa, ocorrida há 153 anos atrás e que representou
para nossa terra um evento tão ou mais importante que a implantação
da moderna Internet há pouco mais de dez anos. |
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A Igrejinha de Copacabana Pesquisa iconográfica realizada por Milton de Mendonça Teixeira - maio de 2.003. Clique nos links abaixo para ver |
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A FONTE DA POLÊMICA
É
uma das obras de arte mais interessantes e menos conhecidas das que
existem nos jardins do Rio. Aqui, em poucas linhas, conto um pouco de
sua história. Durante o ano de 1905, a cidade passava por extensa remodelação urbanística realizada no quadriênio do presidente Rodrigues Alves. O prefeito Francisco Pereira passos estava por trás das grandes obras, mas algumas delas, como a remodelação do pôrto e a abertura da avenida Central, corriam por conta do Governo Federal.
Adquiriram um bloco de mármore de Carrara alvíssimo, com 37 toneladas e sete metros de altura, onde foi esculpida a ampliação da "Mocidade". Entretanto, na hora de transportá-lo, ficou muito incômodo seu embarque, o que obrigou o artista a serrá-lo em sete partes, vindo para o Brasil perfeitamente acondicionado e acompanhado por pessoa idônea que também cuidou da montagem e assentamento. Colocada nos jardins da Glória, mais ou menos onde hoje está a saída da estação do Metrô, foi inaugurada a 24 de janeiro de 1906. O Jornal do Commércio do dia seguinte noticiou a festa: "Com
a presença do Presidente da República, é inaugurada,
no jardim da praça da Glória, a "fonte artística"
oferecida à cidade pelo comerciante de vinhos Adriano Pinto. Foi ontem inaugurada, no jardim da praça da Glória, a fonte artística. Nenhum Ministro de Estado compareceu e apenas se fizeram representar o da Guerra e o da Viação. O local estava enfeitado com folhagens e galhardetes, sobressaindo as cores nacionais, francesas e portuguesas.
Finda essa alocução o Sr. Dr. Pereira Passos convidou o Sr. Presidente da República e demais convidados a servirem-se de uma mesa de doces que lhe estava reservada no English Hotel. Ao champagne o Sr. Olavo Bilac, em nome do Sr. Prefeito, saudou o comércio luso-brasileiro e agradeceu a firma Adriano Ramos Pinto & Irmãos a oferta da fonte...".
Mas as qualidades artísticas da obra falaram mais alto e a fonte ali permaneceu por quase trinta anos, até que, em 1935, o prefeito Pedro Ernesto mandou removê-la para a entrada do túnel do Leme. Até 1983 funcionou como fonte, quando então foi suspenso o abastecimento dágua e a estátua foi cercada por horrendas grades, pois havia se convertido em banheiro de mendigos. Vinte e três anos depois, essa obra de arte tão delicada ainda fica exposta às agressões de vândalos e da natureza; aqueles rostos finos, aqueles polidos contornos, sofrerão com o tempo desgastes que bem melhor seria evitar. Milton de Mendonça Teixeira. |
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Avenida Nossa Senhora de Copacabana - 1892/1965 Pesquisa iconográfica realizada por Milton de Mendonça Teixeira - maio de 2.003. Clique nos links abaixo para ver |
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Cine Atlântico - Entre Ruas Siqueira Campos e Figueiredo Magalhães - 1.923. |
J. Gutierrez - Estação de Bondes - Esq. de Siqueira Campos - 1892 |
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PLANO DA BARRA DA TIJUCA A auto-estrada Lagoa-Barra, projetada em meados da década de sessenta, foi a certidão de nascimento do novo bairro da Barra da Tijuca, projetado pelo urbanista Lúcio Costa neste mesmo ano de 1968, e implementado em 1969. Pensou-se, assim como em Brasília, fazer a dupla de arquitetos Lúcio Costa-Oscar Niemeyer todo o projeto da Barra. Lúcio ficaria com o planejamento urbano, Oscar construiria os edifícios. O padrão da arquitetura da Barra seria o que fora utilizado pelo mesmo Oscar Niemeyer na torre do Hotel Nacional, executado em 1971 no bairro de São Conrado. Mas a especulação imobiliária falou mais alto e ninguém quis saber das torres envidraçadas de Niemeyer.
HISTÓRIA DA BARRA DA TIJUCA Os primeiros habitantes da Barra da Tijuca foram os índios tamoios, que mantinham uma grande taba próxima onde hoje está a lagoa do Camorim. Seu nome era Guará-Guassú-Mirim (literalmente filhote de lobo grande). Em 1565, Estácio de Sá doou essas terras ao sesmeiro Antônio Preto, que nada fez com elas. Em 1570, Salvador de Sá, terceiro governador do Rio de Janeiro, mandou para a região diversos trabalhadores braçais índios, chefiados pelo cacique Mandu, para revolver a terra e plantar cana-de-açúcar. Ao que parece, a aldeia de Guará-Guassú-Mirim já havia sido extinta, ou os índios já teriam se mudado, receando contatos com seus novos donos da terra. Em 1594, Salvador transferiu as posses territoriais de toda a zona oeste da cidade a seus dois filhos: Martinho e Gonçalo. A Martinho, menos empreendedor que o irmão, mas, por sua vez, mais afeito a aventuras, ficou com a várzea de Jacarepaguá (cuja tradução é lagoa chata dos jacarés). A Gonçalo, caberia toda a restinga de Jacarepaguá, áreas planas e praianas correspondentes às atuais praias do Vidigal, Gávea e Barra da Tijuca. Em setembro de 1594, Gonçalo fundou o Engenho Camorim, próximo à lagoa do mesmo nome (dentre as possíveis traduções de Camorim, está a de robalo, um dos peixes abundantes no local). Por muitos anos, a restinga da Barra da Tijuca foi tomada por extenso canavial. Em 1624, o Prelado Mateus da Costa Aborim, autorizou o funcionamento da capela de São Gonçalo do Amarante, minúscula capela que ainda existe tal e qual, em Vargem Pequena. Em março de 1634, com diferença de dias, faleceram os dois irmãos Martinho e Gonçalo. Herdou as terras de Martinho o poderoso general e futuro Governador do Rio de Janeiro Salvador Correia de Sá e Benevides, de cuja memória os cariocas sempre guardaram a fama de ter sido homem atrabiliário e cruel. Por sua vez, a herdeira da Barra da Tijuca foi Da. Vitória de Sá, que não quis saber de administrar engenhos, pois se casou com o Governador de Assunção, D. Luís de Céspedes Xeria, mudando-se para as terras do marido, na América espanhola. Era a época da União das Coroas Ibéricas (1580-1640), onde as duas Américas foram apenas uma só propriedade, mesmo que só por um espaço de sessenta anos. Depois de 1640, Da. Vitória de Sá, já viúva, retornou ao Brasil, só para saber que seu primo, na sua ausência, havia invadido suas posses e, literalmente, tomado a propriedade, que julgava abandonada. Da. Vitória teve de sustentar imensa batalha judicial com o primo Salvador, cada um alegando nos tribunais suas razões. Tendo obtido ganho de causa e não mais desejando desgastar-se em processo tão pouco compensador, Da. Vitória de Sá doou todas as suas posses em agosto de 1667 aos monges do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, o que só fez acirrar a luta na justiça, agora, de um lado, os influentes monges; do outro, o poderoso general. Onze anos depois, finalmente os monges obtiveram vitória completa na justiça, passando a gerir o engenho Camorim sem interferências do vizinho. Eram imensas suas terras. Iam da enseada do Vidigal à Pedra de Guaratiba, abrangendo em profundidade terras que iam até Curicica, o maciço da Pedra Branca, etc. No mesmo ano de 1678, Frei Bernardo de São Bento, monge-arquiteto do Mosteiro de São Bento, traçou a primeira estrada em plagas tão distantes. A estrada velha do engenho, hoje Rodovia dos Bandeirantes. O nome de Rodovia dos Bandeirantes é recente, haja vista que data de 1950, quando um grupo empresarial paulista tentou criar o loteamento Recreio dos Bandeirantes, de efêmera existência, próximo ao maciço da Pedra Branca. Com o tempo, os beneditinos se entenderam com a família Sá e prolongaram essa estrada por toda Jacarepaguá, atingindo a Penha. Os monges não podiam comer carne, mas podiam comercializá-la. Descobriram que a restinga produzia ótimas pastagens e passaram a criar gado de corte, cujas enormes manadas conduziam pela estrada velha do engenho até a Penha, onde eram abatidas e embarcadas para a praça do Rio de Janeiro e ali comercializadas. Um revés sério foi a invasão francesa de setembro de 1710, do qual o engenho Camorim não escapou. O corsário bretão Jean François Duclerc intentou tomar a cidade do Rio de Janeiro em 10 de setembro de 1710, a mando do Rei Luís XIV de França, que assim queria punir os portugueses por não se aliarem aos franceses na guerra contra Espanha. Rechaçado pela Fortaleza de Santa Cruz, margeou a orla até Guaratiba, onde desembarcou mil homens de seis navios. Deve de ter sido um fabuloso contraste, da natureza luxuriante com o luzidio uniforme vermelho dos soldados do Rei de França. Sem resistência séria, atravessou o maciço da Pedra Branca pela Grota Funda, ocupou militarmente o engenho Camorim e, servindo-se da ótima estrada do engenho, atravessou Jacarepaguá, saqueando os engenhos ali existentes e contando com ajuda dos escravos, que guiaram os franceses pelas trilhas até a cidade, onde acabaram derrotados duas semanas depois. Sofreu muito o engenho Camorim, que teve suas instalações depredadas e saqueadas, o rebanho roubado e a plantação arruinada. Com o fito de melhor administrar tão grandes terras, resolveram os beneditinos subdividir o engenho em três: Camorim, Vargem Grande e Vargem Pequena, sendo que, este último, fornecia apenas alimentos e provisões aos outros dois. Ainda existem ruínas da casa-grande do engenho Vargem Grande, dentro de uma propriedade particular, o Sítio Petra, na Estrada dos Bandeirantes, 10.636, de propriedade da Sra. Vera Cavalcanti. Dos outros, nada mais resta. No lugar da casa-grande do engenho Camorim, existe hoje o complexo do Riocentro. O século XIX presenciou a decadência dos canaviais ao redor da cidade e, porque não dizer, da própria ordem beneditina, que enfrentou confisco de muitas de suas propriedades pela Família Imperial. Em 1893, o Abade Prior Frei Manuel de Santa Catarina Furtado empenhou as terras da Barra da Tijuca ao Banco de Crédito Real em Liquidação. Não conseguiu resgatar o empenho, perdendo a posse de tudo para o dito banco no ano seguinte. Furtado chegou a ser penalizado pelo Papa, mas justificou-se. Era mais importante o sacrifício de uma propriedade improdutiva para manter outras, que perder tudo por nada. O banco tentou lotear alguns trechos da Barra da Tijuca, mas a falta de saneamento básico e infra-estrutura fez todos os planos gorarem. Para piorar, uma série de disputas judiciais sobre as terras da barra entravou todos os projetos de loteamentos. Em 1958, a maior parte do espólio do banco foi adquirido pelo empresário tailandês Tjong Ijong Hoei, que passou a administrar a firma criada para gerir tão grande território, a Empresa de Saneamento Territorial Agrícola - ESTA S.A. Em 1968, o Governador do Estado da Guanabara, Francisco Negrão de Lima, convenceu os três maiores empresários, donos da quase totalidade das terras da baixada de Jacarepaguá, a se unirem para aceitar o plano urbanístico encomendado pelo governo ao arquiteto e urbanista Lúcio Costa para urbanização da Barra da Tijuca. O motivo não poderia ser mais premente: a cidade estava com a zona sul completamente ocupada, sem espaço para a crescente expansão urbana. Múcio Athaíde, advogado e grande proprietário da Barra; Sérgio Dourado, incorporador imobiliário e o tailandês Hoei assinaram um acordo de interesse mútuo com o objetivo de respeitar as regras do Plano Lúcio Costa e de implementar ali uma cidade modelo destinada a mudar o estilo de vida no Rio de Janeiro. Planos mirabolantes saíram do papel e, realmente, por alguns anos, as idéias de Lúcio Costa foram levadas à sério e a cidade foi implementada. Lúcio Costa elaborou um plano simples. Dois grandes eixos viários cruzando-se ortogonalmente. À volta deles, situar-se-iam os diversos empreendimentos. Sobre o eixo transversal ao mar, estariam os serviços, shoppings e centros de lazer. No eixo longitudinal, ficariam as áreas residenciais. Quanto a essas áreas destinadas à moradia, os terrenos seriam divididos basicamente em três partes. Na primeira, seriam edificadas grandes lâminas verticais. No segundo terço, residências horizontais, geralmente unifamiliares. Finalmente, no último, áreas de preservação ambiental ou serviços. Os prédios altos seriam isolados uns dos outros, separados por áreas generosas de lazer. Era um plano revolucionário para os padrões urbanísticos do Rio de Janeiro, inclusive pela previsão de amplas áreas livres, sem construções, com largo espaçamento entre os prédios. Entretanto, abria espaços perigosos para a especulação, deixando amplas áreas sem definir as funções no projeto original e era teórico demais em algumas questões básicas para dar certo. Muitas questões eram utópicas, e fora de nossa realidade social. A pior delas é que pressupunha que a cidade teria um desenvolvimento constante e ordenado até o ano 2.000, baseado numa premissa de uma estabilidade econômica que logo deixou de existir. As boas idéias igualmente não suportaram a novidade de deixar tantas áreas abertas ao lazer. Logo o plano foi desvirtuado e, depois de 1975, abandonado. A SUDEBAR, Superintendência de Desenvolvimento da Barra, foi criada logo de início para adaptar o plano de Lúcio Costa à realidade local, mas esta não sobreviveu muito tempo à Fusão dos dois Estados (Guanabara e Rio de Janeiro), em março de 1975. Em breve, a SUDEBAR passou a servir apenas para legitimar as transgressões ao plano original, fato denunciado pelo próprio arquiteto Lúcio Costa, que a dirigia, e que logo se demitiu. Entretanto, devem ser ressaltados seus méritos. Mesmo trinta e seis anos após a elaboração do Plano Lúcio Costa, a Barra da Tijuca ainda é o bairro mais bem projetado do Brasil, e onde se tem uma das melhores qualidades de vida. Se ainda faltam elementos básicos de infra-estrutura, como esgotos e saneamento, é, entretanto, inegável que a cidade surgida dali vingou e seus moradores sentem-se extremamente orgulhosos e privilegiados de ali residir.
LÚCIO COSTA - DADOS BIOGRÁFICOS Arquiteto e urbanista, nasceu em Toulon, França, a 27 de fevereiro de 1902, sendo filho do Almirante Ribeiro da Costa. Passou a maior parte da infância na Europa, retornando ao Brasil em 1917, quando se matriculou na Escola Nacional de Belas Artes. Formado em 1924, integrou o escritório de arquitetura do professor Archimedes Memória. Após fazer muitos prédios no estilo neocolonial, descobriu que esse estilo era algo retrógrado e incoerente com a realidade nacional, evoluindo para o modernismo, sob a influência de Le Corbusier (1929-30). Elevado ao posto de diretor da Escola Nacional de Belas Artes pela Revolução de 1930, defendeu a arte e arquitetura moderna, causando grande polêmica. Formou escritório particular de arquitetura moderna com o arquiteto russo naturalizado Gregori Warchavchik (1931-35), empregando alunos que depois se tornariam figuras de primeira plana na arquitetura brasileira, como Jorge Machado Moreira, Ernâni Vasconcellos, Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy e Oscar Niemeyer, tendo também muito estimulado as experiências paisagísticas de Roberto Burle Marx. Em 1936 foi escolhido para projetar a sede do novo Ministério da Educação, Cultura e Saúde Pública, o que realizou com a equipe de arquitetos cariocas, sob a orientação de Le Corbusier, que veio especificamente ao Brasil para isso. Revelou o talento de Oscar Niemeyer, entregando-lhe a direção dos trabalhos. Fez muitos projetos de residências e prédios no Brasil e estrangeiro. Dos grandes projetos, podemos citar: sede social do Jóquei Clube, na avenida Presidente Antônio Carlos, no Castelo (1956-68); Casa do Brasil, na Cidade Universitária, em Paris (1957-60); Plano Piloto de Brasília (1957); Plano de Urbanização da Barra da Tijuca (1968-75), etc. Publicou vários estudos na Revista do SPHAN, que ajudou a fundar, e obras isoladas, como: Considerações sobre Arte Contemporânea (1952); A Crise na Arte Contemporânea (1959), e outros. Faleceu no rio de janeiro em fins de 1998.
FRANCISCO NEGRÃO DE LIMA - DADOS BIOGRÁFICOS Político e diplomata. Nasceu em Vila Nepomuceno, Minas Gerais, em 1901. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte, onde colaborou em O Estado de Minas e foi diretor da sucursal de O Estado de São Paulo. Em 1933, elegeu-se deputado federal pelo seu Estado, reelegendo-se na legislatura seguinte. Foi embaixador no Paraguai, na Venezuela e na Bélgica, Secretário de Administração do antigo Distrito Federal na gestão Mendes de Morais (1946-51); Ministro da Justiça no governo Vargas, em 1951; prefeito do Distrito Federal em 1956-58, criando em sua gestão a SURSAN; e, em 1958-59, Ministro das Relações Exteriores no governo JK; de 1959 a 1963, foi embaixador em Portugal. Em 1965, elegeu-se, por maioria absoluta, governador do Estado da Guanabara, exercendo o mandato até sua conclusão, em 15 de março de 1971. Durante sua gestão, realizou vigoroso plano de obras, tendo completado as de seu antecessor (túnel Rebouças, Aterro do Flamengo, Trevo das Forças Armadas, etc.) e realizado muitas outras, como a urbanização da Lagoa, Catumbi e Cidade Nova, a duplicação da avenida Atlântica e a ocupação da Barra da Tijuca, seguindo o plano Lúcio Costa. Iniciou o Metrô e colaborou com o governo federal na implantação da Ponte Rio-Niterói. Após 1971 retirou-se da vida pública, dedicando-se à sua vida particular. Faleceu há poucos anos quase centenário.
AVENIDA AYRTON SENNA - ANTIGA VIA 11 OU ALVORADA Projetada por Lúcio Costa em 1968 e aberta no ano seguinte, faz parte do plano viário da Baixada de Jacarepaguá e foi a primeira ligação direta entre o litoral da zona sul e a região norte do antigo Estado da Guanabara. Tem por objetivo permitir a integração da Barra da Tijuca e o interior e adjacências de Jacarepaguá, em sua ligação com a avenida Geremário Dantas, rua Cândido Benício, e outra até a avenida Brasil. Assim, os habitantes de Madureira, Cascadura e outros bairros da Zona Norte, poderiam alcançar a faixa litorânea nos seus 20km de praia. A extensão total é de 6.000 metros, compreendendo os seguintes trechos: a)- trecho Barra-Lagoa de Camorim, com 2.800 metros; b)- trecho Lagoa-Camorim-Jacarepaguá com 3.200 metros; sobre a Lagoa de Camorim, foi construída uma ponte de concreto com 60m de extensão. Nesta zona do traçado da antiga Via 11, o terreno é tortuoso, o que dificultou a construção.
AYRTON SENNA (DA SILVA) - DADOS BIOGRÁFICOS O paulista Ayrton Senna, nascido em 1960, foi o mais brilhante piloto de corridas da sua geração, desde os tempos do kart, onde foi o brasileiro que mais ganhou provas. Na Fórmula Ford 2000, na Inglaterra, foi novamente o piloto de maior número de vitórias, na maioria delas, fazendo a melhor volta, saindo na pole e em muitas batendo recordes das pistas. Na Fórmula 3, outra carreira brilhante: chegou a ganhar nove provas seguidas, um recorde mundial. Ganhou o campeonato vencendo 12 das 20 corridas, ficando em segundo em duas e saindo na pole em 16. Em 1984, passou para a Fórmula 1, categoria em que se transformou em ídolo mundial. No primeiro ano, com um fraco Toleman, ficou em 9o. lugar. No ano seguinte, com a Lótus, pulou para o 4o. foi 3o. em 1987. Pilotou o segundo carro da McLaren em 1988, companheiro de Alain Prost, e ganhou o campeonato. Foi vice em 1989, bicampeão em 1990 e tri em 1991. Em 1992 e 1994, começou a supremacia técnica das Williams, que ganharam o campeonato, embora Senna tenha arrancado algumas vitórias na raça. No início da temporada de 1994, traído por uma falha mecânica fatal, Senna ultrapassou seu limite, batendo na curva Tamburello, no Autódromo de Ímola, em 01o. de maio de 1994. Foi sepultado em São Paulo.
LINHA AMARELA - BARRA - LINHA VERMELHA Importante via expressa, com 17,5km de extensão, ligando a baixada de Jacarepaguá à Linha Vermelha, na altura da Ilha do Governador, atravessando a serra dos Três Rios, sendo dotada de notáveis obras de arte, aí se incluindo quatro túneis, pontes, trevos e viadutos. Começa na avenida Ayrton Senna, na altura de Cidade de Deus, ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Pena. Passa por três pequenos túneis em Jacarepaguá, logo depois entrando no quarto, o maior do Rio de Janeiro, com 3.100m, escavado na rocha do maciço da serra dos Três Rios, desembocando no subúrbio de Lins de Vasconcelos. Em seguida percorre os arrabaldes de Encantado, Engenho de Dentro, Cintra Vidal, Cachambi, Del Castilho, Bonsucesso e Manguinhos, fazendo então conexão com a avenida Brasil pelo trevo do viaduto Sampaio Correia; prosseguindo por mais mil metros, atinge a Linha Vermelha na altura da Ilha do Fundão. Apesar de projetada desde 1968, como parte da antiga Via 11, só foi iniciada em 1994, sendo inaugurada em 1996. Beneficia em muito a população suburbana, que passou a contar com esta importante ligação Zona Norte/Zona Oeste, desafogando o trânsito que então se fazia por tortuosas vias periféricas, ou pelo Túnel Rebouças.
PARQUE ARRUDA CÂMARA (BOSQUE DA BARRA) - AVENIDA DAS AMÉRICAS Localizado na Barra da Tijuca, na avenida das Américas, esquina de avenida Ayrton Senna, próximo ao Terminal Rodoviário Urbano. Ocupa 500 mil m2 de área preservada de vegetação de restinga. Sua flora nativa serve de refúgio a aves e pequenos animais, que ali encontram condições ideais de reprodução. O Bosque da Barra também possui lagos naturais, áreas de areal, pista de Cooper, playground, ciclovias e campo de futebol.
IGREJA DE NOSSA SENHORA DA PENA - JACAREPAGUÁ A primitiva igreja era de proporções menores, tendo sido acrescentadas alas laterais com duas portas, além da central. Esta igreja foi assinalada por Frei Agostinho de Santa Maria, no livro Santuário Mariano, datado de 1723, e ele presume que a construção tenha ocorrido durante o ano de 1664. Data de então, segundo Frei Agostinho de Santa Maria, a devoção que se formou em torno de Nossa Senhora da Pena, motivando constante procura de parte de romeiros e pagadores de promessas. No ano de 1770, após longo período de abandono e ruína, a capela foi restaurada, atraindo novamente multidões de devotos. José Rodrigues de Aragão foi o devoto que a recuperou e de suas doações são as ricas alfaias de prata, imaginárias e pinturas. Na capela mór, cuja talha é datável de 1770, encontra-se a imagem da Padroeira, de 1750. O teto é ornado com seis grandes pinturas, também datadas de 1770, de autoria ignorada. A nave é ornada com riquíssimos silhares de azulejos historiados com o tema do Novo Testamento, executados em Lisboa no ano de 1755. De seu adro avista-se o Maciço da Pedra Branca, o Morro da Panela e a Baixada de Jacarepaguá.
CAPELA DE SÃO GONÇALO DO AMARANTE - ESTRADA DO CAMORIM Erguida em 1624 segundo provisão do Prelado Mateus da Costa Aborim a pedido de Gonçalo Correia de Sá, proprietário de todas as terras do Engenho Camorim. É uma pequena capela maneirista, muito rústica, com interior simples, ornado com pinturas ingênuas. Sofreu reforma feita pelos monges beneditinos em c. 1750, sem, no entanto, alterar significativamente sua arquitetura. A capela é tombada pelo INEPAC.
OLEGÁRIO DIAS MACIEL - DADOS BIOGRÁFICOS Político. Nasceu em Pitangui, Minas Gerais, em 1855. Foi à época do Império, deputado provincial. Na República, foi constituinte (1890-91) e deputado federal em seu Estado. Consultor técnico do Ministério da Viação, vice-governador e governador de Minas Gerais. Em 1930, foi nomeado general honorário por Getúlio Vargas e nomeado por este interventor em seu Estado. Faleceu em Belo Horizonte em 1933. Seu nome foi inicialmente dado a um logradouro na Gávea, onde é a avenida Padre Leonel Franca. Trinta anos depois foi, finalmente, homenageado na Barra da Tijuca.
BANCO BOAVISTA - AVENIDA MINISTRO IVAN LINS, 30 - BARRA DA TIJUCA. Dentro da política promocional empreendida pelo Banco Boavista, que já na década de 40 revelou intenção de reformular o conceito de espaço bancário através do projeto de Niemeyer para a sede da empresa, os arquitetos Davino Pontual, Paulo de Souza Pires, Sérgio Porto e João do Nascimento Ribeiro, optaram em 1981 por uma linguagem arquitetônica que enfatiza o aspecto tecnológico. A preocupação com a redução no custo de energia orientou implantação, volumetria geral e projeto de instalações especiais. A fachada principal, com fechamento em tijolo de vidro, teve proteção garantida pelo movimento dos planos e pelo pergolado em toda sua extensão. Internamente, as instalações foram deixadas aparentes e pintadas em cores vibrantes. Este projeto recebeu Prêmio Rino Levi, na premiação anual do IAB/RJ em 1983, pelo uso correto dos materiais, preocupação com tecnologia e ambientação térmica.
ESCOLA VEIGA DE ALMEIDA - AVENIDA DAS AMÉRICAS, 3.301 - BARRA. A escola destina-se a abrigar 1.400 alunos em dois turnos para ensino pré-escolar, 1o. e 2o. graus, com área de construção aproximada de 6 mil m2, ocupando terreno plano de 20 mil m2. O projeto, do arquiteto Luiz Eduardo Índio da Costa, de 1975-76, propõe espaços amplos, dispostos em três níveis, concebidos como imensas varandas cobertas. A cada nível foram dispostos volumes independentes da laje de cobertura, destinados às salas de aula. As diferentes atividades didáticas, culturais e administrativas são ligadas por circulações avarandadas promovendo a integração entre alunos. A estrutura modulada (6m x 6m) em concreto aparente permite acréscimo de espaço para atender a eventuais expansões ou adaptações. Complementando o projeto arquitetônico, adotou-se um sistema de informação visual que utiliza a cor para caracterizar atividades diversas, e tem por suporte totens, murais e painéis.
ATHAYDEVILLE - AVENIDA DAS AMÉRICAS - BARRA DA TIJUCA Quando Lúcio Costa, o criador do Plano Piloto de Brasília, percebeu que a Barra da Tijuca, o último recanto do Rio onde a natureza ainda era preservada, estava sendo invadida por loteamentos que ameaçavam torná-la, em pouco tempo, igual a Copacabana, apressou-se em reunir os maiores proprietários da região para lhes propor aparentemente o impossível: construir em apenas um terço do terreno. Para surpresa dos especuladores e sorte da cidade, a proposta foi aceita. Na planície da Barra (20 quilômetros de extensão por 5 de largura, em média), os prédios seriam construídos em ilhas urbanísticas, que se sucederiam com 01 quilômetro de distância uma da outra. Nesses bolsões, Lúcio Costa previu torres altíssimas, de trinta a quarenta andares, que concentrariam a população na vertical. As torres, previstas para ter perfil circular, seriam dispostas de tal forma que a paisagem não ficaria emparedada por uma muralha, como em Copacabana. A primeira dessas ilhas (seriam nove, ao todo, no projeto primitivo), foi o Centro da Barra, depois rebatizado para Athaydeville. Prevista com 76 torres, foi projetada em 1969 por Oscar Niemeyer, o construtor de Brasília. Na proposta, Niemeyer fazia questão de desenhar uma barreira de edifícios, riscá-la e escrever ao lado: Copacabana e Ipanema são péssimos exemplos que não devem ser repetidos. Múcio Athayde, incorporador do Centro, um agitado advogado mineiro nascido em 1934, prometia que os seus desejos de lucros não acabariam transformando a Barra num outro problema urbanístico: A natureza será preservada e a poluição contida. A selva de concreto armado que é Copacabana não mais vai se repetir. Lêdo engano. Falhas no projeto, a falta de conforto nas unidades, os problemas resultantes da forma cilíndrica dada aos prédios, parte deles apenas com algumas unidades voltadas para o mar, o posterior desvirtuamento do mesmo e a utilização de materiais impróprios à construção, somadas a falhas de execução, reduziram as 76 torres cilíndricas a quatro. Somente uma foi completada e habitada. Outra, ficou pronta, mas nunca recebeu o habite-se. As outras duas não passaram dos quatro pavimentos. A construção das torres de Niemeyer parou em 1973. Athaydeville acabou sendo um sucesso imobiliário, mas não seguindo as instruções de Niemeyer. Foram erguidas muitas torres, seguindo um estilo mais tradicional, que fez sucesso em Nova Ipanema e Novo Leblon, condomínios vizinhos surgidos sete anos depois. A floresta de concreto se repetiu e a ecologia foi mandada para o espaço. O condomínio é o principal poluidor da Lagoa de Marapendi.
NÚCLEO RESIDENCIAL NOVA IPANEMA - AVENIDA DAS AMÉRICAS, KM 6. A partir da década de 70, o mercado imobiliário se apropria de alguns fundamentos do urbanismo moderno, e começa a construir conjuntos fechados destinados às faixas de poder aquisitivo mais alto. No Rio, este fenômeno ocorreu principalmente em direção à Barra da Tijuca, vetor de expansão da cidade até então pouco explorado. Os núcleos residenciais de Nova Ipanema e Novo Leblon, desenvolvidos simultaneamente em 1975 pelo escritório dos arquitetos Edison Musa e Edmundo Musa, constituem os exemplos mais claros da intenção de introduzir os novos conceitos de planejamento, apresentando o condomínio como evolução natural ao habitar. Os próprios nomes com que foram batizados indicam o caráter do empreendimento, afirmando a proposta de construir novas versões dos bairros mais elegantes da zona sul. O projeto para Nova Ipanema é voltado para o atendimento imediato a todas as necessidades do morador, constituindo-se como uma unidade que se quer autônoma: áreas de lazer e esporte, espaços comunitários, caminhos de pedestre, pequeno comércio. As zonas residenciais se organizam em faixas paralelas a partir da avenida das Américas: alta densidade (oito prédios de apartamentos comunidades de três e quatro quartos) e baixa densidade (116 lotes para residências unifamiliares, a partir de mil m2 cada). O conjunto possui ainda área de apoio náutico junto à Lagoa de Marapendi, com balsas que fazem conexão com a praia, distante cerca de 300m.
UNION CHURCH - NOVA IPANEMA - BARRA DA TIJUCA Edificação para fins religiosos, projetada pelo arquiteto Paulo Casé em 1981 e premiada pelo IAB/RJ em 1985. O espaço arquitetônico proporciona ao público a fruição de um ambiente acolhedor, incorporando às exigências do culto uma linguagem claramente contemporânea. A composição se utiliza de elementos tradicionalmente associados a espaços religiosos, reinterpretados, segundo ótica atual, como o sentido de verticalidade, o clima de penumbra obtido pela dosagem de luz e os elementos portantes manifestados externamente. Plasticamente, a expressão do conjunto é assegurada pela estrutura em concreto aparente onde se destacam o campanário e o corpo da nave, com cobertura inclinada ascendente para o altar, apoiada por vigas metálicas que vencem vão de 15m e se assentam sobre contrafortes em concreto armado que estruturam o talude de onde emerge a nave. Entre a cobertura e o talude foi aberta uma área para iluminação e ventilação, sob a qual se dispõe ampla vegetação. A luz filtrada pelos vitrais coloridos dispostos atrás do altar contribui para a iluminação natural do interior, gerando uma atmosfera própria à meditação.
CONJUNTO RESIDENCIAL NOVO LEBLON - AVENIDA DAS AMÉRICAS, KM 8. Conjunto residencial formado por oito torres com apartamentos de dois, três e quatro quartos. A organização do conjunto segue a proposta do projeto precedente, projetado pelos mesmos arquitetos na mesma época, em terreno vizinho com 540 mil m2 de área, limitado ao norte pela avenida das Américas e ao sul pelo parque da Lagoa de Marapendi. As torres são dispostas sobre plataforma destinada a lazer com piscinas e infra-estrutura esportiva, e em seu entorno ficam as casas; as edificações delimitam um amplo espaço comunitário, com bosque, clube, campos de golfe e escola.
CRECHE TIC-TIC-TAC - CONDOMÍNIO MANDALA - BARRA DA TIJUCA Em terreno plano de 3.500m2, num dos condomínios fechados da Barra da Tijuca, foi implantado em 1983 este projeto das arquitetas Ofélia Autran Dourado e Ângela Leite Barbosa, para responder a programa bastante específico. A concepção baseia-se em módulos de 5,00m x 5,00m, organizados de forma a atender a diferentes finalidades; os blocos de atividades independentes são interligados por passarela coberta com laje de concreto, iluminada por domus em estrutura metálica. O arranjo das unidades permitiu a criação de pátios privativos destinados a faixas etárias distintas e usos diversos. Predominam as cores primárias nas esquadrias e elementos metálicos, proporcionando ao conjunto uma jovialidade coerente com o propósito do projeto.
CONDOMÍNIO SANTA MÔNICA - AVENIDA DAS AMÉRICAS - BARRA DA TIJ. Grande empreendimento imobiliário, iniciado em 1980, e que ainda estava sendo implementado dez anos depois. Projetado pelos irmãos Edson e Edmundo Musa, foi o primeiro conjunto habitacional a prever um crescimento orgânico, em etapas preestabelecidas, conforme os serviços urbanos do bairro fossem implantados, num esquema oposto ao do Atlântico Sul. Os incorporadores confiavam plenamente no pronto crescimento do bairro, bastando dizer que algumas unidades foram pensadas prevendo a proximidade da futura estação do Metrô-Barra, ainda hoje não implantada. Na primeira etapa, era um conjunto composto por loteamento de terrenos amplos de 1.200m2, onde foram previstas residências de alto luxo, com unidades de, no mínimo 04 quartos. O condomínio era claramente inspirado no famoso subúrbio californiano, seguindo um traçado orgânico densamente arborizado, imitando o padrão de vida do local cujo nome sugeria. As casas seriam cercadas por cercas vivas em vez de muros, sendo toda a parte íntima voltada para o interior dos lotes, garantindo privacidade total, reforçada ainda mais por serem as unidades de sobrado. A implementação total do condomínio sofreu muitos atrasos, sendo depois instalados serviços internos não previstos originalmente, haja vista que os programados para o bairro sofreram atrasos em sua implantação, haja vista a estagnação pelo qual o Município passou na década de oitenta.
PARQUE ZOOBOTÂNICO DE MARAPENDI - AVENIDA DAS AMÉRICAS, S/NO. Compreendendo as margens sul e norte da Lagoa de Marapendi, possui a maior diversidade de flora de restinga do Município. Nesse ecossistema encontram-se espécies animais ameaçadas de extinção, tais como o jacaré-de-papo-amarelo; o lagartinho-branco-da-praia; e o falcão peregrino. Encontram-se também espécies vegetais raras, tais como a quétea, o molembá, a sévula (ou mangue-de-praia), a canela santa e a embaúba-de-restinga. O parque foi tombado pela Municipalidade em 1991.
PEDRA DE ITAÚNA - AVENIDA DAS AMÉRICAS, S/NO. - BARRA DA TIJ. Bloco rochoso monolítico em gnaisse facoidal, marco paisagístico de grande expressão local, é um monumento natural isolado, depositário de vegetação das mais raras. Tombado pelo INEPAC em 1975.
PEDRA DA PANELA - ESTRADA DA PEDRA DA PANELA - ANIL Bloco rochoso monolítico em gnaisse facoidal, monumento natural localizado a 100 metros da estrada, completamente integrado à paisagem de Jacarepaguá. Tombado pelo INEPAC em 1969.
CONDOMÍNIO ATLÂNTICO SUL - AVENIDA SERNAMBETIBA, 3.600 - BARRA. Unidade habitacional de alto luxo, com prédios distribuídos em amplo terreno frente ao mar, portando cada lâmina apartamentos de luxo com 3 e 4 quartos e piscina privativa na varanda. Projetado em 1977 pela Sérgio Dourado Arquitetura e Planejamento, esta unidade, a primeira de grande porte nessa região da orla, utilizou-se de seu grande isolamento para aproveitar todo o espaço disponível ao nível do solo com serviços que permitissem ao máximo a convivência sem depender da infra-estrutura, então inexistente de mercados, lazer e serviços gerais da Barra. Os generosos equipamentos urbanos contam com quadras de tênis com instrutores; quadras de vôlei, basquete e futebol; piscina com instrutores; shopping center; sauna, salões de massagem, repouso, jogos e cinema; academias de ballet e ginástica com instrutores; deck e porto náutico na Lagoa de Marapendi; área para ginástica ao ar livre, jardins lagos e fontes de Burle Marx; dois restaurantes; posto médico; cartão de crédito interno e seis linhas de ônibus privativas, etc. Enfim, toda uma forma de vida que o novo bairro se proporcionava para receber e atrair.
CONDOMÍNIO RESIDENCIAL ALDEIA DO MAR - AVENIDA SERNAMBETIBA Concebido por uma equipe de arquitetos da Servenco Construtora S/A, formada por Fernando Abreu, Dibar Gonçalves, João Vicente do Amaral Mello, Paulo Bernardo Goldstein, Márcia Queiroz Bastos e Marcus Vinícius Lustosa de Souza, este condomínio, projetado em 1983, se beneficia de uma taxa de ocupação, cerca de 20%, bem abaixo da exigida por lei, em terreno de 49 mil m2, onde 15 mil m2 são destinados a lazer e circulação. O programa previa um conjunto de oito prédios de cinco pavimentos, cada um com quatro apartamentos por andar. Os blocos de três e quatro quartos foram dispostos ao redor de uma praça, sobre plataformas elevadas cerca de 01m em relação ao passeio, interligadas por áreas ajardinadas, sob as quais estão os estacionamentos. O material predominante no revestimento externo é o mosaico cerâmico de 5cm x 5cm com esmaltação em amarelo queimado, contrastando com os volumes das caixas dáguas superiores, pintadas em tom café, e com alguns elementos em concreto aparente. Como em outros condomínios da região, foi reservado espaço para uma área de lazer, onde se localizam salões de festas, bar, piscinas, quadras de esporte e salas de atividades artísticas e artesanais. Uma ciclovia e um minibosque, onde foram plantadas cerca de 150 árvores, complementam o conjunto.
COMPLEXO HABITACIONAL ALFABARRA - AVENIDA SERNAMBETIBA, 6.500. O conjunto Alfabarra representa um dos núcleos de torres previstos no plano de Lúcio Costa para a Baixada de Jacarepaguá, e é composto por duas áreas distintas, ladeando a avenida alvorada, entre o mar e a lagoa. No total, o projeto de 1980 dos arquitetos Luiz Paulo Conde, Mauro Neves Nogueira, Sérgio Magalhães, Sandra Muylaert, João José da Silva Costa, Leonardo Stucker Fialho, Juan Carlos Di Filippo e Isso Milman, prevê a construção de cinco torres residenciais com seis pavimentos, dispostos ao redor de uma praça, com três escolas, clube e áreas de recreação. A expressão dos volumes é reforçada pelo tratamento dado às fachadas: predominância de cheios sobre vazios, varandas reentrantes, material de revestimento único e monocromático para cada edifício e toldos que quebram a regularidade do bloco. Edifícios comerciais e de serviços, com gabarito máximo de dois pavimentos, foram implantados entre as torres ou configurando uma rua interior, vinculada à Lagoa de Marapendi.
MUSEU CASA DO PONTAL - ESTRADA DO PONTAL - 3.295 - RECREIO É o maior museu de arte popular brasileira, único no país a permitir uma visão abrangente da vida e da cultura do homem brasileiro. O museu foi criado especialmente em 1992 pelo designer francês Jacques Van de Beuque (1922-2.000), para abrigar sua coleção de arte popular brasileira, constituída ao longo dos últimos 50 anos, sendo, portanto, uma instituição de caráter particular, aberta ao público. A importância da coleção se revela nas 22 exposições de que já participou em oito países diferentes na Europa, e nos EUA. O museu situa-se num dos mais belos recantos da cidade do Rio de Janeiro, em aprazível sítio no Recreio dos Bandeirantes, entre o mar e a reserva ecológica da Serra de Grumari.
RIOCENTRO - ESTRADA DOS BANDEIRANTES, 8.601 - JACAREPAGUÁ. Destinado a grandes eventos, o projeto para o conjunto do Riocentro, projetado por Hélio Modesto em 1977, compreende pavilhão central para feiras, pavilhão de congressos, três pavilhões de exposições, dos quais apenas um foi executado, e edificações de serviço. O terreno de 600 mil m2, localizado na junção de duas artérias de tráfego, foi atravessado por um sistema de circulação interna que permite acesso fácil a todas as edificações e escoamento rápido. Os pavilhões ocupam o centro do terreno, deixando a periferia livre para os serviços de apoio, áreas verdes e estacionamento para seis mil veículos. As edificações mais marcantes são os pavilhões de congressos e exposições: o primeiro tem área construída de 20 mil m2, e capacidade para atender até dez mil participantes. A estrutura de concreto se conjuga à estrutura metálica da cobertura, beneficiando os amplos espaços com perspectivas atraentes. No Pavilhão de Exposições a estrutura metálica cobre 31.500m2, apoiada sobre seis colunas espaçadas por vãos de 60 m. A organização dos blocos permite sua utilização isolada ou simultânea.
INDÚSTRIAS QUÍMICO-FARMACÊUTICAS SCHERING - ESTRADA DOS BANDEIRANTES. Indústria de produtos químicos, implantada em área então destituída de iniciativas similares, o que lhe permitiu estender-se horizontalmente por uma grande área. O complexo, elaborado em 1974 pelo arquiteto Sérgio Bernardes, compreende quatro unidades de função variada, agenciadas ao redor de um lago e unificadas por uma grande cobertura em treliça espacial assente sobre pilares de concreto armado; assegurando continuidade visual ao conjunto.
HOSPITAL GERAL DE JACAREPAGUÁ - AVENIDA MENEZES CORTES, 3.245. Esta obra, projetada em 1987 por jovens arquitetos do escritório Archi 5 (Bruno Fernandes, Alder Catunda, Otávio Reis, Pedro da Luz e Roberto Nascimento), veio responder à necessidade de ampliação de um hospital do INAMPS, na periferia da cidade. Os serviços de ambulatório, atendimento e apoio foram concentrados em um bloco único, formado por dois pavilhões paralelos e pátio central descoberto. O volume se articula com o prédio existente através de circulação semicircular com acessos independentes para equipe médica e pacientes, que se fecha ao redor de uma praça descoberta. Toda a estrutura, cobertura e vedação da nova edificação foram compostas por elementos pré-fabricados de concreto, visando atenuar os problemas decorrentes da convivência do canteiro de obras com o sistema hospitalar. Na própria obra foram executados apenas os blocos de concreto, nos quais se aplicou pigmentação avermelhada para compor as faixas horizontais que caracterizam as duas fachadas principais. O projeto foi premiado pelo IAB/RJ, em 1991.
IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO LORETO LADEIRA DA FREGUESIA, 375 - FREGUESIA. A Freguesia de Jacarepaguá foi criada a 6 de março de 1661, pelo Prelado Dr. Manuel de Souza Almada, atendendo aos pedidos da população de agricultores locais, que não possuíam capela decente para receberem os sacramentos. Três anos depois, era ultimada a igreja, em terras que foram do Padre Manoel de Araújo, e que foram doadas pelo devoto Francisco de Aragão. A benção do edifício foi dada pelo Prelado Almada, em missa onde esteve presente até o Governador do Rio de Janeiro, Pedro de Melo, vereadores e demais cônegos da Sé. A Igreja é relativamente pequena, com vinte metros de frente por quarenta de fundo. Possui frontão reto em estilo maneirista, possuindo três janelas no coro e uma porta de entrada, modificada no século XVIII. Originalmente possuía apenas a torre esquerda, sendo a da direita erguida em 1936. O templo foi reformado em 1896, mas não deturparam sua arquitetura. No século XX, o Vigário Monsenhor Felício Magaldi executou muitas obras de manutenção, sempre respeitando a ancianidade do monumento. Monsenhor Magaldi contou sempre com a ajuda do pintor José Boscagli, que remodelou a pintura dos altares e fez alguns painéis sacros. Dentro, existem quatro altares antigos na nave, e que são em estilo rococó, devendo datar de meados do século XIX. O altar mór, do mesmo estilo, mas mais simples, deve datar de mais tarde. As imagens de São Benedito, Nossa Senhora das Dores, N. Sra. de Pompéia e Nossa Senhora da Conceição datam todas do século XIX, sendo a primeira a mais antiga. A Capela de Santo Antônio Maria Zacaria é mais recente, de 1939, aberta pelos padres Barnabitas que com tanto zelo cuidam do templo colonial desde 6 de janeiro de 1921. Em 1977/79 a igreja foi restaurada em seus detalhes com o apoio da comunidade. Nossa Senhora do Loreto é Padroeira dos aviadores, devido a um milagre sui generis ocorrido em plena idade média, há exatos 710 anos. A 10 de dezembro de 1294 na vila de Loreto, na Itália, a população acordou boquiaberta com uma maravilhosa ocorrência. Uma casa de madeira, de aparência antiga, aparecera no meio de um bosque. Aberta a porta da estranha residência, foram encontradas belas pinturas nas paredes e um altar, com a imagem da Virgem. Tempos depois chegou a notícia que a residência da Virgem Maria, em Nazaré, na Palestina, desaparecera misteriosamente. Pelas descrições era a mesma casa. Ora, naquela época todos os monumentos cristãos no Oriente Médio estavam sendo destruídos pelos fundamentalistas islâmicos, que controlavam então a cidade de Jesus. A destruição da Casa da Virgem era apenas questão de tempo. Dizem as testemunhas que anjos removeram a casa durante a noite, desde os alicerces, da Palestina até a Itália. Com efeito, tanto a madeira da casa como as pedras nela existentes não se encontram na Europa. A dita Casa da Virgem ainda existe, só que hoje está dentro de uma lindíssima basílica barroca, levantada pelo Papa Sixto V em 1587. Coisa que poucos sabem, parece que os anjos fizeram uma escala ou erraram o caminho, pois a mesma casa aparecera antes na vila de Tersato, a 10 de maio de 1291, alçando vôo três anos e sete meses depois para o pouso definitivo em Loreto. A 20 de março de 1920, o Papa Benedito XV declarou a Virgem de Loreto Padroeira dos aviadores, em lembrança aos anjos que removeram a casa da Virgem desde a Palestina até a Itália. Na dedada de 1970, o Ministro da Aeronáutica a declarou Padroeira da Aviação Brasileira, Civil e Militar, sendo o modesto templo da Freguesia elevado à condição de Santuário Nacional. Sua festa se dá a 10 de dezembro.
PARQUE ECOLÓGICO MUNICIPAL CHICO MENDES - AVENIDA DAS AMÉRICAS. Criado pelo então Prefeito Marcello Alencar em 1989, no Recreio dos Bandeirantes, o Parque Ecológico Municipal Chico Mendes ocupa uma área de 440 mil m2 na Baixada de Jacarepaguá. Tem como principal objetivo proteger, da crescente especulação imobiliária, o ecossistema de restinga que ainda resta no município do Rio de Janeiro. Os técnicos da Fundação Rio Zôo, órgão da Prefeitura que administra o Parque, tem promovido a reestruturação da flora remanescente e experimentado a reintrodução da fauna original. Além disso, eles tem desenvolvido, com grande êxito, programas de educação ambiental junto ás comunidades carentes, que se situam nas imediações do Chico Mendes, às escolas e ao público visitante. Entre os animais existentes no Parque, destacam-se a borboleta-da-praia, o lagarto-da-praia (animais em extinção) e o jacaré-de-papo-amarelo, cuja ocorrência na região deu origem ao nome do bairro de Jacarepaguá (Lagoa Chata dos Jacarés).
APA DE GRUMARI - AVENIDA ESTADO DA GUANABARA - GRUMARI A sudoeste do município do Rio de Janeiro fica um dos mais belos trechos do litoral carioca: a Região de Grumari, transformada em área de proteção ambiental em 1986. Cercada de morros e escarpas, a paisagem oferece um fascinante contraste entre o azul e o verde. Em frente, ficam as ilhas das Palmas e das Peças, que também integram a área de proteção ambiental. A vegetação arenosa de restinga é o testemunho natural do que existiu em Copacabana, Ipanema e Leblon. Em Grumari, ela resiste intacta.
MACIÇO DA PEDRA BRANCA - JACAREPAGUÁ O Maciço da Pedra Branca começa na Praia dos Búzios, em Barra de Guaratiba, e vai até Sulacap, passando por lugares como as densas florestas de Vargem Grande e do Camorim, em Jacarepaguá, e as comunidades agrícolas do Rio da Prata, em Campo Grande. Vários pontos da cidade são abastecidos por alguns dos 12 mananciais do Parque. O Parque, no maciço do mesmo nome, é a maior reserva natural do Município. Ele tem 12,5 mil hectares e se estende pelas serras dos bairros de Jacarepaguá, Recreio dos Bandeirantes, Grumari, Campo Grande, Bangu, Barra de Guaratiba e Senador Camará. Além de uma exuberante floresta, o parque abriga vários reservatórios naturais de água e o ponto mais alto do Rio: o Pico da Pedra Branca, com 1,25 mil metros de altitude, em Bangu. O Maciço foi transformado no Parque Estadual da Pedra Branca, em 28 de junho de 1974, através do Decreto no. 2.377. Milton de Mendonça Teixeira |
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