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ANO
XII - 2008
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Milton
Teixeira
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UM PEQUENO SALTO PARA UM BRASILEIRO Alberto
Santos Dumont, nasceu em 20 de julho de 1873, na Fazenda Cabangu,
em Palmira, Minas Gerais, onde morava sua família. O pai,
Henrique Dumont, era engenheiro ferroviário e logo se mudou
para Rio das Flores, no Rio de Janeiro, onde batizou em 1877 o pequeno
Dumont. Desde cedo, Alberto manifestou muito interesse pelos estudos
de mecânica e física. Leu a coleção de
obras de Júlio Verne, que lhe avivou as idéias de
aeronavegação, desejo que nutriu desde a infância.
Formou-se em engenharia civil e rumou para a França, onde
se dedicou inicialmente ao automobilismo, sendo o primeiro brasileiro
a dirigir um automóvel e a participar e vencer competições
automobilísticas. Ao fazer uma visita ao Salon du Cycle
do Palais de L`Homme, em Paris, decidiu-se a aprofundar seus estudos
sobre a dirigibilidade dos balões. Em 1898 construiu seu
primeiro balão, o único que teve nome Brasil.
Seguiram-se vários outros, geralmente em formato de charuto,
com barquinha abaixo e grandes hélices, movidas por motores
cada vez menores e mais potentes.
Sofreu muitos acidentes, mas sempre escapou ileso e pronto para
corrigir e aperfeiçoar suas invenções. Num
deles, seu motor pegou fogo e ele o apagou com seu chapéu,
amassando-o todo, assim criando moda em Paris.
Tanto nos balões como nos primeiros aparelhos de aviação,
procedeu empiricamente, mas aproveitou-se sempre dos fracassos e
das vitórias para aperfeiçoar todos os inventos posteriores.
Fez notáveis experiências, das quais a mais importante
e decisiva foi a de 12 de julho de 1901, quando com seu balão
motorizado nº 6, conseguiu contornar a Torre Eiffel em trinta
minutos, provando a dirigibilidade aérea. Ganhou com isso
o Prêmio Deutsch, que distribuiu pelos colaboradores e necessitados
da capital francesa. Em 26 de outubro de 1906, finalmente, conseguiu
decolar de um parque de Paris com um aparelho mais pesado que o
ar, o aeroplano 14 bis, fato registrado por fotos, filmes e documentos,
tornando inconteste sua primazia neste invento. No mês seguinte
repetiu o feito, ganhando o prêmio do Aeroclube de França.
Em 1908 inventou o ultraleve, um pequeno avião
de passeio que apelidou de Demoiselle. Inventou também
o relógio de pulso, para o joalheiro Cartier, e a asa delta,
mas, sendo um idealista, nada patenteou. Por isso muitos países
não admitem sua primazia, que é inconteste pela farta
documentação existente.
Ficou muito desgostoso com a aplicação militar do
avião durante a Primeira Guerra Mundial, em 1914. Considerava-se
culpado pelos mortos por ataques aéreos, bem como pelos acidentes
aeronáuticos, fator que agravou sua saúde física
e mental. Radicado no Brasil desde 1929, faleceu em Guarujá,
a 23 de julho de 1932, suicidando-se com o desgosto de ver aviões
do Governo bombardeando São Paulo durante a Revolução
Constitucionalista.
Em vida, recebeu muitas homenagens. O Governo Federal comprou a
sede da Fazenda Cabangu e a entregou a Santos Dumont. Após
sua morte, foi convertida em museu.
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ARQUITETURA DE COPACABANA Colaboraram nesta reportagem Marcia Araujo (texto e fotos), Alexandre Macieira e Américo Medeiros (fotos) Um
país se faz com história. Aos 114 anos, Copacabana
ajuda a contar a história do Brasil através das
Edifício América Rua Ministro Viveiros de Castro, 110 Muito simples, em estilo art-déco, com hall de ingresso em mármore rosa com listras em rosa escuro. Erguido na década de 1930. No fundo do prédio sobrevivem cinco grandes árvores: um oitizeiro, duas amendoeiras e dois algodoeiros do Pará. As cinco árvores existentes nos fundos são tombadas pela Municipalidade desde 1991.
Edifício Caxias Rua Ministro Viveiros de Castro,116 A fachada fortemente marcada pelas verticais que criam um jogo muito interessante, pleno de força e criatividade. Em estilo art-déco. Erguido na década de 1930.
Edifício Ophir (Fotos 1, 2, 3)Rua Ronald Carvalho, 154 Esquina da Rua Ministro Viveiros de Castro -Sem dúvida o prédio mais coerente deste grupo. Nele toda a decoração em estilo art-déco repete o mesmo desenho de ângulos retos ascendente até o centro, seja nas grades, como no corte dos mármores do corredor de ingresso, seja nos arcos. Tudo chegando à sua realização mais rica na porta de cristal bizotado, onde as linhas que descem dos ângulos terminam em delicadas espirais. Edifício Tuyuti (Foto 4)Rua Ministro Viveiros de Castro, 100 Muito simples, com porta interessante onde são notáveis os agradáveis conjuntos de flores tipicamente art-déco no seu geometrismo.
Detalhes da entrada do Edifício Itahy - NS Copacabana, 252
1.Fundada em 1948, a Galeria Menescal conserva seus belíssimos afrescos na cúpula da Galeria. Edifício Santa Helena , na Rua Ronald Carvalho, 132, da década de 30 e possui bela portaria.
Residência Unifamiliar
Av. Atlântica, 3.804 Erguida em 1927 sob projeto em
estilo art-déco do arquiteto Júlio de Abreu Júnior,
foi uma obra pioneira dentro da arquitetura moderna no Rio de Janeiro.
É uma das últimas residências da orla de Copacabana.
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BAIRRO DO PEIXOTO ( BAIRRO PEIXOTO) O Comendador Paulo Felisberto Peixoto da
Fonseca nasceu a 14 de dezembro de 1864, em Portugal, vindo para o
Rio de Janeiro com 11 anos. Dedicou-se ao comércio de secos
e molhados, onde prosperou muito. Após alguns anos adquiriram
uma mercearia. Depois de 1898 passou também a administrar
bens imobiliários de lusitanos no Brasil, quando então
adquiriu imensa chácara no areal de Copacabana, entre as ruas
Figueiredo Magalhães e Santa Clara. Viúvo em 1929 de
Dona Orminda Cunha, brasileira, e sem filhos, passou a se dedicar
a obras de caridade. Ainda em vida doou todos os seus principais
bens para instituições beneficentes lusitanas, sendo
que os terrenos de Copacabana foram repartidos entre várias
entidades de assistência social e hospitalar de Portugal e do
Brasil, principalmente à Caixa de Socorros D. Pedro V. Esta
última, solicitou à Prefeitura em 1939 o loteamento
das terras de Copacabana, tendo o engenheiro José de Oliveira
Reis projetado as ruas Henrique Oswald, Maestro Francisco Braga, Décio
Vilares e Praça Edmundo Bittencourt, surgindo então
o que se chamou Bairro do Peixoto. Ao contrário do restante de Copacabana,
somente foram autorizadas construções de poucos pavimentos
ou unifamiliares, evitando assim a verticalização do
bairro. A única exceção, o edifício São
Luiz Rei, desabou fragorosamente em 1951, poucos dias antes de sua
inauguração. A atriz Beth Mendes, o jornalista Arthur Xexéo, a produtora Denise del Cueto e o saudoso Contijo Teodoro escolheram o Bairro Peixoto como moradia. |
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FORTE DUQUE DE CAXIAS - LEME
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MUSEU HISTÓRICO DO EXÉRCITO E FORTE DE COPACABANA
O Forte de Copacabana teve atuação discreta durante
a Segunda Guerra Mundial, tendo dado seus últimos disparos
efetivos em novembro de 1955, contra o Cruzador Tamandaré,
que se rebelara e fugira para São Paulo, levando a bordo
o presidente deposto, o Sr. Carlos Luz, bem como parte de seu ministério
e aliados. Foram feitos doze disparos durante vinte minutos, sem,
no entanto, atingir a embarcação, que estava desarmada
e só com uma hélice funcionando. Em 1964, o Forte
não aderiu ao movimento militar de 1o. de abril, tendo sido
tomado pela força de terra enviada pelo Coronel Cézar
Montagna, ocorrendo então o famoso "episódio
da bofetada", quando o dito Coronel derrubou a sentinela da
entrada com um golpe de mão, invadindo e tomando a fortificação,
sem o uso de armas. Durante o regime militar, serviu o Forte de
Copacabana de presídio político.
Desativado totalmente em 1986, foi reaberto no ano seguinte como
Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana,
muito ampliado em meados da década de noventa por ordem do
Ministro do Exército Zenildo de Lucena, sendo suas instalações
equipadas com os mais modernos processos museológicos, tornando-se
importante bem cultural da cidade e repositório de elevadas
tradições militares. A área de entorno, cujos
terrenos chegam ao Arpoador, igualmente tornou-se notável
área de lazer para a população carioca, sendo
palco de eventos marcantes, particularmente no Reveillon, onde há
artística queima de fogos e disputada recepção.
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O
PALÁCIO DO MAR - HOTEL COPACABANA PALACE
Octávio Guinle adquiriu então um alqueire de terras
na Praia de Copacabana, que naquela época ainda era ocupada
escassamente por algumas casas. O terreno dava frente para a Avenida
Atlântica, alargada em 1919 por Paulo de Frontin. Contratou-se
o afamado arquiteto francês Joseph Gire, o qual projetou um
estabelecimento bastante calcado nos modelos dos hotéis Negresco
e Carlton, de Nice, na Côte D`Azur. Foi entregue a construção
ao engenheiro brasileiro César Mello e Cunha. Dificuldades
de importação de materiais de construção,
quase todos vindos da França, bem como o transporte dos mesmos
para o Brasil e para Copacabana, assim como também os profundos
alicerces de 14m exigidos e para a confecção dos quais
ainda não tínhamos tecnologia, atrasaram de muito a
obra, somente possível de ser inaugurada em 13 de agosto de
1923, quase um ano após o encerramento da dita Exposição
Internacional. Na noite de estréia, deveria ocorrer um show
com a artista francesa Mistinguett, mas seu contrato com o Teatro
Lírico a proibiu.
O Presidente Arthur Bernardes, sucessor de Epitácio Pessoa,
tentou em 1924 cassar a licença para nele funcionar um cassino,
haja vista que a construção do mesmo ultrapassara o
prazo estipulado pelo Governo. Depois de longa pendência judicial,
a família Guinle obteve ganho de causa em 1934. A visão
de Octávio Guinle mostrou-se correta e logo se tornou o Copacabana
Palace lugar de encontro da sociedade brasileira e de celebridades
internacionais, ultrapassando de muito a tímida visão
espalhada pela crítica da época de que ninguém
se hospedaria em hotel tão distante do centro. Nesses primeiros
dez anos de vida, o Copacabana Palace foi palco de eventos históricos
e dramáticos.
Ainda em construção, sofreu violenta ressaca em 1922,
que lhe destruiu toda a Avenida Atlântica e causou-lhe danos
nos pavimentos inferiores. Em 1925 hospedou a primeira personalidade
mundial, na figura do cientista Albert Einstein. Em 1928, num de seus
salões, foi alvejado por uma bala o Presidente Washington Luís,
num tiro dado por sua amante francesa durante um arrufo. O Presidente
foi socorrido pelo médico Francisco de Castro e o episódio
abafado. No mesmo ano, em dezembro, hospedou-se no Copacabana, em
profunda crise de depressão, o inventor Alberto Santos Dumont,
já com a mente bastante debilitada e muito triste ao presenciar,
na sua chegada ao Brasil, um horrível acidente aéreo,
quando o avião que jogaria pétalas de flores em seu
barco bateu na água, na Baía de Guanabara e explodiu,
matando seus doze ocupantes.
Em 1933 o Copacabana Palace seria conhecido internacionalmente por
um filme realizado em Hollywood, "Flying down to Rio", com
Dolores Del Rio, Fred Astaire e Ginger Roger, ambientado no hotel,
mas todo realizado em estúdios nos Estados Unidos, com cenários
pintados do Rio de Janeiro e a praia de Malibu "dublando"
Copacabana. O filme foi um sucesso e tornou o hotel famoso mundialmente
da noite para o dia. Em 1934, foi construída a piscina do hotel,
em projeto de César Mello e Cunha, depois ampliada em 1949.
Em 1938 inaugurou-se o "Golden Room", com show de Maurice
Chevalier.
O Príncipe Edward de Gales, futuro Rei Edward VIII da Inglaterra,
bem como seu irmão Jorge, igualmente futuro monarca britânico,
se hospedaram no Copa em 1931, tendo Edward protagonizado um rumoroso
episódio constrangedor para a Família Real Britânica
ao se apaixonar por uma senhora brasileira, Negra Bernardez, desquitada
e mãe de dois filhos, a qual ele queria levar de todo o jeito
para a Inglaterra e com ela se casar. Em seus arroubos, chegou a intentar
um vôo num avião experimental trazido desmontado em seu
navio para impressionar sua amada, jogando-lhe flores do alto sobre
sua casa, no que foi dissuadido do ato por seus assessores. Não
se refez do episódio, tomando "homérico" porre
e jogando-se todo fardado na piscina do Country Club de Ipanema. Anos
depois, Edward, já Rei da Inglaterra, renunciaria ao trono
para casar com a desquitada americana Lady Simpson, com quem viveu
o amor de sua vida. Quanto à Negra Bernardez, a mulher que
recusou ser rainha da Inglaterra, era mãe do afamado colunista
social Manuel Bernardez Müller (Maneco Müller).
A Segunda Guerra Mundial tornou o Copacabana Palace o único
hotel de turismo de porte capaz de hospedar a elite internacional
sem sofrer do perigo de um bombardeio. Foram os anos áureos
do hotel. A política de boa vizinhança para com os Estados
Unidos, estabelecida em 1942, fez com que grandes personalidades daquele
país nos visitassem e se hospedassem no Copa. Praticamente
todos os grandes atores de Hollywood nele tiveram pouso: Clark Gable,
Edward G. Robinson, Fred Astaire, Dolores Del Rio (finalmente no Copa!),
Katerine Hepburn, Lana Turner, Marlene Dietrich (que realizou show
memorável em 1959), Orson Welles (que "morou" seis
meses no hotel em 1942, e que num acesso de fúria jogou os
móveis de seu quarto na piscina...), Walt Disney (que nele
esboçou o personagem "Zé Carioca"), Josephine
Baker (que manteve encontro furtivo com Le Corbusier), e muitos outros.
Após a guerra, com a proibição do jogo em abril
de 1946, passou o Copacabana Palace por ampla reforma, que lhe aumentou
a capacidade, acrescentando dois andares ao prédio principal,
mais a pérgula lateral, que se tornou ponto de encontro da
sociedade brasileira e estrangeira, e ergueu-se o anexo nos fundos,
inaugurado em 1949. No antigo cassino foi instalado o teatro Copacabana,
responsável pelo lançamento de muitos talentos da dramaturgia
nacional. Fez a reforma do Copa o arquiteto Wladimir Alves de Sousa,
que soube preservar a ambiência antiga do hotel. O anexo tornou-se
logo lugar não só para residência de hóspedes
ilustres, como também para encontros furtivos importantes,
pois existia uma elaborada passagem subterrânea, por detrás
do salão de cabeleireiro, que conduzia quem não quisesse
ser visto daquele lugar até o anexo. Devem ter sido encontros
extremamente apaixonados, pois pelo menos dois amantes morreram do
coração, um deles importante senador da República
por São Paulo e outro um respeitável banqueiro carioca...
Quem quase morreu no Copa, mas de coração partido, foi
a grande cantora nacional Carmem Miranda, frustrada pelo fracasso
de seu casamento. Carmem trancou-se em seu quarto em dezembro de 1954
e pensou seriamente em se matar, desistindo após olhar a bela
paisagem da orla de Copacabana da janela de sua suíte. Carmem,
aliás, seria muito mais lembrada pela alegria que exarava em
seus shows no Golden Room que por este episódio, que com o
tempo lhe levaria à morte em agosto de 1955.
Os anos cinqüenta foram o canto-do-cisne da fase áurea
do Copacabana Palace, que entra em lenta decadência após
a transferência da capital para Brasília em 1960. Continuou
como um importante hotel da cidade, servindo de pouso a visitantes
ilustres do Rio de Janeiro (como os astronautas da Apolo 11), palco
da vida social da cidade, onde famosos cronistas sociais iam buscar
matérias para suas colunas, até ser superado por hotéis
mais modernos na década de setenta. Em 1985, quando intentaram
sua demolição, foi tombado pelas três esferas:
IPHAN (Federal), INEPAC (Estadual) e DGPC (Municipal). Em fins da
década de oitenta a família Guinle, na figura de seu
herdeiro e presidente José Eduardo Guinle, vendeu-o em 1989
ao grupo "Orient Express", que o reabilitou, modernizando
velhas instalações sem descaracterizá-las.
Presentemente é o Hotel Copacabana Palace um dos mais importantes
estabelecimentos hoteleiros da cidade, com modernas 236 acomodações
palacianas e dos mais queridos bens culturais do Rio de Janeiro, local
de confluência de vários episódios importantes
do século XX, sendo preciosa lembrança de uma época
de fastígio e esplendor, único bem deste gênero
sobrevivente na cidade.
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A PRIMEIRA LIGAÇÃO ENTRE O BRASIL E A EUROPA ATRAVÉS DE UM CABO SUBMARINO. Tendo em vista o 114º
aniversário do bairro de Copacabana passar agora a 6 de julho,
relembro aqui uma outra data importante para o Brasil onde nosso futuroso
bairro serviu de palco. A da ligação do cabo submarino
com a Europa, ocorrida há 153 anos atrás e que representou
para nossa terra um evento tão ou mais importante que a implantação
da moderna Internet há pouco mais de dez anos. |
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A Igrejinha de Copacabana Pesquisa iconográfica realizada por Milton de Mendonça Teixeira - maio de 2.003. Clique nos links abaixo para ver |
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A FONTE DA POLÊMICA
É
uma das obras de arte mais interessantes e menos conhecidas das que
existem nos jardins do Rio. Aqui, em poucas linhas, conto um pouco de
sua história. Durante o ano de 1905, a cidade passava por extensa remodelação urbanística realizada no quadriênio do presidente Rodrigues Alves. O prefeito Francisco Pereira passos estava por trás das grandes obras, mas algumas delas, como a remodelação do pôrto e a abertura da avenida Central, corriam por conta do Governo Federal.
Adquiriram um bloco de mármore de Carrara alvíssimo, com 37 toneladas e sete metros de altura, onde foi esculpida a ampliação da "Mocidade". Entretanto, na hora de transportá-lo, ficou muito incômodo seu embarque, o que obrigou o artista a serrá-lo em sete partes, vindo para o Brasil perfeitamente acondicionado e acompanhado por pessoa idônea que também cuidou da montagem e assentamento. Colocada nos jardins da Glória, mais ou menos onde hoje está a saída da estação do Metrô, foi inaugurada a 24 de janeiro de 1906. O Jornal do Commércio do dia seguinte noticiou a festa: "Com
a presença do Presidente da República, é inaugurada,
no jardim da praça da Glória, a "fonte artística"
oferecida à cidade pelo comerciante de vinhos Adriano Pinto. Foi ontem inaugurada, no jardim da praça da Glória, a fonte artística. Nenhum Ministro de Estado compareceu e apenas se fizeram representar o da Guerra e o da Viação. O local estava enfeitado com folhagens e galhardetes, sobressaindo as cores nacionais, francesas e portuguesas.
Finda essa alocução o Sr. Dr. Pereira Passos convidou o Sr. Presidente da República e demais convidados a servirem-se de uma mesa de doces que lhe estava reservada no English Hotel. Ao champagne o Sr. Olavo Bilac, em nome do Sr. Prefeito, saudou o comércio luso-brasileiro e agradeceu a firma Adriano Ramos Pinto & Irmãos a oferta da fonte...".
Mas as qualidades artísticas da obra falaram mais alto e a fonte ali permaneceu por quase trinta anos, até que, em 1935, o prefeito Pedro Ernesto mandou removê-la para a entrada do túnel do Leme. Até 1983 funcionou como fonte, quando então foi suspenso o abastecimento dágua e a estátua foi cercada por horrendas grades, pois havia se convertido em banheiro de mendigos. Vinte e três anos depois, essa obra de arte tão delicada ainda fica exposta às agressões de vândalos e da natureza; aqueles rostos finos, aqueles polidos contornos, sofrerão com o tempo desgastes que bem melhor seria evitar. Milton de Mendonça Teixeira. |
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Avenida Nossa Senhora de Copacabana - 1892/1965 Pesquisa iconográfica realizada por Milton de Mendonça Teixeira - maio de 2.003. Clique nos links abaixo para ver |
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Cine Atlântico - Entre Ruas Siqueira Campos e Figueiredo Magalhães - 1.923. |
J. Gutierrez - Estação de Bondes - Esq. de Siqueira Campos - 1892 |
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PLANO DA BARRA DA TIJUCA A auto-estrada Lagoa-Barra, projetada em meados da década de sessenta, foi a certidão de nascimento do novo bairro da Barra da Tijuca, projetado pelo urbanista Lúcio Costa neste mesmo ano de 1968, e implementado em 1969. Pensou-se, assim como em Brasília, fazer a dupla de arquitetos Lúcio Costa-Oscar Niemeyer todo o projeto da Barra. Lúcio ficaria com o planejamento urbano, Oscar construiria os edifícios. O padrão da arquitetura da Barra seria o que fora utilizado pelo mesmo Oscar Niemeyer na torre do Hotel Nacional, executado em 1971 no bairro de São Conrado. Mas a especulação imobiliária falou mais alto e ninguém quis saber das torres envidraçadas de Niemeyer.
HISTÓRIA DA BARRA DA TIJUCA Os primeiros habitantes da Barra da Tijuca foram os índios tamoios, que mantinham uma grande taba próxima onde hoje está a lagoa do Camorim. Seu nome era Guará-Guassú-Mirim (literalmente filhote de lobo grande). Em 1565, Estácio de Sá doou essas terras ao sesmeiro Antônio Preto, que nada fez com elas. Em 1570, Salvador de Sá, terceiro governador do Rio de Janeiro, mandou para a região diversos trabalhadores braçais índios, chefiados pelo cacique Mandu, para revolver a terra e plantar cana-de-açúcar. Ao que parece, a aldeia de Guará-Guassú-Mirim já havia sido extinta, ou os índios já teriam se mudado, receando contatos com seus novos donos da terra. Em 1594, Salvador transferiu as posses territoriais de toda a zona oeste da cidade a seus dois filhos: Martinho e Gonçalo. A Martinho, menos empreendedor que o irmão, mas, por sua vez, mais afeito a aventuras, ficou com a várzea de Jacarepaguá (cuja tradução é lagoa chata dos jacarés). A Gonçalo, caberia toda a restinga de Jacarepaguá, áreas planas e praianas correspondentes às atuais praias do Vidigal, Gávea e Barra da Tijuca. Em setembro de 1594, Gonçalo fundou o Engenho Camorim, próximo à lagoa do mesmo nome (dentre as possíveis traduções de Camorim, está a de robalo, um dos peixes abundantes no local). Por muitos anos, a restinga da Barra da Tijuca foi tomada por extenso canavial. Em 1624, o Prelado Mateus da Costa Aborim, autorizou o funcionamento da capela de São Gonçalo do Amarante, minúscula capela que ainda existe tal e qual, em Vargem Pequena. Em março de 1634, com diferença de dias, faleceram os dois irmãos Martinho e Gonçalo. Herdou as terras de Martinho o poderoso general e futuro Governador do Rio de Janeiro Salvador Correia de Sá e Benevides, de cuja memória os cariocas sempre guardaram a fama de ter sido homem atrabiliário e cruel. Por sua vez, a herdeira da Barra da Tijuca foi Da. Vitória de Sá, que não quis saber de administrar engenhos, pois se casou com o Governador de Assunção, D. Luís de Céspedes Xeria, mudando-se para as terras do marido, na América espanhola. Era a época da União das Coroas Ibéricas (1580-1640), onde as duas Américas foram apenas uma só propriedade, mesmo que só por um espaço de sessenta anos. Depois de 1640, Da. Vitória de Sá, já viúva, retornou ao Brasil, só para saber que seu primo, na sua ausência, havia invadido suas posses e, literalmente, tomado a propriedade, que julgava aban |