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Morador de Rua
"Gostaria de pedir encarecidamente as autoridades do bairro de Copacabana que fosse até a Rua Belfort Roxo, esquina com Av Atlântica, onde uma senhora (moradora de rua) fixou residência. Esta senhora possui uma criação de gatos, cada vez maior, colocando em risco de doenças as pessoas que freqüentam a praça do Lido, principalmente as crianças. Lembro que esta senhora chegou ali há alguns anos naquela calçada com um guarda-sol e hoje ela tomou conta da calçada quase toda impedindo até pedestres de transitar, sem contar com o mau cheiro insuportável de gatos e suas fezes. Por favor, vejam que isso esta acontecendo quase na esquina de uma das avenidas mais lindas do mundo, Onde estão as autoridades de Copacabana? Porque não transferem aquela senhora para um abrigo onde ela possa ter mais condições de vida e os moradores, voltem a freqüentar a Praça do Lido, porque ela tem que viver com uma porção de gatos na esquina da Av Atlântica."
Ana - por email.
 
Fala Vizinho -Gringo Cardia 2007


Victor Biglione

Por Renata Moreira Lima

Ele é um apaixonado por Copacabana, hoje, o guitarrista e violonista, Victor Biglione mora na Lagoa, mas tem orgulho de ter sido criado a margem da Princesinha do Mar. Ele conhece cada rua, comércio, bares, lojas e afirma: faz tudo em Copacabana. O orgulho de ser um cidadão copacabanense vem com o desejo de que a população do bairro se orgulhe de ter um “filho” que fez história na música brasileira. Argentino de nascença, ele é o músico estrangeiro com a maior contribuição em gravações e shows na MPB. Conheça um pouco mais da história dessa fera da nossa música na entrevista ao Jornal Copacabana.

 

J.C.: Você é argentino...
V.B.:
Nasci na Argentina, mas sou naturalizado brasileiro! Vim pra cá aos cinco ou seis anos. Em 1966 vim para o Rio e nunca mais saí, direto para Copacabana. Durante minha carreira recebi propostas de trabalho para morar fora e nunca aceitei. Moro na Lagoa por uma pechincha imobiliária, meu bairro é Copacabana! Meu sonho é voltar a morar em Copa! Gostaria de ir para Av. Atlântica (onde já morei), Constante Ramos, Santa Clara, Domingos Ferreira... Algum lugar perto da praia. Estou sempre ali no Cervantes, minha turma de praia é na Constante Ramos. Gosto do Luca’s, que agora é o Garota de Copacabana, vou muito lá!


J.C.: Então você é um apaixonado por Copacabana!
V.B.:
Só me sinto bem em Copacabana! Faço muita coisa por lá. É um bairro que dá liberdade. Você pode andar de short, sunga... Um barato! Faço meu cabelo no Assis da Souza Lima, estou sempre no Bar 420, que anuncia com o Jornal. Um bar que estou sempre é o Real Chopp! Vou pra ver jogos do Botafogo! (risos). Gosto também da Adega Pérola! Meu banco é na Siqueira Campos, o estúdio que eu gravo, Studio Up, é na Djalma Ulrich, e rendeu meu mais recente Kikito, pois também trabalho com cinema.
Gosto do mais barato ao mais caro! Adoro o Don Camilo, na Atlântica, a Colombo do Forte de Copacabana, Half Bar do Miramar, com a vista mais bonita que tem...
Adoro a Fiorentina! Só compro roupa em Copa, de preferência na Cyticol, tênis na Di Santini. Depois mando estilizar as minhas camisas. Adoto também o trailer do Bar Luiz e Champanheria Copacabana, que é maravilhosa. Só venho para Lagoa para dormir. Meus médicos são lá, a Musicale é uma das melhores lojas de disco. Copacabana é um lugar que tem tudo! E se quiser posso até usar a rede wireless gratuita da praia!
Conheço todas as ruas em detalhe. Estou sempre ali no “Baixo Copacabana”, na Bolívar. Faço compras no bairro, compro meus vinhos no Planeta Sonho, compro minhas camisas de futebol na Santa Clara 33, loja de música é a Les Paul no Centro Comercial de Copacabana, do meu amigo Rogério. Sempre vou ao restaurante Arataca. Adoro a loja Bossa Nova e Cia, no Beco das Garrafas. Uma vez tirei férias e fui pra Copa! (risos). Um entardecer, um anoitecer em copa! É maravilhoso! É a maior alegria da minha vida ganhar a capa do jornal do bairro que eu mais amo!


J.C.: Está sempre em Copacabana. Consegue parar em casa?
V.B.:
Em casa eu estudo, componho e cuido da minha carreira.


J.C.: Trace um paralelo entre a Copacabana de antes e a de hoje.
V.B.:
Esse é um assunto delicado... O que mais me incomoda é o lixo pelas ruas do bairro. Acho nojento! Não consigo entender esse horário do lixo! Outra coisa que é péssima é o consumo de crac (droga), uma lástima!
Fora os pedintes! Como tenho cara de gringo, dou três passos e logo vem alguém me pedir alguma coisa! É chato! Acho que vou fazer uma camiseta na loja que tem na galeria da Casa e Vídeo, dizendo: NÃO SOU GRINGO! (risos).
Me preocupa não se preservar a história cultural do bairro. A Bossa Nova foi inventada no bairro, no entanto, o estilo não é tocado em nenhuma casa. Sinto falta dos cinemas. Toda a minha formação cultural foi no Caruso, no Condor, no Rian, no Arte Palácio, no Ricamar, nos dois cinemas da galeria Alaska, Cinema 1, na Prado Junior. Falta mais cultura em Copacabana!
Comparando, acho o reveillon péssimo! Não passava em Copa desde 1971, passei de 2008/2009 e achei uma euforia gratuita. Horroroso! A minha sugestão seria dividir a praia em ritmos: numa área um palco, menor do que temos atualmente, com chorinho, na outra samba de raiz, em outra bossa nova, e em outra a música mais comercial, popular. Isso mostraria o que o Brasil tem de bom, a nossa cultura! Tem que cuidar da higiene, colocar banheiro químico suficiente.
Cuidar das marquises que estão perigosas, dos prédios Art Decô, preservar esse bem.
Copacabana está se sofisticando, mas pode melhorar bem mais! Precisa de apoio cultural e do público. Adoro os cafés, o Cafeína da Constante é maravilhoso! Adoro o Shopping dos Antiquários... Outro lugar que o carioca tem que valorizar é o Cotton Club, no Cassino Atlântico. Podia ter mais música ali.
Sinto falta de uma casa noturna como o Mistura Fina, com piano bar, mais “classudo”, que dá espaço para os artistas.
Um absurdo é a polícia atirar no meio da rua como vimos esse ano na Santa Clara. A população tinha que protestar!


J.C.: Principalmente agora que o Rio de Janeiro vai sediar os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo.
V.B.:
Me preocupa a olimpíada aqui no Rio, pois os hospitais não tem nem esparadrapo, como vão receber tantas pessoas no caso de precisarem?
Vai emendar a Copa do Mundo na Olimpíada... Acho muito gasto! Os governantes tem que se preocupar com saúde e educação. Estudei em colégio público a vida inteira, na Francisco Otaviano e na Raul Pompéia, e não sou nada burro! Hoje em dia não é mais assim. Isso me entristece muito.
J.C.: Lançou recentemente Tributo a Ella Fitzgerald.
V. B.:
Lancei na Modern Sound (outro lugar maravilhoso), com a Jane Duboc, com roupagem abrasileirada. Fizemos show no Posto 8, em São Paulo e estamos indo para Minas Gerais.
Fiz também um tributo ao Tom Jobim, Uma Guitarra Num Tom, na sala Baden Powell, outro lugar sensacional de Copa. Produzi o disco do Marcelo, filho do Baden. Adoro a família!
Estou com um projeto que vou tocar Bossa Nova com o meu trio no Hotel Ouro Verde dia 20/10/09. Dia cinco de novembro terá o lançamento do meu livro na livraria Bolívar, O Guitarrista Victor Biglione & a MPB – o músico estrangeiro com a maior contribuição em gravações e shows na MPB, de Euclides Amaral. Esse será meu momento mais importante como um cidadão copacabanense! Tem fotos com Chico Buarque, Maria Bethânia, Gal Costa, Cássia Eller... Fotos da minha infância, de todos os meus discos... A lista completa dos artistas que toquei. É um perfil completo feito pelo Euclides via Instituto Ricardo Cravo Albin. Eles tinham a desconfiança sobre o título, que diz que sou o músico estrangeiro com a maior contribuição em gravações e shows na MPB, mas foi confirmado. Foi uma surpresa para mim! O tempo andou e eu não percebi que toquei com tanta gente! É o segundo livro que estou lançando, o outro tinha partituras.


J.C.: Como arruma tempo para tanto trabalho?
V. B.:
Fiz tudo sem deixar de ir à praia ou tomar meu chopinho. Ou seja: para a pessoa não fazer nada da vida, tem que ser muito vagabunda mesmo! (risos). Tive tempo de me divertir e construir uma carreira. Isso porque ainda faço trilha sonora de cinema! O que me rendeu vários prêmios.


J.C.: Tem previsão para um próximo filme?
V.B.:
Estou terminando a trilha sonora do filme Elvis e Madona, todo rodado em Copacabana, com um elenco de estrelas!


J.C.: São 31 anos de carreira.
V.B.:
Comecei a estudar aos 12 anos, em Copacabana. Depois fui para Boston, São Paulo e comecei a carreira aos 20 anos, aqui no Rio com a Zezé Motta. Depois disso, nunca mais parei. Fico feliz e quero ser uma referência como uma pessoa criada no bairro. Com a minha profissão fui a todos os lugares do mundo, o que é outro presente na minha carreira.


J.C.: Com a sua experiência e competência, quem são os novos talentos da música instrumental?
V.B.:
Tem uma geração que vem bem, com personalidade, técnica, como o violinista carioca Jean Charnot, de 21 anos. Gosto da banda Spock, do Recife e Mantiqueira, de São Paulo. E tem muito mais gente boa aqui no Rio também.


J.C.: Com um clique pode-se achar um artista na internet. Isso está mudando a mentalidade do mercado?
V.B.:
O problema é que hoje vivemos na cultura do resultado. Tem que ser imediato. Não há mais paciência para lançar um músico bom. Tudo depende do poderio de mídia que se tem. Por outro lado, a internet pode dar visibilidade a novos talentos.


J.C.: Deixe seu recado aos leitores do Jornal Copacabana.
V.B.:
Zelar pela parte histórico-cultural do bairro. Aconteceu muita coisa em Copacabana, é bom que todos saibam. Vamos incentivar novos espetáculos e a cultura do bairro!
m uma força descomunal e poderemos, sim, ter um país melhor!